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Capítulo 68

last update Data de publicação: 2025-11-25 22:45:33
Os dias seguintes correram num ritmo estranho. Não exatamente lento, mas também longe da pressa de antes.

A rotina no castelo tinha ganhado um tipo de harmonia silenciosa, quase coreografada.

Pedro e Lorenzo viviam imersos em reuniões, ligações e relatórios. O som das vozes graves deles ecoava pelos corredores em horários aleatórios, e às vezes eu os via cruzando o saguão com pastas nas mãos, o olhar concentrado e a cabeça já em outro problema pra resolver.

Mesmo à distância, Lorenzo fazia ju
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  • Entre o Medo e Você    Capítulo 117

    ~Lorenzo~Fiquei olhando para Mila.Ela não me respondeu de imediato. As suas pupilas estavam tão dilatadas que quase cobriam toda a parte azul. Os dedos começaram a torcer a barra do lençol, torcendo o tecido até os nós ficarem visíveis na ponta dos dedos. Ela estava hesitando e eu a conhecia o suficiente para saber.— Eu… é… — a voz dela saiu quase um sussurro. Ela limpou a garganta. — Eu passei muito mal nos últimos dias.As mãos dela pararam e subiram para o próprio rosto, como se quisessem se esconder. Os polegares esfregavam a lateral do rosto, um movimento curto, repetitivo.— Enjoo. Cansaço. E foram tantas coisas acontecendo, que eu não me atentei ao meu ciclo. — Ela estava falando rápido, as palavras se atropelando. — Eu achei que era o estresse do trabalho e dos últimos acontecimentos… Não tirei os olhos dela nem por um segundo. Segurei a mão que ela deixou pairar no ar e a trouxe para perto da minha. Ela apertou com força.— Mas quando eu cheguei aqui, uma enfermeira me v

  • Entre o Medo e Você    Capítulo 116

    Acordei com um sobressalto, o coração martelando na garganta. A luz que entrava pela janela não era mais o rosa pálido da manhã, mas um laranja profundo, quase âmbar se misturado com tons de roxo, indicando que o dia estava se despedindo. Olhei para o relógio na parede e o pânico me atingiu: eu tinha dormido por quase doze horas.— Droga, Mila… — resmunguei, sentando-me rapidamente, a cabeça girando por um segundo.— Bom dia, dorminhoca. Ou melhor, boa noite.A voz dele me fez congelar. Virei o rosto tão rápido que senti um estalo no pescoço. Lorenzo estava acordado. Ele estava com a cabeceira da cama levemente elevada, tentando, com uma coordenação questionável, levar uma colher de gelatina à boca usando apenas a mão direita.— Lorenzo! — Eu praticamente pulei da cama. Corri em sua direção, mas parei a centímetros de tocá-lo, minhas mãos pairando no ar, com medo de que qualquer toque pudesse machucá-lo ainda mais. — Meu Deus, você acordou! Como v

  • Entre o Medo e Você    Capítulo 115

    O sol começava a pintar o céu de Lisboa, mas dentro daquele quarto de hospital, o tempo parecia ter congelado na madrugada. Lorenzo tinha saído da cirurgia há pouco mais de duas horas.O Dr. Martim explicou que a placa no rádio tinha sido colocada com sucesso, mas que as costelas quebradas e o trauma na cabeça exigiriam um repouso absoluto.Ele estava ali, cercado por fios, com o monitor cardíaco emitindo um bipe rítmico que era a única música que eu queria ouvir. Um acesso venoso no braço direito levava soro e analgésicos, e um pequeno cateter de oxigênio ajudava sua respiração ainda pesada pela anestesia. Eu estava exausta, mas o sono era um luxo que eu não podia me permitir.Sentada naquela poltrona numa posição desconfortável ao lado da cama de Lorenzo, eu vigiava a porta como se a própria morte pudesse entrar a qualquer momento vestindo uma roupa de grife. Olhei para seu rosto pálido, esperando qualquer tipo de reação. O medo era um gosto me

  • Entre o Medo e Você    Capítulo 114

    A porta do quarto se abriu com um clique suave, e a Lis entrou carregando uma bolsa de lona grande, como se estivesse apenas trazendo roupas limpas e o meu notebook.— Consegui — ela sussurrou, fechando a porta e dando uma última espiada no corredor. — Ninguém me parou. Acho que a família do Lorenzo está ocupada demais com os advogados e a imprensa lá embaixo.Ela abriu a bolsa e tirou duas caixinhas. Uma simples, e outra mais sofisticada, daqueles testes digitais que prometem precisão absoluta.— Comprei dois. Pra garantir, né?— ela disse, tentando manter a voz firme, mas eu via o tremor nas suas mãos.— Lis, eu estou com medo. — admiti, sentindo minhas pernas fraquejarem.— Eu sei, amiga. Mas você não está sozinha. — ela estendeu uma das mãos para mim. — Vamos? — Sei que você tem dificuldade com limites… Mas eu não vou fazer xixi num potinho na sua frente.— Tá, tá! Eu fico aqui de costas, pra te dar privacidade.Bufei, revirando os olhos, mas cedi a sua proposta, eu precisava dela

  • Entre o Medo e Você    Capítulo 113

    O brilho da tela do celular era a única luz no quarto escuro, e ele parecia queimar meus olhos. Eu não conseguia parar de atualizar as páginas de notícias. O nome “Castellani” estava em todo lugar. Primeiro, o escândalo de lavagem de dinheiro, com as malditas fotos distorcidas de Campinas e Lisboa servindo de combustível para o ódio público. Agora, a notícia do acidente. “CEO da Castellani em estado grave após despiste em Sintra”.As pessoas nos comentários eram cruéis. Diziam que era carma, que ele merecia, que era uma cortina de fumaça pra não dar explicações, que ele estava fugindo da justiça. — Ah, se eles soubessem a verdade. — murmurei baixinho.Uma notificação do Sr. Moreira apareceu no topo da tela. Mais uma das dezenas que eu já tinha recebido. Ele queria explicações, queria saber como isso afetaria a agência, queria que eu “gerenciasse a crise”, antes de perdermos o cliente.— Ele que ele se foda — sussurrei para o silêncio do quarto, jogando o celular sobre o colchão.Eu t

  • Entre o Medo e Você    Capítulo 112

    O quarto do hospital era tão grande que parecia uma suíte de hotel. Mas, ainda assim, as paredes brancas pareciam se fechar sobre mim a cada passo que eu dava, de um lado para o outro, em um ritmo frenético que não conseguia acalmar meu coração. Lorenzo ainda estava no centro cirúrgico. A cada minuto que passava, o peso da culpa e do medo aumentava.Como ele reagiria quando acordasse? Eu precisava de um plano. Precisava desmascarar a Beatrice antes que ela terminasse de destruir o que restava da integridade do Lorenzo. Mas como, se eu estava presa aqui, enquanto ele estava em uma mesa de cirurgia?Meus pensamentos foram interrompidos por mais uma onda súbita de náusea. Não era apenas um enjoo leve; era uma revolta completa do meu sistema. Corri para o banheiro, mal conseguindo chegar ao vaso sanitário. Não havia nada no meu estômago além de bile e desespero. Aquela gosma amarga e ácida subia pela minha garganta, deixando um rastro de fogo.Senti uma mão quente e firme segurando meu

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