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Família Marino – Um Casamento de Poder
Família Marino – Um Casamento de Poder
Author: Autor S. Marcondes

Capítulo 01

last update publish date: 2026-03-11 08:03:32

Giulia

Era meu aniversário, e eu acordei animada.

Tomei um banho demorado, escolhi uma roupa bonita e arrumei o cabelo ainda úmido. Quando terminei de me arrumar, desci as escadas quase correndo. Meu plano era simples: encontrar Marco antes de qualquer outra pessoa, abraçá-lo, beijá-lo e começar o dia ao lado dele. Esse seria o meu verdadeiro presente de aniversário.

Eu estava completando vinte e dois anos.

Na minha idade, muitas garotas do nosso mundo já estavam casadas, algumas até com filhos. Mas meus pais nunca se importaram muito com essas tradições. Eles sempre tentaram ir contra algumas regras da máfia, pelo menos quando se tratava de mim e da minha irmã. Me deixaram estudar, sair um pouco mais, respirar além dos limites que outras famílias impunham às filhas.

Nem todos viam isso com bons olhos, é claro.

Mas meus pais nunca se curvaram a essas críticas.

Era cedo, então a casa ainda estava silenciosa. Passei pela cozinha com cuidado e saí pela porta dos fundos, fechando-a devagar para não fazer barulho. Segui pelo caminho de pedras até a pequena casa onde Marco morava.

Marco era um dos soldados de confiança da minha família. Trabalhava para meus pais havia anos e, oficialmente, era um dos responsáveis pela minha segurança.

Oficialmente.

Porque, há cerca de um ano, as coisas tinham mudado entre nós.

No começo foram apenas conversas longas, olhares demorados, pequenas aproximações que pareciam inofensivas. Eu sabia que aquilo não era permitido, que deveria contar aos meus pais. Mas tive medo. Medo da reação deles, medo de perder Marco antes mesmo de entender o que estava sentindo.

E então simplesmente aconteceu.

Nos aproximamos, nos envolvemos… e nos apaixonamos.

Pelo menos eu me apaixonei.

Ultimamente eu vinha pensando que talvez fosse a hora de contar tudo ao meu pai. Marco era leal, confiável e dedicado à nossa família. Talvez as pessoas achassem impossível que o chefe permitisse que a própria filha se casasse com um soldado, mas eu conhecia meu pai.

Ele me amava.

Eu tinha certeza de que, se explicasse tudo, ele entenderia.

Talvez até nos desse sua bênção.

Sorri sozinha enquanto caminhava devagar, tomando cuidado para que ninguém me visse ali. Aquela visita precisava continuar sendo um segredo, pelo menos por enquanto.

Quando me aproximei da casa, ouvi um barulho estranho.

Parei por um instante.

Parecia… um som abafado, irregular.

Franzi a testa, sem entender.

Talvez Marco já estivesse acordado.

Segurei a maçaneta da porta e a abri devagar. O barulho ficou mais claro agora, ecoando pelo pequeno espaço da casa. Meu coração começou a bater mais rápido, não exatamente de expectativa… mas de confusão.

Fechei a porta atrás de mim e caminhei lentamente pelo corredor.

Os sons vinham do quarto dele.

Quando parei diante da porta entreaberta, meu mundo simplesmente parou.

Grazy.

A empregada da casa.

Ela estava deitada na cama, os cabelos espalhados sobre o travesseiro, respirando de forma irregular enquanto Marco se movia sobre ela. Os dois estavam completamente envolvidos um no outro, ofegantes.

— Assim, Marco… mais rápido — disse ela, entre gemidos.

Eles estavam de olhos fechados, perdidos naquele momento.

E eu fiquei ali.

Paralisada.

Observando.

De todas as coisas que eu imaginei para o meu aniversário… aquela cena nunca passou pela minha cabeça.

— Marco… — murmurou Grazy.

— Hum…

— Marco, espera…

Foi nesse momento que ele abriu os olhos.

E me viu.

O choque no rosto dele foi imediato.

— Droga — murmurou, afastando-se rapidamente.

Mas eu já não conseguia ficar ali.

Meu corpo reagiu antes da minha mente.

Me virei e saí correndo.

O ar parecia pesado demais dentro dos meus pulmões enquanto atravessava o caminho de volta para a casa. Minha cabeça girava, repetindo aquela imagem sem parar.

Marco.

Com outra mulher.

Enquanto eu fazia planos.

Enquanto pensava em pedir ao meu pai permissão para nos casarmos.

Eu era uma idiota.

Uma completa idiota.

Marco não podia correr atrás de mim, nem gritar meu nome. Se fizesse isso, levantaria perguntas que nenhum de nós poderia responder.

Entrei na casa apressada, subindo as escadas quase sem enxergar direito por causa das lágrimas que começavam a cair.

Assim que cheguei ao meu quarto, fechei a porta e me joguei na cama.

Enterrei o rosto no travesseiro, tentando apagar aquela cena da minha cabeça.

Mas era inútil.

Toda vez que eu fechava os olhos, via Marco outra vez.

Via as mãos dele.

O corpo dele.

Os dois juntos.

E a única coisa que eu conseguia pensar era:

Como eu pude acreditar nele?

Como pude ser tão burra?

Não sei por quanto tempo dormi.

Quando abri os olhos novamente, ouvi vozes dentro do meu quarto.

— Bom dia, princesa. Feliz aniversário.

Era a voz da minha mãe.

Não queria levantar a cabeça. Sentia meu rosto pesado e inchado, e sabia que meus olhos provavelmente denunciavam que eu tinha chorado. A última coisa que eu queria naquele momento eram perguntas.

— Bom dia, querida — disse meu pai, sentando-se ao lado da cama.

Respirei fundo antes de finalmente erguer a cabeça.

— O que aconteceu, minha filha? — perguntou minha mãe, dona Vittoria Giordano. Ela sempre tinha aquele tom doce, preocupado, que fazia qualquer mentira parecer ainda mais difícil.

Forcei um pequeno sorriso.

— Minha cabeça está doendo — menti. — Acho que não dormi muito bem esta noite. Mas depois de um banho vou ficar melhor.

Minha mãe franziu a testa, claramente preocupada, mas antes que ela pudesse insistir, meu pai falou novamente.

— Ah, querida… temos uma surpresa para você.

Eu o encarei, tentando parecer interessada.

— Convidamos a família de Danilo Marino para almoçar hoje — disse ele em um tom perfeitamente natural. — Temos interesse em aproximar nossas famílias.

Por um segundo, achei que tinha ouvido errado.

Danilo Marino?

Aproximar nossas famílias?

Não era difícil entender o que aquilo significava.

Casamento.

Meu coração deu um salto dentro do peito, mas não exatamente pelo motivo que meus pais imaginavam. Parte de mim queria protestar, perguntar por que estavam decidindo aquilo por mim, exigir explicações.

Mas então a imagem voltou.

Marco.

Grazy.

Os dois na cama.

O ódio que senti naquele instante foi tão intenso que sufocou qualquer outra reação.

Se aquilo significasse que eu nunca mais precisaria olhar para Marco novamente… talvez não fosse a pior coisa do mundo.

Então eu apenas sorri.

— Parece… interessante — respondi, tentando soar tranquila.

Meus pais pareceram satisfeitos com a reação. Depois de algumas palavras carinhosas e mais um feliz aniversário, eles finalmente me deram espaço.

Assim que a porta se fechou, fui direto para o banheiro.

Tomei outro banho, deixando a água cair sobre mim por longos minutos, como se aquilo pudesse lavar tudo que eu tinha visto naquela manhã.

Quando saí, fiquei algum tempo parada diante do espelho.

Meu reflexo parecia estranho.

Olhos vermelhos.

Rosto cansado.

Eu não tinha feito nada de errado.

Então por que me sentia tão mal?

Passei a mão pelo rosto, tentando afastar os pensamentos, mas era inútil. Bastava fechar os olhos para que a imagem voltasse imediatamente.

Marco.

Grazy.

Os dois juntos.

Meu estômago se revirou.

Eu gostava tanto dele. Confiava nele. Estava pronta para conversar com meus pais, pronta para enfrentar qualquer julgamento para que pudéssemos ficar juntos.

E enquanto eu fazia planos… ele estava me traindo bem debaixo do meu nariz.

Por quanto tempo aquilo vinha acontecendo?

Será que eles riam de mim?

Será que todos sabiam… menos eu?

Respirei fundo, tentando afastar aquela sensação horrível no peito.

Então um pensamento surgiu, trazendo um pequeno alívio inesperado.

Eu nunca tinha cedido completamente às investidas dele.

Sempre havia resistido quando ele tentava ir além. Algo dentro de mim sempre dizia para esperar, para não me entregar daquele jeito.

Agora eu entendia por quê.

Se tivesse feito isso… se tivesse me dado a ele…

Provavelmente estaria ainda mais destruída naquele momento.

Apoiei as mãos na pia e encarei meu reflexo outra vez.

Talvez aquele almoço mudasse tudo.

E, pela primeira vez desde que acordei, a ideia de conhecer Danilo Marino não parecia tão assustadora assim.

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