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Capítulo 44

Author: Carla
last update publish date: 2026-09-26 23:54:08

EMMA

O telefone tocou às três e vinte e sete da manhã.

Atendi antes do primeiro toque terminar.

— Sarah?

Durante alguns segundos, ouvi apenas o som de um motor e uma respiração infantil demasiado perto do aparelho.

— Mamã? — chamou Noah.

Fechei os olhos.

A voz dele atravessou todas as horas em que imaginara os dois feridos, perdidos ou dentro de um automóvel com homens de Daniel.

— Estou aqui.

— A casa ardeu.

— Eu sei. Estás magoado?

— Não. O Liam bateu com o joelho e o Mikael rasgou
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    EMMA Noah atingiu-me com tanta força que quase caímos os dois. Agarrei-o antes que perdesse o equilíbrio e ajoelhei-me no chão de pedra, sem me importar com as pessoas que permaneciam à nossa volta. — Mamã. Enterrou o rosto no meu pescoço. Passei as mãos pelo cabelo, pelas costas e pelos braços dele, à procura de sangue, feridas ou qualquer sinal de que não estava realmente bem. Noah protestou quando lhe toquei no joelho. — Foi só no carro. — Deixa-me ver. — O Liam é que bateu com o joelho. — Tu bateste com a cabeça no banco — corrigiu o irmão. Liam parou alguns passos atrás. Tinha o casaco fechado até ao pescoço e uma pequena marca vermelha junto à sobrancelha. Não correu. Observava-me como se precisasse de confirmar que eu era realmente a mãe que ouvira ao telefone e não outra armadilha preparada por adultos. Estendi-lhe um braço. — Vem cá. Ele avançou devagar. Quando ficou ao meu alcance, puxei-o para junto de nós. Liam resistiu apenas durante um segun

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    EMMA O telefone tocou às três e vinte e sete da manhã. Atendi antes do primeiro toque terminar. — Sarah? Durante alguns segundos, ouvi apenas o som de um motor e uma respiração infantil demasiado perto do aparelho. — Mamã? — chamou Noah. Fechei os olhos. A voz dele atravessou todas as horas em que imaginara os dois feridos, perdidos ou dentro de um automóvel com homens de Daniel. — Estou aqui. — A casa ardeu. — Eu sei. Estás magoado? — Não. O Liam bateu com o joelho e o Mikael rasgou o casaco. — Eu estou bem — ouvi Liam dizer ao fundo. — Ele é que não parou de se levantar quando estavam a disparar. — Precisava de ver. — Não precisavas. Uma gargalhada nervosa escapou-me antes que conseguisse evitá-la. Era a mesma discussão que tinham todos os dias, dita como se não tivessem acabado de fugir de homens armados. — Põe-me em alta-voz — pedi. Sarah pegou no telefone. — Estamos os quatro bem — garantiu. — Mudámos de veículo duas vezes. Adrian está connosco e Mikael segue no

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    DANIELA casa começou a arder antes de entrarmos na estrada florestal.As chamas ainda não tinham alcançado o telhado, mas o fumo cobria as árvores e transformava a neve em manchas cinzentas.Adrian esperava junto ao primeiro bloqueio com quatro homens. Um veículo Moretti atravessara-se na estrada e dois corpos permaneciam atrás dele.— A equipa norte abriu o acesso ao túnel — disse quando saí do automóvel. — Mikael retirou Sarah e os rapazes da divisão segura. Há seis homens entre eles e o depósito.— Marco?— Continua no bloqueio a leste. Pelo menos, o telefone dele continua.— Não é a mesma coisa.Entreguei-lhe o colete que retirara do banco.— Vai pelo caminho superior. Eu entro pelo depósito.— O teu ferimento abriu.— Continua a não ser relevante.Adrian olhou para a mancha de sangue sob a camisa, mas não perdeu tempo a insistir.Avançámos por rotas separadas.O depósito de manutenção era uma construção baixa, cercada por máquinas antigas e contentores de sal. O primeiro homem M

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    EMMAOs automóveis desapareceram atrás dos portões e eu fiquei sozinha com um guarda que não sabia olhar para mim sem vigiar as minhas mãos.A corrente continuava sobre a mesa.Daniel ordenara que não me prendessem até regressar, mas não dissera que podia sair. A porta estava fechada, o corredor tinha dois homens e todas as janelas daquela parte da casa eram inexistentes.Uma prisão sem metal continuava a ser uma prisão.Tentei ligar novamente para Sarah. O telefone não encontrou o sinal.— Preciso de falar com Adrian — disse ao guarda.— Está numa operação.— Os meus filhos estão nessa operação e estão em perigo.— Tenho ordens para permanecer aqui.— E eu tenho seis anos de prática a não obedecer a homens armados.Levantei-me.Ele colocou a mão perto da arma.— Não faça isso.— Vais disparar se eu atravessar a porta?— Não quero magoá-la.— Nenhum dos homens desta casa quer. Mesmo assim, continuo coberta de marcas.A hesitação dele foi suficiente.Alcancei a porta, mas outro guarda

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    DANIELO rastreio não nos deu uma morada.Mas deu-nos uma área com quase quarenta quilómetros de estradas estreitas, casas de férias e caminhos cobertos pela neve nas montanhas de San Bernardino.Era suficiente.Adrian apareceu no ecrã do automóvel enquanto saíamos da propriedade. Tinha regressado da Islândia poucas horas antes e ainda usava a mesma camisa da viagem, mas já controlava três equipas a partir de uma sala segura no centro de Los Angeles.— Duas câmaras rodoviárias registaram os veículos que Liam descreveu — informou. — Matrículas falsas. Um deles passou por Running Springs há vinte e três minutos. O outro desligou-se da estrada principal antes de Big Bear.— Moretti?— Os modelos e a formação correspondem. Não consigo confirmar os ocupantes.— Confirma o destino.O técnico sentado à minha frente ampliou o mapa. Vários pontos surgiram sobre as estradas da montanha: torres de comunicação, câmaras privadas, estações de serviço

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    EMMA O sinal fechou-se no momento em que começaram os disparos. Passei os vinte e sete minutos seguintes presa sala de comunicações, a exigir que o técnico voltasse a abrir uma ligação que já não existia. — Não tenho sinal — repetiu ele. — Então liga para os homens do perímetro. — Também perderam comunicação. — Adrian está a ouvir. Pede-lhe que faça alguma coisa. A imagem de Adrian desaparecera do monitor quando o ataque começara. Restava apenas um mapa com vários pontos vermelhos imóveis em torno do terminal. Um deles apagou-se. Depois outro. — O que significa isso? — perguntei. O técnico não respondeu. — O que significa? — Perdemos dois transmissores. — Perderam os aparelhos ou os homens? Ele manteve os olhos no ecrã. Não precisava de outra resposta. Quando Daniel regressou, trazia sangue na camisa e o envelope de Mikael dentro da mão. Entrou na sala sem esperar pelo médico. Dois homens tentaram acompanhá-lo, mas mandou-os para a enfermaria onde tratavam os feridos

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