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CAPÍTULO 3

Author: Rosemary
Naquela tarde, dirigi sozinha até o local do casamento. O ensaio acontecia em uma capela particular perto da propriedade Moretti.

Entrei. A primeira pessoa que vi não foi a organizadora nem a florista, foi Nina.

Ela usava um vestido de cetim branco. O meu vestido. Aquele que passei um mês escolhendo e mandando ajustar. Ela estava ao lado de Henry, enquanto a organizadora ensinava aos dois a entrada da cerimônia. A mão de Henry repousava de leve na cintura dela, e os dois estavam no centro da capela como os verdadeiros noivos.

Fiquei parada na entrada. Ninguém percebeu minha presença.

Até que a organizadora levantou os olhos, e ficou constrangida.

— Srta. Bellandi, a senhora chegou.

Nina se virou e sorriu.

— Chegou na hora certa. Estou repassando o processo por você. Como você não respondeu às mensagens esta tarde, a organizadora ficou preocupada com possíveis atrasos. Então adiantei o ensaio no seu lugar. Afinal, temos quase o mesmo tamanho.

— Por que você está usando o meu vestido? — Perguntei.

Nina olhou para baixo, ainda com naturalidade.

— Temos quase o mesmo tamanho. Achei que podia provar antes.

Henry não tirou a mão dela. Apenas disse:

— É só um ensaio. Não pense demais.

Minha mãe, que estava por perto, disse com a voz gentil:

— Deixe Nina ensaiar por você. Ela está mais acostumada com esse tipo de evento. Assim, você pode evitar cometer erros quando ficar nervosa.

Olhei para minha mãe. Depois, olhei para a mão de Henry, que ainda descansava na cintura de Nina.

— Eu estou aqui agora. — Eu disse.

A capela ficou em silêncio por um momento.

Ninguém pediu para Nina sair do lugar. A organizadora me entregou o roteiro da cerimônia. Abri o papel e vi que três coisas tinham sido alteradas. A música de entrada foi trocada por jazz. Os votos que escrevi foram apagados e substituídos por frases genéricas. O nome de Nina aparecia antes do meu.

— Quem mudou isso? — Perguntei.

A voz de Nina saiu suave.

— Fui eu. A sua música original era formal demais. Amanhã, a maioria dos convidados será da família Moretti, além dos anciãos. Achei que uma atmosfera mais descontraída seria melhor.

Minha mãe assentiu.

— Nina tem razão. Você não está acostumada com esse tipo de evento. Ela entende melhor dessas coisas.

Henry folheou o roteiro.

— As mudanças estão boas. Vamos seguir esse roteiro amanhã.

— Você não me perguntou. — Eu disse, olhando para ele.

— Nina estava tentando ajudar, essas coisas não são o seu forte. — Ele respondeu.

— Troque a música de volta e use os meus votos. A Nina não entra antes de mim. — Eu disse.

A capela mergulhou em silêncio.

Os olhos de Nina ficaram vermelhos.

— Eu só queria ajudar...

— Eu sei, mas não quero que você se case no meu lugar. — Respondi.

O rosto de Nina empalideceu. Minha mãe se aproximou e colocou a mão no ombro dela, soltando um suspiro.

— Jocelyn, Nina tinha boas intenções. Ela é frágil e passou os últimos dias correndo por você. Por que fazer ela se sentir tão mal?

Meu pai também falou. Sua voz não era dura, mas era clara.

— Ela não é forte. Você não pode ser mais compreensiva?

Henry se aproximou e baixou a voz.

— Isto é um ensaio. Os Moretti estão observando. O que você tiver para dizer, diga depois.

— Retomar meu próprio casamento deixa você desconfortável?

Henry não respondeu. Apenas disse:

— Vamos terminar o ensaio.

Então Nina recuou, como se tivesse se assustado com a tensão. Ela esbarrou em um suporte de flores. A estrutura balançou. Estendi a mão para segurá-la, mas Nina se virou de repente e me desequilibrou com um puxão.

O suporte caiu sobre mim.

A armação de metal bateu contra minhas costelas, e uma dor aguda atravessou meu lado, tão forte que não consegui respirar. Caí no chão com força.

Nina tropeçou e caiu ao meu lado. A palma de sua mão raspou no carpete, e uma linha fina de sangue surgiu em sua pele.

Todos correram para socorrer Nina.

Henry se ajoelhou ao lado dela, examinando sua mão.

— Você está sangrando.

Minha mãe agarrou o pulso dela.

— Está doendo em mais algum lugar?

Meu pai chamou um médico. Os seguranças avançaram para liberar a área.

Ninguém olhou para mim.

Tentei me apoiar para levantar, mas a dor nas costelas era intensa demais. Minha respiração saía curta, rasa, em pequenos arquejos.

Então Henry olhou na minha direção. Ele me viu no chão, com o rosto pálido e os braços tremendo pelo esforço de tentar ficar de pé. Algo passou pelos olhos dele. Talvez fosse preocupação, mas durou apenas um segundo.

— Jocelyn... — Ele começou.

Mas Nina se encolheu mais perto dele, com a voz trêmula.

— Henry, está doendo. Ela me puxou de propósito, e eu caí.

O olhar de Henry voltou para ela. Ele a ergueu com cuidado, examinando de novo a palma arranhada.

Minha mãe suspirou.

— Nina passou a semana inteira correndo por causa deste casamento. Está exausta, e agora se machucou.

Ela olhou para mim, com a voz tensa.

— Jocelyn, ela só tentou ajudar. Por que você sempre torna tudo tão difícil?

Meu pai acrescentou:

— Ela é frágil. Você não consegue mostrar um pouco de consideração?

Forcei-me a ficar de pé. Minhas costelas gritavam a cada movimento.

Novamente, ninguém percebeu.

Henry pegou Nina no colo.

— Vou levá-la ao hospital. — Disse ele.

Então olhou para mim, com a voz um pouco mais suave por um instante.

— Você deve voltar para casa e descansar. Conversamos depois.

Minha mãe o seguiu para fora. Meu pai já estava ao telefone, chamando o médico da família.

A capela esvaziou. As luzes continuaram acesas. Fiquei ali sozinha, com uma mão pressionada contra as costelas, respirando através da dor. Olhei para o roteiro na minha outra mão, agora manchado de sangue.

Durante anos, ensinaram-me a ceder.

Ceder a Nina, à decepção dos meus pais, à ideia de Henry sobre o que uma Donna deveria ser.

Não mais. Desta vez, não olhei para trás.

Eu não queria o casamento. Não queria o sobrenome Moretti, e também não queria uma família que só se lembrava da minha existência quando precisava de alguém para culpar.

E eu também não queria mais Henry Moretti.
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