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Capítulo 6: O Exílio Oculto e as Paredes de Concreto

Author: Ester
last update Petsa ng paglalathala: 2026-08-27 11:39:32

As malas de couro gasto já estavam acomodadas no porta-malas do carro antigo que pertenceu aos pais de Elara. A formatura no internato havia passado como um borrão solitário, mascarada pelos goles diários da poção âmbar que o tio Darius lhe fornecera. Agora, diante da fachada de pedra da residência fortificada dos Varkos, o peso da partida finalmente desabou sobre os ombros de Elara.

A tia Mirela a apertou em um abraço apertado, chorando baixinho contra seu pescoço.

— Você vai ser uma mãe maravilhosa, Elara. Nunca se esqueça de quem você é. De onde você vem — a guerreira Delta sussurrou, afastando-se para segurar o rosto da sobrinha com as mãos trêmulas.

O primo Tarek, perdendo sua habitual pose brincalhona, deu-lhe um beijo na testa, enquanto as primas Lena e Sira seguravam suas mãos. Lena entregou-lhe um envelope com as economias e os documentos da herança de seus pais, mantendo a postura firme de uma Delta de elite para não desabar.

Por fim, o tio Darius deu um passo à frente. Seus olhos escuros e experientes carregavam uma melancolia profunda. Ele pousou as mãos pesadas nos ombros de Elara.

— O mundo dos humanos é barulhento e frio, minha querida. Mas lá você e essa criança estarão a salvo dos julgamentos da matilha — ele olhou para Marta, a ômega leal que já estava sentada no banco do carona, com o semblante sério e protetor. — Cuide bem delas, Marta. Se precisarem de qualquer coisa, usem as cartas codificadas.

Elara engoliu em seco, limpando uma lágrima solitária antes de entrar no veículo. Ao girar a chave na ignição e ver a silhueta da família Varkos encolher pelo retrovisor, ela sentiu que estava deixando para trás a última conexão com o mundo dos lobos.

A viagem de três horas foi silenciosa. À medida que as árvores densas da Matilha Silvaterra davam lugar a rodovias de asfalto cinzento e, eventualmente, aos prédios altos e ao trânsito caótico da cidade humana, o coração de Elara acelerava. Tudo ali cheirava a fumaça de escapamento, comida industrializada e a uma massa esmagadora de humanos comuns.

A nova casa era um apartamento de classe média, com paredes claras, pisos de madeira e janelas grandes que davam vista para uma rua arborizada e residencial, próxima à universidade onde Elara cursaria medicina. Não era a imensidão da floresta, mas era um refúgio seguro.

Os meses seguintes voaram em uma velocidade assustadora. A biologia de uma loba não seguia as regras humanas; a gestação acelerada de sua espécie exigia que o bebê se desenvolvesse por completo em apenas seis meses.

No quarto mês de exílio, a barriga de Elara já exibia uma curvatura proeminente e perfeitamente redonda, pesada com a força da linhagem de elite que crescia em seu ventre. Caminhar até as aulas na faculdade de medicina estava se tornando um desafio físico hercúleo. Suas coxas andavam mais grossas para suportar o peso e seus seios estavam fartos, preparando-se para o nascimento.

Marta assumira o papel de mãe com maestria impecável perante os poucos vizinhos humanos que tentavam esticar o pescoço.

— Descanse as pernas, Elara — Marta ordenou em uma noite chuvosa, cobrindo o sofá da sala com uma manta macia e entregando-lhe uma xícara de chá morno. — Esse menino puxou a energia dos guerreiros. Ele mal para quieto aí dentro.

Elara sorriu, pousando as duas mãos sobre a barriga pontuda. Ela sentiu um chute firme e focado, uma vibração de energia tão intensa que fez sua própria loba interior acordar por um segundo e ronronar de orgulho. Faltavam poucas semanas para os seis meses se completarem. Ela estava prestes a dar à luz no mundo dos humanos, sabendo que, a cada batida do coração daquele bebê, o segredo da caverna estava mais perto de ganhar vida.

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