FAZER LOGINGUERO NARRANDO:
Fazia tempo que eu não aproveitava uma noite como aquela em Vegas. Meu hotel e cassino era o meu maior orgulho, mas ultimamente eu vinha deixando o trabalho mais pesado nas mãos do meu administrador, enquanto eu me dedicava a cuidar dos negócios mais... delicados, assuntos da família. No entanto, hoje era uma dessas noites raras em que eu decidia misturar prazer e negócios. O camarote era meu santuário. Um espaço exclusivo no andar superior da boate Pallazo, projetado para me manter acima da multidão, mas perto o suficiente para sentir a energia pulsante do lugar. À minha volta, as melhores modelos da cidade se espalhavam pelos sofás, rindo, bebendo e dançando. Alguns colegas de confiança estavam lá também, caras que sabiam quando falar e, mais importante, quando calar. A música vibrava através do piso, e eu já tinha perdido a conta de quantas doses de tequila e uísque haviam passado pela minha garganta. Uma linha de pó branco me encarava da mesa de vidro ao lado, mas eu ainda não estava pronto para isso. A mistura de comprimidos e álcool já tinha me levado ao estado de euforia que eu gostava — aquela sensação em que tudo parecia mais claro, mais brilhante, mais... controlável. Foi então que meus olhos pousaram nela. Edilena, que esbarrei sem querer, agora era minha convidada. A garota era... diferente. Morena, cabelos escuros caindo como uma cortina de seda emoldurando um rosto perfeito. Os olhos eram de um azul que quase doía de tão intenso, como se ela pudesse ver direto através de você. As pernas longas e o jeito marrento me atraíram imediatamente. Ela não sorria como as outras, não tentava chamar atenção, mas era impossível não notar sua presença. Eu a observava há algum tempo, mas a cada segundo que passava, a vontade de me aproximar crescia. Edilena não era como as outras mulheres que vinham ao meu camarote. Ela não estava jogando o jogo habitual de sorrisos fáceis e olhares calculados. Não, ela era diferente. O jeito que ela conversava com a prima, os olhos azuis que me encaravam de vez em quando... Tudo nela parecia um desafio irresistível. Peguei mais um drink, uma margarita perfeita, e caminhei até ela. Eu sabia que a aproximação certa era tudo. Edilena me viu chegando e parou de conversar, o olhar me acompanhando de maneira curiosa. — Meninas, vocês não estão gostando da festa? Ou será que não tem as bebidas preferidas de vocês? — perguntei, entregando o copo para ela. Marília, sua prima loira, tão bonita quanto Edilena, sorriu de um jeito educado antes de se levantar. — Ah, eu vou procurar um drink no bar — ela disse, claramente querendo dar espaço. Eu mal a notei. Loiras eram encantadoras, mas eu sempre preferi as morenas. Quando voltei meu olhar para Edilena, ela estava lá, perfeita. O batom realçava os lábios carnudos, e as unhas pintadas de azul escuro contrastavam com aqueles olhos penetrantes. O decote da camisa levemente desabotoada revelava um vislumbre tentador, e a saia curta mostrava as pernas impecáveis. Ela não era só bonita; ela era uma obra de arte. — Obrigada — ela disse com um sorriso sensual, tomando um gole pelo canudo. O jeito como ela me olhou fez meu corpo inteiro reagir. — Você e sua prima parecem tensas — comentei, tomando um gole do meu uísque para acalmar o calor que subia. — É que não estamos acostumadas a sair para boates — ela respondeu com um sorriso tímido, quase inocente. Eu não sabia se acreditava nela, mas isso só tornava as coisas mais interessantes. — Você é mexicano? — ela perguntou de repente, inclinando-se um pouco para ser ouvida por cima da música. — Sim. E você? Americana? — perguntei, aproximando-me mais para ouvir melhor sua voz baixa e deliciosa. Minha mão tocou sua cintura quase sem pensar, puxando-a levemente para perto. Ela não recuou. — Sim... Você é casado? — A pergunta veio num tom casual, mas o jeito que ela a fez, tão perto do meu ouvido, me arrancou um sorriso. — Não. E você? — devolvi a pergunta, encarando-a nos olhos. Vi suas bochechas ficarem levemente coradas antes de ela desviar o olhar. — Ah, também não — ela respondeu, rindo suavemente e tomando outro gole do drink. Então, perguntou: — Tem filhos? — Não, gata. Sem esposa e sem filhos. — O jeito como ela me olhava enquanto falava me fazia querer beijá-la ali mesmo. — E você trabalha com o quê? — A pergunta saiu casual, mas eu percebi o interesse genuíno por trás dela. Eu ri, balançando a cabeça. — Isso aqui é uma entrevista de emprego? — perguntei, provocando-a. Ela riu, e eu adorei o som. — Ah, desculpa. Sou muito curiosa. — Porque, se for, preciso saber pra qual vaga estou me candidatando — repliquei, inclinando-me mais perto do rosto dela. Ela riu de novo, aquele sorriso que misturava diversão e nervosismo. Eu sabia que estava ganhando. O jogo entre nós estava só começando, e eu nunca gostei de perder. Estávamos muito próximos, com o barulho da música abafado pelo calor do momento. A luz suave iluminava seu rosto, criando um efeito quase mágico. — Que tal o cargo de meu marido? — Ela disse com um brilho nos olhos, como se soubesse exatamente como me pegar de surpresa. Eu dei uma risada curta, uma mistura de surpresa e diversão. — Uau, está me pedindo em casamento? — Perguntei, rindo, mas tentando disfarçar a tensão crescente no meu peito. Ela sorriu, sem deixar de me olhar. Era uma garota maluquinha, isso era claro. Mas quem não gostava de um desafio, não é mesmo? — Bom… Estamos em Vegas… Porque não? — Ela respondeu com um sorriso provocador, os olhos brilhando de diversão. Eu não conseguia parar de encará-la, a verdade era que eu estava completamente envolvido. — Claro, estamos em Vegas… Lógico que me casaria com você, linda — disse, fazendo o que eu sabia que ela queria ouvir. Sabia que a resposta iria agradá-la e talvez me desse uma vantagem. Meu objetivo era claro: conquistar tudo de uma vez. Eu queria Edilena na minha cama, e queria agora.EDILENA NARRANDO:EPÍLOGONossa lua de mel foi como um sonho. Viajamos para as Ilhas Cayman, para uma área privativa onde apenas dois funcionários estavam à nossa disposição, um casal simpático que preparava nossas refeições e cuidava de tudo o que precisássemos.O cenário era paradisíaco. O mar cristalino, a areia branquinha e as noites iluminadas pela lua tornavam tudo ainda mais perfeito. Eu e Güero nos pertencíamos de todas as formas possíveis. Fizemos amor na praia, no mar, no bangalô… todos os dias, como se o tempo fosse insuficiente para saciar o desejo que sentíamos um pelo outro.Eu estava viciada nele.Foi tanta intensidade que, quando percebi, havia esquecido de tomar meu anticoncepcional. Com os analgésicos e remédios que tomei após o acidente, minha cabeça estava uma bagunça, e esse detalhe simplesmente escapou. Mas o resultado daquela paixão avassaladora veio no mês seguinte, quando comecei a sentir enjoos matinais constantes.Minha mãe foi a primeira a suspeitar.— Filh
EDILENA NARRANDO:Eu só acreditei que realmente estava me casando com Güero quando dei o primeiro passo naquela passarela branca, estendida pelo jardim da fazenda. O sol se punha no horizonte, tingindo o céu com tons alaranjados e dourados, e o vento soprava suavemente, fazendo as pétalas das flores brancas dançarem ao redor dos convidados.Minha mãe segurava meu braço com firmeza, com o olhar carregado de emoção. Eu vestia um longo vestido justo até a cintura, com uma saia volumosa que me fazia sentir uma verdadeira princesa. As mangas eram de renda delicada, e o decote realçava minha silhueta com elegância. Nas mãos, um buquê de rosas brancas e cor-de-rosa, cujas pétalas exalavam um perfume suave. Meus cabelos estavam presos em cachos bem-feitos, e no topo da cabeça, repousava a tiara de diamantes que minha sogra me presenteou, um símbolo de acolhimento na família Rodríguez.E então, eu o vi.Güero me esperava no altar, de pé, impecável em seu terno branco, combinando com a cerimôni
GUERO NARRANDO:Eu não podia mais negar.Edilena mudou tudo em mim.Dizer isso em voz alta foi como tirar um peso dos ombros. Nunca fui o tipo de homem que falava sobre sentimentos, mas, com ela, tudo era diferente. Estava completamente louco e fascinado por aquela morena. Nem fodendo eu deixaria ela escapar.Sem pensar duas vezes, a pedi em casamento. Porque não me imaginava ao lado de mais ninguém.Dois meses. Esse foi o tempo que tivemos para organizar a cerimônia. Decidimos que seria na fazenda dos meus pais, um evento apenas para a família, o que já era muita gente. Meus avós paternos, maternos, tios, tias, primos e primas… Edilena ficou surpresa com o tamanho da lista, mas minha mãe fez questão de convidar todo mundo.Dessa vez, meus pais estariam presentes. E estavam felizes por isso, ainda mais por ser na fazenda, onde minha família sempre se reunia para grandes momentos.Antes de viajarmos, levei Celina comigo até a V&F Royal, a joalheria da minha prima Victoria. O prédio com
GUERO NARRANDO:Levantei tossindo, olhando para os destroços em chamas.Cadê Edilena?O cheiro de pólvora ainda impregnava o ar depois da explosão da Range Rover. Meu peito subia e descia rápido, com os olhos varrendo a cena caótica ao nosso redor. Eu só queria uma porra de um sinal de onde Edilena estava.Foi quando Igor se aproximou correndo, a expressão sombria.— Tem uma testemunha. — Ele arfou. — Disse que viu uma mulher e dois homens correndo pra floresta.Meu coração disparou.— VAMOS!Sem perder tempo, todos nós sacamos as armas que caíram e corremos em direção à densa mata que se estendia à nossa frente. Era como mergulhar direto na boca do inferno. O barulho dos nossos passos esmagando folhas secas e galhos ecoava, misturado ao farfalhar da vegetação sendo rasgada enquanto avançávamos. O sol filtrava entre as árvores altas, criando sombras traiçoeiras.Nacho ia na frente, olhos atentos ao chão, lendo os rastros como um maldito predador. De repente, ele parou.— Sangue. — Apo
GUERO NARRANDO:O maldito Dmitri teve a coragem de vir até minha cidade. Ele não só conseguiu encontrar os mercenários que contratei para roubar o dinheiro do ecstasy como também teve a audácia de levar Edilena.Quando meu celular tocou e vi o nome dela na tela, meu coração acelerou. Atendi, mas a voz do desgraçado me recebeu do outro lado da linha. No momento em que a chamada caiu, soquei o volante com força, sentindo o sangue ferver.— Que porra foi essa? — Nacho perguntou do banco do passageiro, franzindo a testa.— Dmitri. — Cuspi o nome como um veneno. — O filho da puta tá com a Edilena.Me virei para Igor no banco de trás, cerrando os punhos.— Você sabia que aquele desgraçado tava no México?— Claro que não, Guero! Se soubesse, já teria te avisado.Nacho puxou o telefone do bolso.— Olha pra frente, carajo, ou vamos bater!Voltei minha atenção para a avenida, respirando fundo para conter a raiva que fervia dentro de mim.— Puxa agora o rastreamento da Range Rover da Edilena! —
EDILENA NARRANDO:O celular começou a vibrar no console. Marilia.— Olha aí a puta grávida… — Dmitri riu, debochado.Meu corpo inteiro gelou. Ele sabia.— Como você entrou no meu carro, Dmitri?— Sou bandido, porra. Acha que nunca roubei um carro? Tenho chave mestra pra isso, sua burra.Ele soltou meus cabelos com força, me empurrando contra o encosto do banco.— Acho que tá na hora da gente avisar seu maridinho… — Ele manteve a arma firme contra minha cabeça. — Me dá seu telefone, agora.Hesitei por um segundo, mas o clique da arma engatilhando fez meu sangue congelar.Com as mãos trêmulas, peguei o celular no console e entreguei a ele. Dmitri procurou o nome de Guero na lista de contatos e apertou para ligar, colocando no viva-voz.Meu peito subia e descia rapidamente, minha respiração errática. Cada segundo parecia uma eternidade enquanto o telefone chamava.Dmitri sorriu de lado, com o olhar cruel.— Vamos ver se ele atende, né? Quero ouvir a voz desse desgraçado antes de botar







