FAZER LOGINDominicA presença de Maya ao meu lado enquanto caminhávamos pelos limites do salão principal era o espetáculo de uma verdadeira rainha no comando do seu território. A cada olhar que ela lançava sobre a nobreza, a aristocracia baixava a cabeça. Aquela não era mais a jovem que os traidores de Valência tentaram subjugar ou esconder nos aposentos da mansão; era a soberana de dois mundos, a fêmea de um Alfa Supremo que não conhecia a palavra clemência.Enquanto nos deslocávamos estrategicamente para o corredor das galerias laterais, mantendo as aparências diante dos convidados, o avô de Maya Maximos aproximou-se pelas sombras de uma das grandes arcadas de pedra. O velho Patriarca do Norte vestia uma túnica militar escura e trazia o elmo preso ao cinto. Os seus olhos cinzentos estavam fixos em mim e em Maya com uma determinação implacável.— Tudo está pronto nos bastidores, Dominic — relatou Maximos em tom baixo, a sua voz parecendo o rosnado contido de uma fera veterana. — Damon posiciono
O Veneno nas Taças de OuroMayaO eco dos violinos e das flautas continuava a preencher as abóbadas do Grande Salão, mas a música já não conseguia disfarçar o peso da atmosfera. Para os olhos desatentos de uma jovem dama da corte ou de um diplomata de terras distantes, aquele evento parecia o apogeu da diplomacia: vestidos de seda bordados, joias que refletiam a luz das centenas de velas e brindes ruidosos celebrando a aliança entre o Sul e o Norte.Contudo, para quem conhecia o cheiro do medo, o ambiente estava impregnado de uma podridão velada.Acompanhada por Dominic, desci o último lance de degraus de mármore. A cada passo, a multidão se dividia com uma precisão quase militar. A postura do Alfa Supremo ao meu lado — ereta, impecável, exalando a aura esmagadora de uma fera que apenas aguardava o momento exato para dar o bote — mantinha a aristocracia em um estado de alerta constante. Os nobres mais velhos de Valência curvavam-se com uma reverência exagerada, tentando desesperadamen
MayaO vapor quente da água aromatizada com óleos de lavanda e flor de laranjeira preenchia o imenso banheiro de mármore dos meus aposentos, criando uma névoa espessa que embaçava os espelhos e suavizava o ar gélido da noite.Duas servas do Norte terminavam de trançar fios de prata fina nos meus cabelos negros, recolhendo metade das mechas em um coque elaborado e deixando o restante cair em ondas volumosas sobre as minhas costas. Pousei a mão sobre a água morna, observando o contorno pronunciado da minha barriga. A gestação avançava rapidamente, e a sensação do meu filho movendo-se com força sob a minha pele trazia uma serenidade estranha — uma âncora de vida no meio da tempestade política que havíamos arquitetado para aquela noite.A porta dupla de carvalho do quarto abriu-se e fechou-se com um baque surdo. O som dos passos firmes e desacelerados de Dominic no tapete pesado avisou-me de que o Supremo adentrara o cômodo. Dispensando as servas com um leve aceno de cabeça no espelho, fi
MayaA neblina densa da manhã descia sobre o vale de Valência como um manto acinzentado e frio, camuflando os picos pontiagudos das serras ao longe. No interior do palácio, a atmosfera não estava menos carregada. A notícia contida da interceptação na fronteira não havia vazado para os criados ou para a população, mas entre os nobres e diplomatas que ainda orbitavam o salão nobre, a tensão era palpável. Cada olhar trocado nos corredores trazia o peso do pânico velado.De pé diante da grande mesa de mapas na sala da regência, alisei o veludo pesado da minha saia. A gestação começava a exigir ajustes sutis nas minhas túnicas, e o peso extra na minha cintura era um lembrete físico constante de que o tempo corria não apenas para a diplomacia, mas para a história da nossa família.Dominic estava ao meu lado, a braçadeira de couro do ombro agora mantida mais por prudência do que por necessidade. Ele observava as marcações em miniatura que representavam as guarnições de guarda posicionadas en
DominicO silêncio do aposento era cortado apenas pela respiração ritmada de Maya, que dormia resguardada no meu abraço. Eu permaneci acordado por um longo tempo, observando o brilho suave das brasas refletido nos traços nobres do seu rosto. A mão que mantive sobre o seu ventre sentia cada movimento sutil do nosso filho — uma vida gerada no meio do caos, mas destinada a governar sobre os destroços de um passado que insistia em nos perseguir.Quando os primeiros sinais do amanhecer pintaram o horizonte em tons de cinza e chumbo, a calma da noite foi brutalmente interrompida.Três batidas secas e pesadas ecoaram na porta do quarto. A urgência do toque não era a de um servo trazendo provisões ou do médico conferindo o meu ombro; era o ritmo frenético de um mensageiro da linha de frente.Soltei-me de Maya com extrema delicadeza, cobrindo o seu corpo com a manta de pele para protegê-la do ar gélido. Vesti a minha túnica preta de nobre, ajustando a braçadeira no ombro esquerdo. A dor da pra
Maya O peso da conspiração e os desdobramentos da traição no Norte pairavam sobre o palácio como uma promessa de tempestade. No entanto, quando as portas pesadas do meu quarto privativo se fecharam, o mundo lá fora — com seus exércitos, conselhos e mapas sangrentos — foi sumariamente barrado. A penumbra do aposento era acolhedora, aquecida pelas chamas vivas da lareira de pedra que crepitavam suavemente, projetando sombras alaranjadas pelas paredes de carvalho. O aroma de madeira de sândalo e o calor do fogo misturavam-se ao perfume marcante de Dominic, criando um refúgio denso e impenetrável. Caminhei até o banheiro com passos lentos, desfazendo as amarras pesadas da minha túnica de veludo escuro. Retirei a tiara de prata, o selo real e as joias que pesavam sobre a minha pele durante o dia de regência, pousando cada peça sobre a madeira entalhada. Olhei pelo reflexo do espelho e vi Dominic aproximar-se por trás. Ele retirara a pesada túnica de nobre, vestindo apenas uma calça d







