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O primeiro encontro!

Autor: MellRibeiro
last update Data de publicação: 2025-10-15 01:41:34

É tarde, já passa das dez da noite, e Ana chega em casa, morta de cansada, tranquila, mas o que Josephine lhe pediu a deixa intrigada. Como assim, quer que ela acompanhe os encontros? Isso não é possível. Será que a vampira mais cobiçada de Vancouver precisa de babá para tomar conta dela? Será que ela tem medo de algo? As perguntas não calam nos pensamentos dela. Passando pela porta, ela entra na sala e acende um abajur perto do sofá, atira a bolsa e vai para o banheiro, se despe e coloca a banheira para encher. Pega seu roupão e, enquanto a banheira enche, ela vai até a cozinha e pega uma taça de vinho. Seu celular toca.

— Alô? Quem é?

Ela ouve a voz de Jake do outro lado; ele pergunta se ela conseguiu o contrato com a vampira, e ela faz um suspense...

— Bom... O que acha? Claro que consegui, e foi um custo!

Ana responde em tom sério; ela teve bastante medo e conta o que conversou com a vampira. Ele pergunta se ela foi ameaçada ou se a vampira foi grossa com ela, mas Ana responde que não e diz que ela foi super atenciosa e educada.

— Sério, Ana? Essa mulher deve ter gostado de você mesmo, porque dizem que ela é uma tirana nos negócios e na vida também.

Ana diz a ele que ela não é nada como dizem e que é uma vampira muito bonita também, tanto quanto dizem. Ele pergunta se Ana se apaixonou, e ela nega com veemência.

— Não acredito que perguntou essa idiotice. Não gosto de monstros, menos ainda de mulheres; não fazem o meu tipo!

Ele respira, aliviado, e ela escuta, sorri e pergunta por que o alívio, já que ela não tem nada com ele. Pergunta se, por acaso, ele gosta dela, e ele demora um pouco para responder. Ela então lhe diz que isso não seria possível, que prefere não se misturar para não ter problemas, tem medo de não ser aceita, pois é humana.

— Ana, apenas perguntei, sei lá, vai que, né?

Ela sorri e diz a ele que a banheira lhe espera e que ele espere o contato de Josephine; ela tem muito o que acertar com ele. Jake desliga e Ana vai tomar o seu banho. Ela relaxa após o dia tão intenso de trabalho que teve, atrasada, fazendo pesquisas de mercado, mal almoçou e teve que entrar na cova do vampiro! Como sair bem relaxada de um dia como este? Ela deita na banheira e fecha os olhos, imagina que está no mar e logo escurece. Ela vê olhos vermelhos, olhando para ela, brilhando e presas cheias de sangue. Ela vê o rosto de Josephine, se assusta e, de uma vez, as janelas do seu quarto abrem. O vento frio empurra a porta do banheiro. Ela levanta e puxa o roupão ao lado da banheira, sai devagar e olha para ver se alguém entrou ali, mas não tem ninguém. Ela acende as luzes e desiste de tomar banho, volta para o banheiro e enxágua a espuma em seu belo corpo. Secando-se, vai para o quarto e fecha as janelas, trancando-as por dentro. Coloca uma camisola e vai para a sala, ligando a luz e a televisão. Pega algo rápido na cozinha e senta em frente à tela, começa a jantar e, de repente, a campainha toca.

— Ahhh, hoje não é dia de descanso para mim!

Reclamando, ela levanta, vai até a porta e vê pelo olho mágico: é Suzi. Ela pede para entrar, está com uma mala!

— Oi, Suzi, o que houve?

Suzi chora, abraça sua amiga e entra no apartamento, com mala e tudo, senta no sofá de Ana e pede para conversar; ela está claramente desesperada.

— Amiga, peguei meu namorado com outra. Ele estava morando comigo há uns dias, fazíamos um teste, achei que ele me amava, mas não era bem assim. Estavam na cama, na minha cama, Ana. Saí de lá, peguei o que pude e vim para cá!

Ela olha para Suzi sem ter o que dizer, mas já havia avisado que o cara não era boa coisa. Ela o havia visto com outras várias vezes e sempre caía no papinho de que eram amigas, apenas isso, mas Suzi é muito bobinha, acredita fácil nas pessoas, e Ana a mantém perto por isso. Como ela veio de longe, sua mãe, que é uma ninfa da floresta, lhe confiou a amiga, e Ana cumpre as promessas!

— Eu te avisei, amiga, olha o que o Logan fez com você!

Ela pede para ficar na casa de Ana e sua amiga permite. Um sorriso lindo se forma em seu rosto inocente; ela agradece abraçando sua amiga. Ana retribui e diz que, no dia seguinte, acertam como fica a questão das despesas. Suzi muda de assunto e pergunta como foi na casa de Josephine, pergunta como ela é e o que acertaram. Ana conta que conversaram bastante e que chegaram a um acordo, mas que soou mesmo como uma imposição.

— O que ela impôs, amiga? Conta.

Ana pensa se deve contar a Suzi o que Josephine lhe pediu, pois sabe que é proibido ter relacionamento de qualquer tipo com clientes. Ela sente que isso pode dar errado, mas foi uma exigência de Josephine e, como ela falará com Jake, não deve ter problema em comentar com Suzi.

— Bom, ela pediu, melhor, exigiu que eu vá acompanhar de perto os encontros com ela, disse que minha presença é indispensável!

Suzi se espanta com ela, sabe de sua fama e arregala os olhos, pergunta se ela fez algo ou a ameaçou de alguma forma, mas Ana diz que não e que a mesma pergunta Jake havia feito mais cedo.

— Então Jake já sabe? Espero que ele não deixe isso acontecer, porque sabemos no mundo dos monstros que ela é impiedosa e implacável, não gosta muito de humanos, nem de outros monstros, óbvio!

Ana fica surpresa com tantos comentários ruins; ela apenas acertou um trabalho. É como se estivessem falando de uma pessoa totalmente insana e ruim, pessoa não, vampira! Ana pede a Suzi que se instale no quarto de hóspedes. Ela diz que deve estar um pouco sujo, pois não entra lá há bastante tempo, mas Suzi diz que tudo bem, ela ficará na sala mesmo, já que em menos de seis horas terão de levantar para sair. Ana deita-se em sua cama e pensa no que Suzi e Jake lhe contam. Ela não quer acreditar que uma mulher tão elegante, fina, educada e que fora uma rainha um dia seja tão cruel assim, mas não nega o fato de que uma vampira pode ser. Ela não quer pensar, então fecha os olhos e adormece.

Ana sonha que está em uma floresta vasta, de árvores grandes e altas. Ela anda por ela como se flutuasse, vê-se em um vestido esvoaçante e longo de linho bege. Ela anda até chegar a um bosque; nele, ela pode ver olhos à espreita e ouvir sons que não conhece. Quando pássaros em bando passam voando por ela, mas não são pássaros, e sim morcegos, muitos, e eles se unem formando a silhueta de uma mulher, uma mulher de olhos vermelhos e vestida de negro. Ela voa para cima de Ana, que se encolhe e, após o susto, olha para os lados e a procura, mas não a vê. Virando-se pela última vez, a mulher está atrás de Ana e, quando ela se vira, a mulher diz que enfim a encontrou, avançando em seu pescoço e mordendo. Ana desmaia e acorda do seu sonho com o despertador. Ela olha para os lados e põe a mão no pescoço, sentindo aquela dor invisível, pois não há sangue nem mordidas. Ela levanta correndo e vai para o chuveiro. Quando acaba o banho, ouve Suzi chamando-a para tomar café da manhã. Ela olha novamente e ainda são seis e trinta; está cedo.

— Ana, teve pesadelos?

Ela diz que não, só que se assustou com o despertador. Suzi sorri e diz que ela estava gemendo. Ela fica desconcertada e diz que isso é impossível, já que não teve um sonho bom, digamos. As duas terminam o café e vão para a empresa. Ao chegar, todos os funcionários estão na porta, olhando para a sala de Jake. Elas perguntam o que está passando ali e um vampiro responde que a vampira mais cobiçada está lá com Jake, que firmaram o contrato e ela será a mais nova cliente da Play With Me. Ana sorri e vai para sua sala; ela não quer ver Josephine. Suzi vai para a sua mesa e começa a trabalhar. Ela liga para Ana e diz que está chovendo monstros, solicitando cadastro no aplicativo; eles querem encontros com Josephine. Ana agradece a notícia e se concentra no contrato que lhe fora enviado para fazer a publicidade e lançar na plataforma. Logo ela fará um documento para a sociedade que Josephine pediu por e-mail. No rodapé do documento, ela pede que Ana a encontre no pub em frente à empresa; lá será o primeiro encontro e ela deve estar presente. "..." Esteja no Pub Castellane às vinte horas em ponto. Espero você e vista-se elegantemente, por favor! ". Ana lê aquele bilhete no rodapé e não entende por que deverá ir tão elegante, mas ela supõe que seja pelo ambiente mesmo. Então, olha em seu armário do trabalho e vê o que tem ali para ir a um pub.

— Nada de mais, mas é o suficiente, já que o encontro não é meu!

O dia passa rápido e chega a hora do encontro. Alguém b**e na porta; é Suzi com uma caixa enorme. Ela entrega para Ana, que, intrigada, pergunta o que pode ser, mas na caixa diz que Ana deve abrir sozinha e Suzi infelizmente não poderá ver o que é. Ana pede para ela sair e trancar a porta. Ela o faz e sai da sala, se despede e diz que a espera em casa. Ela acena para a amiga e diz que tudo bem. Ana abre a caixa; há papéis de seda envolvendo o que há no pacote, um bilhete com dedicação a ela, que o pega e lê com surpresa em seu rosto.

— Ana Olivier, espero que goste desse mimo. É um presente adequado para o encontro de hoje e quero que o use, exijo que o use!

Ela tira o papel de seda que cobre o presente e, debaixo dele, está um belo vestido azul, de alças finas e decote reto. O vestido é longuete, chegando à altura do joelho e com uma abertura até a meia coxa, bem justo, o tamanho certo dela. Abaixo do vestido há também um sapato escarpam de bico fino, seu tamanho também, e uma lingerie, apenas a calcinha, fio dental preta com lantejoulas azuis brilhantes.

— Nossa, combina perfeitamente com o vestido, mas não entendo por que devo usar. Apenas estarei ali para observar, nada mais que isso.

Pensando no que fazer, ela recebe uma mensagem de texto, informando que deve estar pronta em vinte minutos, pois a limusine a pegará em frente ao prédio. Ela olha para o relógio e corre para se arrumar. Após vestir a roupa e o sapato que ganhou, ela prende o cabelo em um coque elegante e coloca um par de brincos longos de brilhantes.

— Sem colar, não tenho nenhum que sirva para esta ocasião!

Ela sai correndo para pegar o elevador; nele, aproveita para passar um rímel e batom vermelho, nada mais, ela não gosta de maquiagem. Assim que as portas se abrem, ela vê o carro parado lá fora e segue para entrar. Marlos a cumprimenta e abre a porta para ela entrar. Vão em silêncio até o pub mais chique da cidade. Ela entra e todos olham para ela como se fosse uma atriz famosa, ou algo assim. Na recepção, ela pergunta por Josephine e o garçom a leva até o bar, e ela o aguarda, sentada e belíssima. Seus cabelos longos presos em um rabo de cavalo exuberante, terno preto e camiseta vermelha; ela usa calças jeans e saltos finos, joias impecáveis, bebe uísque. Ana se aproxima e ela levanta para recebê-la, estendendo a mão e a beijando, como se fosse um cavalheiro e ela sua princesa, mas Ana baixa sua mão, cumprimentando-a como se fossem amigas, um beijo em cada bochecha, e sussurra.

— Não esqueça que você também é mulher e, aqui, somos parceiras de negócio!

Josephine sorri; ela olha para os lábios de Ana, que parecem cerejas doces e belas, e pensa que devem ser saborosos. Ana senta-se ao seu lado no bar e pede um drink, olha mais uma vez para Josephine e pergunta onde está o vampiro que iria encontrá-la ali. Ela responde com um sorriso malicioso.

— Mandei-o embora, não era meu tipo; agora é só você e eu!

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