FAZER LOGINGiulia cresceu cercada pelas regras silenciosas da máfia, mas seus pais sempre tentaram protegê-la delas. Enquanto muitas garotas eram prometidas em casamento ainda jovens, ela teve algo raro naquele mundo: liberdade para estudar, sonhar e construir uma vida além das alianças familiares. Mas no dia de seu aniversário, sua liberdade chegaria ao fim. Seus pais já escolheram seu marido. Danilo. Temido, frio e conhecido por sua crueldade, ele é o herdeiro de uma das famílias mais poderosas da organização. Para assumir o lugar do pai como Don, ele precisa cumprir a tradição: casar-se. Danilo não quer uma esposa. Giulia não quer ser parte de um acordo. Então eles fazem um pacto. Um casamento de fachada. Sem amor. Sem expectativas. Apenas uma aliança conveniente para manter a paz entre as famílias. Mas dividir a mesma casa, as mesmas noites e os mesmos silêncios torna impossível manter distância por muito tempo. Giulia começa a perceber que o homem temido por todos é diferente quando está longe dos olhos da máfia. Danilo, por sua vez, descobre que sua esposa não é apenas bonita — ela é inteligente, corajosa e impossível de ignorar. O problema é que, no mundo deles, amar é perigoso. E quando inimigos começam a se mover nas sombras, Giulia e Danilo precisarão decidir se continuarão fingindo… ou se arriscarão tudo por um sentimento que nunca deveria existir.
Ver maisGiulia
Era meu aniversário, e eu acordei animada.
Tomei um banho demorado, escolhi uma roupa bonita e arrumei o cabelo ainda úmido. Quando terminei de me arrumar, desci as escadas quase correndo. Meu plano era simples: encontrar Marco antes de qualquer outra pessoa, abraçá-lo, beijá-lo e começar o dia ao lado dele. Esse seria o meu verdadeiro presente de aniversário.
Eu estava completando vinte e dois anos.
Na minha idade, muitas garotas do nosso mundo já estavam casadas, algumas até com filhos. Mas meus pais nunca se importaram muito com essas tradições. Eles sempre tentaram ir contra algumas regras da máfia, pelo menos quando se tratava de mim e da minha irmã. Me deixaram estudar, sair um pouco mais, respirar além dos limites que outras famílias impunham às filhas.
Nem todos viam isso com bons olhos, é claro.
Mas meus pais nunca se curvaram a essas críticas.
Era cedo, então a casa ainda estava silenciosa. Passei pela cozinha com cuidado e saí pela porta dos fundos, fechando-a devagar para não fazer barulho. Segui pelo caminho de pedras até a pequena casa onde Marco morava.
Marco era um dos soldados de confiança da minha família. Trabalhava para meus pais havia anos e, oficialmente, era um dos responsáveis pela minha segurança.
Oficialmente.
Porque, há cerca de um ano, as coisas tinham mudado entre nós.
No começo foram apenas conversas longas, olhares demorados, pequenas aproximações que pareciam inofensivas. Eu sabia que aquilo não era permitido, que deveria contar aos meus pais. Mas tive medo. Medo da reação deles, medo de perder Marco antes mesmo de entender o que estava sentindo.
E então simplesmente aconteceu.
Nos aproximamos, nos envolvemos… e nos apaixonamos.
Pelo menos eu me apaixonei.
Ultimamente eu vinha pensando que talvez fosse a hora de contar tudo ao meu pai. Marco era leal, confiável e dedicado à nossa família. Talvez as pessoas achassem impossível que o chefe permitisse que a própria filha se casasse com um soldado, mas eu conhecia meu pai.
Ele me amava.
Eu tinha certeza de que, se explicasse tudo, ele entenderia.
Talvez até nos desse sua bênção.
Sorri sozinha enquanto caminhava devagar, tomando cuidado para que ninguém me visse ali. Aquela visita precisava continuar sendo um segredo, pelo menos por enquanto.
Quando me aproximei da casa, ouvi um barulho estranho.
Parei por um instante.
Parecia… um som abafado, irregular.
Franzi a testa, sem entender.
Talvez Marco já estivesse acordado.
Segurei a maçaneta da porta e a abri devagar. O barulho ficou mais claro agora, ecoando pelo pequeno espaço da casa. Meu coração começou a bater mais rápido, não exatamente de expectativa… mas de confusão.
Fechei a porta atrás de mim e caminhei lentamente pelo corredor.
Os sons vinham do quarto dele.
Quando parei diante da porta entreaberta, meu mundo simplesmente parou.
Grazy.
A empregada da casa.
Ela estava deitada na cama, os cabelos espalhados sobre o travesseiro, respirando de forma irregular enquanto Marco se movia sobre ela. Os dois estavam completamente envolvidos um no outro, ofegantes.
— Assim, Marco… mais rápido — disse ela, entre gemidos.
Eles estavam de olhos fechados, perdidos naquele momento.
E eu fiquei ali.
Paralisada.
Observando.
De todas as coisas que eu imaginei para o meu aniversário… aquela cena nunca passou pela minha cabeça.
— Marco… — murmurou Grazy.
— Hum…
— Marco, espera…
Foi nesse momento que ele abriu os olhos.
E me viu.
O choque no rosto dele foi imediato.
— Droga — murmurou, afastando-se rapidamente.
Mas eu já não conseguia ficar ali.
Meu corpo reagiu antes da minha mente.
Me virei e saí correndo.
O ar parecia pesado demais dentro dos meus pulmões enquanto atravessava o caminho de volta para a casa. Minha cabeça girava, repetindo aquela imagem sem parar.
Marco.
Com outra mulher.
Enquanto eu fazia planos.
Enquanto pensava em pedir ao meu pai permissão para nos casarmos.
Eu era uma idiota.
Uma completa idiota.
Marco não podia correr atrás de mim, nem gritar meu nome. Se fizesse isso, levantaria perguntas que nenhum de nós poderia responder.
Entrei na casa apressada, subindo as escadas quase sem enxergar direito por causa das lágrimas que começavam a cair.
Assim que cheguei ao meu quarto, fechei a porta e me joguei na cama.
Enterrei o rosto no travesseiro, tentando apagar aquela cena da minha cabeça.
Mas era inútil.
Toda vez que eu fechava os olhos, via Marco outra vez.
Via as mãos dele.
O corpo dele.
Os dois juntos.
E a única coisa que eu conseguia pensar era:
Como eu pude acreditar nele?
Como pude ser tão burra?Não sei por quanto tempo dormi.
Quando abri os olhos novamente, ouvi vozes dentro do meu quarto.
— Bom dia, princesa. Feliz aniversário.
Era a voz da minha mãe.
Não queria levantar a cabeça. Sentia meu rosto pesado e inchado, e sabia que meus olhos provavelmente denunciavam que eu tinha chorado. A última coisa que eu queria naquele momento eram perguntas.
— Bom dia, querida — disse meu pai, sentando-se ao lado da cama.
Respirei fundo antes de finalmente erguer a cabeça.
— O que aconteceu, minha filha? — perguntou minha mãe, dona Vittoria Giordano. Ela sempre tinha aquele tom doce, preocupado, que fazia qualquer mentira parecer ainda mais difícil.
Forcei um pequeno sorriso.
— Minha cabeça está doendo — menti. — Acho que não dormi muito bem esta noite. Mas depois de um banho vou ficar melhor.
Minha mãe franziu a testa, claramente preocupada, mas antes que ela pudesse insistir, meu pai falou novamente.
— Ah, querida… temos uma surpresa para você.
Eu o encarei, tentando parecer interessada.
— Convidamos a família de Danilo Marino para almoçar hoje — disse ele em um tom perfeitamente natural. — Temos interesse em aproximar nossas famílias.
Por um segundo, achei que tinha ouvido errado.
Danilo Marino?
Aproximar nossas famílias?
Não era difícil entender o que aquilo significava.
Casamento.
Meu coração deu um salto dentro do peito, mas não exatamente pelo motivo que meus pais imaginavam. Parte de mim queria protestar, perguntar por que estavam decidindo aquilo por mim, exigir explicações.
Mas então a imagem voltou.
Marco.
Grazy.
Os dois na cama.
O ódio que senti naquele instante foi tão intenso que sufocou qualquer outra reação.
Se aquilo significasse que eu nunca mais precisaria olhar para Marco novamente… talvez não fosse a pior coisa do mundo.
Então eu apenas sorri.
— Parece… interessante — respondi, tentando soar tranquila.
Meus pais pareceram satisfeitos com a reação. Depois de algumas palavras carinhosas e mais um feliz aniversário, eles finalmente me deram espaço.
Assim que a porta se fechou, fui direto para o banheiro.
Tomei outro banho, deixando a água cair sobre mim por longos minutos, como se aquilo pudesse lavar tudo que eu tinha visto naquela manhã.
Quando saí, fiquei algum tempo parada diante do espelho.
Meu reflexo parecia estranho.
Olhos vermelhos.
Rosto cansado.
Eu não tinha feito nada de errado.
Então por que me sentia tão mal?
Passei a mão pelo rosto, tentando afastar os pensamentos, mas era inútil. Bastava fechar os olhos para que a imagem voltasse imediatamente.
Marco.
Grazy.
Os dois juntos.
Meu estômago se revirou.
Eu gostava tanto dele. Confiava nele. Estava pronta para conversar com meus pais, pronta para enfrentar qualquer julgamento para que pudéssemos ficar juntos.
E enquanto eu fazia planos… ele estava me traindo bem debaixo do meu nariz.
Por quanto tempo aquilo vinha acontecendo?
Será que eles riam de mim?
Será que todos sabiam… menos eu?
Respirei fundo, tentando afastar aquela sensação horrível no peito.
Então um pensamento surgiu, trazendo um pequeno alívio inesperado.
Eu nunca tinha cedido completamente às investidas dele.
Sempre havia resistido quando ele tentava ir além. Algo dentro de mim sempre dizia para esperar, para não me entregar daquele jeito.
Agora eu entendia por quê.
Se tivesse feito isso… se tivesse me dado a ele…
Provavelmente estaria ainda mais destruída naquele momento.
Apoiei as mãos na pia e encarei meu reflexo outra vez.
Talvez aquele almoço mudasse tudo.
E, pela primeira vez desde que acordei, a ideia de conhecer Danilo Marino não parecia tão assustadora assim.
Giulia Eu vou matar essa desgraçada.Fiquei do lado de fora de casa por alguns minutos , eu precisava respirar.Eu estava com raiva, ela era uma cínica, me tratava como se eu fosse uma adolescente burra e não a filha dos donos da casa e sim, claro que fiquei com mais raiva dela desde que a peguei com Marco, eu gostava daquele desgraçado, ele sabia. Eu sonhava em casar com aquele idiota, eu estava disposta a enfrentar meus pais por ele.E ele me traiu com ela. Depois dessa situação, ela não disfarçava sua antipatia por mim. Ela andava com um ar de superioridade, como se ela estivesse ganhado. E merda, fazia tanto tempo desses acontecimentos, mas a cara dela fazia parecer que foi ontem e agora ela estava dando em cima do meu marido.Eu confiava em Danilo, ele não me trairia com ela. Ele não era Marco.Quando voltei para dentro de casa, Grazy estava chorando na sala de jantar, com Danilo, meu pai e minha mãe ao lado dela.Minha mãe me olhou meio confusa. Danilo estava encostado na par
GiuliaAcordei e fiquei olhando Danilo dormir, como ele podia ser tão bonito? Mesmo com o rosto sério, a barba por fazer… Ele era lindo, e grávida, eu parecia estar mais boba e apaixonada.Ele se mexeu e eu me apoiei no braço para continuar olhando para seu lindo rosto.— Bom dia, minha linda — disse ele.— Bom dia, meu amor — falei beijando sua testa.— Por que está me olhando assim? — perguntou ele.— Só estava pensando no quanto você é bonito e no quanto sou apaixonada por você — falei sorrindo.— E no quanto você é linda, você já pensou? — disse ele acariciando meu rosto.Fechei os olhos e me permiti sentir aquele carinho gostoso.— Giulia, eu espero que possamos ser para nosso bebê, tudo o que seus pais são para você. Eu admiro sua família, admiro o carinho de vocês. — falou.Danilo nunca falava de minha família e meus pais não gostavam dele e com razão, principalmente meu pai. Ele achava que esse acordo havia sido um erro, que eu deveria ter me casado com outra pessoa, outro Don
DaniloEu me sentia um merda, por pensar em sexo a todo momento, mas o que eu podia fazer se a mulher que dormia ao meu lado era tão gostosa?Giulia era maravilhosa e merda, eu queria transar com ela em todos os cantos da casa, mas ela estava grávida e eu não queria ser o marido babaca que só pensava em sexo. Eu sabia que as mulheres se sentiam desconfortáveis na gestação, perdiam a libido, passavam mal e eu não queria ser o marido idiota que só pensava em sexo. Eu não era esse cara, mas caramba, eu precisava dela.O dia foi um caos e me senti aliviado ao chegar em casa, mas quando entrei no quarto e vi Giulia de bruços, lendo, me dando uma das melhores visões de sua bunca, precisei ir direto para o banheiro tomar banho, eu pularia sobre ela e a comeria gostoso, do jeito que sabia que ela gostava.Quando sai do banheiro e me encostei na cama para conversar com ela, acabei sendo surpreendido com ela montando em meu colo e falando que precisava gozar.Sexo era tudo o que eu queria, mas
Giulia Eu estava nervosa, com muito medo e feliz, eram tantos sentimentos.Naquela manhã saímos cedo de casa para uma consulta médica, estávamos ansiosos e com a expectativa de ver nosso bebê pela primeira vez.Durante a consulta ouvimos atentamente ao que a médica falava e então chegou a hora da ultrassonografia. Me deitei sobre a maca e levantei minha blusa, senti o gel gelado tocar minha pele e Danilo ficou ao meu lado me observando atentamente.Olhamos para a tela e então o barulho mais esperado, o som do coração do nosso bebê, o coração do nosso filho. Não pude conter uma lágrima que insistiu em descer.Danilo estava sério, não disse nada e não esboçou nenhuma reação.Após o ultrassom, a médica disse que estava tudo bem, receitou algumas vitaminas e pediu alguns exames.Eu fiquei tão feliz por ela ter dito que estava tudo bem, aquilo foi um grande alívio. Eu não queria que o passado me assombrasse durante toda a gestação.O caminho para casa foi tão silencioso, e desconfortável,


















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