FAZER LOGINAslı estava acostumada a receber elogios de estranhos, mas o que ele disse-lhe a deixou envergonhada.
— Você trabalha com a sua cunhada? Eu lembro de você comentar algo sobre isso, quando te ajudei de manhã.
— Sim, Elif é casada com o meu irmão Omer. Ela herdou essa padaria dos pais e eu trabalho com ela. Quero dizer que temos uma sociedade, mas eu sou uma sócia que investe com o trabalho, enquanto ela investe com o dinheiro. Aqui funciona de segunda a sexta-feira, e aos finais de semana, eu trabalho em casa, quando tem alguma encomenda para um evento ou alguma festa.
Volkan prestava atenção em tudo que Aslı respondia, e o advogado não parava de olhar hipnotizado para ela.
—E sua filha? Você mora com o seu irmão e cunhada?
— Sim e não, eu moro nos fundos da casa do meu irmão. Como eu falei, eu fiquei viúva muito cedo e o meu irmão e Elif me ajudaram muito. Şymal era muito pequena e eu e Omer somos órfãos de pai e mãe. Mamãe morreu um pouco depois que nasci e meu pai faleceu 3 anos atrás. Eu vendi a casa onde morava com o meu pai e a minha filha e construí uma casa menor para nós duas no quintal do meu irmão.
Volkan admirava a forma que ela se expressava e a inocência que ela tinha mesmo sendo mãe.
O clima foi quebrado pelo celular de Volkan que tocou e Aslı aproveitou o momento, para tirar a mesa e deixar o homem atendendo a ligação em particular.
—Fale, Demir.
—Volkan você vai voltar para casa agora? Seu pai está me pedindo pra te ligar, eu tive que inventar que você está em uma reunião. Cansu ainda está aqui e eu já prometi a ela que vou deixá—la em casa.
O advogado viu o horário no relógio, ele precisava passar o tempo até a hora da noiva ir embora. Não pensava em voltar para mansão e muito menos ter que encarar Cansu e o pai.
—Demir, avise ao meu pai que o cliente me convidou para jantar e como é alguém muito importante, não vou poder recusar.
— Agora mesmo vou enviar uma mensagem para Zeyno, assim ela distrai Cansu e Yiğit.
O advogado desligou o celular, assim que Aslı reapareceu.
— Algum problema? Aslı perguntou-lhe, que respondeu estar tudo bem.
— Era meu primo para saber que horas eu voltava para casa, mas avisei que tenho um compromisso importante para hoje.
— Ah, sim, entendi, bom então não quero atrasar você, e fiquei feliz de verdade por aceitar o café. Espero que tenha gostado e volte outras vezes.
— Eu não só gostei, como pretendo voltar, o lugar é muito agradável, e a atendente muito simpática e competente no que faz.
Aslı ficou vermelha com o elogio e sem ação ao ouvir o convite que Volkan a fez logo em seguida.
— Você gostaria de jantar comigo hoje à noite?
—Jantar com você? Aslı gaguejou ao responder. Mas eu não vou atrapalhar a sua noite?
—Claro que não! E não se preocupe, eu sou confiável, caso você esteja a pensar que irei tentar algo com você.
— Mas não pensei nada, eu só fiquei surpresa pelo convite. É que você está bem-arrumado enquanto eu estou vestida com roupa de trabalho.
Volkan então respondeu que ela escolheria o lugar, se fosse melhor para ela.
— Você tem certeza de que quer ir aonde eu costumo frequentar?
— Claro que sim ou é algum lugar com coisas erradas?
Aslı riu respondendo ser um belo lugar, mas que não era frequentado por pessoas como ele.
— Vou buscar a minha bolsa, apagar as luzes do fundo e volto já.
— Eu vou com o meu carro e você vai me seguindo, tudo bem?
Volkan concordou e aproveitou que Aslı tinha saído para enviar uma mensagem para a irmã.
— Zeyno, eu tenho um compromisso, coloque Yiğit para dormir hoje. Eu prometo que no final de semana vou esquecer o trabalho e cuidar do meu filho. Só não deixa o papai desconfiar e nem Cansu tentar dormir em casa.
Beijos Volkan
A irmã sempre o ajudava. Volkan precisava respirar longe daquela mansão e a presença da noiva não só o incomodava como não o deixava bem dentro da própria casa.
A resposta da irmã veio segundos depois.
— Te dou cobertura irmãozinho. Espero que você esteja em algum encontro e aproveite bem a noite. Cansu como sempre fez o mesmo drama e Demir irá levá-la para casa. Espero que a companhia de hoje conquiste o seu coração que assim você se livra desse problema ❤️
Zeyno.
Volkan riu da irmã. Não tinha como esconder nada daquela garota, mesmo tão jovem ela conhecia-o muito bem.
— Estou pronta, vamos agora e fica tranquilo que o lugar não é longe daqui.
Volkan deu passagem para Aslı sair primeiro e a ajudou a baixar a porta gradeada. Ela ativou o alarme e cada um seguiu até o seu carro.
O fim da tarde tingia o céu de tons dourados quando Volkan estacionou o carro diante da pequena casa de campo que havia alugado para o fim de semana. Asli observou o lugar pela janela, emocionada com a tranquilidade que o cercava. Depois de tantos meses difíceis, finalmente pareciam respirar em paz.— Você está muito quieta — comentou Volkan, segurando a mão dela enquanto caminhavam pelo jardim.Asli sorriu de leve.— Só estou tentando acreditar que finalmente podemos pensar no futuro sem medo.Volkan parou diante dela e acariciou seu rosto.— Nosso futuro começou no dia em que você decidiu ficar ao meu lado.Ela sentiu os olhos marejarem. Durante muito tempo, acreditou que a felicidade sempre seria interrompida por dores, segredos e perdas. Mas ali, diante daquele homem, compreendia que amar também era permanecer.Os dois sentaram-se na varanda enquanto o vento fresco balançava as árvores ao redor.— Zeynep me ligou mais cedo — disse Asli, sorrindo. — Ela e Ali finalmente começaram os
Asli aguardava na sala a chegada do sogro. Symal e Ygit conversavam sentados no sofá alheios as mudanças que iriam acontecer naquela mansão a partir de hoje. Durante os dias em que o sogro esteve internado, a jovem decidiu ficar cuidando da casa da sogra, enquanto Hulya e Zeynep se revezavam para cuidar de Aslan.– Mamãe, o vozinho vai ficar bem — Symal disse ao se aproximar da mãe, que olhava pela porta de vidro o jardim lá fora.Asli forçou um sorriso ao sentir os braços pequenos envolverem sua cintura. Passou os dedos pelos cabelos da filha e respirou fundo antes de responder.— Vai, meu amor… o vovô é forte.Mas a própria voz saiu fraca, insegura.Do lado de fora, o céu começava a ganhar tons dourados do fim da tarde. O jardim da mansão parecia silencioso demais, como se até o vento esperasse alguma coisa. Asli ergueu os olhos quando ouviu o som distante de pneus sobre a brita da entrada.O carro havia chegado.Seu coração disparou.Ygit foi o primeiro a correr até a porta.— Eles
Zeynep observava o pai dormir com a respiração pesada e irregular, como se até mesmo descansar fosse uma batalha difícil demais para Aslan. A luz fria do hospital recortava o rosto marcado dele, destacando a barba por fazer. O homem que antes parecia grande o suficiente para esmagar o mundo inteiro agora permanecia imóvel naquela cama, ligado a fios e máquinas que apitavam baixo, lembrando o quanto a vida podia destruir alguém em silêncio.Ela segurava a mão dele com delicadeza, os dedos apertando os do pai como se tivesse medo de soltá-lo e perdê-lo outra vez.Ali havia voltado para a delegacia horas antes, mas deixara claro que qualquer mudança no estado de Aslan seria avisada imediatamente. Mesmo assim, Zeynep não arredou o pé dali. Não conseguia. Não depois de tudo.O que mais a atormentava não era apenas o ataque.Era Volkan.Era o motivo.Porque, pela primeira vez na vida, ela tinha visto medo nos olhos do irmão… e culpa nos olhos do pai.Aslan se moveu devagar na cama, soltando
Asli despertou num sobressalto, o peito subindo e descendo rápido demais enquanto os dedos procuravam o calor familiar ao seu lado da cama. Encontrou apenas lençóis frios.Por um instante, o silêncio da casa dos pais de Volkan pareceu sufocante.Ela se sentou devagar, tentando controlar a respiração. O quarto estava mergulhado na penumbra azulada da madrugada, e do corredor vinha apenas o distante tique-taque do relógio antigo da família.Aslan.O nome do sogro atravessou sua mente como uma lâmina. Mesmo com a notícia de que ele poderia receber alta em breve, o medo ainda morava dentro dela. Entranhado. Vivo.Asli passou a mão pelos cabelos e saiu da cama.A porta do escritório do pai de Volkan estava entreaberta. Uma luz fraca escapava pela fresta.Ela o encontrou ali.Volkan estava sentado na poltrona de couro escuro, os cotovelos apoiados nos joelhos, os dedos pressionando a testa como se tentasse impedir a própria mente de desmoronar. A camisa do pijama estava aberta no pescoço, a
O escritório de Aslan permanecia exatamente igual.Intocável.Como se ninguém tivesse coragem de mover um único objeto desde a discussão.A iluminação baixa deixava o ambiente ainda mais pesado naquela madrugada silenciosa. O cheiro amadeirado dos móveis antigos misturava-se ao leve aroma de uísque que ainda parecia impregnado nas paredes.Volkan entrou devagar.Fechou a porta atrás de si.E por alguns segundos apenas ficou parado.Observando.A poltrona de couro.Os livros perfeitamente alinhados.O relógio antigo sobre a estante.A mesa enorme onde o pai costumava comandar o mundo como se nada fosse impossível.Seu peito apertou.Porque, quando criança, aquele lugar parecia gigantesco.Quase sagrado.Volkan caminhou lentamente até a mesa.Os dedos deslizaram pela madeira escura.E então ele viu.A pequena marca perto da gaveta inferior.O risco torto.Seu risco.Um sorriso doloroso surgiu em seus lábios.Ele tinha sete anos quando entrou escondido naquele escritório pela primeira ve
A chuva escorria lentamente pelo vidro, desenhando caminhos tortos que desapareciam antes de alcançar a moldura da janela. O céu estava cinzento, pesado, como se carregasse o mesmo silêncio sufocante que dominava o quarto do hospital.Aslan permanecia imóvel na cama.Os dedos apertavam o braço da cama com força, enquanto os olhos continuavam presos na tempestade do lado de fora. Desde que acordara da cirurgia, ninguém havia tido coragem de dizer a verdade completa. Médicos entravam e saíam com frases cautelosas demais. Enfermeiros evitavam encará-lo por muito tempo. E Hulya… Hulya apenas segurava sua mão sempre que podia, como se tentasse impedir que ele desmoronasse.Mas ele já sentia.Sentia no vazio.Sentia na ausência.Sentia no desespero crescente de tentar mexer as pernas que simplesmente não respondia.Atrás dele, Hulya ajeitou a manta sobre a cama e respirou fundo antes de falar:— O médico disse que amanhã vai começar os exames de reabilitação…Aslan não respondeu imediatamen







