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Capítulo 2

last update Tanggal publikasi: 2025-04-10 07:28:14

— Pare de perder o seu tempo com isso, Xandra. Ela penteou o meu cabelo. — Quantos anos tem esse cara? Vinte e seis? Vinte e sete?

Eu não disse nada.

— Acredite, homens atraentes como ele, nessa idade, não pensam em garotas de quinze anos. Disse ela. —Talvez ele durma com todas as prostitutas dos bordéis.

Estremeci.

— Ele não faz isso. Sussurrei, mas não tinha como saber.

— Ele é velho demais para você.

— Você não diz o mesmo sobre o Sr. Darwin Barackemel. Eu disse seu nome e quase estremeci.

Ela não parava de pentear meus longos cabelos loiros, ela fazia isso com paciência e gentileza.

— Você sabe que é diferente, eu já te expliquei de mil maneiras diferentes. Ela respondeu. — Eu sei que você não teve uma educação escolar tradicional e é por isso que às vezes é difícil para você processar as coisas, porque você é meio burra, mas acredite em mim, Xandra. Eu sou sua mãe, faço tudo para o seu bem.

Lágrimas continuaram a rolar pelo meu rosto, mas não disse mais nada, porque era inútil, ela nunca me ouvia.

— Você está perfeita. Ela me disse depois de terminar de secar o meu cabelo e usar base e pó para cobrir o hematoma na minha boca e no meu pulso. — Você é linda, Xandra. Ela sorriu para mim. — Você se parece muito comigo, esse cabelo, esses olhos... Você foi abençoada, filha.

Eu assenti.

— Certo, agora vista seu robe de cetim.

Fiquei tensa, porque usar aquele robe de cetim cor creme só significava uma coisa.

— Que? Porque? Perguntei.

— Senhor. Darwin está na cidade e quer visitar você.

Eu neguei.

— Mas é meu aniversário, mãe. A minha voz falhou. — Você sabe que eu odeio isso e...

Ela me lançou um olhar de advertência.

— Às vezes eu realmente não consigo entender o quão ingrata você é. Qualquer um que ouvir você implorando e quase chorando vai pensar que seu pai e eu estamos fazendo você fazer algo errado. Ela sibilou. — Ele só vem te pintar como sempre, Xandra. Ou você já foi tocado?

— Não, mas…

— Então deixe suas reclamações para outra hora e obedeça.

Eu odiava o quanto isso me fazia sentir suja. Não importava que ele estivesse fazendo isso há um ano.

— Se os meus irmãos descobrirem…

A minha mãe veio até mim e pegou o meu queixo para que eu olhasse para ela. Ainda assim, o gesto não foi rude ou abrupto, foi gentil.

— Quando você vai entender que não é um deles, Xandra? Ela perguntou. — Você é apenas meia-irmã deles, nada mais. Eles crescerão, formarão famílias e não vão querer você por perto porque ninguém quer obstáculos na vida.

O meu coração doeu.

— Eu te aturo porque você é minha filha, mas acredite em mim, querida. Ninguém quer uma garota boba e questionadora em sua vida, e... Você acha que Mikhel terá a mesma paciência com você quando se casar? Ela suspirou. — Os seus irmãos sempre terão prioridades e acredite, você não é um delas.

***

Darwin Barackemel foi um parceiro muito importante da Índia para o papai. Chamavam-no de homem das pedras preciosas, pois ele possuía tantas minas que era difícil até mesmo lembrar de todas.

Eu o conheci há um ano, quando eu tinha quatorze anos e ele cinquenta e sete. Eu tinha quinze anos e ele cinquenta e oito.

Darwin era o único homem que o meu pai permitia que falasse comigo ou se aproximasse de mim. Na verdade, ele sempre era convidado para jantares em família e tinha total permissão para ficar na mansão.

Ele me assustava. Os seus longos cabelos brancos eram espectrais e seu olhar penetrante prometia muitas coisas sombrias, porém, ele nunca fez nada, além de... me pintar.

— Feliz aniversário, Xandra. Ele me disse em russo perfeito quando entrei na sala de estar no quarto andar da mansão. Eu sempre o via lá uma vez por mês. — Você é uma mulherzinha agora.

— Boa noite, Sr. Barackemel. Sussurrei.

— Pode me chamar de Darwin, sabia? Ele sorriu para mim. — Nós somos amigos.

Engoli em seco e assenti, no momento em que senti a mão do meu pai no meu ombro.

— Alexandra tem sido uma boa moça todo esse tempo. Disse ele. — Ela é pura e boa, algo que você não costuma ver muito por aqui.

— Eu acredito em você, Sergei. Disse o Sr. Darwin. — Ela é linda.

Observei-o arrumar sua tela e pegar um lápis, enquanto o meu pai furtivamente me empurrava em direção à minha cadeira de sempre.

— Comporte-se. Ele disse. — Estaremos lá embaixo.

Como sempre, fiquei sozinha com ele e não consegui dizer nada. Simplesmente sentei-me na cadeira de madeira escura e esperei silenciosamente por instruções.

Minha mãe estava certa, Darwin nunca me tocou. Ele apenas me pedia para sentar e encará-lo enquanto ele pintava o meu rosto, meus olhos e meu cabelo. No entanto, ele não precisava me tocar para me fazer sentir suja de uma forma ou de outra, já que seu olhar dizia mais que mil palavras ou mil toques.

— Você poderia abaixar um pouco a alça do seu robe? Ele perguntou. — Gostaria de pintar seu ombro nu. A sua pele fica limpa, macia, como creme.

Estremeci, mas assenti.

— Isso, e você continuar me olhando desse jeito com medo, é bem cativante.

Ose pedidos continuaram.

— Abra um pouco as pernas e levante o tecido do seu robe. As suas coxas são lindas e imagino que muito macias também…

A sessão durou mais de duas horas, não sei quantas, mas quando consegui me levantar, minhas costas e pescoço estavam doendo.

Eu o vi se aproximar de mim com uma caixa que ele havia pegado sabe-se lá de onde.

— Para você. Ele disse. — Feliz aniversário.

Com as mãos trêmulas, peguei a caixa e, ao abrir, descobri que dentro havia um colar cravejado de diamantes.

Não consegui dizer nada, apenas encarei a joia em silêncio infinito.

— Você gosta disso? Ele perguntou. — Quando nos casarmos, você terá milhares, milhões deles.

Vomitei a noite toda, as palavras do Sr. Darwin estavam na minha cabeça o tempo todo e o pânico começou a me consumir.

— Casar? Com ele?

Ninguém comemorou o meu aniversário, apenas Mikhel e Vlader me ligaram mais cedo no telefone de casa. Obviamente eu não tinha permissão para ter um. Para me desejar feliz aniversário, e cada um prometeu me dar um grande presente em breve.

Porém, depois disso, a minha mãe não fez mais nada e o meu pai menos ainda, mas eu fiquei grata, só queria desaparecer e esquecer as palavras repugnantes do Sr. Darwin.

Eu não ia me casar com ele, preferia morrer.

Eu ia cometer suicídio, não tinha medo da morte.

Continuei deitada na cama, chorando, quando ouvi um barulho em uma das janelas. No começo pensei que fosse chuva, mas depois comecei de novo e depois de esperar em silêncio, me levantei.

Abri a janela e lá embaixo, na chuva constante, estava um homem de pé e meu coração disparou quando soube quem era.

— O-o que você está fazendo aí? Sussurrei lá de cima, sabendo que ele estava jogando pedras na minha janela para chamar minha atenção.

Dmitry não respondeu, ele apenas estendeu a mão e com força jogou um pedaço de papel em mim. Estava embrulhado em plástico e quando consegui abri-lo, li um bilhete escrito com uma caligrafia caprichada que dizia:

Seus irmãos já sabem o que aconteceu esta tarde, eles estão a caminho. Descanse em paz e feliz aniversário, Alexandra.

Agarrei o bilhete contra o peito, impotente, e quando olhei para baixo novamente, pretendendo dizer sabe-se lá o quê, descobri que Dmitry já tinha ido embora.

No entanto, o que ele nunca soube é que ele me deu o melhor presente de aniversário naquele dia, porque mesmo muitos anos depois, continuei guardando aquele pequeno bilhete como meu tesouro mais precioso.

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