INICIAR SESIÓNLeonardo fechou o dossiê com força, as mãos tremendo de raiva. Cada página parecia uma faca cravada na sua frieza calculista. A descoberta de Isabella com Renato, as fotos, os detalhes, tudo aquilo era uma afronta. E ele, que sempre acreditou na sua estratégia de controle, sentiu a raiva subir como uma tempestade incontrolável.Ele não podia aceitar aquilo. Não podia permitir que ela o usasse dessa forma, que transformasse sua vida em uma narrativa de fraqueza e descontrole. Sentiu o sangue ferver ao pensar que ela poderia usar sua própria história contra ele, transformar sua imagem numa vítima, enquanto ele só tentava proteger o que era seu — suas razões, seus filhos, seu orgulho.Sem pensar duas vezes, pegou o telefone e ligou para Marie, sua mãe, uma mulher dura, que sempre tinha uma opinião forte sobre tudo — especialmente sobre Isabella.— Mãe, preciso que venha aqui. Agora. — sua voz saiu tensa, carregada de frustração.Marie, que estava na cozinha preparando o almoço, ouviu o t
Leonardo sempre teve uma regra: se quisesse vencer, precisava conhecer o terreno melhor do que o adversário. E, naquele momento, Isabella era o terreno.Enquanto ela buscava apoio legal e tentava proteger os filhos, ele já tinha acionado sua própria estratégia. Discreto como sempre, contratou um investigador particular. Alguém eficiente, sem moralismo, que entregava fatos — não julgamentos.Duas semanas depois, recebeu o relatório. Quarenta e três páginas. Uma vida dissecada em papel.Isabella havia se mudado três vezes nos últimos cinco anos. Trabalhara como professora de reforço particular, depois como atendente de livraria, até finalmente abrir um pequeno ateliê de arte infantil em um bairro afastado. Não tinha bens no nome, vivia com pouco. Os gêmeos estudavam numa escola modesta, mas boa. Sem luxos, mas com amor.Havia fotos. Isabella sorrindo com os filhos no parque, em uma feira de bairro, saindo de casa cedo com mochilas e lancheiras nas mãos. Leonardo folheava as imagens em s
O sol ainda nem tinha nascido quando Isabella acordou, o celular ainda na mesinha de cabeceira, a mensagem de Leonardo gravada em sua mente como uma cicatriz fresca. Ela não dormira direito. Cada barulho na rua, cada sombra no corredor, era um possível sinal de que ele estava por perto.Na tela do celular, a mensagem permanecia lá, sem resposta.“Precisamos conversar. Você não pode me manter afastado dos meus filhos. – Leonardo”Ela sabia. O tom era calmo demais para ser inofensivo. Quando Leonardo falava assim, era quando ele já tinha um plano.Enquanto preparava o café da manhã, Isabella tentava manter os movimentos automáticos, fingindo normalidade para os gêmeos. Lucas falava sobre um projeto da escola, Luna queria usar a blusa com as estrelinhas. Isabella respondia com sorrisos, mas a mente estava longe.Pouco depois de deixá-los na escola, recebeu uma ligação. Número privado. Atendeu sem pensar.— Alô?Silêncio por dois segundos. Depois, a voz de Leonardo.— Achei que fosse melh
Isabella olhava para o mar através da janela de sua sala, os braços cruzados em um gesto de autoproteção. A visão das ondas quebrando na areia geralmente trazia conforto, mas não hoje. Desde que Leonardo reaparecera em sua vida, uma sombra de ansiedade a acompanhava. Ele sabia. Os olhos dele, cheios de surpresa e mágoa quando viu Lucas e Luna na escola, confirmaram que a verdade estava finalmente exposta.Agora, ela temia qual seria sua próxima jogada. Leonardo sempre fora intenso, determinado a conseguir o que queria. Ela conhecia bem sua força de vontade, e a ideia de ele tentar forçar uma aproximação com os gêmeos a deixava inquieta.— Mamãe? — A voz de Luna trouxe Isabella de volta ao presente.— Oi, meu amor. O que foi? — perguntou, forçando um sorriso enquanto se virava para a filha.— Você tá bem? Parece triste... — Luna olhava para ela com os mesmos olhos de Leonardo, uma mistura de curiosidade e preocupação.— Estou bem, querida. Só estou pensando em algumas coisas. — Isabella
Leonardo acelerou o carro em direção à casa de Isabella, a adrenalina pulsando em suas veias. Os pensamentos se acumulavam em sua mente como uma tempestade prestes a desabar. Ele não podia permitir que um estranho, como Gabriel, entrasse na vida de Isabella e dos gêmeos, assumindo um papel que sempre deveria ter sido seu. Ele precisava entender o que estava acontecendo, e mais do que isso, precisava fazer Isabella ver que ele ainda estava ali, disposto a lutar por eles.Ao chegar à pequena casa, um charme rústico com flores coloridas no jardim, a ansiedade tomou conta dele. Ele hesitou por um momento, observando a janela da sala, onde uma luz suave se filtrava. Os gêmeos deveriam estar em casa, e isso o fez sentir um aperto no coração. Ele queria ver Lucas e Luna, queria sentir a conexão que havia perdido durante todos aqueles anos.Determinando-se, ele saiu do carro e caminhou até a porta, sua mão tremendo levemente ao pressionar a campainha. O som ecoou no silêncio da tarde, e ele n
Leonardo estacionou seu carro alugado na frente da pequena escola que ficava no centro da cidade. O prédio, com suas paredes de tijolos vermelhos e janelas grandes, exalava um charme antiquado. Havia algo de acolhedor naquele lugar, muito diferente das estruturas modernas e impessoais das grandes cidades onde ele costumava circular. Ele olhou ao redor, tentando acalmar o turbilhão de emoções que sentia. Nunca imaginara que um dia se veria naquele cenário, em uma cidade costeira, à procura de respostas sobre a mulher que nunca conseguiu esquecer e, agora, sobre os gêmeos que mudariam sua vida para sempre.Após seu reencontro com Isabella, ele notou a tensão no ar, o desconforto que ela tentava esconder, mas, principalmente, a maneira como ela desviava os olhos sempre que os gêmeos, Lucas e Luna, apareciam no assunto. Leonardo não era tolo. Algo não estava certo, e sua intuição gritava que havia mais por trás daquela situação do que Isabella estava disposta a contar.Enquanto caminhava







