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16 Convite

last update publish date: 2026-10-14 07:33:31

Finalmente, depois de tanta agitação, Olivia teve um domingo tranquilo em sua casa. Ainda sentia o coração acelerar quando pensava em Christophe, mas tentava afastar aquele pensamento. Nem deveriam ter se beijado. Mas fora tão bom.

Naquela manhã, estava sentada no umbral da janela, abrindo sua correspondência acumulada: contas atrasadas, cobranças, propagandas insistentes e mensagens banais do cotidiano. Entre tudo aquilo, porém, um envelope lhe chamou a atenção. Um de seus primos iria se casar
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  • Herança de Sangue: O segredo do promotor e sua subordinada   19 Processo

    Antes de entrar no tribunal, Mattia alcançou Christophe no corredor lateral do prédio. O ambiente fervilhava com a movimentação típica de uma manhã de audiências: advogados apressados, estagiários carregando pilhas de processos, servidores cruzando corredores estreitos e famílias inteiras aguardando decisões que poderiam mudar suas vidas. Mesmo cercados por tanta gente, Mattia falava em voz baixa, como se temesse que as paredes também ouvissem.Christophe caminhava em silêncio, a pasta de couro firme em uma das mãos, passos precisos, e um semblante fechado. Desde o afastamento, parecia ainda mais difícil de decifrar.— Sei que você não quer se envolver nisso — começou Mattia, ajustando o passo para acompanhá-lo. — E, sinceramente, eu também preferia não estar falando sobre Giuseppe logo cedo.— Então não fale – o ex-promotor respondeu sem diminuir a marcha.— Não posso – Mattia empertigou-se, parecendo realmente preocupado.— O que ele fez agora? – finalmente Christophe perguntou, par

  • Herança de Sangue: O segredo do promotor e sua subordinada   18 Loren é expulsa

    Antes das 10h da manhã, Laura já havia deixado almoço pronto para a filha, lavado alguma roupa e feito a marmita do marido. Tudo antes de chegar ao trabalho às 8h. Contudo, mal sabia ela que seu dia logo seu dia cairia no caos.Encarou a filha, já sentindo o sangue ferver. Mais uma vez precisara sair do trabalho às pressas por causa dela, e aquilo estava se tornando insustentável. Nos últimos meses, vivia correndo entre ônibus lotados, plantões extras, contas atrasadas e telefonemas da escola. Tentava sustentar a casa, manter o casamento de pé e ainda ser uma boa mãe, mas nada parecia suficiente.— Você me disse que iria melhorar... — disse, tentando não gritar, embora o esforço lhe causasse uma sensação de sufocamento.— Acalme-se, Laura — pediu o marido, segurando-a com cuidado, temendo o que ela pudesse fazer tomada pela raiva.— Ela vai ser expulsa! É o terceiro semestre, Marcos. Nós não vamos conseguir outra admissão a tempo! — explicou Laura, já chorando de frustração.Seu maio

  • Herança de Sangue: O segredo do promotor e sua subordinada   17 Samuel acha uma vítima

    Na sequência de deixar a avó no asilo e garantir pessoalmente que ela ficaria bem acomodada, Christophe deixou a região do Parque Ibirapuera e retornou ao centro de São Paulo. O percurso, apesar de relativamente curto, parecia sempre mais demorado no fim da tarde. A cidade entrava naquele horário em que todos queriam chegar a algum lugar ao mesmo tempo.Pouco depois, já na região da República, dirigia em silêncio enquanto o trânsito se arrastava entre ruas antigas, viadutos gastos e prédios tomados pelo tempo. O fim de tarde tingia as fachadas de um dourado opaco, sem brilho verdadeiro, como uma luz cansada. Buzinas impacientes, ônibus rangendo nas curvas, vendedores ambulantes anunciando mercadorias e o murmúrio constante de milhares de passos formavam a trilha sonora do centro.Samuel ocupava o banco do passageiro.Estava abatido. Tinha olheiras profundas, barba por fazer e a gravata frouxa no pescoço. Parecia alguém que não dormia havia dias e que já não se lembrava da última refei

  • Herança de Sangue: O segredo do promotor e sua subordinada   16 Convite

    Finalmente, depois de tanta agitação, Olivia teve um domingo tranquilo em sua casa. Ainda sentia o coração acelerar quando pensava em Christophe, mas tentava afastar aquele pensamento. Nem deveriam ter se beijado. Mas fora tão bom.Naquela manhã, estava sentada no umbral da janela, abrindo sua correspondência acumulada: contas atrasadas, cobranças, propagandas insistentes e mensagens banais do cotidiano. Entre tudo aquilo, porém, um envelope lhe chamou a atenção. Um de seus primos iria se casar.No verso do convite havia um número de telefone. Olivia ainda pensava se deveria responder quando o telefone tocou. Era Daniela.O convite para um café, no entanto, transformou-se em outro plano.— Você vem comigo visitar um asilo? — Daniela perguntou.Olivia hesitou por poucos segundos antes de aceitar. Não tinha grandes compromissos naquele dia e, no fundo, sentia vontade de sair de casa.Algum tempo depois, as duas assinavam a lista de visitantes em uma instituição próxima ao centro.— Você

  • Herança de Sangue: O segredo do promotor e sua subordinada   15 Chegada de Marino

    No dia seguinte, a vida continuou atropelando aqueles que distraiam-se. Marino entrou em seu novo escritório e fitou sua identificação — onde antes ficava a de Christophe.Promotora Helena Marino.— Estou me sentindo uma formiga.Ela ouviu Olivia sussurrar para Pedro, num tom baixo demais para chamar atenção, mas alto o suficiente para atravessar o silêncio do gabinete. Ergueu os olhos por cima dos documentos e observou a jovem estagiária. Olivia tinha olheiras discretas, postura tensa e o tipo de inquietação de quem claramente passara a noite em claro.Na terceira vez em que ela bateu o tornozelo na base da mesa, num gesto nervoso e involuntário, Marino conteve um sorriso de canto.“Quanto medo”, pensou.Olivia voltou a cochichar com Pedro, mas ambos se calaram assim que Marino se levantou e passou entre as mesas em direção à porta. O silêncio repentino era quase cômico.Marino sabia exatamente o que diziam dela pelos corredores. Diziam que era dura e arrogante. Diziam que viera “de

  • Herança de Sangue: O segredo do promotor e sua subordinada   14. Consequências da parcialidade

    – Fica calma, fica calma – Olívia murmurou para si mesma, tentando conter o tremor nas mãos. Sentia o coração bater tão forte que parecia ecoar nos ouvidos, como se fosse escapar pela garganta a qualquer momento.Não tocou naquilo.Virou-se rapidamente, os passos apressados reverberando no piso de madeira antiga enquanto subia de volta ao primeiro andar. Refugiou-se sob as cobertas, aninhando-se na cama como uma criança assustada. Seus olhos, bem abertos, fixavam-se na luz trêmula do abajur, que projetava sombras esquisitas pelas paredes. Tinha medo de que, a qualquer momento, um vulto despencasse do sótão ou surgisse no corredor. Mas nada aconteceu.E então vieram os primeiros raios da manhã, que, junto a uma leve, mas constante dor de cabeça, a acordaram. Estava exaurida, não descansara nada. Contudo, o mundo parecia ter seguido em frente e ela precisava seguir também.Quando chegou ao escritório, o silêncio era tão denso que parecia ter presença própria.Não era apenas ausência de

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