Beranda / Romance / Esposa da Bratva / 5 - Reunião Secreta

Share

5 - Reunião Secreta

Penulis: Mara Lafontane
last update Tanggal publikasi: 2024-10-04 07:54:36

Roman Ostrov - 18 anos

 São Petersburgo

 O frio de São Petersburgo não era apenas uma presença física; ele cortava como lâminas invisíveis, entrando por cada poro, se infiltrando nos ossos. Mas aquilo não me incomodava. Estar de volta à Rússia era mais que uma mudança geográfica, era um retorno ao meu destino inevitável. Durante os anos que passei na Sicília, fui moldado, endurecido pela Cosa Nostra, e agora estava pronto para cumprir o papel que a Bratva exigia de mim. A hora de provar minha lealdade havia chegado.

 A reunião seria o primeiro passo. Esperava encontrar o Conselho da Bratva, onde seria formalmente apresentado como o filho de Ivan Ostrov, o Capitão, e finalmente fazer o juramento que eu já havia ensaiado tantas vezes em minha mente: Pelo Sangue e Pela Bratva. Mas o que me esperava não era o Conselho, e sim duas figuras isoladas na penumbra da sala. O local era uma construção antiga, suas paredes de pedra tão velhas quanto os segredos que guardavam.

 Ao entrar, senti o peso do silêncio pairando como um véu opressivo. O ar estava denso, como se o tempo naquela sala tivesse parado, preso pelas decisões de gerações anteriores. E ali, no centro daquele ambiente sombrio, estavam eles: meu pai, Ivan Ostrov, e Nikolai, o conselheiro da Bratva. Suas presenças não eram uma surpresa. O que vinha a seguir, no entanto, já pesava sobre meus ombros.

 — Roman — Nikolai começou, sua voz cortante como o ar lá fora. — Na Bratva, não há confiança cega. — Ele deu um passo à frente, a sombra do passado pairando sobre ele. — Não basta ser filho de Ivan Ostrov.

 Eu o encarei, impassível. Sabia que essa provação viria. A Bratva não aceitava ninguém apenas por laços de sangue. Ali, cada alma precisava ser testada, cada vida provada pela dor e pela lealdade.

 — Primeiro, você deve mostrar que é digno de estar aqui — continuou Nikolai, aproximando-se mais. Seu olhar era penetrante, calculado. — Somente depois que provar sua lealdade, poderá jurar sua fidelidade à Bratva. Pelo Sangue e Pela Bratva.

 Ele estendeu a mão, entregando-me um envelope. O papel era grosso, pesado, como o fardo que ele continha. Dentro, encontrei a foto de um homem, acompanhada de uma ficha detalhada. Ele não era mais um rosto entre tantos. Para mim, ele agora era apenas um alvo.

 — Este homem tenta romper nossos acordos com os aliados — disse Nikolai, suas palavras carregadas de intenção. — Sua missão é simples: matá-lo. Sem perguntas, sem falhas. Somente assim provará que merece estar entre nós.

 Olhei para a foto por alguns segundos. O homem era alguém que claramente havia vivido entre luxo e poder. Mas agora, seu destino estava selado. Ele se tornara uma peça descartável em um jogo que transcende individualidades. Naquele momento, não importava quem ele era. Para me tornar parte da Bratva, eu deveria eliminá-lo.

 Meu pai, Ivan, permanecia à porta. Sua presença, tão constante quanto o frio russo, parecia absorver a pouca luz da sala. Seus olhos, aqueles que sempre me analisavam com uma frieza cortante, me observavam atentamente.

 — Você não pode falhar, Roman — sua voz soou baixa, mas carregada de uma autoridade implacável. — Todo o treinamento que recebeu foi para este momento. Você sabe o que deve fazer.

 Não houve mais palavras entre nós. Saí da sala com um único pensamento na mente: a missão. O plano já se desenhava, preciso e calculado, como todas as lições que aprendi ao longo dos anos.

 Para chegar ao meu alvo, precisaria ser preso. A prisão seria o palco da execução, e a única maneira de entrar lá seria sendo detido. Com documentos cuidadosamente falsificados em nome de "Roman Trofimov" — um nome que usei em homenagem à minha mãe —, tudo estava pronto. Ninguém na prisão suspeitaria de quem eu realmente era. Para eles, eu seria apenas mais um criminoso comum.

 Naquela noite, fui a um bar sombrio nos arredores de São Petersburgo. O lugar era o tipo de cenário onde violência e desespero eram companheiros constantes. O cheiro de álcool barato misturava-se ao suor e à fumaça, e a tensão pairava no ar, esperando o momento certo para explodir.

 Foi fácil criar a situação perfeita. Um empurrão aqui, algumas palavras estrategicamente escolhidas, e logo o ambiente se incendiou. O caos se instalou, cadeiras voaram, socos foram trocados. Mas cada movimento meu era calculado. Não estava ali para matar, apenas para ser preso. A violência controlada que eu exibia era o suficiente para chamar a atenção da polícia.

 As sirenes não demoraram a aparecer, e eu me entreguei sem resistência. Quando os documentos falsos foram apresentados, "Roman Trofimov" foi registrado, e assim, comecei a caminhada rumo à prisão. O plano estava funcionando perfeitamente. A verdadeira missão só começaria agora.

 A van da prisão se movia aos trancos pelas ruas gélidas, as algemas apertadas em meus pulsos acentuavam o desconforto do metal frio contra minha pele. Ao meu lado, outros prisioneiros permaneciam em silêncio, alguns com expressões endurecidas, outros perdidos em pensamentos. Eu, no entanto, estava sereno. Sabia que a prisão não era o fim, mas o prelúdio do verdadeiro teste.

 Quando chegamos ao complexo prisional, o portão de ferro se abriu com um rangido prolongado, revelando o monólito de concreto que seria meu lar temporário. As paredes cinzentas, desgastadas pelo tempo e pelos gritos de vidas quebradas, erguiam-se como muralhas, tentando esmagar qualquer resquício de esperança. Mas eu não estava ali por azar. Estava ali para cumprir uma missão.

 Os guardas nos empurraram para fora da van, o vento cortante fazendo ecoar o ranger das correntes. Cada movimento meu era observado com atenção. Sabia que em um lugar como aquele, os olhos estavam em todos os cantos, observando, calculando, esperando uma fraqueza. Mas adotei a identidade de Roman Trofimov, mantendo-me sob o radar. Para todos ali, eu era apenas mais um homem marcado pela criminalidade.

 Após os procedimentos iniciais, fui levado à minha cela. Quando a porta de ferro se fechou com um estrondo seco, vi que meu companheiro de cela já estava lá: um homem de cabelos ralos e barba grisalha. Ele não disse uma palavra, apenas me observou por alguns segundos antes de voltar ao seu silêncio, mergulhado em seus próprios pensamentos.

 O ambiente ao nosso redor era pesado, sufocante, e o silêncio entre nós era quase palpável. Mas eu sabia que ali, naquela prisão, o silêncio era uma forma de proteção. Cada palavra não dita era uma barreira contra a morte. Mantive-me quieto, ciente de que o verdadeiro desafio ainda estava por vir.

 E assim, comecei a esperar. Esperar pelo momento certo, pelo instante em que o destino me daria a oportunidade de provar, de uma vez por todas, que Roman Ostrov não era apenas um nome — eu era a mão da Bratva, o instrumento afiado que cortaria qualquer traidor.

Lanjutkan membaca buku ini secara gratis
Pindai kode untuk mengunduh Aplikasi

Bab terbaru

  • Esposa da Bratva    93 - Epílogo

    Roman Ostrov O som do riso de Donatella ecoava pelo salão da mansão. Eu a observei do meu lugar à mesa, enquanto ela tentava convencer Dmitry a ficar quieto o suficiente para ajeitar sua gravata. Nosso filho era a mistura perfeita de nós dois: os olhos ferozes dela, meu olhar determinado, e uma inteligência surpreendente para alguém de apenas cinco anos. — Mamãe, tá apertado! — Dmitry reclamou, fazendo uma careta, mas Donatella sorriu, inclinando-se para beijar sua testa. — Hoje é um dia importante, meu pequeno. Seu pai precisa de você impecável. — Ela respondeu, com a firmeza e doçura que só ela possuía. Me levantei e caminhei até eles, não conseguindo esconder o orgulho que sentia. Peguei Dmitry no colo, ignorando suas tentativas de se soltar, e olhei diretamente em seus olhos. — Seu nome carrega uma grande história, filho. Dmitry Romanov-Ostrov. Nunca se esqueça de quem foi o homem que o inspirou. Ele assentiu com seriedade, como se entendesse o peso das minhas palavras,

  • Esposa da Bratva    92 - Sacrifício Final

    Roman Ostrov A viagem até o hospital foi uma das mais longas da minha vida, embora os segundos parecessem escorrer como areia entre os dedos. Eu carregava Donatella em meus braços, sentindo o peso do seu corpo frágil contra o meu. Ela respirava com dificuldade, e cada suspiro parecia me arrancar um pedaço da alma. Ao chegarmos, o médico me recebeu com um olhar grave. — Senhor Ostrov, sua esposa precisa de um transplante de coração com urgência. — Ele disse, sem rodeios. — Estamos fazendo o possível, mas o tempo não está ao nosso lado. Minhas mãos se apertaram em punhos. Estava pronto para fazer qualquer coisa, mover céus e terras, mas nunca imaginei o preço que seria cobrado. Sergei apareceu pouco depois, seu rosto marcado pelo luto. Ele havia perdido sua filha, Alessandra não sobreviveu. — Roman, quero propor uma aliança. A mesma que te fiz, meses atrás! O coração de Alessandra, em troca de que a outra gêmea, Angélica, se case com o herdeiro da Bratva. Eu sempre abomin

  • Esposa da Bratva    91 - Um Enterro, Dois Corpos

    Donatella Romanova O enterro de Mickail Romanov era algo que eu nunca pensei que aconteceria. Não porque ele não merecesse estar em um caixão, mas porque o conselho da Bratva, com toda sua hipocrisia, decidiu que ele deveria ter um enterro digno de um homem com prestígio social. Para mim, era apenas mais uma farsa, um teatro para manter as aparências. A cerimônia estava cheia. Homens de ternos pretos e mulheres em roupas escuras sussurravam entre si, fingindo tristeza. Eu estava ali porque Roman insistiu que minha presença era necessária, um símbolo de força. Mas, para mim, cada palavra do padre era um lembrete das cicatrizes que Mickail havia deixado. Meus pés começaram a me guiar para longe do grupo. A segurança de Roman tentou me acompanhar, mas consegui me desvencilhar com uma desculpa. Precisava de ar, ou pelo menos era isso que eu dizia a mim mesma. A verdade era que minha mente estava em um turbilhão de lembranças e emoções, e eu precisava de um momento para colocar os pens

  • Esposa da Bratva    90 - Alessa Ostrov

    Roman Ostrov — Quero uma conversa privada! — Rodolfo me analisa, e eu faço o mesmo com ele. Depois de um breve momento de tensão, concordei e segui para o meu escritório, um dos meus homens fez menção de me acompanhar mas com o gesto meu voltou atrás. — Você sequestrou a minha mulher. — Minha voz saiu firme, mas controlada. — Me diga, senhor Takeda, por que eu deveria ser cordial com você? Ele não recuou. Em vez disso, manteve o olhar fixo no meu, sua expressão séria e cheia de intenções. — Posso provar que jamais faria mal a ela, Roman. — Ele começou, sua voz baixa, mas carregada de significado. — Mas precisava chamar a sua atenção. Era a única forma. Me sentei na cadeira atrás da mesa, analisando cada movimento seu. Algo me dizia que ele não tinha vindo para uma simples negociação. Eu gesticulei para que continuasse. — Prossiga. — Ordenei. Rodolfo colocou a mão no bolso interno do casaco, e meu corpo ficou imediatamente alerta. Minhas mãos estavam prontas para alcançar a a

  • Esposa da Bratva    89 - Relações Amistosas

    Roman Ostrov Donatella estava recostada na cabeceira da cama, sua expressão serena, mas eu podia sentir a tensão que ainda pairava entre nós. Sua mão estava sobre a minha, e mesmo depois de tudo, aquele pequeno gesto me dava uma sensação de paz que eu não sentia há dias. Mas havia perguntas não respondidas entre nós. Havia sombras que precisavam ser dissipadas. Respirei fundo, segurando sua mão com mais firmeza. — Donatella, precisamos conversar sobre o dia em que você fugiu. — Minha voz era baixa, mas séria. Os olhos dela buscaram os meus, e por um momento, vi o brilho da hesitação. Mas, como sempre, Donatella era mais forte do que qualquer coisa que pudesse tentar quebrá-la. — Roman, eu... — Ela começou, mas sua voz vacilou. Engoliu em seco e recomeçou. — Victoria apareceu naquele dia. Ela me mostrou algo... um vídeo. Meus músculos se tensionaram. Victoria. Claro que ela estava por trás disso. Minha mandíbula apertou, mas mantive meu olhar fixo em Donatella, esperando q

  • Esposa da Bratva    88 - Pequena Guerreira

    Donatella RomanovaMeu corpo parecia pesar toneladas enquanto Bóris me guiava para fora da sede da Bratva. Minhas mãos ainda tremiam, os ecos dos tiros disparados contra Mickail vibrando na minha mente. Eu sentia o olhar pesado dos conselheiros, mas ninguém disse nada. Eles sabiam que não havia mais argumentos ou ameaças. O monstro tinha caído, e eu tinha feito justiça com minhas próprias mãos.— A reunião foi cancelada. — Bóris disse, sua voz baixa e firme. Ele me segurou pelo braço, ajudando-me a andar. — Vamos para casa.Assenti sem discutir. Estava fraca, e cada passo parecia um desafio. O carro nos esperava do lado de fora, os olhos vigilantes dos guardas me acompanhando.No caminho para casa, meu corpo cedeu ao cansaço. Encostei a cabeça no vidro frio da janela, tentando organizar os pensamentos. Roman estava morto. Essa era a única certeza que eu tinha. E, no entanto, algo dentro de mim não queria aceitar. Não podia aceitar.Quando chegamos à mansão, Bóris me ajudou a entrar.—

Bab Lainnya
Jelajahi dan baca novel bagus secara gratis
Akses gratis ke berbagai novel bagus di aplikasi GoodNovel. Unduh buku yang kamu suka dan baca di mana saja & kapan saja.
Baca buku gratis di Aplikasi
Pindai kode untuk membaca di Aplikasi
DMCA.com Protection Status