登入Um mês depois, eu trabalhava até tarde. A noite de outubro em Milão estava fria. Tranquei o escritório e desci as escadas.Do outro lado da rua, havia um carro preto estacionado. Henry estava ao lado dele, usando um casaco comprido e segurando um cigarro apagado.Ele deu um passo na minha direção.— Vim a Milão para te encontrar. Procurei por você durante três anos. Desde que descobri este lugar, fiquei aqui todas as noites, esperando para ver se você sairia.Parei de andar.— É muito tempo para esperar.— Já esperei mais do que isso. — Ele olhou para mim. — Esperei três anos para você voltar. Verifiquei aeroportos, estações de trem, todas as cidades para onde achei que você poderia ir. Coloquei pessoas para procurar. Ninguém encontrou nada. Pensei que você desapareceu para sempre.— Você deveria ter parado de procurar.— Não consegui. — A voz dele estava firme, mas havia algo instável por baixo dela. — Tentei. Repeti para mim mesmo que você não queria ser encontrada. Repet
Ponto de vista de Jocelyn.Três anos depois, eu voltei.Retornei a Milão em uma noite e fui para meu escritório, no segundo andar de um prédio antigo no centro da cidade. A janela dava para uma pequena praça. Fechei o notebook, juntei meus arquivos e vesti o casaco.Quando parti, três anos antes, levei apenas uma mala. Fui para Milão e me matriculei novamente na faculdade de Direito. No meu primeiro semestre, morei em um apartamento antigo, sem elevador, com um aquecedor que quebrava no inverno. Eu me enrolava em cobertores e lia até as três da manhã.No segundo semestre, comecei a aceitar trabalhos como freelancer: tradução, revisão de contratos, qualquer coisa que aparecesse. No terceiro semestre, alguém leu um parecer jurídico que escrevi e perguntou se eu tinha interesse em gestão de patrimônio privado.Aceitei a proposta. Tirei minha licença e entrei em uma firma. Comecei a atender clientes. No primeiro ano, ninguém sabia meu nome. No segundo, as pessoas começaram a perguntar
Henry não ligou o carro imediatamente. Ficou sentado, com as mãos no volante, por vários segundos.— Nós vamos encontrá-la. E, quando encontrarmos, você vai pedir desculpas. — Disse ele devagar.Nina piscou.— O quê? Eu planejei tudo. Cuidei de tudo e ela desapareceu. E agora eu tenho que pedir desculpas?Henry virou o rosto para ela.— Você cuidou de tudo tão bem que nem sabia onde ela estava morando. Guardou o vestido de noiva dela na sua casa. Não organizou a maquiagem dela e sequer verificou se ela viria. Me diga, Nina, do que exatamente você cuidou?A voz de Nina baixou.— A maquiadora deveria encontrá-la no local da cerimônia. Mas disseram que não havia noiva nenhuma lá.Henry olhou para ela e se lembrou.Sempre que Jocelyn tinha uma opinião, Nina tinha uma melhor. A música, as flores, e até a lista de convidados. Nina sempre dizia que Jocelyn não fazia questão. Ele nunca perguntou diretamente a Jocelyn.Porque Nina era mais capaz e sempre estava certa. Porque Nina era
Ponto de vista em terceira pessoa.O casamento estava marcado para segunda-feira, três dias depois. Durante esses três dias, ninguém ligou para Jocelyn. Ninguém foi vê-la. Ninguém percebeu que ela parou de responder às mensagens até a manhã do casamento.Naquela manhã, Henry olhou para Nina no banco do passageiro e perguntou se Jocelyn sabia o endereço do local do casamento.— Claro. Ela nunca confirmou, mas sabe onde fica. — Nina respondeu, alisando o vestido.Henry assentiu.— Você sempre cuida bem das coisas.O carro entrou na propriedade da família Moretti, passando pelos guardas no portão e pelos carros pretos alinhados na entrada. Henry caminhou à frente, com Nina meio passo atrás dele.Um funcionário se aproximou.— Sr. Moretti, a noiva já chegou?Henry franziu a testa.— Ela deveria estar aqui.Ele ligou para Jocelyn. Ninguém atendeu. Tentou de novo e nada. Mensagens, chamadas de voz, canais criptografados, mas não obteve resposta.— Ela não está atendendo. — Disse
Naquela tarde, dirigi sozinha até o local do casamento. O ensaio acontecia em uma capela particular perto da propriedade Moretti.Entrei. A primeira pessoa que vi não foi a organizadora nem a florista, foi Nina.Ela usava um vestido de cetim branco. O meu vestido. Aquele que passei um mês escolhendo e mandando ajustar. Ela estava ao lado de Henry, enquanto a organizadora ensinava aos dois a entrada da cerimônia. A mão de Henry repousava de leve na cintura dela, e os dois estavam no centro da capela como os verdadeiros noivos.Fiquei parada na entrada. Ninguém percebeu minha presença.Até que a organizadora levantou os olhos, e ficou constrangida.— Srta. Bellandi, a senhora chegou.Nina se virou e sorriu.— Chegou na hora certa. Estou repassando o processo por você. Como você não respondeu às mensagens esta tarde, a organizadora ficou preocupada com possíveis atrasos. Então adiantei o ensaio no seu lugar. Afinal, temos quase o mesmo tamanho.— Por que você está usando o meu ves
Liguei para o escritório responsável pelos imóveis da família e avisei que estava me mudando do apartamento.— Tem certeza? Você mora aí há mais de quatro anos. — Perguntou a pessoa do outro lado da linha.Quatro anos.Quando comecei a namorar Henry, ele queria que eu me mudasse para a propriedade Moretti. Mas Nina disse que não era apropriado uma mulher Bellandi morar com um homem antes do casamento. Na época, achei que ela tinha razão. Eu também queria meu próprio espaço. Então aluguei aquele lugar, perto do território dos Moretti. Assim, Henry podia aparecer quando quisesse.Às vezes, ele aparecia e passava a noite comigo.Aquele apartamento guardava provas de que um dia nos amamos. Mas também guardava lembranças demais dele atendendo ligações e saindo às pressas.A pessoa do escritório suspirou e me disse para deixar as chaves na caixa de correio.Pouco depois de eu desligar, a porta se abriu. Henry e Nina entraram juntos.Nina sorriu.— Henry disse que você estava fazendo






