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Capítulo 4

last update Petsa ng paglalathala: 2025-04-10 21:51:54

— Você sempre morde o lábio superior quando está mentindo. Ele disse simplesmente. — Eu conheço você, então vou perguntar novamente: quem fez isso com você?

Suspirei e me afastei dele para escapar do seu toque e não me permitir pensar coisas.

— Minha amiga Chelsy fez isso. Admiti.

— As duas vezes anteriores também?

Eu assenti.

— Porque? Ele perguntou.

— Foi um acidente.

— Um acidente três vezes seguidas?

Assenti novamente.

— Isso não foi um acidente, Alexandra. Você sabe disso.

Não, eu não queria saber. Na verdade, eu estava sendo muito legal com elas e não queria pensar que elas estavam sendo maus comigo só por ser... Só por ser eu.

— Foi um acidente. Repeti. — Mas não se preocupe, eu quero ir para casa, você pode me levar?

Pelo olhar que ele me lançou, eu sabia que ele não tinha terminado comigo, mas ele deixou para lá.

— Você está perdendo uma aula.

— Como você sabe tanto sobre minhas coisas da faculdade? Perguntei, e como ele não respondeu, acrescentei: e não importa, eu não sei nada sobre o exame mesmo.

Antes que ele pudesse dizer qualquer outra coisa, comecei a caminhar para fora. Pensei que Dmitry fosse me levar até a caminhonete do Vik, mas ele acabou me levando até seu carro preto e elegante.

Entrei silenciosamente, sentindo-me desanimada e estúpida.

— Você não estudou para sua prova? Ele perguntou de repente, e foi a primeira vez que o ouvi tão falante.

— Sim, mas não entendi nada. Evitei olhar para ele. — Talvez eu devesse fazer outra coisa, talvez estudar não seja minha praia.

Dmitry ligou o motor do carro, mas desligou-o de repente.

— Você vai desistir tão rápido?

Eu não respondi.

— Achei que você tivesse implorado ao Mikhel sobre isso porque era algo que você queria.

Eu deveria ter insistido com Mikhel sobre o casamento. Eu já havia pedido a ele que me casasse com um de seus sócios e assim fechar um acordo. Essa coisa de estudar era bobagem e talvez a minha mãe sempre estivesse certa.

Eu nasci para ser esposa.

— Quero ir para casa, Dmitry. Repeti. — Por favor.

Ele não obedeceu à minha ordem, porque claramente com ele tudo era feito do seu jeito.

— Deixe-me ver suas anotações para o exame.

— Que?

— As suas notas.

Fiquei observando-o em silêncio por alguns segundos e tive que controlar meu desejo de estender a mão e tocar o seu cabelo castanho escuro. Eu não o via há algum tempo e agora, do nada, ele estava lá conversando comigo e pedindo as minhas anotações.

— Alexandra.

— Calma. Eu vou mostrar. Tirei o meu iPad da bolsa e, abrindo meu aplicativo de notas, mostrei as minhas anotações a ele.

— Você escreve em um iPad? Ele perguntou, pegando o dispositivo como se fosse algo nojento.

— Sim.

— E os cadernos e as canetas? Ele olhou para mim e eu torci o nariz.

— É chato, no meu iPad eu posso recortar adesivos e decorar as páginas. Gosto das páginas cor-de-rosa.

Ele olhou para mim em silêncio e então suspirou, antes de voltar sua atenção para o que eu havia escrito.

— Não é tão difícil, Alexandra. Disse ele.

— Você diz isso porque é bom em tudo.

— Não, digo isso porque isso aqui não é difícil de memorizar.

— Para mim, sim.

Ele negou.

— Vamos, vou te ajudar a memorizar.

Sentei-me ereta e olhei para ele.

— Você vai me ajudar a estudar?

— Eu disse isso, não disse? A sua voz era sempre assim, fria, distante. No entanto, eu adorava ouvi-lo falar.

— Por que você faria isso? Você me odeia e…

— Não estamos mais falando sobre isso? Ele perguntou. — Quando eu disse que te odeio? E o que isso tem a ver com estudar?

Meses atrás, Dmitry me disse que eu não podia dizer com certeza que ele me odiava, já que aquelas palavras nunca tinham saído de sua boca e, portanto, não eram verdadeiras.

— Tudo bem, tanto faz, eu desisto. Vamos lá.

— Existem várias maneiras de estudar, não acho que a melhor seja memorizar tudo, mas você pode associar as definições a cores ou algo que lhe venha à mente, como frutas ou objetos.

Eu assenti.

— Vamos fazer com cores, é mais fácil.

Eu escutava a voz dele e concordava com tudo o que ele dizia. Dmitry me deu uma cor para cada definição escrita no meu iPad e, depois de lê-las para mim várias vezes, ele começou a me fazer perguntas.

— Vermelho. Ele disse, meia hora depois. — Dê-me uma definição do que é um projeto e como ele pode ser vinculado a questões ambientais.

Franzi a testa e minha mente ficou em branco por um segundo, no momento em que me lembrei de suas palavras ligadas à cor vermelha e comecei a recitar tudo com minhas próprias palavras.

Ele assentiu quando terminei.

— Azul. Ele olhou para mim. — Quando começou a história do design?

Eu respondi isso também e Dmitry não parou com as suas perguntas, na verdade, ele as repetiu várias vezes, até que eu disse a ele sem hesitar e quando ele terminou, ele fechou o case do meu iPad e me entregou.

— Eu te disse!

Fiquei animada e sorri. — Consegui memorizá-las!

— Muito bem. Ele disse neutramente. — Você conseguiu, agora vá fazer a sua prova.

Fiquei tão animada que por um segundo pensei em abraçá-lo ou algo inapropriado assim, mas me contive porque sabia que seria estranho e ele não gostaria.

— Obrigada, Dmitry. Eu disse suavemente.

— Vai.

Assenti e saí do carro, porém, parei quando ele me chamou novamente.

— Alexandra.

Virei-me e olhei diretamente em seus olhos outonais.

— Sim?

— Você não vai deixar ninguém jogar café quente em você de novo. Ele ordenou. — Se isso acontecer, você vai se defender ou eu terei que resolver a situação sozinho. Você entendeu?

— Mas elas são minhas amigas…

— Ninguém pode te machucar. Ele declarou. — Nem mesmo aqueles que são chamados de seus amigos. Você entende?

Eu assenti.

— Diga que você entende.

— Eu entendo que ninguém pode me machucar. Sussurrei, mas o que eu realmente queria dizer, ou melhor, perguntar, era...

Você também está incluído nisso, Dmitry Belico'v?

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