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Capítulo 3

Autor: Manuela Castro
Fitei Renato, tomada de raiva.

— Aquela casa é minha! Quem te deu o direito de entregá-la a outra pessoa?

Isabela se aconchegava, frágil, nos braços de Renato, enquanto ele, por puro instinto, envolvia o corpo dela com um dos braços e pousava delicadamente a mão sobre sua barriga levemente arredondada.

Aquela criança ainda nem tinha nascido e já parecia receber todo o amor do pai.

E a minha Clara? Desde que descobrimos que ela existia, o pai nunca esteve presente.

No fundo, os sinais sempre estiveram ali.

Renato hesitou, como se quisesse dizer alguma coisa, mas, diante dos olhos marejados de Isabela, acabou criando coragem para falar.

— Ela só vai ficar lá por alguns meses, durante a gravidez...

Mas aquela casa era a herança que minha avó tinha me deixado.

Na época, Renato se ajoelhou ao lado do leito de morte dela, apertou minha mão e prometeu que cuidaria de mim pelo resto da vida.

"Deixa para lá."

Cravei as unhas na palma da mão, tentando controlar minha raiva.

— Vocês podem morar lá. Três milhões de reais, e eu passo a casa para vocês.

O sorriso de Isabela congelou em seu rosto, mas eu apenas me virei, sem sequer olhar para os dois.

— Uma família tão ilustre quanto a família Oliveira não vai querer se aproveitar de uma garota do interior, vai? Assim que o dinheiro entrar na minha conta, vocês poderão se mudar para lá. Antes disso, nem pensar.

Renato aceitou sem hesitar.

— Está bem. Vou transferir o dinheiro agora mesmo.

Eu, porém, saí às pressas da residência da família Oliveira com Clara nos braços.

Jamais voltaríamos àquele lugar. No caminho de volta para casa, Clara, que aos poucos despertava de vez, pareceu perceber o que estava acontecendo.

Ela se encolheu contra o meu peito. Quando me dei conta, minha filha já estava com os olhos vermelhos de tanto chorar.

— Clara, que tal a mamãe levar você para ver o vovô e a vovó?

Clara soluçou:

— E o papai?

Eu não sabia como responder. Ainda assim, decidi lhe contar a verdade.

— O papai vai ser pai de outra criança. Por isso, nós não queremos mais saber dele, está bem?

Eu não queria que Clara se sujeitasse a humilhações por ansiar tanto pelo amor do pai.

Clara apertou os lábios e abraçou com força a boneca que segurava.

— Mas... Mas eu também queria andar nos ombros do pai.

No parque de diversões, todas as crianças eram carregadas nos ombros pelos pais.

Clara, porém, só podia observar os amiguinhos com inveja.

Eu não suportava vê-la sofrer e acabei cedendo.

— Tudo o que a minha Clara quiser, a mamãe vai realizar.

Ao chegar em casa, vi todas as mensagens que Renato havia me enviado, mas não tive paciência para lê-las uma por uma.

Respondi com uma única frase:

[Depois de amanhã será o dia de visitação na escola. Passe o dia com Clara, e eu transfiro a casa para o seu nome.]

Renato respondeu quase imediatamente.

[Vanessa, eu sei que a culpa de tudo isso é minha, mas também tenho motivos que não me deixaram escolha. Fique tranquila, depois de amanhã estarei lá, sem falta!]

Na manhã do terceiro dia, Clara acordou cedo e vestiu um lindo vestido de princesa.

— Mamãe, hoje o papai também vai! Eu vou ser a criança mais feliz do mundo!

Sorri, assenti e beijei seu rostinho. No entanto, quando chegamos à escola, Renato não estava lá.

Depois de deixar Clara com a professora, liguei várias vezes para ele, mas ninguém atendeu.

Vi a alegria inicial de Clara se transformar, pouco a pouco, em decepção.

— Mamãe, os pais de todas as outras crianças vieram. — Ela se esforçou para conter as lágrimas e tentou me consolar. — Mas eu tenho a melhor mamãe do mundo! Para mim, basta ter a mamãe comigo.

Minha filha finalmente precisou aceitar que não podia contar com a presença do pai.

Ela tinha apenas seis anos e já precisava suportar tamanha dor. Não consegui mais conter minha fúria.

"Clara não fez nada de errado. Por que ela tem de passar por isso?"

Foi então que recebi uma mensagem de Renato.

[Estou em Riacho Fundo.]

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