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10. Sob a mesma escuridão

Autor: Scali Lupin
last update Fecha de publicación: 2025-07-02 02:03:41
LORCAN.

O ar gelado mal arrepiava minha pele, não me impedindo de continuar. Eu ainda sentia o calor recente da discussão e o caos que deixou para trás…

Ela havia fugido.

Dahlia tentou ir atrás, mas eu pedi que ficasse. Algo naquela fêmea, Padgett, me dizia que, se alguém podia alcançá-la, era eu.

Eu não sabia explicar. Havia algo nela que despertava em mim um tipo estranho de atenção. Como se meu lobo reconhecesse alguma dor na forma como ela caminhava, como se arrastava pelo mundo.

E ainda ass
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Último capítulo

  • Entre a Escuridão e o Alfa   23. O silêncio que grita

    Saí da tenda de Fenwick sem rumo certo, as botas afundando na neve com uma força que não era necessária, como se cada passo pudesse descarregar um pouco do que fervia dentro de mim.“Vá até a fonte”, ela tinha dito. “Pergunte a ele”.Mas eu não conseguia. Não ainda. Não sabia se conseguiria olhar para Lorcan sem que toda aquela raiva explodisse antes mesmo de ele abrir a boca.Andei sem prestar atenção onde meus pés me levavam, a mente presa entre a imagem da cicatriz de Fenwick e a lembrança do próprio Lorcan, gentil demais, cuidadoso demais, para ser o mesmo homem capaz daquilo.Foi só quando o silêncio ao redor mudou de qualidade que percebi onde tinha parado.O casarão dos órfãos erguia-se à minha frente, cinzento contra o céu ainda mais cinzento, e o ar ali parecia sempre mais pesado que no resto do acampamento.Aproximei-me sem pensar muito, meus sentidos ainda à flor da pele pela discussão de minutos atrás. Foi por isso, talvez, que os ouvi antes de os ver.Uma voz baixa. Calma

  • Entre a Escuridão e o Alfa   22. A cicatriz

    O interior da tenda era simples, mas diferente das outras que eu já tinha visto na matilha — havia algo ali que lembrava permanência, como se aquele pequeno espaço fosse habitado há décadas e não apenas montado às pressas em mais um acampamento de guerra.Potes de ervas secas pendiam do teto, misturando cheiros amargos e doces. Um caldeirão pequeno fervia sobre brasas baixas, exalando vapor que cheirava a canela e algo mais amargo que eu não reconhecia.— Sente-se. — A anciã apontou para uma pilha de peles dobradas perto do fogo, ela mesma se acomodando devagar do outro lado, os ossos velhos rangendo com o movimento.Obedeci, o calor do fogo bem-vindo depois do frio cortante lá fora.Ela serviu duas canecas de um líquido escuro, entregando uma pra mim sem pressa. O gosto era forte, amargo, com um travo de mel no fim.— Sabe por que te chamei aqui? — perguntou, os olhos opacos fixos nas chamas.— Imagino que tenha a ver com eu estar bisbilhotando a reunião do conselho.Um som seco esca

  • Entre a Escuridão e o Alfa   21. O desenrolar de laços

    A tenda vermelha destoava do resto do acampamento mesmo à distância, o pano escuro contra a neve branca era como uma ferida aberta na paisagem.Fiquei parada atrás de uma fileira de barracas, longe o suficiente pra não ser vista, perto o bastante para que meus ouvidos apurados captassem fragmentos da conversa lá dentro.Eu sabia que não deveria estar ali. Sabia que, se descoberta, qualquer confiança que tinha conquistado nos últimos dias evaporaria como fumaça. Mas alguma coisa dentro de mim, talvez o resquício da filha de Alfa que um dia fui, a raiva pelos cinco anos perdidos e ter meu posto arrancado de mim, não conseguia me convencer a ficar de fora.— ...não podemos esperar dois meses parados aqui, Alfa. — A voz era de Cassian, tensa, rápida. — Se o Aiden já garantiu metade do sul, cada dia que passa é um dia a menos de vantagem.— E o que você sugere, Cassian? Que ataquemos às cegas? — A voz de Lorcan cortou o ar como sempre, mas havia um cansaço por baixo da autoridade que rara

  • Entre a Escuridão e o Alfa   20. Antes da Tempestade

    O segundo dia de treino começou com um sorriso que eu não esperava encontrar no meu próprio rosto.— Se continuar sorrindo assim antes de eu nem ter atacado, vou achar que está subestimando meu treino de novo — disse Lorcan, girando o bastão com aquela facilidade irritante que fazia tudo parecer fácil demais.— Estou só me divertindo antecipadamente com sua cara quando eu finalmente te acertar.— Isso vai levar um bom tempo pra acontecer.— Veremos.O ar gelado da manhã mordia meu rosto, mas o corpo já não doía tanto quanto no dia anterior. Vesti a capa mais grossa que ele tinha mandado através de Sofia, e mesmo com o frio cortante, senti algo parecido com disposição.A verdade é que eu segurava mais do que mostrava. Meus músculos ainda lembravam movimentos antigos, de uma vida inteira atrás, quando eu era a filha mais velha do Alfa Alistair e cada tarde da minha infância tinha sido moldada para um dia ocupar o lugar dele. Anos de instrução, de disciplina, de mestres contratados só

  • Entre a Escuridão e o Alfa   19. Instinto e Cautela

    — O Alfa quer te ver. Agora.Troquei um olhar com Marius, que apenas ergueu as sobrancelhas e voltou a mexer o caldeirão, como quem já esperava esse tipo de convocação repentina fazer parte da rotina.— Disse o motivo? — perguntei, limpando as mãos na túnica.— Não. Só falou pra te levar até o pátio de treino.Pátio de treino.Segui Joe através do acampamento, a neve estalando sob as botas, tentando adivinhar o que aquilo significava. Não me lembrava de ter feito nada que justificasse uma bronca — pelo menos não nos últimos dois dias.Quando chegamos, encontrei Lorcan no centro de um espaço aberto cercado por estacas de madeira, sem camisa apesar do frio cortante, testando o peso de dois bastões de treino nas mãos.Alguns lobos observavam de longe, curiosos.— Chamou por mim? — perguntei, parando a uma distância segura.— Chamei. — Ele jogou um dos bastões na minha direção sem aviso.Consegui pegá-lo por puro reflexo, quase deixando cair pela surpresa do peso.— O que é isso?— Treino.

  • Entre a Escuridão e o Alfa   18. Atrás da cortina

    As palavras da Mãe Delra giravam na minha cabeça como um sino quebrado. Havia algo naquele tom que me incomodava fundo, mas eu não sabia dizer exatamente o quê.Minha loba se remexeu, inquieta, como se quisesse voltar e arrancar a porta das dobradiças.Mas o que eu tinha, realmente? Uma boneca. Uma criança calada. Um tom de voz que me incomodou.Ninguém mais parecia notar nada de errado ali.Balancei a cabeça, tentando convencer a mim mesma de que talvez estivesse enxergando fantasmas onde não havia nenhum.Só que minha loba não sossegava.— Você está bem?A voz me fez virar tão rápido que quase escorreguei no gelo. Joe se aproximava com as mãos enfiadas nos bolsos, o sorriso de sempre um pouco mais contido.— Estou. — Forcei um meio sorriso. — Só pensando.— Você tem essa cara de “pensando demais” com frequência. — Ele parou ao meu lado, seguindo meu olhar até o casarão. — Foi lá dentro?— Fui.— E?Hesitei. Não sabia bem o que dizer, ou se deveria dizer alguma coisa.— A matriarca de

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