INICIAR SESIÓN— Eu não posso, Diego! — repeti, sentindo o suor frio brotar na palma das mãos. — Entende o significado da palavra "não"?
Ele deu um sorriso de lado, aquele tipo de expressão de quem raramente ouve uma negativa e, quando ouve, a ignora. — Entendo. Mas também entendo de paciência. Se você não pode agora, eu encosto a moto e espero você sair. Tenho o dia todo. Meu desespero subiu de nível. Imaginei meu pai passando por ali em uma ronda oficial e vendo esse cara — que exalava uma autoconfiança perigosa — fazendo plantão na porta da minha faculdade. Eu ia entrar em combustão de tanto pavor. Foi quando a Verônica, que observava a cena com uma expressão estranha, resolveu se aproximar. Ela não parecia surpresa em vê-lo ali; pelo contrário, havia um respeito cauteloso no olhar dela. — O que você está fazendo aqui? — Verônica perguntou para ele. Ela não usou nomes, nem títulos, mas a voz dela estava baixa, quase contida. Olhei de um para o outro, sentindo o ar ficar mais pesado. — Espera aí... vocês se conhecem? — Minha voz saiu um pouco mais alta do que eu pretendia. Diego apenas deu um aceno curto para Verônica, um reconhecimento silencioso que me deixou ainda mais confusa. Ele não explicou de onde a conhecia, e ela também não se deu ao trabalho de contar. — O mundo é pequeno, Ive — ele respondeu, voltando os olhos intensos para mim. — Pois é, amiga — Verônica completou, me lançando um olhar cúmplice. — E olha, se o problema é a chamada, relaxa. Você pode muito bem voltar para a próxima aula. Eu respondo por você se algum professor perguntar. Eu pisquei, estática, olhando para a cara de pau dos dois. Diego soltou uma risada curta, o som vibrando no ar. — Vocês estão de armação para cima de mim? É isso? — Perguntei, sentindo meu rosto esquentar. — Verônica, o que está acontecendo? — Não é armação, Ive. É oportunidade — Verônica disse, me dando um empurrãozinho de leve no ombro, os olhos fixos na rua como se também vigiasse o perímetro. — Vai logo. Você está precisando de um ar que não seja o de dentro daquela sua casa. Eu cuido de tudo por aqui. Se... ele aparecer, eu te aviso. Diego apenas levantou a sobrancelha, estendendo o capacete novamente. Ele não forçava, mas a presença dele ali era um convite que eu não conseguia ignorar. — E aí, pequena fora da lei? Vai confiar na sua amiga ou vai ficar aqui esperando o tempo passar? Eu olhei para o capacete, depois para a Verônica, que fazia um sinal discreto para eu ir. A sensação de perigo era real, mas a curiosidade sobre quem era aquele cara que fazia até a Verônica agir de forma tão cuidadosa era maior. Peguei o capacete, sentindo meu coração martelar contra as costelas. A moto cortou as ruas com velocidade, mas desta vez Diego não parecia estar fugindo de ninguém. Ele subiu por caminhos que eu mal conhecia, longe do centro e da vigilância das viaturas do meu pai. Quando ele finalmente parou em frente a uma casa de muro alto, em uma rua surpreendentemente silenciosa, meu coração deu um solavanco. — Por que a gente parou aqui? — perguntei, tirando o capacete e olhando desconfiada para a fachada discreta. Diego desceu da moto com aquela calma irritante e me olhou de cima a baixo, um sorriso de lado brincando nos lábios. — Aqui vai ser o nosso ponto de encontro, pequena. Um lugar onde o mundo lá fora não tem entrada. Eu soltei uma risada nervosa, cruzando os braços e tentando manter a pose de quem não estava morrendo de medo e desejo ao mesmo tempo. — Olha aqui, se você está achando que me trouxe aqui pro abate, pode tirar o cavalinho da chuva. Eu não sou presa fácil, não, viu? Diego soltou uma gargalhada aberta, jogando a cabeça para trás. Ele deu um passo na minha direção, diminuindo a distância entre nós até que eu pudesse sentir o calor que emanava dele. — Pro abate? — ele repetiu, a voz baixando um tom. — Não tinha pensado nisso... mas agora que você deu a ideia, não seria nada mau. — Nem vem! — respondi rápido, sentindo meu rosto queimar, mas sem recuar. — Eu falei que a gente ia devagar, lembra? — Eu lembro — ele murmurou, abrindo o portão e fazendo um sinal para eu entrar. — Mas "devagar" é relativo, Ive. Vem, entra logo antes que alguém passe e resolva fofocar pro seu pai. Entrei na casa ainda com um pé atrás, os olhos correndo por cada detalhe da sala. Era um lugar moderno, limpo, mas que exalava uma masculinidade solitária. Eu estava prestes a abrir a boca para fazer mais uma piada defensiva e perguntar se ele morava sozinho, mas não tive tempo. Assim que Diego fechou a porta e a trava deu o estalo final, o clima mudou. O deboche nos olhos dele deu lugar a uma intensidade que me fez perder o fôlego. Antes que eu pudesse formular qualquer frase sobre "irmos devagar", ele me prensou contra a porta. As mãos dele espalmaram na madeira, uma de cada lado do meu rosto, e ele não pediu licença. Diego lascou um beijo em mim que pareceu uma resposta a todas as perguntas que eu ainda não tinha coragem de fazer. Foi um beijo urgente, possessivo, que calou todas as minhas desculpas e me fez esquecer, por alguns segundos, de cada hematoma que ainda doía sob a minha roupa. Depois disso entramos e começamos a conversar.Continuação.Douglas e Diego continuavam se encarando no meio do galpão destruído.Ninguém abaixava a arma.O silêncio era pior que os tiros.Eu conseguia ouvir minha própria respiração falhando enquanto Oto me mantinha atrás dele, pronto pra explodir qualquer um que se mexesse.Foi então que o homem que era irmão de Mateus começou a rir.Um riso fraco. Cheio de sangue.Mesmo caído no chão, ele ergueu o rosto devagar.— Olha isso… — cuspiu sangue de lado. — A guerra começou por sua causa outra vez.Douglas travou o maxilar.Os homens dos dois lados ficaram ainda mais tensos.Era só alguém puxar o gatilho.Só um.A mulher também riu, mesmo ferida.— Seu pai vai destruir metade da cidade por você… igual sempre faz.Meu coração apertou quando olhei pra Douglas.Mas dessa vez… ele não parecia com o homem que eu conhecia.Ele parecia cansado.Velho.Quebrado.Douglas abaixou a arma primeiro.O galpão inteiro ficou em silêncio.Até Diego olhou pra ele sem entender.Meu pai respirou fundo an
Eu ainda tentava abrir a porta do carro, me debatendo como uma louca, gritando o nome de Diego, quando senti a mulher me puxar pelos cabelos.— Me solta! — gritei, tentando acertar qualquer parte dela.Eu não pensava. Só queria sair dali. Voltar. Ver se Diego tinha levantado. Se estava vivo. Se respirava.Mas ela perdeu a paciência.Vi o brilho metálico da arma quando ela tirou da cintura, e antes que eu pudesse reagir, ela segurou meu rosto com força.— Cala a boca, desgraçada.E então veio o golpe.A coronha da arma acertou minha cabeça com tanta força que senti uma dor absurda explodir atrás dos olhos. Um estalo seco ecoou dentro de mim, e tudo ficou embaralhado.Meu corpo amoleceu na mesma hora.Ainda tentei levantar a mão, segurar em alguma coisa, mas o sangue já escorria quente pela lateral do meu rosto. Minha visão ficou turva, as luzes da rua se misturando em manchas.A última coisa que consegui ver, antes de apagar, foi o reflexo do vidro traseiro mostrando as luzes vermelhas
Continuação.Aquela desgraçada estava me encarando com um ódio tão nítido que chegava a arrepiar. Eu sempre fui muito observadora quando se tratava das pessoas, mas aquela mulher conseguiu me enganar direitinho. Fingiu bem demais.Eu precisava dar um jeito de avisar Diego ou Oto. Virei o rosto procurando Diego no meio do camarote, mas antes que eu pudesse me aproximar, ela entrou na minha frente, bloqueando minha passagem.— Vai pedir ajuda pro maridinho, é? — ela falou, ficando cara a cara comigo. — E quando você entrou com aquela outra desgraçada pra matar o meu, não era tão medrosa assim.Ergui o queixo, segurando a raiva.— O que tiver que resolver, eu resolvo sozinha. Tá me subestimando?Ela soltou uma risada seca, carregada de desprezo.— Subestimar você? Sendo filha de quem é, eu não duvido de nada. Agora quero que você desça do camarote comigo... ou a pessoa que está na porta da sua casa vai tocar no seu filho.Meu sangue gelou na mesma hora.— Se você tiver coragem de mexer n
Voltei com aquele sorriso malicioso na cara e vi ele lá, sentado na parte mais escura do camarote. Então segui até ele e sentei no colo dele.— Eu tenho um presentinho pra você, amor! — digo baixando no ouvido dele.— O quê? — ele perguntou.Peguei a mão dele e coloquei entre os seios. Ele tirou a calcinha de lá, uma calcinha branca de renda. Ele a amassou na mão, levou até o nariz, cheirou e me deu uma olhada escura. Então peguei a mão dele e levei até minha intimidade, e ele passou o dedo de leve.— Gostou? — sussurrei.— Tá me provocando desse jeito!— Eu queria saber, Diego, como você vai me punir por sair de casa.— Quer saber?Ele apenas levantou, pegou na minha mão e abriu a porta que tinha ali no camarote, já que aquilo era a varanda de uma casa, e uma varanda bem grande. Ele fechou a porta e, antes que eu pudesse processar, me prensou contra a parede de costas, levantando meu vestido e dando um tapa bem forte na minha bunda. Senti ele abaixar a calça e, sem aviso algum, entro
Nota da Autora: Olá, amores! Desculpem a falta de atualização por aqui, porém estou passando pelo processo de luto pelo meu pai e pelo meu sobrinho, então às vezes a criatividade fica lá embaixo. Mas vamos lá, pouco a pouco ele vai ser finalizado. ❤️Continuação:O baile estava a todo vapor, porque eu conseguia escutar daqui de casa. As meninas já estavam me esperando e, como eu não sou besta e sei que Diego colocou alguém pra me vigiar, coloquei uma lace loira. Hahaha.Dei um beijo no meu Dante, que já estava dormindo. A babá já tinha chegado, então saí descalça, na ponta do pé. Abri a porta com cuidado e vi dois vapores na frente da casa. Resolvi sair pelo corredor lateral, que dava pros fundos.Mas o que me surpreendeu foi um cachorro.Como tinha um cachorro ali?— Calma, cachorrinho! — falei morta de medo.Eu tenho pavor de cachorro. Sério, parecia que eu estava vendo o próprio diabo na minha frente. O cachorro latia tão alto que eu quase pulei o muro.Não deu outra: os vapores qu
Eu já estava há alguns dias sem colocar os pés na rua, mas precisava levar meu filho para conhecer a avó. Levantei cedo, arrumei o pequeno e fui. A alegria da minha mãe era nítida; até o Loro se apegou ao Dante logo de cara.— Não sabia que tu tava aqui! — Oto disse, saindo do quarto. Fui logo dar um abraço nele.— Tu é grudenta pra caralho, hein?— Tava com saudade do meu maninho, ué!— Sei... agora o Diego te colocou o cabresto, né? — ele riu, me zoando.— Tá vendo, mãe? Ele tá me chamando de égua!— Eu não disse isso! — Oto se defendeu, rindo.— Tu vai ver só. Não vou mais te abraçar e nem venho mais aqui onde tu... — Cruzei os braços, mas parei de falar assim que vi as meninas passando pela janela. — Mãe! Cuida dele um pouquinho?— Claro, filha!Saí de casa sem nem dar moral para o que o Oto estava resmungando e chamei as meninas.— Onde vocês vão com essa pressa?— Tá tendo jogo na quadra, guria! — Verônica respondeu.— Sério? Nem sabia.— Meu irmão tá jogando também. — Julia me







