LOGINCAPÍTULO EXTRA 229 — O que começa… e o que arde Renata se emocionou até as lágrimas quando viu a noiva avançar e baixou o olhar imediatamente para que ninguém percebesse. Não era fraqueza. Era emoção demais para conter de uma só vez. Se continuasse olhando para Mía por mais alguns segundos, tinha certeza de que acabaria chorando de verdade, e não confiava tanto quanto deveria no fato de aquela maquiagem ser realmente à prova d’água. Ajeitou melhor Lucien em seus braços, sentindo o peso morno do bebê contra o peito. Aquele calor pequeno e constante ajudava a mantê-la ancorada enquanto toda a igreja parecia prender a respiração ao ver Mía Castell caminhar de braço dado com o pai em direção ao homem que tinha escolhido. Lucien respirava tranquilo, completamente alheio à emoção dos adultos. E então Franco se aproximou. Como sempre, sem se anunciar muito. Ficou ao lado dela e apoiou a mão na cintura de Renata com uma naturalidade que conseguiu deixá-la levemente tensa. —Um
CAPÍTULO EXTRA 228— O dia em que escolheram ficar O ar estava carregado de algo difícil de definir. Não era apenas emoção ou felicidade, mas a certeza de que tudo o que tinham vivido — o que foi bom, o que doeu, os erros e aquilo que quase conseguiu destruí-los — os tinha conduzido exatamente até aquele momento. A igreja permanecia tranquila enquanto os primeiros convidados começavam a chegar. Havia uma expectativa serena no ambiente, como se todos entendessem que não estavam prestes a presenciar apenas uma cerimônia, mas o encerramento de uma etapa e o começo de outra completamente diferente. Perto do altar já estavam aqueles que Mía tinha escolhido como padrinhos. Fabián e Isabel ocupavam um lugar especial. A decisão tinha nascido muito antes, em um dia aparentemente comum que acabou ficando para sempre na memória de Mía. Ela se lembrava com clareza daquele momento: o céu se cobrindo de nuvens, a chuva ameaçando cair e seu avô Fabián esperando por ela junto ao portão, firme ap
EPÍLOGO 227 — O som do que é real O primeiro dia na gravadora não teve nada de glamouroso. Não houve flashes, jornalistas nem sorrisos ensaiados para uma foto. Havia caixas por abrir, cabos espalhados pelo chão, equipamentos ainda esperando para ser instalados e aquele cheiro inconfundível de tinta nova misturado ao aroma do café e do mate. Mas, assim que Cristian atravessou a porta, alguma coisa apertou seu peito. Aquilo era dele. E, pela primeira vez, ele não sentia necessidade de defender isso diante de ninguém. Não porque seu nome estivesse nos documentos nem pelo dinheiro investido. Era dele porque tinha conseguido chegar até ali sem voltar a se perder, sem trair aquilo que amava e, acima de tudo, sem deixar para trás as pessoas que faziam parte de sua vida. Franco Morán estava ao lado da mesa de som, com os fones pendurados no pescoço e um tablet nas mãos cheio de gráficos e anotações. Observava o estúdio com a familiaridade de quem tinha passado metade da vida entre inst
CAPÍTULO 226 — A surpresa que ninguém esperava — FinalO Uruguai os recebeu com aquele ar morno e melancólico que só o verão do Rio da Prata sabe oferecer. Não era apenas a mudança de temperatura depois do frio canadense, mas a sensação de voltar para casa: o cheiro familiar, as lembranças e tudo aquilo que um dia tinha doído como uma ferida aberta e que agora, finalmente, parecia cicatrizado.Mía caminhava pelo aeroporto com uma segurança diferente. Na bolsa, levava o diploma que certificava sua formação em glaucoma e patologias oculares complexas. Aquele último ano de estudos e prática intensiva no Canadá tinha terminado de transformá-la na profissional que sempre quis ser. Já não voltava como uma jovem promessa, mas como uma especialista preparada para ocupar o próprio lugar, com a precisão e a segurança que tantas vezes admirara na mãe, Sofía Rojas.Ao seu lado, Luz Ortega Castell já não era a bebê que eles tinham levado nos braços.Com um ano e meio, a pequena era um redemoinho d
CAPÍTULO 225 — A vida que escolheram O primeiro mês não foi fácil, não porque tivessem dúvidas sobre a decisão que haviam tomado, mas porque se adaptar a uma vida nova exigia mais do que tinham imaginado. Mía voltou a estudar com uma determinação que não precisava de palavras. Seus dias começavam cedo, entre livros, práticas e horas que nunca pareciam suficientes. Retomar aquele ritmo depois de tudo o que tinha vivido não era simples, mas havia algo diferente nela: já não corria atrás de um objetivo tentando preencher um vazio, e sim avançava sentindo-se acompanhada e completa. Sabia por que estava ali. E essa certeza mudava muita coisa. Cristian, por outro lado, enfrentava outro tipo de desafio: o clima. O frio canadense não se parecia com nada que ele já tivesse conhecido. Entrava pelos ossos e, nas primeiras horas da manhã, até respirar parecia exigir um esforço diferente. Mesmo assim, sempre encontrava calor quando voltava para casa. Não apenas o do aquecimento, mas o de Mí
CAPÍTULO 224 — Chegada ao novo começo O ar do Canadá tinha outro peso. Não se parecia em nada com o do Uruguai; era um frio que penetrava nos ossos e obrigava a respirar de outro jeito. Quando as portas do aeroporto se abriram e Mía avançou com Luz nos braços, sentiu que não estava apenas mudando de país. Também atravessava uma linha invisível entre a vida que tinha deixado para trás e aquela que estava disposta a construir. Cristian caminhava ao lado dela, ereto e tranquilo, com a mão entrelaçada à sua sempre que conseguiam avançar juntos. Já não parecia preocupado em se esconder nem com os olhares alheios. Caminhava ao lado da noiva e da filha, e isso era suficiente para que carregasse uma segurança diferente. Luz se mexeu nos braços da mãe, incomodada com a mudança de temperatura. Cristian reagiu imediatamente. —Me dá isso. Pegou a manta térmica que Mía tinha preparado e ajudou a envolver melhor a bebê. Depois tocou com cuidado sua bochecha para se certificar de que o vento n







