INICIAR SESIÓNCARLOS EDUARDO VELAZ
Me sinto sem rumo, sem chão. Até que em meio ao tormento, sinto o perfume da Maria Fernanda. Ela logo vem em minha direção.
Desgraçada, acha que vai continuar me enganando.
— Amor, precisamos conversar.
Ela sorri e eu me afasto.
— Não me chame de amor, eu vi as fotos. Como você teve coragem de me enganar?
Ela me olha como se não estivesse entendendo nada.
— Carlos Eduardo, aconteceu algo? Passamos uma noite maravilhosa onde você me amou como na nossa primeira vez.
Eu sinto nojo da mulher a minha frente. Repúdio.
— Eu não sou o seu amor, nada em você me interessa mais, você quebrou o meu coração, vá embora, você é uma aproveitadora que eu não quero ver nunca mais na minha frente.
Jogo as fotos em sua direção e Maria se abaixa para recolher.
— O que você estava pensando? Que eu nunca iria descobrir seus encontros com esse homem?
Ela fica assustada, chora copiosamente pois sabe que não tem como explicar.
— Isso é uma montagem, você é o único homem da minha vida.
Maria chora, mas não consigo acreditar em suas lágrimas.
— Só me responde uma coisa. Era pelo dinheiro? Você queria subir na vida, era isso?
Ela não responde, só chora.
— Responde, inferno. Qual seria o próximo golpe? Dizer para o trouxa aqui, sobre uma suposta gravidez?
— Não é golpe.
Maria balança a cabeça fazendo sinal de "não". Ela tenta se aproximar de mim, mas não permito.
— Saia daqui, pare de show, nós não existimos mais. Vá embora, sua oportunista barata. Vá arrumar outro trouxa para tentar enganar com essa sua beleza, pois a mim, você não engana mais.
Ela sai correndo entre lágrimas me deixando completamente acabado, sem rumo e com o coração mais duro.
— A partir de hoje, voltarei a ser o que era antes de você, Maria Fernanda.
Digo como se ela ainda pudesse me ouvir.
— Passarei a foder sem compromisso. Será uma mulher por dia e nunca mais amarei alguém.
MARIA FERNANDA
Ainda lembrando da noite anterior que Carlos Eduardo e eu tivemos, me fazendo gozar várias vezes com o seu pau viril que praticamente não dorme, acordei sentindo as borboletas na minha barriga
Ainda cheia de lembranças, chego à empresa um pouco atrasada, pois precisei passar na faculdade para pegar alguns papéis para a inscrição do próximo semestre, então vou direto até a sala do meu amor. Meu príncipe.
Mas, como se eu estivesse em um pesadelo, fui recebida com várias pedras na mão.
Como pode um mundo desmoronar desta maneira?
Como o homem que diz me amar foi capaz de fazer isso comigo?
Ele precisava confiar em mim, no nosso amor, no que construímos nesse ano juntos.
Para manter este relacionamento as escondidas por conta da proibição que existe na empresa, onde os funcionários não podem se relacionar, fizemos malabarismo para ficarmos juntos.
Nos apaixonamos, para Carlos Eduardo entreguei meu corpo e coração. Vivi um verdadeiro sonho e agora, na primeira prova ridícula que entregam para ele, com fotos cheias de montagens de uma suposta traição, ele acredita?
Cadê o amor que ele tanto dizia sentir por mim?
Eu não sou uma oportunista. Não sou.
Apesar de ser pobre, sempre fui uma mulher de princípios, esforçada e tentando a cada dia conseguir o meu sustento e melhorar na carreira pois ainda estudo.
Me apaixonar por Carlos Eduardo foi uma curva no meu destino. Infelizmente eu não fui capaz de desviar, pois jamais pensei que iria me apaixonar por um homem tão rico, entretanto ele parecia ser diferente. Só parecia.
Oh Deus. O que eu faço agora?
As suas palavras me ofenderam de tal maneira. Não suporto mais o olhar.
Saio correndo de sua sala e vejo o elevador aberto no andar. Então entro correndo, por estar desatenta ao que passa ao redor, tropeço em um tapete, porém um senhor de aproximadamente sessenta anos me segura.
— Ai. Como sou desastrada, desculpa.
Por fora tento me recompor, mas estou ciente que meu mundo acabou e eu nem sei o que fazer da minha vida agora.
Grávida, desempregada e sem ter para onde ir.
E eu realmente não sei. Carlos Eduardo estava tão nervoso. Nem me deu oportunidade de contar sobre a gravidez e foi logo me expulsando da sua sala como se eu fosse uma qualquer.
— A senhorita não parece estar bem. Será que não seria melhor ir ao médico?
— Estou um pouco tonta. Mas vou ficar bem, obrigada.
Ele ainda demonstra preocupação. Pois me olha como se estivesse me analisando.
— Eu posso ligar para alguém da sua família? É perigoso sair assim, você está tremendo.
Ele tem razão.
— Eu não tenho para quem ligar.
Mais uma vez me vem à tontura e eu me seguro na lateral do elevador.
Porém tudo começa a escurecer na minha frente.
MARIA FERNANDA VELAZFicamos deitados ali na cama por mais alguns minutos em total chamego, apenas curtindo o pós-prazer, até que os sons característicos de passos e risadas infantis vindos do hall de entrada indicam que os nossos filhos finalmente retornaram do passeio com a babá.Num salto coordenado, entramos no banheiro e tomamos um banho rápido juntos para limpar os vestígios da nossa luxúria. Enquanto o Cadu caminha de volta para o closet para se vestir com uma bermuda e uma camisa leve, pego o meu celular em cima do criado-mudo e envio uma mensagem de texto rápida para a Laura, pedindo para que ela execute o plano exatamente como havíamos combinado na semana passada, de forma discreta.Antes mesmo de eu terminar de abotoar o meu vestido leve de praia, ouvimos batidas rápidas, ansiosas e insistentes na madeira da porta do quarto.— Mamãe!... Papai!... Nós já voltamos da praia, podemos entrar de uma vez? — as vozinhas da Duda e do Rick ecoam juntas, cheias de curiosidade.— Só um
MARIA FERNANDA VELAZAssim que adentramos os limites do quarto e ele chuta a porta de madeira, trancando-nos no isolamento, o desespero do desejo assume o controle total. Mal temos tempo hábil para retirarmos as nossas roupas; as peças são arrancadas e jogadas pelo tapete de forma caótica. Num movimento ágil, empurro o corpo do Cadu de costas contra o colchão da cama e assumo a posição de controle, montando em cima do seu quadril nu.Ele estende as mãos e agarra os meus seios com vontade. Devido às alterações hormonais recentes que só eu sabia, os meus mamilos estão extremamente sensíveis e fartos, e eu solto um arquejo alto quando ele abocanha um deles, sugando a pele com força e despertando uma onda de prazer violenta nas minhas entranhas. Elevo um pouco o meu quadril no ar, direcionando a cabeça do seu pau gigante e viril direto contra a entrada da minha vulva, e deslizo o corpo para baixo de uma só vez, engolindo toda a sua espessura em uma única estocada profunda. Sinto um choque
MARIA FERNANDA VELAZ— Nanda...Levo um susto gostoso e desperto dos meus devaneios quando sinto o peso do corpo do Cadu se acomodar bem na minha frente, na borda da rede.— Meu Deus, amor... eu nem vi quando você se aproximou de mansinho por aqui — murmuro, o coração acelerando com a presença dele.Ele estende os braços fortes, segura a minha mão direita com delicadeza e deposita um beijo demorado e quente na minha pele.— Eu percebi de longe que os seus pensamentos estavam voando a quilômetros de distância daqui, Vida — ele diz, e como sempre acontece, consigo notar o brilho de pura curiosidade e magnetismo no seu olhar castanho.Ajeito o corpo na rede, abrindo o sorriso.— Você não vai acreditar... mas eu estava aqui, olhando o mar, e me peguei recordando minuciosamente cada detalhe do dia do nosso casamento.Cadu sorri de canto, os olhos fixos nos meus, transbordando aquela devoção que me desarma.— Eu também me pego lembrando daquele nosso dia especial a cada segundo, Nanda... —
MARIA FERNANDA VELAZ— Fiz diletinho, papai? — Rick perguntou em um sussurro alto assim que alcançou as nossas pernas, os olhinhos castanhos brilhando de orgulho.— Fez sim, meu campeão... Você foi perfeito — Cadu respondeu com um sorriso largo, abaixando-se para pegar as alianças.— E eu, papai? Eu fui diletinho também? — Duda questionou logo em seguida, ansiosa e dengosa, buscando a aprovação imediata do pai, o que me fez soltar uma risada contida no altar.— Você foi uma verdadeira princesa, minha vida. A mais linda de todas — ele se rendeu, de olhos brilhando.Um sorriso bobo e apaixonado se forma nos meus lábios agora, na rede, ao recordar cada detalhe. Foi, sem dúvida, a memória mais perfeita da minha história. Lembro-me da voz grave do Cadu ecoando pelo microfone da igreja na hora dos votos, deixando de lado qualquer papel escrito:— Nanda... eu passei os últimos dias pensando muito no que escrever para este momento sagrado, contudo, eu percebi que não seria capaz de colocar em
MARIA FERNANDA VELAZNão existe absolutamente nada mais gostoso, pacífico e curativo neste mundo do que caminhar lentamente pela beira da praia, sentindo os grãos de areia molhada fazerem cócegas suaves na sola dos meus pés. O som rítmico do oceano funciona como um bálsamo para a minha alma. Depois de passar um longo tempo isolada, apenas apreciando a imensidão daquele visual paradisíaco, decido fazer o caminho de volta para a residência de veraneio. Esta é a propriedade espetacular com a qual o Cadu me presenteou no nosso primeiríssimo aniversário de casamento; uma fortaleza de amor erguida exatamente na mesma praia deserta em que, anos atrás, nós fizemos amor pela primeira vez na vida.Ao cruzar o portal de madeira, caminho até a varanda gourmet e deito-me confortavelmente em uma das redes de descanso para contemplar o espetáculo do pôr do sol, que tinge o céu de tons de rosa e dourado. Neste momento de calmaria, embalada pelo balanço suave da rede, aproveito a solidão para fazer um
MARIA FERNANDAAo final da tarde, com o início da noite caindo sobre o condomínio, o salão começa a esvaziar e Cadu e eu nos jogamos nas poltronas, completamente exaustos pelo rojão do evento. Porém, o cansaço físico não é absolutamente nada comparado com a satisfação genuína e o alívio de ver os nossos dois filhos tão radiantes, correndo e explodindo de felicidade com os amigos.O saldo do dia foi maravilhoso. Tive o imenso prazer de conviver mais de perto com o tio do Cadu, o senhor Leonardo, que veio direto do México e simplesmente não queria sair de perto dos berços e dos brinquedos dos gêmeos por um único segundo, exercendo o papel de avô babão com um orgulho lindo de ver.Quem também marcou presença e fez questão de prestigiar os pequenos foi o Adolfo, o melhor amigo do meu noivo. Ao longo de toda a tarde, percebi que ele fez um esforço hercúleo e tentou de verdade se animar e participar das brincadeiras; entretanto, olhando para o brilho opaco nos olhos dele, sei que o peso do







