Mag-log in9 anos atrás, Serafina fugiu do mundo da máfia onde vivia, disposta a levar uma vida normal. Mas, após a morte repentina de sua irmã, ela é forçada a regressar, e ocupar o lugar dela em um casamento arranjado com o herdeiro da máfia mais poderosa da Itália. Damian Falconi já foi conhecido como um homem frio, poderoso e implacável. O herdeiro do império Falconi, ele comandava o submundo com punhos de ferro, fazendo todos se curvarem aos seus pés… até o acidente que destruiu sua vida. Agora, preso a uma cadeira de rodas e consumido pela culpa, dor e amargura, Damian se fecha para o mundo, não querendo piedade… e muito menos uma nova noiva. Ele a despreza porque ela o faz lembrar tudo o que perdeu. E ela o odeia porque ele representa todo contra o qual ela sempre lutou. Mas, presos em um casamento forçado, os dois descobrirão que algumas guerras acontecem dentro do coração. E são as mais difíceis de vencer.
view more—Você precisa se casar com ele no lugar da sua irmã. É a única forma de salvar a nossa família! — a mulher praticamente implorava para a filha.
Serafina olhou para a mãe, incrédula. —Do que a senhora está falando? Casar com o noivo da Josefina? Nós mal acabamos de enterrá-la! Como pode pensar em algo assim? A senhora enlouqueceu?! —Já chega! — o homem gritou, silenciando as duas. Ele se levantou da cadeira e se virou para a filha com o olhar severo de um patriarca. —Você irá assumir o lugar da sua irmã. Esse é o seu dever como filha desta família! Serafina deu um passo para trás, incapaz de assimilar toda aquela loucura. —Vocês perderam a cabeça? A Josefina era minha irmã! O corpo dela nem esfriou no caixão, e vocês estão me dizendo que devo me casar com o noivo dela? O homem que ela amava? Que tipo de pessoas fazem uma coisa dessas? — Serafina sentiu os olhos arderem, e as lágrimas ameaçaram cair. —Isso envolve muito mais do que amor e essas idiotices sentimentais! — Frederico retrucou. Ele suspirou pesadamente, passando a mão pelo rosto numa tentativa inútil de se controlar. —O noivado da Josefina com o Damian não era apenas romance. Eles foram prometidos desde crianças para selar uma aliança entre as famílias... e pagar uma dívida de sangue que os Moretti têm com os Falconi. E agora... você deve assumir o lugar dela e pagar essa dívida! Serafina cerrou os punhos, sentindo o estômago embrulhar. —Eu disse isso quando saí desta casa há nove anos, e vou repetir agora: eu não tenho nada a ver com os negócios sujos de vocês! Ela respirou fundo, tentando conter a revolta. —Eu voltei apenas para enterrar a minha irmã. Não voltei para fazer parte desse vosso mundo de armas, mortes, pactos e sangue! Frederico bateu a mão contra a mesa, fazendo um estrondo ecoar pelo escritório. —Garota insolente! Nós demos a vida a você! Criamos você, alimentamos você, pagamos seus estudos com esse dinheiro que chama de sujo! O mínimo que deveria fazer é cumprir seu dever para com a família! Amélia aproximou-se da filha com os olhos cheios de lágrimas e segurou sua mão. —Querida... você é nossa única filha agora. Se não se casar no lugar da sua irmã, os Falconi vão destruir toda a nossa família. Por favor... eu imploro. Serafina olhou para a mãe e sentiu um aperto doloroso no peito. A mãe sempre a amou. Mesmo depois de ela praticamente ter sido expulsa daquela casa e cortado laços com a família, sua mãe continuava ligando toda semana para saber se ela estava bem. Mas, ainda assim... Serafina tinha fugido justamente para não pertencer àquele mundo. E agora queriam que ela se casasse justamente com Damian Falconi?! Aquele homem cruel, frio, impiedoso. Um monstro que matava sem piscar. Tudo isso apenas para pagar uma dívida que não tinha nada a ver com ela? Não. Jamais se casaria com aquele homem. Ela soltou lentamente a mão da mãe e a encarou com tristeza. —Me desculpe, mãe... mas eu não posso fazer isso. Ela se voltou para o pai, vendo os olhos dele vermelhos de raiva e desespero. —Você não pode fazer isso! — ele explodiu. — Se não se casar, vai matar todos nós! É isso que você quer?! Serafina sentiu o peito apertar. Sabia que o desespero deles era real, que toda aquela história de dívida e vingança era real. Mas, mesmo conhecendo pouco daquele mundo, também sabia que os Moretti não eram tão inferiores aos Falconi. Eles poderiam resolver aquela situação sem arrastá-la para aquilo. Ela lançou um último olhar para a mãe, quase como um pedido silencioso de desculpas, e se virou, saindo do escritório. —Serafina! — Frederico gritou atrás dela. Mas ela não parou. Apenas acelerou os passos, segurando as lágrimas. Serafina entrou no quarto, pegou a mala já pronta e saiu da mansão, caminhando apressada pela estrada de pedras em direção ao portão principal. —Serafina! — a voz do pai ecoou novamente atrás dela. Mas ela ignorou. —Querida, por favor! — a mãe implorou. Mesmo assim, Serafina continuou andando sem olhar para trás. Só queria ir embora dali. Voltar para sua vida normal. Ela estava prestes a alcançar o portão, quando viu o mesmo se abrir lentamente, e vários carros pretos entraram por ele, estacionando na frente dela. Homens armados, vestidos com ternos escuros, desceram dos veículos. Um deles abriu a porta do carro da frente. De dentro saiu um homem de meia-idade, de cabelos grisalhos, mas ainda carregando uma presença esmagadora de autoridade. Os olhos azul-acinzentados recaíram sobre os três. Impassíveis e frios. Instantaneamente, Frederico e Amélia baixaram o olhar. —Don Falconi... — Frederico cumprimentou, hesitante, sabendo que aquela não era uma visita cortês. — Seja bem-vindo. O homem não respondeu. Seu olhar se fixou diretamente na jovem à frente. —É ela? Frederico aproximou-se rapidamente da filha, tentando manter um sorriso nervoso no rosto. —Sim... esta é Serafina, minha filha mais nova. O olhar avaliativo do velho percorreu a jovem da cabeça aos pés. —Certo. Nós a levaremos agora. O casamento acontecerá em dois dias. —O quê?! — Serafina apertou a alça da mala, incrédula. — Do que o senhor está falando? Eu não vou a lugar nenhum com vocês! Frederico empalideceu imediatamente. —Serafina... — ele murmurou em desespero. Mas ela não se calou. —Vocês não podem me forçar a casar com ninguém! Isso é ilegal! E se tentarem me levar à força, eu denuncio todos vocês! No instante em que aquelas palavras saíram de sua boca, vários cliques metálicos ecoaram ao redor. Em um piscar de olhos, dezenas de armas estavam apontadas para eles. Amélia segurou a filha imediatamente em um gesto de proteção, enquanto Frederico permanecia imóvel, vendo seus próprios homens recuarem, cercados e encurralados. O homem de cabelos grisalhos caminhou lentamente até Serafina, parando bem diante dela. Mesmo tremendo por dentro, ela sustentou o olhar dele sem recuar. —Você irá conosco. Se casará com o meu neto, dará um herdeiro à família Falconi e, então, a dívida estará paga. Ele inclinou-se levemente, e sua voz caiu para um tom frio e perigosamente baixo. —Ou então... toda a sua família pagará pelo que nos deve. Vida por vida.Dorian estava parado diante da grande janela de seu quarto na mansão dos Castellano, com o braço imobilizado em uma tipoia. Desde que recebera alta do hospital, havia sido praticamente obrigado a permanecer naquela propriedade por insistência de Domenico, que estabeleceu aquela condição como a única maneira de permitir que ele saísse do hospital mais cedo. Segundo o homem, Dorian precisava de cuidados constantes e não poderia se recuperar adequadamente se voltasse a viver sozinho.Embora não tivesse gostado da imposição, Dorian acabou cedendo, principalmente porque ainda sentia dores e não estava com vontade de iniciar uma briga. No entanto, isso não significava que estivesse disposto a se acomodar naquela casa.Durante aqueles dias, quase não saía do quarto. Fazia suas refeições ali, evitando qualquer contato desnecessário com os membros daquela família e, sobretudo, qualquer envolvimento que pudesse tornar sua situação ainda mais complicada. Nas poucas ocasiões em que decidia sair
Pela manhã, Serafina abriu os olhos lentamente e, mais uma vez, foi recebida por aquele aroma familiar que a aconchegava todas as manhãs.O cheiro de Damian.Era o mesmo aroma que se tornara seu favorito durante a gravidez, aquele que a acalmava, aliviava seus enjoos e amenizava o mal-estar que sentia. Naquela época, bastava tê-lo por perto para que se sentisse melhor, como se a presença dele fosse tudo de que precisava. Ela, e o bebê....Serafina virou o rosto para o outro lado da cama e encontrou o espaço vazio.Novamente.Ela permaneceu olhando para o lugar onde Damian deveria estar, tentando convencer a si mesma de que aquela distância era o melhor que podia acontecer.Já não havia motivos para os dois manterem a proximidade de antes. Tudo havia mudado, e ela não podia continuar permitindo que a presença dele despertasse sentimentos que só tornavam sua situação mais difícil.Serafina se sentou na cama, decidida a sair daquele quarto.Já estava ali havia dias, e suas tentativas de
Damian viu a empregada que fora deixar o jantar no quarto de Serafina, voltar com a bandeja do almoço ainda intacta.Ele encarou a comida por alguns instantes e suspirou.Nem café da manhã, nem almoço, e provavelmente nem o jantar.Ela não havia comido absolutamente nada desde que chegara. Estava tentando morrer de fome ou fazendo uma greve?Sem perder mais tempo, Damian seguiu para o elevador.Assim que chegou ao andar dos quartos, moveu a cadeira de rodas pelo corredor até parar diante da porta de Serafina. Bateu uma vez.Nenhuma resposta.Voltou a bater, dessa vez com um pouco mais de força.— Vou entrar — anunciou, aguardando alguns segundos antes de girar a maçaneta e abrir a porta.Ele já esperava aquele comportamento. Por isso, havia mandado desativar a trava da porta, garantindo que pudesse entrar caso ela se recusasse a abrir.Damian adentrou o quarto e encontrou Serafina sentada na cama, abraçada aos joelhos, com o olhar perdido na paisagem do lado de fora da janela.Ele mo
A expressão de Damian se fechou lentamente.— Mal se recuperou e já está preocupada com ele?— Me responda! Ele... Ele está vivo?Damian continuou a encará-la, sentindo um nó se formar em sua garganta.Ela havia fugido, o abandonado, e a primeira coisa que fazia ao acordar era demonstrar preocupação por aquele homem bem na sua frente?— Damian! — insistiu Serafina, e seu medo aumentava a cada segundo do silêncio dele. — Por favor, me diga que você não o matou.Damian jogou o guardanapo sobre a mesa.— E se eu tiver o matado?Serafina sentiu o peito apertar e o chão desaparecer sob seus pés.— Você vai chorar por ele na minha frente?Uma lágrima escorreu pelo rosto dela.— Não... Isso... Isso não pode ser.— É isso que acontece quando alguém se mete com a mulher de outro homem neste mundo. Eu o avisei mais de uma vez, mas ele ignorou todos os meus avisos. Ele é o único culpado pelo que aconteceu.— Não, não! — Serafina apoiou as mãos na mesa, sentindo as pernas falharem.Damian se move






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