FAZER LOGINAssim que entrou na sala de reuniões, Tatiane encontrou Wesley sentado à sua espera.Ele mantinha o mesmo ar sedutor e provocador de sempre, com um sorriso carregado de desdém nos lábios. Quando ergueu os olhos para ela, porém, a frieza por trás daquela aparência encantadora se tornou impossível de ignorar.A presença de Tatiane não pareceu surpreendê-lo.Ela o encarou sem deixar transparecer o que sentia. Wesley não estava sozinho.Tatiane atravessou a sala, acomodou-se na cabeceira da mesa e voltou sua atenção para ele.— Sr. Wesley, o que deseja?Ivan permaneceu de pé ao lado dela.Wesley sorriu.— Evelynn, agora pretende tomar as decisões no lugar de Henrique?Tatiane sustentou o olhar dele.— Parte de tudo isso também é minha. Por que eu não poderia decidir por ele?O sorriso de Wesley se ampliou.— Até pouco tempo atrás, vocês não estavam brigando pelo divórcio na Justiça?— Isso não é da sua conta. Diga logo o que veio fazer aqui.O tom de Wesley perdeu a leveza.Ele fez um sina
Tatiane o observou em silêncio.Ivan desconfiava dela, mas a recíproca também era verdadeira. Embora fosse um dos homens de confiança de Henrique, era justamente em situações como aquela que a lealdade de alguém era colocada à prova.Por isso, antes de confiar nele de fato, Tatiane precisava testá-lo.Depois de algum tempo de conversa, concluiu que podia contar com ele. Se Henrique o havia escolhido para ocupar uma posição tão importante, certamente tinha bons motivos para considerá-lo confiável.Mas Tatiane não era a única a manter a guarda alta.Ivan também não confiava plenamente nela.Durante toda a conversa, os dois mediram cada palavra, sondando um ao outro sem revelar mais do que o necessário.Se Tatiane e Henrique fossem realmente um casal apaixonado, era difícil entender como ela conseguira se recompor tão depressa após o desaparecimento do marido. Em nenhum momento demonstrara tristeza de forma evidente.E, muitas vezes, quem mais merecia desconfiança era justamente a pessoa
Felipe ainda tentou tranquilizá-la:— Não vai acontecer nada com ele.Tatiane respondeu apenas com um murmúrio.Depois que desligou, deixou-se cair no sofá.Por alguns instantes, sua mente ficou completamente vazia. Um suor frio começou a se espalhar por seu corpo, e ela não conseguiu controlar o tremor que a percorreu.Permaneceu ali, imóvel, sem saber ao certo quanto tempo havia passado.Quando finalmente conseguiu se recompor, a pressão em seu peito pareceu ainda mais intensa.O pior cenário seria Henrique nunca ser encontrado.Havia gente demais de olho em tudo o que pertencia a ele. Tatiane nem sabia quantas pessoas estavam à espreita, esperando apenas uma brecha para avançar sobre seu império.Ela ligou novamente para David.Ele atendeu em poucos segundos.— David, me passe o contato de quem responde pelas empresas do Henrique aqui.David entendeu de imediato o que ela pretendia fazer.— Evelynn, você se recuperou rápido.Tatiane não estava com disposição para comentários.— Só m
O coração de Tatiane se contraiu.Ela abriu a notícia imediatamente.Na noite anterior, um luxuoso navio de cruzeiro que atravessava o Atlântico havia sido atingido por uma tempestade violenta. Cinquenta pessoas estavam desaparecidas e mais de cem tinham ficado feridas.Tatiane apertou o celular entre os dedos e ligou para David.Ele atendeu em poucos segundos.— Evelynn.— David, você estava com Henrique ontem à noite?Pelo tom dela, David percebeu na mesma hora que havia alguma coisa errada.— Eu só embarcaria hoje, de helicóptero. Também não consigo falar com o Rick. As equipes de patrulha marítima já começaram as buscas, e eu mandei mais gente para ajudar.Então, num tom de brincadeira, acrescentou:— Pensando bem, se realmente aconteceu alguma coisa com o Rick, você finalmente vai conseguir se divorciar sem dificuldade, não é?A voz de Tatiane esfriou.— David! Existe hora e lugar para fazer piada.Ele soltou uma risada baixa.— Está bem, foi mal. Mas fique tranquila. O Rick é dur
Henrique encerrou a ligação e voltou-se para Tatiane.— Vamos. Primeiro, vou levar você de volta.A resposta a pegou de surpresa.Tatiane estava certa de que ele encontraria algum pretexto para convencê-la a acompanhá-lo. Mas, quando já ia desviar o olhar, ouviu a pergunta:— Ficou com vontade de ir?Ela começou a andar.— É melhor me levar de volta logo.Henrique a alcançou em poucos passos e entrelaçou os dedos aos dela.Meia hora depois, chegaram ao apartamento.O mordomo organizou na sala todas as compras feitas naquela tarde, enquanto Henrique seguiu para o closet a fim de trocar de roupa.Entre se vestir e ter o cabelo arrumado por um dos funcionários, quase quarenta minutos se passaram.Tatiane continuava na sala.Quando Henrique reapareceu, estava novamente impecável, com a elegância sóbria de um executivo acostumado a chamar atenção por onde passava. Faltava apenas a gravata, que ele ainda segurava em uma das mãos.Seus olhos pousaram sobre ela.— Venha aqui.Tatiane hesitou p
O coração de Tatiane deu um salto. Ela ergueu a cabeça num sobressalto e encontrou Henrique encarando-a de perto, com uma intensidade que a deixou em alerta.— Você...— Então realmente não achou nada demais?Henrique continuava inclinado sobre ela. O rosto permanecia tranquilo, mas havia algo em seu olhar que não lhe dava espaço para escapar.A proximidade dele tornava o ar pesado. Tatiane tentou se afastar, porém Henrique segurou sua coxa e a manteve no lugar.Por instinto, ela apoiou as duas mãos nos ombros dele e tentou empurrá-lo.— Tem certeza de que não achou nada demais? — Ele insistiu.Pela maneira como a observava, não pretendia deixá-la em paz enquanto não ouvisse exatamente o que queria.Já sem paciência, Tatiane sustentou o olhar dele.— Ficou muito bonito. Está satisfeito?Henrique, no entanto, não fez menção de soltá-la. Quando tornou a falar, sua voz saiu baixa, carregada de provocação.— Só bonito?Aquela resposta claramente ainda não era suficiente.Tatiane franziu a







