Inicio / Romance / Ela é Minha! / Ela me usou!

Compartir

Ela me usou!

Autor: Yana Shadow
last update Fecha de publicación: 2021-06-04 21:37:31

Em uma das salas de cirurgia, realizei todo o procedimento depois que o paciente recebeu a anestesia geral. Monsieur François, pai de Alícia, tinha 57 anos. Poucas semanas antes do meu encontro com Alícia, eu recebi imagens mais detalhadas da tomografia, os cordomas se expandiram na base do crânio do meu paciente e invadiam os nervos e tecidos. 

Naquela manhã, eu me reuni com uma equipe cirúrgica multidisciplinar que tinha uma vasta experiência com aquele tipo de câncer. Assim que o paciente recebeu a anestesia, nós fizemos os procedimentos necessários para ter acesso à localização da parte do osso da base do crânio e do cérebro. Eu ressequei os cordomas e fiz o possível para remover os tumores sem causar dano ao tecido.

Depois de cinco horas naquela sala, com médicos altamente qualificados, eu ergui a cabeça e a enfermeira enxugou o suor que brotava na minha testa, então, prossegui com a sutura. No fim da cirurgia, cumprimentei os meus colegas, tirei as luvas, o avental e a touca azul, lavei as mãos e fui ao encontro da família do paciente, que aguardava por notícias.

Estava ansioso para encontrar Alícia e dar a boas novas. Procurei por ela na sala de espera, mas vi uma senhora que segurava um terço enquanto cochichava alguma reza ou oração, não sei bem o que a madame François fazia, mas acredito que o amor que ela sentia por ele, ajudou e muito!

― Excusez-moi, madame Françoise!

― Como está meu esposo, Doutor Bittencourt?

— A cirurgia foi um sucesso — respondi.

— Posso ver o meu marido? — indagou a senhora de meia-idade.

— Claro, madame! Logo o monsieur François acordará da anestesia.

Meu sorriso desapareceu quando Alícia entrou na sala, ela segurava a mão daquele homem emaciado e comprido.

— Ma fille, o doutor Bittencourt disse que a cirurgia foi um sucesso e que podemos ver o seu pai.

A madame Françoise abraçou a filha e sorriu para o homem de pele alva. Alícia estava sem graça e evitava o contato visual. 

— Merci, doutor Bittencourt! — O tal do André afastou-se de Alícia e estendeu a mão. — Minha esposa estava nervosa!

— Fiquem tranquilos, em breve vocês verão o Monsieur François. — Apertei firme a mão daquele idiota.

— Merci beaucoup! — Alícia agradeceu e desviou o olhar.

— Por enquanto, ele ficará em observação na UTI e depois será encaminhado para o quarto.

— Quanto tempo? —  O marido da Alícia me interrompeu.

— Ele ficará internado por 7 dias, receberá antibióticos que evitam infecções e medicações analgésicas para aliviar a dor — expliquei em tom determinado. — O paciente fará  exames para testar as funções do cérebro e para verificar se a cirurgia causou alguma sequela.

— Você disse que a cirurgia foi um sucesso! — Alícia me contestou.

— Sim! — Afirmei ao encará-la.

Minha garganta estava seca e a voz estava um pouco mais rouca do que de costume.

— Este é um procedimento necessário para saber se há dificuldade para enxergar ou movimentar alguma parte do corpo.

— Então, o meu sogro receberá alta em uma semana? — O marido dela franziu o cenho quando ela me olhou.

— Se tudo correr bem, sim! — Limpei a garganta. — Com licença, eu preciso voltar ao trabalho.

Saí logo depois que me despedi da madame François. Segui em passos largos pelos corredores e parei em frente ao elevador, vi que Alícia se aproximava, então, eu apertei o botão.

— Alexander! — Ela chamou, mas fingi que não escutei.

A porra do elevador estava demorando, acionei o botão novamente.

— Quero conversar com você!

Ela chegou perto e tocou o meu braço, recuei assim que Nathalie, a enfermeira, passou e meneou a cabeça.

— Alguma dúvida em relação ao seu pai?

— Não! 

— Tratarei apenas dos assuntos sobre o meu paciente.

— É sobre ontem — ela insistiu. — Aquilo não deveria ter acontecido!

— Concordo! 

 A porta abriu, fitei o marido de Alicia que vinha ao nosso encontro. Entrei no elevador e arrumei um espaço entre as pessoas que se aglomeravam na cabine. 

— Au revoir! — Ajeitei os óculos quando a porta se fechou.

Embora eu estivesse habituado à rotina do hospital, naquela quinta-feira fria e chuvosa, eu estava aborrecido e muito cansado. O reencontro com a Alícia não foi como eu esperava. A forma como ela fugiu do hotel, confirmou que ela queria apenas uma trepada.

Era o meu último dia de residência no Saint-Mary e, no término do plantão, fiquei por alguns minutos no banho quente. Eu me ensaboava e me preparava mentalmente para conversar com Josephiné. Desliguei o chuveiro e envolvi a toalha um pouco abaixo da minha cintura. Coloquei a calça preta, fechei a fivela do meu cinto e suspirei pesado quando a vi. Continuei me arrumando e não dei atenção.

— Que merda! — bufei.

Sentei no banco, coloquei as meias pretas e peguei os meus sapatos. Ela continuava parada enquanto me observava.

― O que você quer, Isabella? ― Calcei os meus mocassins e me levantei.

― Calma, só estava apreciando a visão. ― Isabella deu alguns passos.

Eu já estava enfezado. Não sei o que essa mulher viu em mim que não saiu do meu pé desde que cheguei na França, parecia a minha sombra.

― Você não perde tempo, não é!

Vesti o casaco cinza e ajeitei, a porra do tecido apertava os meus ombros. Coloquei a jaqueta e peguei a mochila. 

― Você voltará para casa? ― Chegou mais perto e encostou o corpo dela contra o meu. ― Vamos sair ― sugeriu ela. ― Só mais uma noite!

Por mais que eu explicasse que eu não podia, ela persistia e me irritava. Ajeitei a armação de aço dos meus óculos, não queria magoá-la, mas aquilo tinha que acabar.

― Não! — Neguei com veemência.

Isabella abriu os botões da blusa que usava, meu pau reagiu quando vi os seios firmes no decote do sutiã.

― Se você quiser, nós podemos ir para um lugar mais tranquilo ou podemos entrar ali. — Puxou os lábios inferiores entre os dentes e ergueu o queixo para a cabine vazia. ― Adoro aventuras!

Cogitei a ideia de acompanhá-la enquanto Isabella beijava o meu pescoço. Minha cabeça de baixo ficou em dúvida quando ela apertou o volume no tecido da minha calça, a mochila caiu da minha mão e eu gemi. Afastei o pensamento, não faria aquilo no meu último dia de residência no hospital.

― Chega, Isabella! ― Saí de perto e me desvencilhei. ― Isso não vai se repetir!

― Por quê?

Será que ela esqueceu que nós estávamos bêbados ou estava se fazendo de boba? Eu ainda não esqueci das lamentações dela só porque chamei o nome da minha ex quando  gozei.

― Talvez eu ajude você a esquecê-la!

Queria saber de onde ela tirou essa ideia? A conversa me aborreceu.

― Se a Josephiné não conseguiu, quem dirá você!

― Que merda, Alexander! Assim você me magoa.

― Então, desiste! Porra! — falei em um tom gutural. — Eu já tenho muitos problemas e não posso desperdiçar o  meu tempo. 

Meu rosto queimava, estava com raiva. Sempre que ficava nervoso falava coisas sem pensar, até hoje sou assim. Encarei os olhos claros de Isabella, esperava que ela dissesse mais alguma coisa, mas felizmente, ela se calou. Peguei os meus pertences quando ela começou a murmurar. Alarguei os passos e fui até a saída sem olhar para trás, já estava cansado de tudo isso.

O vento frio batia em  meu rosto enquanto  andava pela calçada. Ajeitei o capuz e desviei de algumas poças de água pelo caminho. Empurrei os meus óculos sobre o meu nariz quando contemplei o belo corpo da mulher que estava a alguns passos na minha frente. Percebi quando o chapéu dela voou em minha direção e o peguei. Ela usava um vestido  xadrez vermelho na altura dos joelhos e mangas longas. Corri até ela e então, devolvi.

— Merci! — A belle mademoiselle tinha o rosto oblongo e olhos apertados. — E o vento levou!

— Já assistiu ao filme? — Entreguei o chapéu.

Certa vez, Nicky assistiu quase 4 horas desse filme, eu cochilei e acordei só no final enquanto ela chorava. Me arrependi no momento em que eu perguntei o motivo das lágrimas e ela me contou o filme todo. A Nicole sempre gostou de livros e filmes clássicos. 

— Oui! Um clássico do cinema.

Estava prestes a convidar a bela moça para tomar um café quando um mustang vermelho parou na beira da calçada.

— É o meu esposo!

Ela acenou para o homem esguio que saiu do automóvel e esboçou um sorriso. Parecia feliz, os olhos dela quase se fechavam. 

— Au revoir!

Me despedi sentindo-me un babaca, foi assim que eu me senti depois de Alícia. Ela me usou! Se bem que foi uma trepada gostosa, sem cobranças ou reclamações. Tirei o capuz da jaqueta no instante em que entrei no Hard Rock Café. Fui direto para a mesa vazia perto da janela. Pensei em pedir um uísque para esquentar, mas optei por um capuccino.

Coloquei o blackberry em cima da mesa, o aparelho vibrou o dia todo, era mais uma ligação de Josephiné. Rejeitei a chamada,  em seguida liguei para minha avó, queria avisá-la que logo eu voltaria ao Brasil.

― Alô! ― Uma voz suave me atendeu, permaneci em silêncio. 

O meu coração batia mais forte e acelerado. Há anos eu não ouvia aquela voz doce e serena, não sabia o que dizer. Eu pensei em responder, mas Nicole desligou.

Yana Shadow

Olá, amores! Mais um capítulo saiu do forno para vocês! Essa vida do Dr. Bittencourt na França está muito agitada. 0 que vocês, acham? Alexander se sentiu usado pela Alícia, coitado! E se derreteu com a voz da Nicky. Segunda-feira tem mais capítulos saindo do forno para vocês. I promise! :D

| 99+
Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App
Comentarios (4)
goodnovel comment avatar
Delcia Alves
quero mais capítulo
goodnovel comment avatar
Márcia Soares
cadê os outros capítulos
goodnovel comment avatar
Sheyla Alvarenga
poxa ele é muito fraco, não percebeu que tem armação da avó, além do que não pode ver uma mulher AFF.
VER TODOS LOS COMENTARIOS

Último capítulo

  • Ela é Minha!   Bem-vinda ao mundo, Jullie! (Capítulo final)

    Não demorou muito até que realizei uma curva e entrei no estacionamento do hospital. Até hoje, me sinto culpado por deixá-la sozinha com Joanna. Corri para o elevador antes que a porta se fechasse. Levantei os meus óculos e limpei as lágrimas no canto dos meus olhos assim que o doutor Kim entrou. — Você está bem? Era óbvio que eu não estava! O que ele queria que eu dissesse? Fiquei feliz porque minha esposa daria à luz antes do tempo devido ao acidente. ― Eu pareço estar bem? — indaguei friamente. ― Não! É que… ― Não faça perguntas idiotas! ― vociferei. Saímos no andar da maternidade, fui até o consultório de Jenny em passadas largas enquanto David me acompanhava pelos

  • Ela é Minha!   O acidente

    Nicole chegava ao final da gestação e estava agoniada porque Henry e eu decidimos que ela não sairia sozinha de casa. Caso ela quisesse, deveria ir com o segurança que contratei para acompanhar ela e as crianças. Tivemos algumas divergências no começo, mas no final ela entendeu que toda essa proteção era para o bem dela e dos nossos filhos. Vários repórteres se aglomeravam na porta da nossa casa querendo saber mais da filha bastarda do famoso ortopedista, doutor Albuquerque. Conversei diversas vezes com Nicole sobre sairmos do país e morar na França, mas Nicole cismava que não queria afastar as crianças da nossa família. Por falar nisso, ainda me recordo do almoço que minha mãe teve a cara de pau de comparecer. Fiquei muito estressado naquele dia, disse tudo que estava preso na minha garganta e como eu estava magoado pelo jeito que ela tratava o Alex. Ao cont

  • Ela é Minha!   Amo você!

    Na minha carreira, participei de vários eventos e fiz todo o tipo de discurso para impressionar meus colegas de trabalho e até mesmo os sócios da minha empresa. Falar sobre o Projeto Médicos do Bem enchia meu coração de alegria. Nicole sempre soube o quanto eu queria participar de um projeto beneficente. Fiz uma pausa, ergui a minha cabeça e foquei na pessoa mais importante da minha vida, a única mulher que sempre me apoiou e me deu forças. Nicole tinha um brilho que era só dela, tão especial e só minha! Ela parecia mais relaxada e mal se importava com o olhar condenatório de Isabella. ― Quero agradecer a todas as empresas e aos meus sócios que me apoiaram nessa causa, um sonho que compartilhei com a minha esposa quando éramos jovens. Enfim, muito obrigado a todos que, de alguma forma, cooperaram com o projeto “Médicos do Bem”.

  • Ela é Minha!   Uma rapidinha

    Durante o evento, um jazz suave tocava ao fundo. Fui obrigado a deixar Nicole por alguns minutos e acompanhei o meu pai e o Henry. Conversamos com alguns convidados ilustres que estavam dispostos a doar quantias consideráveis para o projeto. Ajeitei os meus óculos enquanto Henry falava sobre a história do prosecco, virei a cabeça para o lado e notei que Nicole não estava mais na mesa. Lanna vinha em minha direção com um olhar preocupado e, no mesmo instante, eu me afastei e fui ao encontro dela. — O que houve? — perguntei. — A Nicky! — Lanna fez uma pausa para respirar. — Ela está no banheiro. — Está sentindo dor? — Segui Lanna pelos corredores. — Não! — respondeu de imediato. — Ela

  • Ela é Minha!   Você não pode sair desse jeito!

    Era mais de sete horas da noite quando entrei em nosso quarto e a encontrei se arrumando na frente do espelho na porta de correr do nosso closet. A luz branda do lustre dourado iluminava o rosto com pouca maquiagem e aquele vestido estava um pouco ousado. Franzi o cenho enquanto olhava para o homem com olhar tenebroso por trás dos óculos de armação quadrada. Não disfarcei a minha insatisfação por ver a Joanna perambulando pelo nosso quarto. Nicole colocou os brincos de diamantes que dei de presente para ela no último aniversário e, então, calçou as sandálias de couro prata que Joana ajudou a colocar. Observei a mulher confiante e satisfeita com a imagem refletida, ela sorriu para mim. ― Nicky, precisa de mais alguma coisa? — indagou a voz estridente de Joanna.

  • Ela é Minha!   Estou orgulhoso de você!

    Na manhã seguinte, Nicole terminava de arrumar e conversar com os gêmeos. Pediu para Alex cuidar do irmão no primeiro dia de aula na escola. — Estão prontos? — Olhei para os gêmeos que disputavam a atenção da mãe. — Sim, eles estão! — Nicole abriu um sorriso animado. Colocou a mochila nas costas de Rodolpho e ajeitou um dos botões da blusa de Alex, Nunca vi a minha esposa tão feliz quanto naquele dia. Eu ainda estava em pé na porta do quarto quando os gêmeos passaram por mim e correram para a escada. — Não corram! — Ela os advertiu. — Cuidado, para não se machucarem. Nicole caminhava em passos lentos com a mão nas costas, faltava pouco para nossa filha chegar.

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status