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Capítulo 4

Autor: Ladywoffie
Eu estava atrás da porta, observando os representantes irem embora enquanto minha família continuava na sala, ainda desabafando e amaldiçoando meu nome.

Theodore estava encostado na parede, mas aquela sensação inquietante não o deixava em paz.

Ele pegou o celular e percorreu nosso histórico de mensagens.

Eu sempre enviava dez mensagens. Ele respondia uma.

Ele soltou o ar e, finalmente, como se estivesse me fazendo um favor, digitou uma mensagem:

[Chega. Eu sei que você está chateada. Se voltar agora, podemos conversar e resolver tudo direito.]

Mas a mensagem caiu no vazio.

A tela acendeu. Depois apagou. Então acendeu novamente. Nenhuma resposta. Nem uma palavra sequer.

A testa de Theodore se franziu ainda mais, e sua irritação aumentou.

Por impulso, ele abriu o canal interno da patrulha e ligou para o posto da fronteira.

— Verifique uma coisa para mim. Houve alguma atividade de renegados ou algum distúrbio nos limites do território nos últimos três dias?

Antes que o homem do outro lado pudesse responder, Elara — que estava relaxada no sofá — ficou rígida de repente. Ela se curvou, segurando o estômago, e teve ânsias de vômito violentas.

— Argh...

Seu corpo inteiro se contorceu enquanto ela desabava nas almofadas. Seu rosto ficou branco como papel, e ela começou a vomitar bile misturada com sangue, enquanto um suor frio escorria por seu corpo.

— Elara! O que aconteceu?!

Mamãe gritou e correu até ela. Papai e Adrian também entraram em pânico.

— É... é o envenenamento por prata...

Elara soluçou fracamente, com a voz entrecortada pelas respirações ofegantes.

— O veneno... do presente que minha irmã me deu... está se espalhando pelos meus órgãos... dói tanto...

Ao ver Elara se contorcendo de dor, a fúria da minha família chegou ao limite.

— Tudo isso porque ela tem inveja de Elara? Ela quer matá-la?!

Adrian andava de um lado para o outro, furioso, até que apontou o dedo para Theodore.

— Alfa Theodore, não podemos esperar mais. Peça o Acerto de Karma à Deusa da Lua agora mesmo. Faça aquela traidora — aquela escória assassina de irmãs — pagar pelo que fez!

Theodore olhou para Elara, que se contorcia e gemia em seus braços. O último resquício de hesitação em seus olhos desapareceu.

Ele pegou o celular e fez o pedido.

Uma tela holográfica surgiu no ar.

[Confirmação do sistema: Iniciar o Acerto de Karma irreversível da Deusa da Lua contra a membro da alcateia "Diana Mitchell"?]

Minha família inteira se amontoou ao redor da tela. Não havia o menor sinal de dúvida. Um por um, pressionaram as palmas das mãos ensanguentadas sobre o selo de confirmação.

O que o Acerto de Karma realmente era: o registro definitivo da Deusa da Lua, que contabilizava todos os atos de dar e receber ao longo de uma vida — tempo, cuidado, recursos, apoio emocional, tudo. Quando alguém solicitava um Acerto, o sistema equilibrava as contas cósmicas e transmitia a verdade para toda a alcateia testemunhar.

Theodore e meu pai hesitaram por uma fração de segundo, mas bastou um olhar para o rosto sofrido de Elara para que pressionassem o botão com força.

Primeiro, eles não acreditavam que eu pudesse estar morta.

Segundo, não acreditavam que eu tivesse contribuído com alguma coisa para aquela família.

Diziam que eu precisava ser punida.

Atrás da tela, meu rosto não demonstrava nada.

Naquela noite, o altar da alcateia brilhou com uma intensidade que parecia transformar a noite em dia.

Enquanto o carro seguia em direção ao altar, Theodore me enviou um último aviso:

[Estamos a caminho do altar agora, Diana. Esta é sua última chance.]

Ainda assim, nada.

Theodore cerrou os dentes e ligou para Daniel — eles se conheciam desde a infância, e agora Daniel era um Beta destacado na fronteira. Uma última confirmação.

Assim que a ligação foi atendida, a voz de Daniel veio do outro lado, fria e zombeteira:

— Alfa Theodore. Finalmente se lembrou de dar notícias?

— Pare com isso. Você viu Diana na fronteira?

— Então finalmente se lembrou de que ela existe? — Daniel era meu amigo; ele nunca gostou de Theodore. — Eu mesmo vou verificar a segurança de Diana. Ouvi dizer que você solicitou o Acerto de Karma. Está planejando expulsá-la?

A voz de Theodore ficou mais ríspida.

— Como você sabe disso?

— Por favor. Um Acerto de Karma? Isso não acontece há séculos. Metade das alcateias próximas provavelmente já está aqui só para assistir. Tudo isso por causa de uma garota de dezoito anos. Vocês são inacreditáveis.

— Você...

Antes que Theodore pudesse explodir, Daniel desligou.

O carro mergulhou em um silêncio absoluto.

Elara apoiou a cabeça no ombro de Theodore, frágil e choramingando:

— Theodore, me desculpe. Tudo isso é culpa minha — meu corpo frágil ocupa tanto do seu tempo. Não é de admirar que todos pensem que você tem negligenciado Diana...

Ele afagou a cabeça dela, reprimindo a inquietação que lhe apertava o peito, e suavizou a voz.

— Não pense demais nisso. Nada é mais importante do que a sua segurança. Afinal, somos uma família.

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