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Capítulo 2

Autor: Manuela Castro
Na manhã seguinte, bem cedo, Clara já estava sentada na sala, bem-comportada, esperando pelo pai. Mas, como sempre, Renato não apareceu o dia inteiro.

Para consolá-la, levei-a ao parque de diversões, onde brincamos até a exaustão. Mesmo assim, Clara não parecia feliz e não parava de olhar para os portões de entrada e saída do parque.

Eu sabia que, assim como eu, ela esperava por alguém que nunca viria.

Ao anoitecer, voltei para casa com minha filha adormecida nos braços.

Mas, assim que cheguei à porta, fui levada à força para a antiga mansão da família Oliveira.

— O que a senhora quer comigo?

Era a primeira vez, em seis anos, que eu via Helena, a mãe do Renato.

Helena, porém, se limitou a me lançar um olhar frio antes de começar a dar ordens.

— Quem vem do interior é mesmo mal-educada, nem sequer sabe cumprimentar os mais velhos quando os encontra!

Eu sabia que, aos olhos da família Oliveira, não passava de uma moça do interior, de origem humilde.

Ricos e poderosos como eram, os Oliveira certamente me viam como o tipo de mulher que se agarrava ao filho deles por interesse.

Durante aqueles seis anos, Clara também nunca tinha visto a avó.

Para não acordar minha filha, cobri os ouvidos dela. Sentada no sofá, Helena me observava com desprezo.

— Isabela está grávida. E carrega no ventre o primeiro neto da família Oliveira.

Senti como se meu coração tivesse sido despedaçado. Naquele instante, a voz carinhosa de um homem veio do andar de cima:

— Devagar, Isabela. Cuidado com o bebê!

Renato e Isabela apareceram no segundo andar da mansão como um casal verdadeiramente apaixonado.

Ao levantar os olhos e me ver na sala, Renato mudou de expressão. Mesmo assim, continuou amparando Isabela enquanto os dois desciam a escada com todo o cuidado.

Helena foi recebê-los com um sorriso e acariciou com ternura a barriga de Isabela.

— Um neto da família Oliveira não pode ser um bastardo de origem duvidosa. — Helena me lançou um olhar de repulsa, como se eu fosse lixo. — Renato, já que as coisas entre você e Isabela estão decididas, você vai ter que se livrar logo do que nunca deveria ter existido.

Renato pareceu constrangido e segurou a mão da mãe.

— Mãe, você não prometeu que...

Isabela lhe lançou um olhar frágil, os olhos marejados.

Renato hesitou de imediato.

Engoli a amargura indescritível que me subia pela garganta. Eu já sabia qual seria a escolha dele.

— A Clara é minha filha. Do início ao fim, ela nunca teve nada a ver com a família Oliveira.

Minha voz acabou despertando minha filha. Ainda sonolenta, ela tocou com a mãozinha a pele avermelhada ao redor dos meus olhos.

— Mamãe, não chore. A Clara vai ser boazinha.

Apertei-a contra o peito e beijei seu rostinho.

— Clara, a partir de agora, você não tem mais pai. Só tem a mamãe, está bem?

Renato entreabriu os lábios, tentando explicar alguma coisa.

Mas eu nem sequer olhei para ele. Renato sabia que eu era teimosa, mas nunca imaginou que eu aceitaria com tanta facilidade a exigência de Helena.

Afinal, quando me apaixonei por ele, também fui capaz de ignorar a oposição de todos e permanecer bo país sem hesitar.

Clara ainda parecia confusa, mas pude ver a tristeza em seus grandes olhos.

Eu não queria que minha filha sofresse outra vez. Mas, quando me preparava para sair, Isabela bloqueou meu caminho.

— Renato, por que você ainda não contou a verdade à Vanessa?

Olhei para Renato, que desviou os olhos.

— Desde que engravidei, não consigo dormir direito. Mas Renato disse que aquela casinha onde vocês moram é muito tranquila. Quero me mudar para lá e passar a gravidez em paz.

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Último capítulo

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    — Clara, sou eu, o papai! Venha cá, deixe o papai te abraçar bem forte, está bem?Em um estado deplorável, Renato estendeu os braços. No entanto, o rosto da filha ficou pálido, e ela se refugiou nos braços do avô.Soltei um suspiro, caminhei até meu pai e lhe dei alguns tapinhas no ombro, impedindo-o de partir para cima dele.— Pai, leve Clara para casa primeiro.— Pai? Vanessa, você não era órfã?Renato me encarou, incrédulo. Ao lado, a vizinha, que já tinha ouvido falar de toda a confusão entre nós, estava parada à porta, com uma vassoura grande nas mãos, xingando-o a plenos pulmões.— Ora, tenha vergonha! Os pais da Vanessa estão vivos e passam muito bem! Você é que não passa de um canalha. Achou que ela não tinha família e se aproveitou disso para maltratá-la sem limites! Olhe só para você. Está na cara que vai acabar sozinho pelo resto da vida. Você não merece nem um pouco a nossa Vanessa!O semblante de Renato se fechou diante dos insultos da vizinha.Ele cravou os olhos em mim e

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  • Entre Duas Mulheres, Ele Perdeu Tudo   Capítulo 7

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