LOGINAlexandra.
Eu tinha nove anos quando descobri que estava apaixonada por Dmitry Belico'v.
Vlader, o meu irmão mais velho que sempre esteve comigo, me disse que era impossível. Não havia como eu estar apaixonada por alguém naquela idade.
— Você é muito jovem para isso, Xandra. Ele me disse na época. — Você crescerá e verá que eram apenas ideias equivocadas. Além disso, você não pode se apaixonar por alguém que você vê no máximo duas vezes por mês.
Isso era verdade, embora Dmitry já estivesse na família antes mesmo de eu nascer e fosse o melhor amigo do meu outro irmão mais velho, Mikhel, nosso próximo Pakhan. Não via Dmitry com frequência, pois ele estava servindo no exército com Mikhel e eles não ficavam muito na cidade.
Ainda assim, não me importei, eu o tinha visto através das janelas da grande e espaçosa mansão da família e ele era bonito, muito bonito. Também muito quieto, mas também não importava, eu podia falar por nós dois.
No entanto, embora ele tenha se tornado a minha paixão secreta desde os nove anos de idade, foi somente aos quinze que consegui realmente ter uma conversa com ele.
Vlader estava errado, seis anos se passaram e eu ainda sentia o mesmo por Dmitry, nem me importava que ele fosse mais de uma década mais velho que eu.
Eu gostava dele.
Sempre achei que o seu olhar era castanho, até que o vi na minha frente e depois de tantos anos, finalmente, sem mais delongas, consegui ver que não eram.
Os olhos de Dmitry eram como o outono. Nem muito marrom, nem muito verde. Elas eram uma mistura perfeita de ambas as cores, criando um visual marrom com manchas verdes e até mesmo brilhos dourados: um visual avelã.
Nunca vi olhos assim antes, para ser sincera. Eu nunca sai de casa. Papai e mamãe tinham proibido isso terminantemente. Participei de todas as aulas e outras atividades na mansão. Na verdade, eu não podia nem sair muito para os jardins da propriedade, então por muitos anos foi impossível para mim conhecer Dmitry Belico'v pessoalmente.
Sergei Novikov, o meu pai, era rigoroso com suas regras, deixando claro que ninguém podia entrar na mansão e que a segurança era apenas externa. Além disso, ninguém além dos meus irmãos ou dos meus pais podia se aproximar de mim, segundo ele, ele não queria que minha imagem fosse manchada.
Passei anos olhando pela janela, desejando que um dia eu pudesse simplesmente sair e pegar o que eu queria. Vlader sempre dizia que tudo ficaria bem em breve e eu acreditava nele.
Como eu pude não acreditar nele?
Eu amava meus irmãos, mas Vlader era muito importante para mim e se ele me dissesse que o céu era rosa e o jogasse aos meus pés, sem dúvida, eu acreditaria nele.
— Saia e tome um pouco de sol. Ouvi uma voz atrás de mim, e me virei para ver a minha mãe perfeitamente vestida.
Éramos idênticas. O mesmo cabelo loiro claro e olhos verdes.
— Está chovendo. Respondi.
— Você parece pálida e doente. A sua voz me deixou saber que ela não queria nenhuma reclamação minha. — Saia por cinco minutos e volte antes que seu pai chegue.
Assenti e caminhei pelo corredor. Por nada no mundo eu acreditaria que minha mãe estava fazendo isso porque aquele 1º de dezembro era meu aniversário.
Minha mãe nunca me deu nada sem motivo, eu a conhecia e sabia que ela estava tramando algo, mas eu não pedia nem a tentava, era melhor simplesmente obedecer.
Desci as grandes e luxuosas escadas da mansão para correr pelo chão de mármore até o andar superior. Não conseguia me lembrar da última vez que saí de casa, já que Vlader teve que ficar fora de casa por mais de um mês e não havia ninguém para me deixar sair.
Além disso, foi um mês estranho, nevou em todos os meus aniversários, mas este foi diferente. Apenas uma torrente de água gelada caía do céu, mas ainda não havia sinal da próxima nevasca do ano.
Não me importei com meu vestido rosa caro ou com meu cabelo trançado, apenas fui até o jardim dos fundos. O meu jardim favorito. E eu corri pelos prados molhados e lamacentos.
Rapidamente cheguei ao meio da planície e, olhando para o céu, fechei os olhos e deixei o frio me encharcar.
Eu sempre sonhei com... Bem, eu não tinha exatamente sonhos, mas sempre desejei desaparecer por um tempo, só por um momento. Estar em outro lugar onde eu pudesse respirar e nem ter medo de falar.
Nunca tinha acontecido antes, mas era meu aniversário e eu queria que isso se tornasse realidade ou...
— Você não pode estar aqui. Ouvi uma voz firme, no momento em que uma mão grande e áspera tocou o meu pulso. — Você precisa voltar para dentro.
Rapidamente abri os meus olhos e me vi cara a cara com ele.
Com Dmitry.
O meu coração disparou e tentei processar o fato de que ele estava lá, porque eu não tinha percebido que ele havia voltado.
— Senhorita Alexandra, raios são perigosos e…
— V-você sabe meu nome. Eu disse baixinho, incapaz de esconder o fato de que estava surpresa e animada ao mesmo tempo.
— Claro que sei seu nome.
Tive que olhar para cima para vê-lo com precisão, pois ele era muito mais alto do que eu. Ainda assim, esforcei-me para vê-lo entre a altura e a água e descobri que seu olhar era outonal.
Marrom, verde e dourado.
Tudo isso junto e tão especial, que o meu olhar verde era simples comparado ao dele.
— Você precisa voltar para dentro. Ele repetiu. — Você vai ficar doente.
— Posso sair. Respondi. — Eu gosto da chuva e… É meu aniversário.
Ele não disse nada, apenas olhou para mim e eu não sei por que estupidamente esperei que ele me desejasse feliz aniversário. Eu sabia por Vlader e Mikhel que ele não era um homem muito comunicativo e isso ainda não importava para mim, mas...
— Não quero voltar para dentro. Eu disse. — Eu gosto daqui, o frio é mais agradável do que estar em casa.
Os seus olhos outonais me examinaram e eu queria dizer algo legal, algo que não me fizesse parecer idiota, justamente quando ouvi o meu nome vindo de uma voz irritada.
— Alexandra! Gritou o meu pai.
Ele era a única pessoa que me chamava assim e era por isso que eu odiava o meu nome, insistindo em sempre que me chamassem de Xandra.
No entanto, ouvir Dmitry me chamar pelo meu nome pela primeira vez foi diferente e... eu queria que ele fosse a única pessoa a me chamar assim.
— Tire as mãos dela! O meu pai retrucou, empurrando Dmitry para longe de mim pelo peito.
Dmitry era muito mais alto e robusto que o meu pai. Ele estava no exército há anos, mas por respeito, não disse nada, apenas observou tudo com extrema frieza.
— O que você acha que estava fazendo com ela? Ele retrucou.
Olhei nervosamente para Dmitry, mas ele continuou sem expressão.
— Nada, senhor. Ele respondeu simplesmente. — Encontrei a Srta. Alexandra vagando por aqui e vim sugerir que seria melhor entrar.
— Quem lhe disse que um mero militar em potencial pode falar com a minha filha?
Se o meu pai queria intimidar Dmitry, ele falhou. Ele apenas olhou para mim de um jeito que me fez arrepiar e fiquei com medo de que algo ruim acontecesse, então falei: é verdade, pai. Eu saí porque…
O meu pai rapidamente levou a mão ao meu queixo e apertou com força, me silenciando e me fazendo tremer.
— Quem mandou você falar? Ele retrucou. — Cale a boca, falo com você mais tarde.
— Mas…
Ele levantou a mão e me deu um tapa tão forte que caí de cara na grama molhada. Senti o gosto de sangue na minha própria língua e rapidamente me levantei, ignorando a dor, no momento em que vi Dmitry se inclinar brevemente em direção ao meu pai, como se estivesse prestes a dar um passo.
— Que? Sergei perguntou a ele. — Você tem algo a dizer?
Eu não sabia se ele iria me defender ou não, mas não queria que ele dissesse nada. Eu sabia que uma ordem e o meu pai explodiria os seus miolos por traição, independentemente de ele ser o melhor amigo de Mikhel ou não.
— E-estou com frio. Eu disse ao papai. — Preciso voltar para dentro.
Mantive o olhar baixo e evitei olhar para Dmitry. Eu não queria fazer nada além de desaparecer e reafirmei isso quando Sergei pegou a minha mão e depois de dizer para ele desaparecer de vista ou ele explodiria a sua cabeça, ele praticamente me arrastou em direção à mansão.
Continuei cambaleando pelo lugar e os guardas nos portões observavam tudo, mas desviavam o olhar, sabendo que não havia muito que pudessem fazer.
— Makela! Gritou o meu pai, assim que entramos no grande salão da mansão e seu aperto doloroso permaneceu em minha mão. — Makela!
— Ah, o que houve? Por que você está gritando?
Ela entrou na sala e franziu a testa no momento em que ele me empurrou com força contra os seus pés.
— O que Alexandra estava fazendo lá fora? Ele rosnou.
Comecei a chorar no chão e cobri o meu rosto, sentindo vergonha e dor.
— Você bateu nela? Perguntou a minha mãe. — O que eu te disse sobre isso, Sergei? Você não pode estragar a pele dela.
Ela sempre protegeu o meu físico.
— Se eu a vir lá fora de novo, e principalmente conversando com um desses desgraçados, eu realmente vou lhe dar uma lição para parar de ser uma prostituta mimada.
Chorei ainda mais.
— Vamos, vamos trocar de roupa.
A minha mãe me ajudou a levantar e quando eu estava prestes a dar um passo, meu pai falou novamente.
— Mais uma vez se você falar com aquele desgraçado ou lhe der qualquer coisa, mesmo que seja apenas um olhar, eu o farei desaparecer para sempre.
Tentei esconder o meu medo e assenti, porque não queria que ele fizesse nada de ruim com Dmitry. Na verdade, agora eu só queria que ela fosse embora com Mikhel logo e nunca mais voltasse aqui, porque...
Eu sempre estragava tudo.
Minha mãe me fez tomar um banho quente e, assim que terminei e vesti meu robe, aproveitei a minha solidão para me jogar na cama e chorar inconsolavelmente.
Quando ela voltou, ela me encontrou assim.
— Pare de chorar, Xandra. Ela me pediu. — Você terá olheiras.
Meu choro aumentou.
— Sente-se, vou secar seu cabelo.
Obedeci e mesmo que ela não me perguntasse o que havia de errado, eu disse: papai me envergonhou na frente do Dmitry.
— Na frente de quem?
— Dmitry.
Ouvi-a suspirar.
Passei a noite toda estudando e, graças às anotações e exemplos do Andrew, eu realmente entendi.— Eu consegui!Fiquei feliz e pronta para pedir uma segunda chance ao professor. Não me importava de ceder. Eu ia provar a ele que não era tão burra quanto ele pensava.Eu estava correndo pelos corredores vazios do prédio três quando cheguei à porta da sala de aula, mas antes de entrar, ouvi uma voz atrás de mim.— Pensei que você estivesse proibida de entrar lá por ser incompetente.Me virei e dei de cara com Chelsy, que se aproximou, seus cabelos ne*gros balançando.— Eu não sou incompetente. Disse pacientemente.— Não foi isso que todos nós vimos ontem.— Eu tive um bloqueio mental ontem.— Só ontem? Disse ela sarcasticamente.Não disse nada. Não queria discutir. Estava de bom humor e só queria apresentar meu workshop. Senti o olhar dela examinando minhas roupas brancas com acessórios de luxo e fiquei tensa.— Seus irmãos compram tudo para você, ou seu namorado, Enrique? Ela perguntou d
Eu não choraria por causa dele, não ali na universidade. Era verdade que eu tinha dificuldades com matemática e com qualquer coisa relacionada ao aprendizado em geral, mas eu não merecia isso.— Você não merece as besteiras dele. Sussurrei. — Você não merece.Engoli as lágrimas e saí da universidade, já que aquela era a única aula que eu tinha naquele dia.Quando cheguei ao estacionamento, vi dois SUVs, o de Dmitry e o de Vix.Fiquei tensa ao vê-lo, Dmitry, encostado no grande veículo preto, checando algo no celular com uma expressão gélida.Meu coração não disparou como de costume. Não disparou. Forcei-me a manter a calma e a esquecer tudo o que ele havia jogado na minha cara três dias atrás.Meu amor. Minha devoção e minha bondade.Era verdade que Dmitry não era obrigado a me amar do jeito que eu o amava, mas eu definitivamente não merecia aquela… humilhação.Meu coração não merecia ser degradado e humilhado daquela forma. Não quando tudo o que eu queria era comemorar o aniversário
Nem Vix nem Carl disseram nada quando finalmente retornamos para a mansão. Fiquei tão entorpecida que até Vix evitou contar alguma coisa sobre as minhas mentiras e ir até Dmitry.Deixei o bolo na cozinha e fui para o meu quarto, onde troquei as minhas roupas idiotas e coloquei um pijama no meio da tarde. O nó permaneceu na minha garganta e eu estava fazendo o meu melhor para não chorar.Eu não queria chorar.No entanto, descobri que era impossível quando voltei para a cozinha e vi Vix e Carl sentados no balcão, comendo o meu bolo.— O melhor que já comi. Disse Vix. — Eu vou te perdoar hoje só porque este é o melhor bolo de cacau do mundo.Eu não disse nada, mas os meus lábios tremeram.— Fiz aniversário tem dois meses, mas ainda podemos comemorar. Carl me disse, enchendo a boca de bolo. — Aquele desgraçado está perdendo, isso é tão bom que quero outro.Aproximei-me deles e sentei-me, enquanto os meus ombros começaram a tremer e, sem mais delongas, depois de suportar tanto, comecei a c
Este não tinha guarda nem nada parecido. Dmitry não pareceu se importar, pois ninguém que o conhecia ousaria mexer com ele.— Você acha que a recepcionista vai deixar você subir sem chamá-lo? Carl me perguntou, parecendo nervoso quando Vix ligou novamente para perguntar onde estávamos.— Sou Alexandra Novikova, eles obviamente vão me deixar entrar.Peguei as sacolas que havia trazido comigo e caminhei em direção à entrada do imponente e lindo prédio, abri a porta e me vi diante de uma recepcionista de cabelos grisalhos e cara azeda.— Senhorita, como podemos ajudá-la?Eu sorri encantadoramente para ela.— Meu nome é Alexandra Novikova. Eu disse. — Amiga do Dmitry Belico’v Vackarel.Os seus olhos se arregalaram quando ela ouviu meu sobrenome.— Hoje é aniversário dele e eu gostaria de subir e deixar um presente para ele. Você acha que pode me ajudar?Ela ficou nervosa.— Senhorita, eu... Eu não posso fazer isso sem permissão e...— Por favor.— É proibido.— Posso ligar para o meu irmã
Alexandra.Os quatro dias depois que Mikhel e os seus homens nos encontraram, Dmitry e eu, ficamos relativamente normais.Elizabeth e Mikhel estavam mais intensos comigo do que nunca. Eles sempre estavam cuidando de mim o tempo todo, e mesmo quando eu prometi que nunca mais seria tão irresponsável, eles não desistiram e não foram embora.— Então, tudo está normal entre você e Dmitry? Elizabeth me perguntou numa dessas tardes em que andávamos pela vila e olhávamos os balcões cheios de enfeites.As minhas bochechas imediatamente coraram quando me lembrei do que aconteceu com Dmitry. Até eu tive dificuldade em processar tudo o que aconteceu.O jeito que ele falou comigo, o jeito que ele me beijou, o jeito que ele me tocou... Eu nunca iria esquecer isso, não era possível, não quando ele estava tatuado na minha mente e no meu corpo. Não quando eu estava desejando tocá-lo novamente e que ele me tocasse.— Xandra? Insistiu Elizabeth.— Está tudo bem, você sabe como o Dmitry é mal-humorado. E
O lobo me atacou novamente, dessa vez me mordendo na palma da mão, antes que pudesse exercer mais pressão e possivelmente danificar algum tendão, chutei forte a sua barriga e, aproveitando o seu momento de desorientação depois de também ter acertado as suas orelhas, corri, agarrei a sua cabeça grande e a torci com tanta força que o som de suas vértebras quebrando ecoou por toda parte.O animal caiu morto em cima de mim, com os dentes ainda cravados na minha pele, e com um chute forte, eu o arranquei do meu corpo, com o meu bíceps pulsando com o ferimento.— Oh, meu Deus Dmitry. Alexandra sussurrou, enquanto se aproximava de mim e tentava me ajudar. — V...você está machucado e…— Está tudo bem. Eu disse, observando o meu braço escorrer sangue na neve. — Vamos voltar para dentro, a matilha deles deve estar por perto.Fiz com que ela fosse na minha frente e, pegando a lanterna, entramos na cabana e fechei a porta com força, enquanto o meu braço começava a ficar dormente.— V...você está







