FAZER LOGINMurilo permaneceu parado no mesmo lugar. Virou a cabeça e acompanhou com os olhos as costas de Tatiane se afastando. Então soltou uma risada baixa e desviou o olhar.O motorista parou o carro diante dele, e o porteiro se apressou em abrir a porta com toda a deferência.Murilo tirou o celular do bolso da calça e entrou no carro enquanto fazia uma ligação.A chamada foi atendida rapidamente.Com um tom meio provocador, ele disse:— Mano, adivinha quem eu encontrei hoje?Durante o jantar, Tatiane comunicou aos executivos que pretendia transferir suas ações e se afastar da administração da KU.Embora Henrique não tivesse voltado a interferir, por enquanto ela apenas havia suspendido temporariamente o pedido de divórcio.Alguns executivos tentaram convencê-la a ficar.Mas Tatiane já havia tomado sua decisão. Diante disso, ninguém conseguiu insistir muito.Até que tudo fosse resolvido, ela permaneceria ali e continuaria participando da gestão e das operações da empresa.Quando o jantar termi
Leandro e Noemi ficaram observando os três se afastarem.Só quando eles já estavam longe, Noemi deu uma leve esbarrada no ombro de Leandro e avisou:— Mano, é melhor você correr para arrumar uma mala e inventar uma desculpa para ir atrás dela. O Murilo ainda está lá. E ainda tem aquele Wesley... Mesmo preso, quem garante que ele não sai de repente?Murilo e Wesley eram irmãos gêmeos.Na época, Wesley tentara se aproveitar de Tatiane. No fim, fora preso por tentativa de estupro e condenado a cinco anos de cadeia. Dois anos já haviam se passado desde então.Tatiane e Roberto chegaram a Nova York e seguiram para a mansão alugada.Por enquanto, ficariam hospedados ali.Tatiane descansou por dois dias para se adaptar ao fuso horário. Depois, foi até a empresa cuidar do trabalho.Nos meses em que estivera fora, a empresa tinha seguido funcionando normalmente. Quanto ao investimento da NS, alguém de lá chegara a procurá-los antes, mas, depois disso, não houve mais nenhum movimento.Tatiane co
Henrique encarou a expressão furiosa de Leandro e soltou apenas um sorriso frio, indiferente. Nos olhos escuros, gelados e sombrios, havia um desprezo impossível de disfarçar. Depois, desviou o olhar, sem dizer uma palavra, e seguiu em direção à saída da mansão.Leandro ficou observando as costas dele se afastarem. Seus punhos se fecharam com tanta força que os dedos estalaram.Então, virou-se para Tatiane. Quando falou, sua expressão já tinha voltado ao normal.— Tati, você está bem?Tatiane já havia recuperado o fôlego. Balançou a cabeça de leve, embora a voz ainda saísse fraca.— Estou.Cristiano também se aproximou, preocupado.— Tati.Bastou vê-la daquele jeito para Cristiano entender que ela tinha sido forçada. Seu rosto se fechou na mesma hora.— Sobre o que vocês dois estavam falando agora há pouco?Tatiane soltou o ar devagar. Só depois de se acalmar um pouco, respondeu, irritada:— Aquele cara é doente.Ela contou tudo de forma resumida.Cristiano franziu a testa.Então tudo
Agora, olhando com mais atenção para o homem que acabara de aparecer, era óbvio à primeira vista: Bia era praticamente a cara dele.— Mônica, será que ele não é o... Pai da Bia?A expressão de Mônica estava péssima.Diante daquela reação, nem era preciso dizer mais nada.A tia de Cristiano finalmente entendeu, tarde demais, por que o rosto daquele homem estava tão sombrio lá no hospital.Ela havia dito, bem na frente do pai da criança, que a filha dele era filha de outro homem.Na mesma hora, sentiu um arrepio gelado subir pela espinha.Só de olhar para aquele homem, dava para perceber que ele não era alguém que se pudesse provocar impunemente.Tatiane arrastou Henrique até o pátio. Depois de se afastarem um pouco, ela parou de repente, virou-se e ergueu os olhos para encará-lo.— Henrique, você está maluco? Afinal, o que veio fazer aqui?Henrique baixou os olhos para a mulher furiosa diante dele. Havia uma frieza perigosa em seu olhar.— Quem você quer que a Bia reconheça como pai?As
Tatiane se sentou no sofá, puxou Bia para os braços e disse:— Eu também vou viajar para o exterior amanhã, a trabalho.Bia piscou os olhos grandes. Primeiro, pareceu surpresa. Depois, o brilho daqueles olhos lindos foi se apagando aos poucos.— A tia Evelynn está sempre tão ocupada...Ao ouvir a tristeza na voz de Bia, Tatiane sentiu como se uma agulha lhe espetasse o coração. A voz ficou presa na garganta.— Desculpa, Bia.— Então quando a tia Evelynn volta? — Perguntou Bia.— Eu ainda não sei ao certo. Mas, sempre que sentir saudade, você pode me ligar ou fazer chamada de vídeo comigo. A qualquer hora. — Respondeu Tatiane.De repente, Bia abaixou a cabeça e ficou em silêncio.Tatiane a ergueu e a colocou sentada em seu colo. Passando os dedos pelo rostinho da menina, perguntou em voz baixa:— Meu amor, o que foi?Só então viu os olhos de Bia vermelhos de choro.O peito de Tatiane se apertou.— Bia...Bia levantou a mão para esfregar os olhos. Soluçou baixinho e disse:— Desculpa, ti
Ao ouvir a tia, Tatiane também ficou surpresa. Não fazia ideia de por que ela havia pensado aquilo.Cristiano, por sua vez, tampouco esperava que a tia achasse que Bia era filha de Tati com Leandro.Ele estava prestes a explicar quando, ao erguer os olhos sem querer, viu Henrique parado no alto da escadaria.A expressão do homem estava péssima.A mulher de meia-idade não se demorou conversando com eles. Apressada, disse:— O médico já vai encerrar o expediente. Depois a gente conversa. Minha garganta está incomodando demais. Vou procurar um médico para ver se pego algum remédio.— Está bem. — Respondeu Tatiane.Cristiano entregou a chave do carro a Tatiane e, em seguida, acompanhou a tia para dentro.Enquanto caminhavam em direção ao ambulatório, a mulher finalmente percebeu o homem que continuava parado na escadaria.No instante em que o viu, levou um susto.Sem saber por quê, sentiu uma culpa estranha apertar seu peito. Apressada, baixou a cabeça e entrou quase correndo, passando por



