Mag-log inSe a Lilian tivesse algum tipo de acerto de contas com a família dele, isso já seria o suficiente para mostrar que havia problema dos dois lados — ou, quem sabe, só do lado da família dele.Se ele escolhesse a Lilian, por mais que a família ficasse furiosa, ela pelo menos não se sentiria totalmente desamparada. No máximo, os parentes iam xingar ele, chamá-lo de irresponsável, de cabeça dura.Mas, se ele escolhesse a família, aí sim a Lilian ficaria sem nada.A resposta deixou Luiza um pouco surpresa: — Você não ia culpar a Lilian, nem um pouco?— Não ia. — Cauã respondeu sem pestanejar.Luiza subiu a escada de volta para o quarto com a cabeça tomada por aquela pergunta.Ela não tinha previsto que a resposta de Cauã seria um “não” tão firme, tão imediato.E o Gustavo?Luiza saiu do banho, com o cabelo ainda pingando, e sentou-se na beira da cama. Ela ficou ali, tentando imaginar, com toda a honestidade, qual seria a resposta que ele daria.Talvez… Talvez ela devesse, pelo menos, fazer
Edson desceu muito rápido com o estojo de agulhas e entregou para Luiza.Quando Edson e Durval saíram do quarto, Luiza pegou as agulhas e começou a aplicá-las, uma a uma, com precisão em cada ponto certo.Em menos de dois minutos, Íris recobrou a consciência.Luiza apoiou o corpo dela com cuidado: — Dona Íris, não se mexa ainda. Eu estou aplicando acupuntura na senhora.— Ah… Está bem. — Íris respondeu baixinho. À medida que a lucidez voltava, a lembrança do que tinha acontecido antes do desmaio também voltava. Ela olhou para Luiza e soltou um suspiro mudo. — As coisas que Amanda falou… Não leve aquilo pro lado pessoal.Aquela frase era, na verdade, um pedido de desculpas pelo barraco que Amanda tinha armado de manhã, quando tinha mandado Luiza ir embora.Depois, Íris continuou: — E quanto ao que ela levantou na mesa do jantar, você menos ainda precisa se preocupar.Dessa vez, Íris deixava claro que a família Frota não tinha nenhuma intenção de empurrar um casamento entre Amanda e
O beijo, tão inesperado, deixou Gustavo completamente surpreso.O beijo dela era desajeitado, sem técnica nenhuma. Ainda assim, só com aquilo, ele sentiu o corpo inteiro reagir, incapaz de segurar o que estava nascendo ali de novo — e disposto a se perder junto com ela.No instante seguinte, Gustavo tomou o controle. Ele puxou Luiza inteira para dentro do abraço, passou o braço em volta da cintura dela e, sem deixar espaço para recuo, aprofundou o beijo.A respiração dele trouxe aquele perfume leve de colônia masculina, e Luiza, por um segundo, não conseguiu evitar o pensamento: se o tempo pudesse parar ali, se tudo pudesse congelar exatamente naquele momento, seria perfeito.A brisa da noite passou, fria, e fez Luiza voltar à realidade num sobressalto. Ela se desvencilhou dos braços dele de uma vez, recusando-se a continuar se afundando naquilo. Ela respirou rápido, tentando, à força, puxar de volta a própria lucidez.Ela encheu o peito de ar e soltou, com um sorriso que soou quase le
O clima à mesa ficou congelado por um instante.Luiza entendeu muito bem o que ele quis dizer, mas, ao mesmo tempo, dentro dela se levantou uma enxurrada de incertezas. Ela levantou o rosto quase sem perceber e lançou um olhar rápido para o homem.Sob a luz forte do lustre da sala de jantar, os traços dele pareciam ainda mais marcados e austeros. Em volta, ele continuava envolto naquela frieza distante de sempre.Luiza chegou a achar que tinha ouvido errado, que talvez aquela frase nem tivesse saído da boca dele.Só que, quando o olhar negro e brilhante dele veio direto ao encontro do dela, ela teve certeza de que tinha sido ele, sim.Ela sentiu o peito esquentar sob o peso daquele olhar. Os cílios, levemente trêmulos, baixaram devagar para fugir do calor dos olhos dele. Mas, por dentro, alguma coisa começou a correr em disparada, inundando tudo, uma maré que ela não tinha como conter.Amanda não demonstrou o mínimo constrangimento por ter levado um fora. Ela ergueu o queixo, com a seg
— Sei, pai. — Diante de Durval, Amanda ficou bem mais comportada.Durval sabia que as pernas de Íris já estavam começando a responder ao tratamento, então ele levantou a taça e falou primeiro com Luiza: — Luiza, as pernas da minha esposa melhoraram muito graças a você. Este brinde é para te agradecer. Esses dias em que você estiver aqui em casa, não precisa ficar acanhada com nada. Se precisar de qualquer coisa, é só falar.— Sr. Durval, o senhor é que está sendo gentil demais. — Luiza pegou com naturalidade a taça de suco. — Esses dias eu é que vou dar trabalho pra vocês. Mas, como a situação é especial, eu só posso brindar com suco mesmo.Enquanto os dois conversavam, Amanda colocou um pedaço de lagosta no prato de Gustavo e falou, sorridente: — Gustavo, prova essa lagosta grelhada. É o prato em que o chef aqui de casa mais manda bem.Era um tipo de receita que testava de verdade a habilidade do cozinheiro.Gustavo franziu o cenho de leve, quase imperceptível. Ele ergueu o olhar
Quando era pequena, Amanda já vivia disputando atenção com Jennifer, que ainda estava de fraldas.Quando cresceu, em Cidade B ela ficou bem pior do que apenas “espetaculosa”.Amanda, apoiada no sobrenome poderoso que tinha, vivia mandando e desmandando lá fora. Só que Durval sempre sentia que devia alguma coisa a ela e, por isso, ele nunca reclamava: ele simplesmente resolvia todos os problemas que ela criava.Com o tempo, Amanda perdeu de vez a noção do próprio lugar.— Tá bom. — Luiza concordou com um aceno de cabeça e levantou para ele o olhar límpido. — Você… Tá bem?Ela tinha percebido que, desde a última pergunta de Amanda, o humor de Edson tinha mudado.Edson deu um sorriso breve: — Eu tô bem, sim. Você descansa um pouco.Talvez por não ter dormido direito no hospital, assim que Edson saiu, Luiza se deitou na cama e, sem nem perceber, acabou pegando no sono.Quando ela acordou, o tom dourado lá fora enchia a janela, trazendo uma sensação estranha, como se ela tivesse voltado à







