Grávida do mafioso: um erro irresistível

Grávida do mafioso: um erro irresistível

last updateÚltima actualización : 2026-10-10
Por:  CarlaActualizado ahora
Idioma: Portuguese
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— Daniel… Ele ergueu o rosto. Os seus olhos estavam mais escuros, mas a expressão continuava controlada. — Olha para mim. Obedeci. A mão dele deslizou da minha nuca até à cintura, apertando-me contra o seu corpo. A dureza que senti através da roupa eliminou qualquer dúvida sobre o que desejava. Daniel observou-me durante mais um instante, como se procurasse uma hesitação que contradissesse as minhas palavras. Não a encontrou. Beijou-me novamente e conduziu-me para trás até as minhas costas encontrarem a parede. O contacto frio fez-me estremecer. Daniel colocou uma mão junto à minha cabeça e manteve a outra na minha cintura, prendendo-me entre o corpo dele e a parede sem usar verdadeira força. Ainda assim, senti-me completamente sob o seu controlo.

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Capítulo 1

Capítulo 1

EMMA

Sempre gostei de saber o que me esperava no dia seguinte.

A minha vida era tranquila, organizada e, acima de tudo, previsível. Trabalhava como assistente administrativa numa grande empresa de marketing, onde os meus dias eram preenchidos por números, relatórios, telefonemas e reuniões que pareciam durar muito mais do que o necessário. Não podia dizer que adorava o meu trabalho, mas também não o detestava. Dava-me estabilidade e, durante muito tempo, acreditei que isso era suficiente.

Ainda assim, havia dias em que a rotina se tornava difícil de suportar. Nesses momentos, sentia que me limitava a repetir os mesmos movimentos, como se a minha vida avançasse sem realmente sair do lugar.

Depois da morte dos meus pais, quando eu ainda era demasiado nova para imaginar que ficaria sem os dois, aprendera a procurar segurança nas coisas que conseguia controlar. Sarah foi a única pessoa que permanecera ao meu lado durante todos os anos que se seguiram. Já não era apenas a minha melhor amiga. Era a única família que me restava.

Talvez tenha sido por isso que aceitei acompanhar Sarah a uma festa de gala.

— Vai ser divertido! — garantiu ela pela terceira vez, enquanto eu tentava decidir se aquele vestido preto era elegante ou apenas demasiado simples. — Vai haver luxo, vinho e pessoas interessantes. Além disso, conheço algumas pessoas bastante influentes. Quem sabe não fazes um bom contacto profissional?

— Não acredito muito nessa história de criar contactos — respondi, observando-me ao espelho. — Normalmente, significa fingir interesse por pessoas que também estão a fingir interesse por nós.

Sarah soltou uma gargalhada.

— Não tens de analisar tudo, Emma. Podes simplesmente beber uma taça de vinho e divertir-te.

— Isso parece demasiado fácil.

— Porque é fácil. És tu que tornas tudo complicado.

Mostrei-lhe a língua através do espelho, fazendo-a rir novamente.

Apesar das minhas reservas, uma parte de mim estava entusiasmada. Não costumava frequentar festas luxuosas nem conviver com pessoas influentes. A minha ideia de uma noite animada consistia em jantar num restaurante diferente ou em ver um filme em casa, às vezes na da Sarah. Por isso, embora não quisesse admitir, a possibilidade de sair da minha zona de conforto despertava-me alguma curiosidade.

A gala realizava-se num hotel luxuoso no centro de Los Angeles. Assim que o carro parou diante da entrada, tive vontade de pedir ao motorista que desse meia-volta.

O edifício era imponente, com enormes portas de vidro, funcionários impecavelmente vestidos e carros caríssimos estacionados diante da entrada. Homens de fato escuro e mulheres com vestidos elegantes atravessavam o átrio como se estivessem habituados àquele ambiente.

Eu, pelo contrário, senti-me deslocada antes mesmo de entrar.

— Para de puxar o vestido — murmurou Sarah, afastando a minha mão do tecido. — Estás linda.

— Toda a gente vai perceber que não pertenço aqui.

— Ninguém está a olhar para ti.

— Isso não ajuda tanto como pensas.

Sarah entrelaçou o braço no meu e conduziu-me para o interior do hotel.

O salão estava cheio. A música misturava-se com o som das conversas e das gargalhadas discretas. Candeeiros enormes espalhavam uma luz dourada pelo espaço, fazendo os copos de cristal e as joias dos convidados brilharem. Empregados circulavam entre as pessoas com tabuleiros de champanhe, enquanto pequenos grupos se formavam por toda a sala.

Tudo parecia bonito, caro e cuidadosamente encenado.

Observei os convidados à minha volta. Muitos sorriam, mas os seus olhos permaneciam atentos, como se cada conversa fosse uma negociação. Tive a impressão de que estavam mais interessados em exibir a própria riqueza e descobrir o que poderiam obter uns dos outros do que em aproveitar verdadeiramente a festa.

Sarah reconheceu alguém pouco depois de entrarmos.

— Já volto — prometeu, antes de desaparecer entre os convidados.

— Sarah…

Foi inútil. Ela já estava longe demais para me ouvir.

Fiquei sozinha no meio de um salão cheio de desconhecidos. Peguei numa taça de champanhe apenas para ter alguma coisa nas mãos e procurei um lugar mais discreto onde pudesse esperar pela minha amiga sem parecer completamente perdida.

Foi então que o vi.

Estava do outro lado do salão, rodeado por alguns homens, mas destacava-se de todos eles. Era alto, tinha o cabelo escuro perfeitamente penteado e usava um fato preto que parecia ter sido feito à medida. Devia ter pouco mais de trinta anos. A sua postura transmitia uma confiança silenciosa, quase intimidante.

Não precisei de ouvir o que dizia para perceber que era ele quem dominava a conversa. Quando falava, os outros prestavam atenção. Quando se calava, ninguém parecia suficientemente à vontade para preencher o silêncio.

Mas não foi isso que me prendeu o olhar.

Foi a forma como ele me observava.

O homem tinha os olhos fixos em mim, como se soubesse exatamente quem eu era. Senti um arrepio percorrer-me a pele e desviei o rosto, fingindo interesse numa enorme composição de flores no centro do salão.

Talvez estivesse a olhar para alguém atrás de mim.

Esperei alguns segundos antes de voltar a espreitar na sua direção.

Continuava a observar-me.

O meu coração acelerou sem qualquer razão lógica. Eu não o conhecia. Nunca o tinha visto antes. Devia ter procurado Sarah ou afastado-me dali, mas alguma coisa naquele desconhecido despertava a minha curiosidade.

Havia algo sombrio na sua presença, uma espécie de perigo que eu não conseguia explicar. No entanto, em vez de me fazer fugir, essa sensação manteve-me imóvel.

Os nossos olhares encontraram-se novamente.

Desta vez, ele afastou-se do grupo e começou a caminhar na minha direção.

As pessoas pareciam abrir-lhe caminho sem que precisasse de pedir. Quanto mais se aproximava, mais difícil se tornava ignorar a intensidade do seu olhar. Tentei controlar a respiração e fingir que a presença dele não me afetava, mas os meus dedos apertaram a haste da taça com mais força.

Ele parou diante de mim.

— Parece deslocada — disse, com uma voz profunda e controlada. — Posso ajudá-la a sentir-se mais à vontade?

Fiquei surpreendida com a abordagem direta.

— Costumas começar todas as conversas dessa forma?

O canto dos seus lábios ergueu-se num sorriso discreto.

— Apenas quando estou a dizer a verdade.

Devia ter ficado ofendida. Em vez disso, quase sorri.

— Talvez esteja um pouco deslocada — admiti. — Não costumo frequentar lugares como este.

Ele soltou uma gargalhada baixa.

— Eu também não.

Olhei à minha volta e depois voltei a encará-lo.

— Não parece.

— Parecer e sentir são coisas diferentes.

Havia algo na forma como falava que me deixava inquieta. As palavras eram simples, mas ele pronunciava-as como se tivessem um significado escondido.

— Daniel West — apresentou-se.

— Emma Collins.

— Eu sei.

O meu corpo ficou tenso.

— Sabe?

— Ouvi a sua amiga chamá-la quando entraram.

A explicação fazia sentido, mas não afastou completamente o meu desconforto. Daniel parecia ser o tipo de homem que reparava em tudo, mesmo quando aparentava não estar atento.

Começámos a conversar, embora eu tivesse a sensação de que era ele quem conduzia cada parte do diálogo. Fazia perguntas sobre o meu trabalho e sobre a minha vida, escutando as respostas com uma atenção que me deixava demasiado consciente de cada palavra que dizia.

Quando lhe perguntei o que fazia, respondeu apenas que geria vários negócios.

— Que tipo de negócios? — insisti.

— De vários tipos.

— Essa foi uma resposta muito vaga.

— Foi a resposta que escolhi dar.

Arqueei uma sobrancelha.

— É sempre tão misterioso?

— Apenas quando é necessário.

Eu não sabia se aquilo devia divertir-me ou preocupar-me.

Ao longo da noite, várias pessoas aproximaram-se para o cumprimentar. Todas o tratavam com uma cortesia quase excessiva. Algumas baixavam ligeiramente a voz quando falavam com ele; outras pareciam escolher as palavras com cuidado. Daniel nunca era abertamente desagradável, mas havia uma frieza no seu olhar que mantinha os outros à distância.

Não era apenas respeitado.

Era temido.

Essa constatação devia ter sido suficiente para me afastar. Contudo, sempre que Daniel voltava a atenção para mim, esquecia-me das pessoas à nossa volta. Sentia-me observada de uma forma que nunca tinha experimentado, como se ele estivesse a tentar descobrir algo que nem eu própria compreendia.

Eu sabia que devia procurar Sarah e ir embora. Ainda assim, permaneci ali, presa entre a curiosidade e o instinto que me dizia para ter cuidado.

Quando a festa começou a chegar ao fim, Daniel acompanhou-me até ao carro. Lá fora, a chuva caía com mais intensidade. Antes que eu pudesse protestar, ele tirou o casaco e colocou-o sobre os meus ombros.

O tecido estava quente e conservava o perfume dele.

Caminhámos em silêncio até ao estacionamento. Eu estava demasiado consciente da proximidade do seu corpo e da mão que ele mantinha junto às minhas costas, sem chegar verdadeiramente a tocar-me.

Quando chegámos ao carro, Daniel parou diante da porta.

— Não queria que a noite terminasse assim — disse.

— Assim como?

Os seus olhos encontraram os meus. Durante alguns segundos, nenhum de nós falou.

— Sem descobrir o que há em si que me fascina tanto.

Senti o coração bater com força contra o peito.

Aquela frase devia ter-me parecido exagerada, mas a seriedade com que ele a pronunciou fez desaparecer qualquer vontade de rir. Daniel não parecia estar a tentar seduzir-me com palavras bonitas. Parecia genuinamente incomodado por não me compreender.

— Talvez não haja nada para descobrir — murmurei.

Ele aproximou-se um pouco mais.

— Duvido.

A distância entre nós tornou-se quase inexistente. Uma parte de mim queria entrar no carro e fechar a porta. Outra, muito mais imprudente, queria ficar.

Daniel inclinou-se devagar. Por um instante, pensei que fosse beijar-me nos lábios. Em vez disso, a boca dele tocou a minha face. O gesto foi breve, mas havia algo de possessivo na forma como se demorou junto à minha pele, como se estivesse a deixar uma marca invisível.

Fiquei imóvel.

— Cuide-se, Emma — murmurou perto do meu ouvido.

A sua voz era suave, mas o tom fez a frase soar como uma ordem.

Ou talvez como um aviso.

Daniel afastou-se e retirou o casaco dos meus ombros. Entrei no carro ainda atordoada e fechei a porta. Antes de o motorista arrancar, olhei para ele uma última vez.

Continuava parado à chuva, com os olhos presos em mim.

Durante todo o caminho para casa, tentei convencer-me de que aquele encontro não significava nada. Daniel West era apenas um desconhecido intrigante que eu provavelmente nunca voltaria a ver.

No fundo, porém, sabia que estava a mentir a mim própria.

Aquele homem não era tão simples quanto parecia. Havia algo perigoso escondido debaixo da sua calma, algo que eu ainda não conseguia identificar.

Devia ter sentido apenas medo.

Em vez disso, sentia-me mais viva do que em qualquer outro momento dos últimos anos.

Nas semanas que se seguiram à gala, tentei convencer-me de que Daniel West tinha sido apenas um acaso.

Um encontro estranho numa noite que não fazia parte da minha vida habitual. Um homem que surgira de um mundo completamente diferente do meu, despertara algo que eu não compreendia e desaparecera antes que eu tivesse tempo de perceber o que estava a acontecer.

Era assim que devia permanecer.

Pelo menos, era isso que repetia a mim própria sempre que o rosto dele me surgia na memória.

Não resultava.

Por mais que tentasse concentrar-me no trabalho, havia momentos em que me lembrava da forma como Daniel me observara do outro lado do salão. Outras vezes, voltava a sentir os lábios dele junto à minha face e ouvia aquela voz profunda a dizer-me que tivesse cuidado.

Cuide-se, Emma.

Era absurdo que duas palavras tão simples tivessem permanecido comigo durante tanto tempo. Contudo, não foi apenas o que ele dissera. Fora o tom. Aquele misto de aviso e ordem, como se Daniel soubesse de algum perigo que eu ainda não conseguia ver.

Talvez o perigo fosse ele.

Cheguei a procurar informações sobre Daniel na internet. Disse a mim própria que era apenas curiosidade, embora soubesse que não era totalmente verdade. Encontrei fotografias em eventos empresariais, referências a investimentos e notícias vagas sobre empresas ligadas ao nome West. Nada suficientemente concreto para explicar a cautela com que as pessoas o tinham tratado na gala.

Daniel parecia estar em todo o lado e, ao mesmo tempo, não existir verdadeiramente em nenhum.

Acabei por desistir.

Ele não me pediu o número de telefone. Não tentou entrar em contacto comigo. Provavelmente já se tinha esquecido de mim, enquanto eu continuava a analisar cada detalhe de uma conversa que, para ele, talvez não tivesse significado nada.

Esse pensamento devia ter-me aliviado.

Em vez disso, deixou-me inexplicavelmente irritada.

Na sexta-feira à tarde, Sarah apareceu em minha casa sem avisar. Entrou com a energia de quem já tinha feito planos para as duas e não pretendia aceitar uma recusa.

— Vamos sair esta noite — anunciou, pousando uma pequena mala sobre o meu sofá.

Eu estava enroscada numa manta, com uma chávena de chá entre as mãos e uma série preparada na televisão.

— Já saímos este mês.

— Fomos a uma gala há semanas. Isso não conta.

— Para mim, conta até ao final do ano.

Sarah olhou para a televisão, depois para o meu pijama e, por fim, para mim.

— Esta imagem é profundamente triste.

— Estou bastante confortável.

— Precisamente. Estás confortável há demasiado tempo.

Suspirei, já a adivinhar que não conseguiria livrar-me dela.

— Aonde queres ir?

O sorriso que se abriu no rosto de Sarah fez-me arrepender imediatamente da pergunta.

— Ao Black Velvet.

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