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Capítulo 7: O Eco de Sangue e o Nascimento de Aren

Author: Ester
last update publish date: 2026-08-27 11:52:48

O relógio digital na mesa de cabeceira marcava três da manhã quando a última onda de contrações fez Elara morder o lençol para não gritar. O apartamento na cidade humana estava imerso em penumbra, quebrado apenas pela luz suave de um abajur no canto do quarto. Seis meses exatos haviam se passado desde a noite no lago. O tempo havia esgotado.

Marta agia com a precisão fria de uma parteira experiente. Suas mãos de loba ômega eram firmes e seu olhar transmitia uma segurança inabalável, embora o suor em sua própria testa denunciasse a tensão daquele parto clandestino.

— Respire, Elara. Controle o instinto da sua loba. Se você uivar, os vizinhos humanos vão ouvir — Marta sussurrou com urgência, posicionando-se na ponta da cama enquanto segurava as pernas de Elara. — Mais uma vez. O topo da cabeça já está coroando. Força!

Elara arqueou as costas, os dedos cravando-se no colchão. Suas veias pareciam queimar com uma eletricidade estática bizarra. Não era apenas a dor do parto; era como se o sangue dentro dela estivesse fervendo, espalhando uma pressão invisível pelas paredes de concreto do apartamento.

Com um último esforço sôfrego, o corpo de Elara relaxou quando o bebê finalmente escorregou para as mãos de Marta.

No milésimo de segundo em que o choro miúdo do recém-nascido ecoou no quarto, o ar congelou..

Uma onda invisível, uma verdadeira explosão de energia mística e silenciosa, expandiu-se a partir do corpo do bebê. O impacto foi tão real que os copos de vidro na cozinha vibraram e as arandelas do corredor piscaram. Elara e Marta arfaram ao mesmo tempo, sentindo um arrepio elétrico subir por suas espinhas e uma tontura avassaladora que fez a loba de Elara curvar a cabeça mentalmente, em sinal de respeito a uma força superior. Foi uma sensação avassaladora, mas que passou em poucos segundos, deixando apenas o silêncio e o cheiro de orvalho fresco no quarto.

Na Casa da Matilha Silvaterra.

No mesmo instante, na residência oficial dos Woodstone, o silêncio da madrugada foi estilhaçado.

Kaelen e Draven Woodstone dormiam em quartos separados, mas acordaram exatamente no mesmo segundo. Draven saltou da cama direto para o chão de madeira, sua forma humana quase tremendo enquanto seus olhos cor de mel dilatavam-se na escuridão. No quarto ao lado, Kaelen segurou o próprio peito, as unhas arranhando a pele bronzeada devido a uma dor súbita e profunda que parecia vir de dentro de seu osso esterno.

Não era dor física. Era uma vibração. Uma ressonância violenta que ecoou no âmago de suas naturezas de Alfa.

Os dois irmãos abriram as portas de seus quartos ao mesmo tempo, encontrando-se no corredor escuro. Suas respirações eram fustigantes e os peitos subiam e desciam em uma sincronia perfeita e assustadora.

— Você sentiu? — Draven rosnou baixo, os dentes cravados enquanto tentava acalmar o lobo negro dentro de si, que arranhava as paredes de sua mente para se libertar.

— No peito... como se algo estivesse me puxando — Kaelen respondeu, a voz mansa completamente quebrada pela confusão. Seus olhos verdes brilhavam no escuro. — Uma conexão. O espaço vazio na nossa mente... ele pulsou.

Longe dali, o Alfa Alaric Woodstone e os cães de guarda da fronteira rosnaram em seus sonos, sentindo uma leve perturbação no ar, mas nada comparado ao choque que atingira os gêmeos. O sangue real dos Woodstone havia reconhecido o nascimento de seu herdeiro legítimo, mesmo sem entender a origem daquele eco.

De Volta ao Apartamento.

No quarto silencioso, alheia ao caos místico que acabara de causar na matilha, Marta limpava rapidamente o bebê com uma toalha macia antes de entregá-lo aos braços trêmulos de Elara.

— Ele é perfeito, minha filha — Marta sussurrou, a voz embargada pela emoção enquanto observava a criança aninhar-se no peito da mãe.

Elara olhou para o pequeno Aren. Quando o bebê abriu os olhos devagar pela primeira vez, o coração da jovem médica parou por um segundo. Ali, sob a luz fraca do abajur, as cores eram nítidas e assustadoras: o olho esquerdo brilhava em um verde vivo de floresta,enquanto o olho direito exibia o mel denso e profundo da terra.

Ela puxou o filho contra o peito, as lágrimas escorrendo por suas bochechas. O eco havia passado, mas o mistério estava apenas começando.

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