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4 - MEGAN - DIAS ATUAIS

Auteur: Jenna A Smith
last update Date de publication: 2021-11-19 06:38:19

Uma vez eu amei alguém, mais do que amo a mim mesma. Essa pessoa era tudo para mim. Melanie sempre foi a pessoa que faria tudo por mim e eu por ela. A dor que eu senti ao saber da sua morte ainda queimava em meu peito, tanto que as vezes era impossível respirar, como se eu estivesse vivendo a sua morte. Enquanto eu pensava nela, meu peito doía com a saudade.

Quando minha irmã gêmea, e melhor amiga morreu, era como se ela tivesse levado consigo uma parte de mim. Ela e eu sempre fomos ligadas e eu senti a dor dela quando ela morreu, mas naquele dia eu achei que era só o medo que ela sentiu na hora, ou que havia se machucado. Nunca se passou pela minha cabeça que ela tivesse sido consumida pelas chamas enquanto tentava me salvar. Eu sentia como se a culpa pela sua morte fosse toda minha. Eu não deveria tê-la deixado sair do quarto sem mim.

Cinco anos havia se passado desde a sua morte e a dos meus pais. Cinco anos havia se passado desde a minha morte.

A única coisa que eu queria era que a dor parasse. Que tudo o que eu sentia desde o dia em que eu acordei no hospital fosse embora. A tristeza, a solidão, o medo, as lágrimas que me vinham quase todas as noites antes de dormir desde aquele dia.

Ninguém nesse mundo seria capaz de tomar seu lugar na minha vida. Eu perdi a pessoa que eu mais amava na vida e agora me sentia incompleta, sentindo que faltava alguma coisa na minha vida para eu voltar a ser feliz. Como gêmeas idênticas, era como se dividíssemos o mesmo coração e agora faltava uma parte dele para que eu fosse completa novamente.

Eu me tornara uma pessoa fria por causa da dor. Eu não conseguia mais me obrigar a ter sentimentos, nenhum que não fosse a dor. Eu tinha um bom relacionamento com a minha tia pois morava com ela e não poderia fingir que ela não existia para sempre. Eu tinha uma amiga na escola, conversávamos todos os dias, ríamos e brincávamos, mas as vezes eu tinha que fingir que estava me divertindo, como se aquilo que eu tivesse fazendo não fizesse sentido algum e eu deveria estar fazendo alguma outra coisa, mas não sei o quê. Acho que eu deveria ter um propósito na vida, mas eu o perdi quando perdi parte da minha humanidade.

※※※※23 de outubro.※※※※

Acordei cedo e me arrumei para ir à escola. Prendi o cabelo em um rabo de cavalo, coloquei a primeira calça jeans que encontrei no armário, uma blusa azul, um All Star preto e branco e a corrente de prata com a chave do baú que, desde que eu viera morar com minha tia, estava ao pé da cama. Era um baú antigo que eu ganhara dos meus pais um ano antes do acidente que os matara. O baú tinha manchas negras nas bordas devido ao fato de que ele quase pegou fogo. A chave que estava no meu pescoço era uma lembrança da minha antiga vida, eu usava aquela chave para me lembrar de que por mais que tudo estivesse perdido sempre iria haver algo do meu passado, preso ao meu presente para me mostrar que eu ainda podia ter um futuro. Era o que aquela chave significava para mim. Isso e muito mais.

Me olhei no espelho. Não estava nada mau. Eu já estava pronta para ir para a escola naquela segunda-feira.

Tia Stella estava tomando café na bancada da cozinha quando desci as escadas. Ela olhou para mim e sorriu.

- Bom dia, Megan - disse ela. Seus cabelos castanhos estavam bagunçados e ela ainda estava usando pijama.

Dei um beijo no alto da sua cabeça e me sentei ao seu lado.

- Bom dia, tia.

- O que quer comer? Temos pães frescos, bolo de cenoura com cobertura de chocolate, suco, café e mamão.

- Só uma fatia de bolo, por favor - disse a ela, colocando eu mesma um pouco de suco em um copo enquanto ela colocava à minha frente o bolo de cenoura. - Hoje eu tenho que dar carona pra Sarah, o carro dela tá na oficina.

- De novo? - tia Stella revirou os olhos. - Ainda não entendo como ela conseguiu tirar a carteira de motorista.

Engoli um pedaço da fatia do bolo.

- Do mesmo jeito que eu. Seduzindo o cara que fez o teste – brinquei. Como a garota virgem que eu era, eu não conseguia seduzir ninguém, nem mesmo aquele velho careca que fez o teste comigo para tirar a carteira de motorista.

Sarah Davis morava apenas à alguns quarteirões da nossa casa. Eu a conheci assim que vim morar com minha tia cinco anos atrás. E ela também não seduziu ninguém, mas eu também não sabia como ela havia tirado a carteira de motorista sendo uma motorista ruim. Desde que fizera dezesseis anos, ela já havia batido o carro pelo menos três vezes.

Comi com minha tia como sempre fazíamos, escovei os dentes no banheiro conjugado com meu quarto, peguei minha mochila, voltei para o primeiro andar e me despedi de Stella. Fui para a garagem e entrei em meu Ford prata. Eu ganhara aquele carro no ano passado em meu aniversário de dezessete anos e ele ainda não tinha nem um arranhãozinho.

Buzinei quando cheguei na frente da casa de Sarah, ela me viu pela janela do seu quarto no segundo andar e levantou um dedo, indicando que estaria ali em um minuto. Enquanto eu a esperava aproveitei para trocar a estação de rádio, o que era algo que eu ouvia todos os dias no caminho para a escola. Quando achei a estação que eu queria aumentei um pouco o volume.

- “Casal dado como desaparecido. Beatrice Clark e Carter Lee estão desaparecidos desde o sábado à noite, quando foram vistos pela última vez em uma festa na casa de um amigo da família. Os pais de Beatrice e Carter estão espalhando cartazes por toda a cidade com a foto dos dois…”

Sarah bateu na janela do passageiro. Destravei a porta para ela e desliguei o rádio.

- Estava ouvindo notícias no rádio de novo? Não sei aonde você vê graça nisso - reclamou ela depois de entrar no carro e fechar a porta. Comecei a dirigir.

- Não é para achar graça, mesmo. Só gosto de ficar informada.

- Informada sobre o que? - questionou ela. Gente, por que ela não podia simplesmente concordar comigo pelo menos uma vez?

- Sobre o tempo por exemplo. Disseram que vai chover esse fim de semana – menti, sabendo que ela era chata e que não queria ficar ouvindo sobre pessoas desaparecidas àquela hora da manhã.

Sarah só voltou a falar quando já estávamos no estacionamento da escola.

- O professor Marshall me pediu para fazer um relatório de duzentas linhas para recuperar a nota da prova de história.

 - Pelo menos ele está sendo bonzinho com você - argumentei, ou pelo menos tentei.

- Bonzinho? Faça você então um relatório sobre a Segunda Guerra Mundial para a próxima segunda - reclamou ela.

- Sabe que eu posso te ajudar. Basta pedir.

- Me ajuda!

- Com carinho!

- Por favor, Megan. Eu preciso da sua ajuda - disse ela fazendo biquinho e piscando os cílios. Dei risada enquanto saíamos do carro. Depois que fechamos a porta e demos a volta eu disse:

- Na minha casa. Hoje à noite.

Como era típico de Sarah, ela deu pulinhos e bateu palmas, dando risada.

Damos os braços uma à outra e andamos em direção ao prédio principal para começar aquela segunda-feira. Sarah e eu tínhamos apenas três aulas juntas, as outras três tínhamos que aguentar firmemente longe uma da outra. Como minha melhor amiga, Sarah me abraçou e se despediu de mim para ir para sua respectiva sala, como fazia todos os dias desde que nos conhecemos no meu primeiro dia de aula naquela escola.

Eu tinha que agradecer à Sarah por não ter me pressionado a contar o porquê eu estava mudando de escola no meio do semestre. Claro que eu contei pra ela. Um mês depois de nos conhecermos. Eu precisava de espaço e Sarah me deu isso. Ela não me fez milhares de perguntas como achei que faria quando contei a ela que meus pais haviam morrido em um acidente, um incêndio que também me tirou minha irmã gêmea.

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  • HUNTER 1 - Eu Sou a Presa   EXTRAS

    ※※※※ DEDICATÓRIA: ※※※※ Dedico este livro ao meu namorado Roberto, à minha mãe Rosângela e à minha irmã Stephani (Teti). Obrigada pelo apoio e por todo o entusiasmo para conhecer esta história. Espero que gostem. Quando minhas sobrinhas tiverem idade para ler este livro, espero que elas gostem também. ※※※※ AGRADECIMENTOS : ※※※※ Quero agradecer a minha mãe que, mesmo não me dando muito apoio no início, disse que se esse fosse o meu sonho, ela faria de tudo para me ajudar a realizá-lo. Te amo mãe. Obrigada por tudo o que a senhora fez por mim. Também quero agradecer ao meu namorado Roberto, que me deu o meu primeiro notebook para que eu pudesse escrever o livro ao invés de continuar escrevendo em um caderno escolar. Você foi quem mais me deu apoio e eu te amo muito por isso. Minha irmã Stephani (Teti) e meus amigos, Gustavo e Gabriela. Amo todos vocês. ※※※※ SIGNIFICADO DA CORUJA: ※※※

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