LOGINNa Matilha Crestfall, o poder é tudo, e Nora não tem nenhum. Vivendo como uma excluída não reconhecida na sombra da irmã mais velha, Beatrice — a loba mais forte de sua geração e a favorita para se tornar Luna —, Nora sobrevive administrando a logística da matilha nos bastidores. Seu único conforto é o vínculo antigo e silencioso com Caleb Hayes, o futuro Alfa, que carrega o peso esmagador das expectativas de sua matilha. Todos esperam que Caleb reivindique Beatrice como companheira durante a cerimônia da Lua de Sangue para garantir uma aliança militar. Mas quando a lua da meia-noite atinge o auge, o vínculo sagrado se manifesta — não entre Caleb e Beatrice, mas entre Caleb e Nora. Caleb passa direto pela irmã dourada e reivindica a excluída negligenciada na frente de toda a matilha reunida. Diante de um escândalo que ameaça uma guerra interna, Nora tenta afastar Caleb para preservar o futuro dele. Mas enquanto são forçados a dividir os quartos executivos, segredos enterrados sobre a verdadeira linhagem de Nora começam a vir à tona. Ela não é filha biológica da família Vane, mas a herdeira roubada de uma linhagem Real de Prata extinta. Com Beatrice travando uma guerra psicológica e o conselho sênior tramando traição, Caleb e Nora precisam navegar por um jogo político agonizante em que um único passo em falso pode destruir os dois.
View More~ POV de Nora Vane ~
— Atrase a segurança do portão norte em vinte minutos — eu disse ao guarda-chefe, ajustando o tablet nas mãos enquanto andávamos pelo grande corredor da casa da Matilha Crestfall. — Se o Alfa Silas notar uma lacuna de cinco minutos durante a transição da lua, ele vai tirar sua patente antes do amanhecer. O guarda assentiu depressa, conferindo o horário atualizado na própria tela. — Obrigada, Nora. Estaríamos perdidos sem você esta noite. — Só garanta que o perímetro continue quieto — respondi, oferecendo um sorriso leve antes de seguir em direção ao salão principal. Cada superfície da casa da matilha brilhava. Lobas vestidas de seda rearrumavam cadeiras, ajeitavam orquídeas-da-lua prateadas e penduravam estandartes carmesim para a cerimônia da Lua de Sangue. Era o evento mais sagrado da década. Naquela noite, o herdeiro do Alfa, Caleb Hayes, entraria em seu verdadeiro poder, e a matilha esperava que ele escolhesse sua Luna. Todos sabiam quem deveria ser essa Luna. — Nora! — uma voz aguda e aristocrática ecoou pelo foyer de mármore. Parei, respirei fundo em silêncio e me virei para enfrentar minha mãe adotiva, Evelyn Vane. Ao lado dela estava Beatrice, minha irmã, impecável em um vestido de veludo esmeralda que realçava a pele pálida e o cabelo escuro. — Finalmente — disse Evelyn, os olhos estreitando enquanto se aproximava de mim. — Por que os arranjos florais perto do pódio estão sem as fitas do brasão? Beatrice projetou aquele layout especificamente, e você está atrasada na execução. Mantive a voz calma e uniforme. — As fitas estão sendo passadas, mãe. Estarão no pódio em dez minutos. — Veja se realmente estarão — respondeu Evelyn, fria. Ela estendeu a mão e ajustou o broche de prata no colarinho de Beatrice com um carinho delicado e amoroso. — Beatrice trabalhou sem descanso na logística desta reunião. É preciso ser uma verdadeira fêmea Alfa para coordenar um evento deste porte sem suar a camisa. Vários anciãos próximos murmuraram em concordância, olhando Beatrice com admiração. Ela ofereceu um sorriso modesto e ensaiado, deixando a mãe levar todo o crédito pelas trezentas credenciais de segurança, listas de dieta e mapas de lugares que eu havia construído do zero nas últimas duas semanas. — Mãe, por favor — disse Beatrice em tom suave, a voz escorrendo humildade doce. — A Nora ajudou a carregar as caixas do arquivo. Não devemos desconsiderar as pequenas contribuições dela só porque ela não tem lobo. Algumas risadinhas discretas ecoaram entre as lobas próximas. Não pisquei. Não discuti. Passei dezoito anos aprendendo que me defender de Evelyn e Beatrice só trazia punições mais duras. Em vez disso, pressionei os dedos contra o tecido fino da saia, sentindo o contorno da chave escondida no bolso. Debaixo da tábua solta do assoalho sob a minha cama, no andar de cima, estavam dois itens escondidos: uma carta de aceitação de uma universidade a três estados de distância e uma passagem de ida partindo no dia seguinte ao meio-dia. Que Beatrice ficasse com o crédito. Que ficasse com a matilha, a política e o título. Em menos de vinte e quatro horas, eu finalmente estaria livre. — Se não precisar de mais nada — disse em voz baixa —, vou verificar os documentos do arquivo para os discursos da cerimônia. — Vá — Evelyn me dispensou com um gesto leve da mão, sem sequer levantar o olhar enquanto alisa va o cabelo de Beatrice. — Tente ficar fora da vista dos Alfas visitantes. Não precisamos de convidados perguntando por que uma humana está administrando assuntos da matilha. Virei nos calcanhares e me afastei, mantendo o queixo erguido até dobrar a esquina e entrar na ala silenciosa que levava aos arquivos da matilha. Os arquivos inferiores eram frescos, silenciosos e forrados de prateleiras empoeiradas que guardavam séculos de história de Crestfall. Entrei, deixando a porta de carvalho se fechar atrás de mim com um clique. O alívio foi imediato. Caminhei até a mesa central, pousando o tablet ao lado de uma pilha de pastas de registros. Tirei do bolso o itinerário impresso do voo e o coloquei sobre a mesa só para olhar. Partida: 12h15. Parecia uma tábua de salvação. — Você está atrasada com as transcrições dos discursos — uma voz grave falou das sombras atrás das estantes. Bati uma pasta de arquivo sobre a passagem de avião no mesmo instante em que Caleb entrou no brilho quente da luminária da mesa. Ele estava impressionante no casaco formal de Alfa, o brasão prateado de Crestfall bordado no peito. Aos vinte e um anos, Caleb Hayes era construído como uma tempestade — ombros largos, maxilar afiado e olhos cinza-tempestade que sempre pareciam atravessar-me. Mas naquele momento, aqueles olhos carregavam um cansaço inquieto e estranho. — Caleb — respirei, dando um pequeno passo para trás. — O que você está fazendo aqui embaixo? Seu pai está procurando por você lá em cima. A cerimônia começa em menos de uma hora. — Meu pai está explicando agora a seis Alfas regionais aliados por que meu noivado com Beatrice é a jogada política mais inteligente do século — disse Caleb, a voz baixa. Ele caminhou até a mesa, tirando as luvas pretas. — Eu precisava de dez minutos sem ninguém me dizendo com quem sou obrigado a passar o resto da vida. — Beatrice será uma Luna capaz — respondi com cuidado, mantendo a expressão neutra. — Ela conhece as linhagens da matilha, e a família dela tem o apoio do conselho. Caleb parou na ponta da mesa. O olhar dele desceu até o meu rosto, intenso e ilegível. — É isso que você pensa? Você acha que eu deveria me casar com Beatrice? — Não é meu lugar ter opinião sobre sua companheira, Caleb. Eu sou só a administradora — disse. — Pare com isso — ele cortou, um lampejo de frustração cruzando o rosto. — Pare de falar comigo como se fosse uma funcionária. Nós crescemos juntos, Nora. — E então crescemos de verdade — lembrei-o com suavidade. — Você se tornou o futuro Alfa, e eu continuei sendo a pupila sem lobo que a família de vocês acolheu por caridade. Caleb me encarou, o maxilar travado. Estendeu a mão, os dedos roçando a pasta que eu havia jogado às pressas sobre a mesa. Antes que eu pudesse impedi-lo, ele levantou o papel. A confirmação impressa do voo ficou exposta sobre a mesa. Caleb a pegou. Os olhos percorreram o documento, o corpo ficando unnaturalmente imóvel. O silêncio na sala de repente pareceu esticado demais. — O que é isso? — perguntou, a voz descendo uma oitava. — Não é nada — respondi, estendendo a mão para pegá-lo de volta. — Me dê isso, Caleb. Ele ergueu o papel fora do meu alcance, os olhos cinza-tempestade escurecendo enquanto fixava as datas. — Chicago? Um voo para Chicago amanhã à tarde? Nora, o que é isso? — É a minha vida — respondi, recuando e segurando o olhar dele. — Fui aceita no programa de Chicago, Caleb. Estou partindo amanhã. — Você está partindo? — Caleb repetiu, as palavras saindo incrédulas, quase ásperas. — Sem contar a ninguém? Sem me contar? — Por que eu te contaria? — perguntei, a voz vacilando um pouco antes de eu forçá-la de volta ao controle firme. — Para você me convencer a ficar? Para Evelyn me chamar de ingrata por querer uma vida fora deste território? Eu não pertenço aqui, Caleb. Eu não tenho lobo. Tenho dezoito anos e passo os dias organizando jantares para pessoas que me olham como se eu fosse sujeira nos sapatos delas. Caleb deu um passo rápido ao redor da mesa, fechando a distância entre nós até ficar bem na minha frente. O calor que emanava dele era avassalador. — Você pertence aqui porque eu quero você aqui — disse, a voz carregada de um aço escuro e possessivo que mandou um arrepio direto pela minha espinha. — Você administra esta matilha inteira, Nora. Silas sabe disso, Evelyn sabe disso, e eu sei disso muito bem. Você acha que pode simplesmente fazer as malas e desaparecer numa cidade humana? — Eu quero uma vida normal! — insisti, pressionando as costas contra a beirada da mesa do arquivo. — Quero ir a algum lugar onde a falta de um lobo não me torne cidadã de segunda classe. Quero construir algo meu! — E nós? — ele exigiu, inclinando-se mais perto, a mão descendo sobre a mesa ao lado do meu quadril. — Você simplesmente caminha para longe de mim? Minha respiração falhou. — Não existe “nós”, Caleb. Você está prestes a receber a marca de Alfa esta noite. Você vai tomar Beatrice como sua Luna. Você tem uma matilha para liderar, e eu tenho uma vida para viver. Me deixe ir. Caleb me encarou de cima, a respiração pesada, os olhos escuros presos nos meus lábios. Por um segundo aterrorizante e belo, achei que ele ia se inclinar e me beijar. A tensão entre nós parecia um fio esticado até o limite absoluto. — Eu não vou deixar você partir — sussurrou Caleb, a voz perigosamente baixa. — Tente subir naquele avião amanhã, Nora. Veja com que velocidade eu te trago de volta. Antes que eu pudesse responder, os sinos do santuário soaram pela propriedade, ecoando até o porão. Três batidas vibrantes. A cerimônia estava começando. Caleb segurou meu olhar por um longo momento sufocante, depois virou e saiu dos arquivos sem mais uma palavra, deixando a passagem de avião amassada no punho. ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~ O Santuário da Pedra da Lua estava lotado com centenas de lobos. As tochas tremulavam contra as paredes antigas de pedra, projetando sombras irregulares sobre as fileiras lotadas de membros da matilha e dignitários visitantes. Eu ficava bem de lado, perto dos pilares escuros no fundo da câmara, apertando as pranchetas contra o peito. O coração ainda batia forte contra as costelas por causa do confronto com Caleb. No pódio elevado, o Alfa Silas estava vestido com mantos cerimoniais negros, os olhos de lobo já grisalhos varrendo a multidão com autoridade fria. Ao lado dele, Evelyn e o marido ficavam orgulhosos, observando Beatrice subir os degraus no vestido esmeralda e se posicionar bem no altar onde o manto de Luna seria conferido. Então Caleb avançou pelo pódio. Um silêncio coletivo varreu a multidão. A luz da lua atravessava a cúpula de vidro aberta acima, atingindo Caleb no momento em que a meia-noite bateu. Um zumbido baixo e ressonante ecoou pelos assoalhos. A Lua de Sangue atingiu o auge, lançando um carmesim profundo e vivo no céu. Vi Caleb enrijecer. O peito dele subiu e desceu enquanto o lobo Alfa despertava sob a luz vermelho-sangue, a aura se expandindo com tanta violência que vários lobos de baixo escalão na primeira fileira baixaram a cabeça em submissão. Beatrice sorriu brilhante, avançando na direção dele, estendendo as mãos para receber a declaração do vínculo de companheiros que selaria a união deles. — Caleb — ordenou o Alfa Silas, a voz ecoando pela vastidão do santuário. — Reivindique sua Luna diante da Deusa da Lua e do seu povo. Caleb não olhou para Beatrice. Ele congelou, a cabeça estalando para o lado como se tivesse sido atingido por um trovão. As narinas se dilataram, o peito subindo rápido quando um cheiro súbito e inegável o atingiu. Senti um pulso estranho e aterrorizante atravessar minhas próprias veias — um calor dourado e afiado que explodiu no centro do peito, tão intenso que quase deixei a prancheta cair. Caleb virou as costas para o altar. — Caleb? — a voz de Beatrice quebrou o silêncio, o sorriso polido vacilando. — Caleb, o que você está fazendo? — Caleb, fique no lugar e complete o rito! — ordenou o Alfa Silas, a voz ecoando com comando de Alfa. Caleb ignorou o pai. Com foco inabalável, ele desceu da plataforma elevada. A multidão se abriu imediatamente em silêncio atônito e aterrorizado enquanto ele marchava pelo corredor central. Não olhava para os anciãos. Não olhava para os Alfas visitantes. Os olhos dele estavam presos diretamente em mim. A respiração travou na garganta. Tentei dar um passo para trás na sombra do pilar, mas as pernas pareciam grudadas no chão. O calor dourado e estranho no peito queimava mais forte a cada passo que ele dava em minha direção. Caleb chegou ao fundo da sala e parou bem na minha frente. Na luz fraca das tochas, os olhos dele já não eram cinza-tempestade. Brilhavam com um ouro Alfa brilhante e inegável. — Caleb... — sussurrei, a voz tremendo. — O que você está fazendo? Volte. Sem dizer uma palavra, Caleb estendeu a mão e prendeu a minha direita na dele. No instante em que a pele dele tocou a minha, uma onda explosiva de energia irrompeu entre nós. Não era um calor suave — era um fogo rugindo e cegante que varreu minha corrente sanguínea, ligando meu pulso ao dele. O ar saiu dos meus pulmões num suspiro agudo quando o vínculo sagrado de companheiros se encaixou com violência, rugindo pelo ar com um poder tão imenso que as janelas de vidro da cúpula acima tremeram. Suspiros de horror ecoaram da multidão. Evelyn soltou um grito sufocado do pódio, e Beatrice nos encarava de cima, o rosto pálido de humilhação e raiva. Caleb não se importou. Entrelaçou os dedos nos meus, puxando-me contra o corpo, o polegar pressionando firme no meu pulso onde nosso batimento compartilhado latejava. Ergueu a cabeça, olhando de volta para o pódio onde o pai permanecia congelado de fúria. — A Deusa da Lua escolheu — declarou Caleb, a voz ecoando pelo santuário silencioso com autoridade inegável. — Nora Vane é minha companheira. — Silêncio! — rugiu o Alfa Silas, o rosto escurecendo de raiva enquanto batia o punho contra o altar cerimonial. — A cerimônia está encerrada! Esvaziem o santuário imediatamente! O caos explodiu pela câmara, mas Caleb não afrouxou o aperto na minha mão por um único segundo.~ POV de Nora Vane ~— Fique quieta — ordenou Caleb com suavidade.Ele aproximou o scanner de diagnóstico da dobra do meu cotovelo, a pequena agulha puxando um único frasco de sangue antes de selar o minúsculo furo. Minha mão permanecia na dele, os dedos frios contra a palma quente e calejada. A fraca luminescência prateada sob a pele finalmente havia desaparecido por completo, deixando apenas a mancha carmesim nítida no suéter rasgado.— Eu não entendo o que aconteceu lá fora — sussurrei, observando-o inserir o frasco no compartimento principal do scanner. — Humanos sem lobo não se curam assim. Nós não nos curamos de forma alguma sem intervenção médica.— Você não está ferida agora — disse Caleb, a voz baixa enquanto iniciava a sequência no terminal. — Isso é o que importa.Ele abriu uma tela segura, conectando o terminal aos servidores militares da matilha. Uma barra de progresso apareceu, pulsando em azul enquanto começava a analisar a amostra biológica contra os registros padrão d
~ POV de Nora Vane ~— Fique no centro de comando, Nora. Isso é uma ordem direta.Caleb puxou o colete apertado sobre o peito, o movimento nítido e eficiente. As luzes de emergência banhavam a sala de estratégia com um brilho carmesim pulsante enquanto oficiais corriam passando por nós, gritando coordenadas e puxando munição dos armários do arsenal.— Caleb, eu posso monitorar a grade de comunicações a partir do posto avançado da linha de frente — disse, seguindo-o em direção às portas do arsenal. — Se eles estiverem interferindo nas nossas frequências, você precisa de alguém no local que saiba como sobrescrever manualmente os relés localizados.Ele parou de repente, virando-se para segurar meus braços. O toque era firme, me aterrando contra a energia frenética que preenchia o corredor.— Você não vai sair da fortaleza interna. A crista norte está comprometida. Eu estou levando a equipe de ataque para reforçar o perímetro, e você vai ficar atrás de portas seladas.— Eu não sou indefes
~ POV de Nora Vane ~— Faça as malas — disse Caleb, a voz aterradoramente calma enquanto ficava no batente do meu quarto destruído. — Você se muda para o suíte do Alfa esta noite.Olhei para a ameaça pintada na parede, a mão repousando sobre a clavícula onde o coração batia irregular.— Caleb, tenho trabalho para terminar—— Eu não perguntei, Nora — cortou ele.Passou por cima de uma gaveta quebrada, fechando a distância entre nós em dois passos, e segurou meu pulso. O aperto era firme, mas o polegar acariciava o ponto do meu pulso, acalmando o pico de terror antes que ele pudesse se enraizar.— Alguém invadiu este quarto, Nora. Você não vai ficar sozinha nesta ala nem por mais um segundo.Ele não me deu chance de discutir. Guiou-me pelo longo corredor abobadado em direção às portas duplas no fundo do corredor leste. A madeira daquelas portas era tão grossa que engolia os sons da casa da matilha por completo, selada com dobradiças de bronze reforçado que ostentavam o brasão de Crestfa
~ POV de Nora Vane ~— Ninguém sai desta sala — ordenou o Alfa Silas, a voz ecoando contra as paredes da câmara do conselho.As grandes portas se fecharam com força, guardadas por quatro executores armados. Do lado de fora, o murmúrio abafado de centenas de membros confusos da matilha ecoava pelos corredores, mas dentro o ar parecia sufocantemente imóvel.Beatrice desabou numa poltrona de couro, as lágrimas escorrendo pela máscara enquanto tremia sem controle. Evelyn pairava sobre ela, acariciando-lhe o ombro e me fulminando com ódio puro.— Ela o enganou — soluçou Beatrice, a voz tremendo de dor teatral. — Pai, ela usou ervas de supressão de lobo. Deve ter colocado algo na bebida dele ou usado alquimia negra para imitar a atração do vínculo! Nora não tem lobo — ela não pode ser a companheira de um Alfa!— Ela tem razão, Silas! — gritou Evelyn, virando-se para o Alfa. — Nora viveu sob meu teto por dezoito anos. Não tem lobo, não tem linhagem e não tem direito ao trono de Luna. Isso é












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