LOGINChase HarrisonO primeiro raio de sol atravessou as cortinas, aquecendo o corpo que eu ainda sentia ao meu lado. Harper estava nua, enrolada na coberta, os cabelos espalhados pelo travesseiro. A voz dela, rouca e sensual, cortou o silêncio.— Bom dia, senhor presidente.Porra. Eu revirei os olhos, mas não me mexi. — Ainda não sou presidente, anjo.Ela sorriu, lenta e provocante. — Então não preciso te agradar tanto.Tentou se levantar, mas minhas mãos foram rápidas, segurando-a de volta. — Onde pensa que vai?O riso dela preencheu o quarto. — Você nunca muda, Chase.Não precisei de palavras. Beijei-a com urgência, quente, desesperado, como se cada segundo contasse. E então a porta se abriu com um estrondo.Harper rolou da cama na pressa de se cobrir, e eu apenas encarei meu amigo. — O que você quer?— Não vi nada! — Ele disse, cobrindo os olhos, vermelho de vergonha. — Mas são nove horas. A nomeação será ao meio-dia. Precisamos alinhar o discurso e alguns detalhes.— Já estamos indo —
Chase HarrisonUm ano inteiro. Doze meses de inferno político, manchetes distorcidas e advogados tentando limpar a sujeira que Meredith deixou para trás. Um ano desde que precisei provar que ainda merecia o maldito ar que respirava.O salão lá embaixo estava lotado. A imprensa, os assessores, os parasitas de sempre. Todos esperando o resultado da apuração. E trancado no escritório, no andar de cima, com um copo de uísque e a cabeça girando, tentei me isolar.Tyler estava comigo. Ou melhor, estava tentando me convencer a fazer algo que não quero.— Você devia estar lá embaixo, Chase. — Ele disse, cruzando os braços, impaciente. — As apurações saem a qualquer minuto.— E daí?— “E daí”? — repetiu, incrédulo. — Isso muda tudo, porra. Se confirmarem seu nome, é o fim dessa caça às bruxas. Você vai ser presidente.Soltei um riso curto, sem humor. — Presidente. Grande coisa.Ele me encarou como se quisesse me socar.— Você lutou por isso. Eu lutei com você. Desde o primeiro dia, quando todo
Harper Ward. Beijei o topo da cabeça dos meus bebes. Odiava deixa-los em casa, mas precisava ir. Aquele era um momento importante. Um mês depois do nascimento dos gêmeos, Chase quase perdeu a carreira, e por pouco não fora cassado. Ainda assim, muitos aliados se foram, e agora estávamos finalmente nos reestabelecendo.Isso, até que o julgamento fora marcado.Poderia ser outra bomba. Depende de para quem.— Volto logo. — Avisei, sussurrando para os dois pequeninos que dormiam tranquilos.As babas acenaram.Encarei Graham e Grace. Os dois estavam sentados no sofá, e apesar da minha menina estar fixada no celular, ainda havia quatro pares de olhos extras sobre os bebes. Isso, claro, se fosse contar o robô.— Graham... — O chamei. Mas ele estava obcecado em cuidar dos irmãos.— Vou ficar de olho para você. — Revelou, e arrancou um riso do Chase. — Não confio nelas. — Sussurrou, mas é claro que elas estavam olhando, e entenderam muito bem.— Graham, se comporte!O repreendi. E o garoto pi
Chase HarrisonTinha que confiar nos meus instintos, ainda que tudo gritasse o oposto. Segurar meus filhos enquanto Grace e Graham se encantavam por seus irmãos fora o ponto alto daquela noite.Harper não conseguia arrancar o sorriso do rosto, e apesar de saber que minha mulher estava cansada, não trocaria aquilo por qualquer descanso no mundo.Thomas paparicou os bebes, é claro. Qualquer ser humano normal o faria, mas parecia mais preocupado em mimar a filha. Porra, a mulher que adotou, e que escolheu amar como seu sangue. Tive que admitir que amava aquele velho também. Mais que meu avô, se fosse realmente honesto.— Vou ter que reprogramar o Vanguard 2.0. Ele vai precisar ser um pouco babá agora.— Isso é necessário? As crianças vão ter babas, Graham. Nosso pai pode pagar duas, quatro. Quantas ele quiser. Não precisa do seu robô idiota.Porra, como se a crise que acontecera há horas nunca tivesse existido, as crianças brigavam como fariam em qualquer porra de dia típico. E se alguém
Harper WardE se eu fechar meus olhos só por um segundo?Estava tão frio nesse lugar, tudo tão branco. Não conseguia parar de tremer. E sentia os cheiros, mas não podia impedir. Por que tive meus braços presos a maca? Isso parecia brutal, e eu não sou louca, então, o que está acontecendo.— Vamos começar, mãezinha. — O médico disse. E por alguma razão, sabia que estava sendo tocada. Não entendi, no entanto, por que não havia dor. Não entendia nada naquele momento.Uma lagrima solitária escapou pela lateral do meu rosto, enquanto encarava rostos desconhecidos.Rory estava comigo, mas quem ela era? Havia acabado de conhece-la.Queria que Aprill estivesse aqui. Queria Thomas, mas ele não estava na cidade.Deus... eu quero o Chase. Preciso do pai dos meus filhos comigo. Preciso dos meus filhos. Não só os bebes.— Não era para isso ser assim... — Resmunguei, sentindo-me cada vez mais fraca.Havia uma movimentação aos meus pés, e do meu lado. Pessoas olhando para dentro de mim. Era tão biza
Chase Harrison— Papai, me perdoa. — Grace estava chorando, e tudo o que mais desejei na vida fora correr em sua direção e beijar cada maldita lagrima até que secassem. Até que as arrancasse de seu rosto.Aquela fora a primeira vez que me lembrava de chorar em público, diante de malditas câmeras. Mas como uma porra de série, estávamos sendo filmados. Todos nós. Graham nos meus braços, agarrado a mim como um garoto da sua vida, e não o nerd mais inteligente que já conheci.Minha filha, no entanto, se mantinha nos braços da mãe. Não por vontade própria, é claro.— Diga a eles, Chase! — Gritou. — Diga o que fez comigo! — E olhou para as câmeras.Sabia o que ela estava fazendo. A conhecia, e seria a porra de um suicídio politico confessar as minhas merdas. Mas, seria o suicídio involuntário da minha filha o que assistiria se não admitisse a verdade.A escondi por tanto tempo, e a merda me corroeu cada maldito segundo da minha vida. Agora, todos saberiam, porra. Nenhum único escândalo poli







