Compartilhar

Capítulo 2

Autor: FannyMotta
last update Data de publicação: 2022-07-13 02:30:20

(Renata Pellegrini - Estados Unidos)

— Você vai se sair bem — Carol tenta me passar confiança.

— Obrigada por tudo, senhorita Carol — agradeço mais uma vez, mesmo que eu não consiga passar na entrevista, o que ela e a minha professora estão fazendo por mim, não consigo encontrar uma maneira digna de agradecer.

Ela pisca e caminha para longe de mim, me deixando na frente desse enorme prédio.

As cores azuis dominavam, mal se podia ver as partes de metal, o vidro espelhado cobria tudo como se fosse um lençol, com certeza aqui tem mais de quinze andares.

Respiro fundo, não tem nem duas horas que eu pisei em terra firme e já sinto como se estivesse me afogando.

Queria que meus pais estivessem vivos, queria muito poder trazê-los comigo, dá uma vida melhor para eles. Queria muito vê-los sorrindo, nem que fosse só mais uma vez…

“Não é hora de ter pensamentos tristes!” — bato em minhas bochechas e estufo o peito, agora é hora de ter coragem.

Abro as portas e seguro firme as alças da minha bolsa, preciso encontrar com o gerente e entregar a carta de recomendação a ele, a minha professora me disse que assim que eu entregasse, estaria praticamente contratada, era só eu dizer o nome do amigo dela: Matteo Valentini.

Será que esse homem é algum parente do Filippo? Eles têm o mesmo sobrenome, mas eu nunca encontrei nada sobre esse Matteo. Não importa, apenas quero ser contratada, e se este nome irá me garantir isso, que assim seja.

Entro no edifício, por dentro é bem mais luxuoso que por fora, preciso me controlar, esse ambiente agora vai ser o meu local de trabalho, tenho que tratá-lo como se fosse um lugar qualquer.

Caminho até o balcão, minhas pernas estão moles, mas à medida que vou me aproximando, meu maxilar vai ficando mais rígido.

— Como pode ser tão incopetente, sua imbecil…

— Bom dia! — interrompo a moça loira que me olha de cima a baixo.

— Quem é você? — pergunta, consigo ler em seu olhar que ela pensa que alguém como eu, não deveria sequer pensar em pisar ali — Por acaso está perdida? Sabe que aqui é a Computing Diamond?

Me seguro para não revirar os olhos, que raiva ser tratada assim, por que será que pensei que aqui seria diferente?

— Sou Renata Pellegrini, vim para…

— Ah sim, Carol me falou que você viria para cá.

Então deve ser ela a gerente desse lugar, não gostei dela, mas o que posso fazer? Aceitar e torcer para ser contratada, não tenho nem cinco centavos no bolso, imagine algum dólar.

— Que bom que já estava ciente da minha chegada…

— Não só a sua, outras pessoas também foram comentadas que estariam aqui hoje.

Que mulher grossa! Respira Rê, você precisa desse emprego, e eu já deveria estar acostumada a lidar com pessoas assim.

— Entendo, imagino então que saiba que vim aqui para a entrevista do cargo de…

— Vá embora.

— Quê!? — pisco meus olhos em confusão.

— Por um acaso é surda? Você não está a nível de trabalhar aqui, olhe só para suas roupas, nem uma maquiagem você sequer colocou. Volte para o lugarzinho de onde você saiu.

— Por favor, não faz isso, eu vim de muito longe, foi me dito que eu já estava praticamente contratada, que a entrevista iria ser apenas uma formalidade, eu larguei tudo o que tinha para vim aqui, por favor, me dá uma chance, prometo que não vai se arrepender! — falo tudo de uma vez só, meu coração b**e descompassado por dentro do meu peito. Pressiono minha língua no céu da boca, não posso chorar aqui, não na frente de todas essas pessoas.

Eu tinha a noção que talvez não fosse aceita, mas jamais passou pela minha cabeça que eu sequer chegaria a fazer a entrevista.

Ela me observa com um sorriso maldoso no rosto, sob seu olhar me sinto inferior, como alguém pode ser tão prepotente?

— Então você está disposta a aceitar qualquer serviço?

Estou? Eu vim aqui para me tornar assistente pessoal do Filippo, mas está parecendo que não vou nem mais colocar o pé aqui amanhã, não quero passar fome.

— Sim — não consigo esconder a decepção na minha voz.

— Muito bem, tem uma vaga de faxineira aberta, se quiser ela é sua.

Que grande porcaria! Não quero desmerecer quem trabalha com faxina, até porque de certa forma a empresa só funciona porque eles limpam o ambiente, mas é que eu estudei tanto para conseguir um bom emprego, e no fim eu irei acabar como uma faxineira.

Não importa o que me digam, isso é frustrante, eu queria trabalhar em frente a um computador, e não limpando privadas.

— Quero sim — respondo — Quando eu começo?

— Agora mesmo, venha comigo.

A sigo, andamos até o final de um corredor, paramos em frente a uma porta de alumínio, bem, parece que nem tudo é tão luxuoso.

— Aqui fica o vestiário dos funcionários da staff.

Ela entra e eu entro logo atrás, ela abre a porta vinte e três e me entrega a chave do armário.

— O uniforme que está aqui é do tamanho P, deve caber em você, vamos se vista logo.

Vou até o armário e pego as roupas: jaleco verde, avental branco com dois bolsos frontal, calça no mesmo tecido que o jaleco. Não sei dizer que tecido é, mas não é um tecido grosseiro.

— Ah, eu não disse o meu nome, eu sou Verônica.

— É um prazer conhecê-la… — estendo minha mão por educação, mas ela revira os olhos.

— Vamos ao que interessa, ontem a noite, o senhor Valentini me mandou limpar a sala dele, como pôde ver estavamos com falta de faxineiros. Ele ainda não chegou, quero que limpe a sala dele corretamente antes dele chegar, não mexa em absolutamente nada e esteja fora daquela sala em trinta minutos, fui clara?

— Sim senhora.

Ah que ódio, como eu queria dar umas pauladas na cara dessa mulher desgraçada.

— Ótimo, ali está o material que usará — ela aponta para outra porta de alumínio — Use o elevador dos faxineiros e vá logo.

Ela sai e me deixa sozinha no vestiário, espero que o destino não tenha guardado mais nenhuma surpresa negativa para mim.

Pego os materiais e sigo para o elevador, eu esqueci de perguntar qual era o andar do senhor Valentini, vou apertar no último botão, seja o que tiver de ser.

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • Ele é mesmo um Magnata?   Notas de agradecimento.

    Olá! Venho aqui agradecer a todos os leitores (as) que chegaram até o fim dessa história, principalmente as que vem me acompanhando desde o ano passado, que foi quando eu comecei a pública-la.@Paula; @Criatina Martins; @Grazy Soares; @Erika Santos A; @Kkgz; @Jane Aparecida Gomes Viegas Campos; ♥️🥰muito obrigada também a vocês meninas, que chegaram depois ( foi pela ordem que vi de comentários):@Socorro Miranda Cardoso; @Aline Marcelino;muito obrigada pelo incentivo durante os comentários e a interação com os personagens 😍🥰Eu não esqueci de vocês não, meninas, muito obrigada por cada comentário! @Beatriz Ramos; @Joanice Bianco Vitiello; @Paula Fernanda; @Maria da Graça Pinto; @Veronica Heerdt; @Denise de Souza; @Aline Vitor; @Valdiceia Jesus Rocha e @Simone Costa.muito obrigada a todas vocês! Amei ler cada comentário, me divertir muitos com as interações de vocês com os personagens rsrs espero que nenhuma tenha infartado ( eu li sim o comentário que dizia que ia acabar infarta

  • Ele é mesmo um Magnata?   Um tempo depois:

    >Três meses depois: (Renata Pellegrini) Com os cotovelos apoiados na sacada do meu quarto, observo o céu estrelado, a noite está linda e agradável, meus cabelos soltos balançam com o sibilar do vento fresco. O som do carro de Filippo chama minha atenção e eu o vejo entrar na garagem; estou casada com ele há três meses, Filippo tem sido o melhor marido do mundo, sempre atencioso e gentil comigo. Eu sorrio e saio da varanda, pego meu roupão e o visto por cima do suéter. Não consigo andar muito rápido, mas tento ir o mais rápido que posso, abro a porta do quarto e desço o corredor, mas antes de chegar às escadas, Filippo termina de subi-las. — Você pretendia descer as escadas correndo, ragaza? — Filippo me pergunta com os olhos estreitados, em sua voz há um leve tom de reprovação. — Claro que não, marito! —"Marido", falo sorrindo para ele, que estreita ainda mais os olhos para mim. — Só vim recebê-lo em seu quarto, Sr. Valentini, siga-me, por favor — digo, dou meia-volta e volto por

  • Ele é mesmo um Magnata?   Epílogo

    (Renata Pellegrine: Um mês depois:) Hoje é o dia do meu casamento, descobrir que todos, menos ele, sabiam que eu era de verdade. A mãe de Filippo recebeu-me muito bem, ela me explicou como funcionava a casa e a hierarquia das mulheres aqui dentro. Eu e Laís nos demos muito bem, ele é uma pessoa muito doce e gentil, sinto-me triste por ela não ter conseguido gerar os próprios filhos e quando Filippo me explicou o destino da bebezinha nos braços de Laís, senti-me ainda pior. Matteo permitiu que ela continuasse com a bebê, mas disse que jamais seria filha dele e que nunca teria o sobrenome Valentini. Isso foi duro, mas pelo menos ele não arrancou a criança dos braços dela e deu para algum subordinado criar. “Eu queria que estivesse aqui, mãe, queria que o papai pudesse levar-me até o altar.” — Penso enquanto me olho no espelho. Eu ainda não consegui perdoa Dominic, mesmo agora entendo melhor a razão das suas escolhas, ainda não consigo ficar perto dele. Demétrio e eu nos aproximamos m

  • Ele é mesmo um Magnata?   Capítulo 81

    (Renata Pelegrini)— Preciso tomar banho. — Falo afastando a minha cabeça do peito de Filippo. — Quer me fazer companhia? Filippo sorrir maliciosamente, e eu sorrio cúmplice, não consigo evitar, estou a dois meses sentindo a falta de Filippo, e está dentro de mim, está incluso no pacote de saudade.Subo para o meu quarto e vou direto para o banheiro, tiro as minhas roupas e entro no box, ligo o registo do chuveiro, o contato da água com o meu corpo faz que eu relaxe, mas quando vou antes que eu consiga virar-me, Filippo prensa-me na parede e o contado do azulejo frio com os meus seios e a barriga faz eu arrepiar por inteira. — Você não faz a menor ideia da falta que eu sentia de você, piccola! — Filippo sussurra no meu ouvido e começa a fazer uma trilha de beijos do meu ombro até o meu maxilar me causando leves sensações de choques por todo o meu corpo. — Agora eu vou mostrar-te indo fundo e forte dentro de você o tamanho da minha saudade. A minha intimidade lateja com o que Filipp

  • Ele é mesmo um Magnata?   Capítulo 80

    (Renata Pellegrini) Observo os fleches de luz pelo vidro fumê da janela, um silêncio expeço paira dentro do carro, a minha mente vaguei para a lembrança da primeira vez que estive dentro do mesmo veículo que Filippo, o carro não é o mesmo daquela vez, mas assim como o outro, este tem cheiro de novo. Engulo seco, lembro das borboletas na minha barriga e do nervosismo de estar tão próxima de um homem como ele. Mas agora, é como se fosse a primeira vez, e, eu estou me odiando por isso! Por três longos dias eu ignorei-o e fugi dele, não atendi as ligações e nem retornei as mensagens, até cheguei a bloqueá-lo, troquei as fechaduras do portão e da porta para que ele não pudesse mais entrar, e agora estou aqui, dentro do carro dele. Sinto o olhar dele em mim, várias vezes, mas não tenho coragem encará-lo de volta, tenho medo do que os meus olhos dirão a ele, tenho medo de ser traída e ele descobrir que ainda sinto saudade dele. Ao vê-lo abrir aquela porta e as lágrimas brilharem nos olho

  • Ele é mesmo um Magnata?   Capítulo 79

    (Filippo Valentini) Observo os móveis revirados, a minha coleção de armas espalhadas no chão, vidraças espatifadas. Mesmo tendo extravasado um pouco da raiva, ela ainda queima em mim. Encosto-me na parede e sento no chão. As imagens da dor nos olhos dela, enquanto me dizia o quanto eu não sabia de nada, das lágrimas que caiam dos seus olhos enquanto falava com a voz esganiçada, eu machuquei-a demais. Lembrar disso deixa o meu coração dolorido, estou com a respiração ofegante, sinto que estou perdendo as coisas mais importantes e me sinto impotente, isso está me deixando louco! Desde o início, eu sabia que iria machucá-la, mas eu não fazia ideia do quanto. Eu pisei no sonho dela de ser mãe, bem eu também queria que ela fosse a mãe dos meus filhos, mas não quis iludi-la, ao menos nisso, eu tentei ser transparente… mas… eu deveria ter ficado calado, arrependo-me tanto das coisas que disse a ela. Renata não merecia o que fiz. Não me seguro mais, deixo as lágrimas descerem. Nesse mome

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status