FAZER LOGINJá passavam das sete da noite quando finalmente cheguei em casa. Eu estava me sentindo exausta e precisava muito de qualquer distração. O silêncio daquela sala imensa me abraçou e eu pude respirar fundo. A tranquilidade e a paz que eu tanto zelava estava ali.
Me negando a subir as escadas que me levaria ao próximo andar, segui até o elevador residencial e em instantes dei de cara com o meu quarto. O silêncio continuava naquele cômodo exceto pelo barulho de água caindo que vinha do banheiro. Sorri comigo mesma e abandonei os meus sapatos seguindo até o barulho que me chamava. À medida que eu atravessava o cômodo e encontrava o meu marido atrás do boxe de vidro do banheiro com a água do chuveiro caindo sobre os seus braços, comecei a abrir os botões da minha blusa e em seguida desci a saia sobre os meus pés. Anderson ainda não havia notado minha presença até eu respirar fundo e ele virar a cabeça para mim. — Oi, gatinha. – Ele sorriu e encarou o meu corpo nu em sua frente. – Quer entrar aqui? — Sempre. – falei baixinho e dei os próximos passos. E por mais que estivesse cansada naquele momento, eu nunca estava cansada para aquilo. Nunca estava cansada para o beijo quente que me devorou no exato momento que eu pisei dentro daquele boxe. Passei os braços ao redor de Anderson e me permiti sentir todo o desejo e fogo que eu acumulei durante todo dia. Seus lábios me beijavam com urgência e eu mantinha o meu corpo muito próximo do seu, o puxando para mais perto que podia. Eu queria senti-lo em cada centímetro de pele. O puxei com força e minhas costas encostaram a cerâmica fria do banheiro. A água quente do chuveiro me molhou, mas não tanto quanto o Anderson fazia. Gemi em seus lábios e em segundos Anderson estava com a sua cabeça no meio das minhas pernas. Joguei o pescoço para trás e abri as pernas lhe dando mais acesso. Sua língua me encontrou e eu soltei um gemido chamando seu nome. Eu conhecia intimamente aquela língua e sabia cada movimento que ela poderia fazer, não havia um dia sequer que eu não experimentasse aquela sensação. Mas dessa vez era diferente, eu sentia como se estivesse sendo devorada, e em instantes poderia ser arrebatada em um gozo que me levaria do céu ao inferno. Segurei os cabelos de Anderson entre minhas pernas para me apoiar porque eu estava prestes a perder o meu equilíbrio, mas então ele levantou-se abruptamente e beijou os meus lábios. Senti o meu gosto. Gemi outra vez. — Quer mais? – ele perguntou entre os meus lábios. — Para de falar. – Respondi de volta. – Eu sempre quero. E em um movimento brusco, Anderson me segurou pelas dobras do joelho e eu passei as pernas sobre o seu quadril e sem nenhum aviso prévio ele me penetrou com força. Soltei um grito. — Isso. – Gemi quando o senti todo dentro de mim. – Agora continua. Com força. E ele fez exatamente o que eu ordenei. Me entregou tudo de si, me preenchendo em todos os centímetros e eu senti todas as minhas preocupações se dissipando. A cada estocada profunda eu me sentia mais viva, me sentia transbordar e eu adorava aquela sensação. A sensação de ter tudo e em segundos, não ter nada. E de novo. E de novo. Cravei as unhas nas costas de Anderson porque eu estava chegando no meu limite principalmente quando ele fez o movimento circular que acabava comigo. Gemidos incoerentes saíram dos meus lábios e ele cravou os lábios nos meus seios e aquilo foi a gota d’água, explodi ao seu redor o sentindo escorrer dentro de mim também. Minha respiração regulou em instantes e eu voltei a ficar de pé. Anderson ainda mantinha os olhos fechados e se apoiava no vidro do boxer. Sorri com orgulho. — Irei deixar você terminar o seu banho agora. – Eu disse baixinho e dei um beijo em sua bochecha. Me afastei daquele boxer e dediquei minha atenção a minha adorável e inseparável banheira de todo fim de noite. Abri a torneira e deixei a água invadir aquele espaço enquanto eu derramava os sais de banho e a espuma. O cheiro de flores invadiu o espaço e eu respirei fundo. Adentrei a banheira e a água cobriu o meu corpo. Prendi o cabelo em um coque frouxo e em seguida peguei uma taça ao meu lado e a enchi com meu amado champanhe “Tast of Diamonds”. Coloquei jazz clássico para tocar nas caixas de som interna e me permiti afundar naquela água. Relaxei pouco a pouco à medida que a água me deixava mais leve, e o gosto do champanhe molhava minha garganta e me fazia parecer como se tomasse as estrelas. A música no fundo fez minha mente divagar. Repassei aquele dia em minha cabeça; a quantidade de trabalho que tive e o que precisarei terminar até o fim da noite. As conquistas e novos recordes quebrados pela empresa. Eu tinha uma vida aparentemente perfeita. — Gatinha? – ouvi a voz de Anderson me chamando atrás de mim. Abri os olhos lentamente e o encarei abaixado em minha frente, com uma toalha envolta aos seus quadris, havia terminado o seu banho bem atrás de mim e eu não havia ouvido nada. — Vou descer para jantar. Quer que eu espere você? – ele perguntou. — Não é necessário. Irei demorar mais um pouco. – Sorri para ele. Anderson havia começado a se levantar novamente quando eu o chamei de volta. – O que é isso no seu pescoço? Ele me encarou no mesmo instante e em seguida encarou a marca roxa em seu pescoço no espelho enorme em sua frente. Fez uma careta para o seu reflexo e em seguida me encarou de volta. — Acho que foi você minutos atrás. – Ele sorriu para mim. — Sim, provavelmente. – Sorri de volta. – Daqui a pouco te encontro lá embaixo. Anderson se despediu de mim atravessando as portas do banheiro e fechando atrás de si. Era óbvio que eu sabia que aquela marca não havia sido eu que havia deixado. Aquilo estava roxo e totalmente diferente das marcas vermelhas que eu havia deixado em sua pele branca. Tentei deixar aquilo para lá e focar a minha concentração novamente em minha tranquilidade. Mas isso foi quase impossível, porque à medida que eu relembrava o dia que eu tive, eu conseguia ouvir novamente as palavras de Michael falando sobre o meu casamento; sobre como parecia que tudo que eu e Anderson tínhamos era fogo de palha, sobre como ele parecia superficial ao ser comparado comigo. Eu sabia que não deveria dar ouvidos a esses comentários, mas de repente comecei a pensar que eu também não conhecia o meu marido tanto assim. Eu não sabia sua cor preferida, não sabia qual era o seu ídolo na infância, não conhecia suas histórias da universidade, não sabia os seus planos no futuro, se queria ou não ter filhos. Tudo que eu sabia do homem que dividia a cama comigo era que ele era um mediador em negociações, que tinha um pequeno escritório no centro da cidade e que raramente tinha clientes, conhecia também a maneira que ele me tratava e como todos os dias transávamos. Isso não era suficiente? Aliás, eu já havia aproveitado demais a minha vida. Havia pegado todo mundo que eu podia e que eu quis antes de me comprometer. Eu havia sossegado. E eu acho que isso era tudo. Então, me levantei daquela banheira e me sequei com a toalha. Em instantes eu iria descer até a sala de jantar, em seguida iria me trancar em meu escritório para revisar papeladas para o dia seguinte, e logo depois iria para o meu quarto com o Anderson. E iríamos fazer aquilo de novo. E isso era tudo que eu sabia e conhecia.— Boa tarde, eu não sei o que falar exatamente ou se vão me entender por razão do sotaque pesado, mas o que importa é que você entenda, Cariño. – Ele me encarou e eu engoli em seco.— Nos últimos meses, tudo o que vem me importando é você. Então, aqui estou eu, vencendo minha timidez absurda para tentar expressar o quanto te amo para todo mundo ouvir. E eu sinto que é importante dizer todas as coisas que passam pelo meu coração, mesmo sabendo que as palavras se tornam pequenas comparadas ao grande amor que cresce em meu peito todas as manhãs. Elisa, você me veio como um sonho bom. Daqueles que você tem a certeza de que está sonhando, mas mesmo assim tenta manter os olhos fechados para saber o que acontecerá no fim. Mas sabe, essa é a melhor parte. Esse sonho não tem fim. Mesmo que eu acorde e viva a minha vida, a mesma rotina todos os dias normalmente, quando adormeço continuo sonhando com você e é esse sonho, o sonho que não tem fim. Eu sabia que era você desde a primeira palavra qu
Se eu achei que houve muitas flores no noivado de Melanie, eu estava absurdamente equivocada. A cada metro quadrado na tarde do seu casamento existia flores de todo o tipo, desde a decoração da igreja até a recepção no jardim da casa dos meus pais. Todos estavam vestidos elegantemente, parabenizando os recém casados e desejando todos os votos de felicidade.O casamento da minha irmã havia sido perfeito e eu, emotiva como estava, chorei discretamente. Eu fui a dama de honra de Melanie e usei um vestido de alça longo, era feito de dois tecidos diferentes, acima da cintura, era mais detalhado com rendas bordadas e brilhos discretos, tinha um decote em formato v aprofundado, destacando os seios, a parte de baixo do vestido era mais simples, um tecido plissado no tom rose. E a minha irmã estava belíssima em seu vestido de casamento de princesa. Eu nunca a vi tão feliz e a minha família estava extremamente orgulhosa.— Elisa, eu quero falar com você. – a voz da minha mãe chegou aos meus o
— Alô? – tomei coragem mesmo assim e levei o celular a orelha.— Elisa, boa tarde. Não queria incomodá—la, mas tenho boas notícias... – ele ficou em silêncio por um instante. – Uma nem tanto, mas acho que precisa saber.— Pode falar, Sebastian. – eu disse impaciente e nervosa.— Então, conseguimos limpar o seu nome de todas as acusações sobre lavagem de dinheiro, o caso da morte de Tyler foi encerrado porque claramente foi em legítima defesa e descobrimos vários desfalques que envolvia apenas o Tyler em todas as empresas que ele trabalhou antes. Desse modo, o juiz não irá emitir uma ordem de deportação para o senhor Martin, então o Green Card ainda está em jogo.— Você está falando sério? – eu quase gritei, um sorriso enorme nos meus lábios e meus olhos estavam marejados. – Então está tudo resolvido? Já estamos fora de perigo?Ramón parou para me encarar em minha frente, seus olhos estavam ansiosos e eu mal podia esperar para contar todas aquelas boas notícias.— Sim, tudo está
Nos dias seguintes a perda de dona Tália, Ramón havia passado as últimas noites em sua casa com Rayssa, sua irmã precisava ardentemente dele.Thalia havia sido cremada e antes disso, várias pessoas vieram se despedir, ela era uma mulher extremamente amada e os rostos desolados da maioria das pessoas só confirmaram que ela era iria fazer muita falta.Ramón passou todo o dia em silêncio, pensativo e agarrado a Rayssa. Ele não demonstrou nenhum desespero para mim, nem para sua irmã. Ele parecia compartimentar os seus sentimentos de maneira saudável e madura. Tudo que eu não conseguia.A medida que o tempo passava e tudo voltava de maneira gradual ao normal, eu ficava mais paranoica do que eu queria. Eu havia voltado ao trabalho e estava quase livre de todas as acusações de Anderson, conseguiram provar que eu não tinha absolutamente nada a ver com aquele crime absurdo que Anderson inventara. O caso sobre a morte de Tyler ainda estava em andamento mas também não era algo que eu precisar
— Do que Elisa está falando, Ramón? – Rayssa encarou os olhos do seu irmão ainda mais assustada do que eu estava.Ramón apenas se jogou de volta no sofá e escondeu o rosto nas mãos, os cotovelos pressionados nos joelhos. Ele respirou fundo e parecia esgotado desde já. Mas ele não estava mais que eu.Eu sentia tudo escapar das minhas mãos lentamente, sentia raiva e medo. O medo se sobressaia e eu odiava me sentir assim. Mas como eu poderia me sentir de outro jeito? Eu havia acabado de descobrir que a ideia de um futuro perfeito com Ramón poderia não ser real. E isso me deixou nauseada.— Rayssa, você pode nos dar um minuto? – Ramón quebrou o silêncio.Sua irmã olhou para o seu rosto e piscou repetidas vezes, parecia decepcionada, assustada, sentindo o fim do mundo literalmente dentro do seu peito. Ao menos, era assim que eu me sentia. Mas tudo que ela fez foi assentir e saiu daquela sala.— Por que me escondeu isso, Ramón? – tentei manter o tom de voz baixo.— Eu não escondi nada
Querida Elisa,Se chegou o momento dessa carta chegar em suas mãos, isso significa que eu já terei seguido a minha viagem. Espero que saiba que desde a primeira vez que eu a vi, eu sabia que tinha algo diferente em você, uma conexão que te ligava o tempo todo com a nossa família, com o Ramón. Confesso que fiquei com muita vontade de intervir na vida de vocês e falar tudo que eu sabia e descobri, mas eu não podia, não queria mexer no futuro e nem atrapalhar o fluxo dessa jornada.Se você for como a Rayssa, cética demais, provavelmente não irá se importar com essa carta e achar que isso são delírios de uma velha em seu leito de morte. Mas eu espero que saiba que eu jamais escreveria essas palavras se eu não tivesse certeza, se eu não soubesse que você seria a garota da vida do meu filho.Gostaria de deixar claro que eu sempre soube que você e Ramón não namoravam na época em que esteve em minha casa pela primeira vez. No entanto, eu vi amor em seu olhar, vi um brilho intenso através de







