LOGINDurante três anos, Samyra Aquilla foi a esposa perfeita. Elegante, discreta e impecável, também era a secretária executiva mais competente do poderoso presidente do Grupo Montenegro, Matthew Montenegro. Poucos sabiam que o casamento dos dois era apenas um contrato firmado para pagar a cirurgia que salvaria a vida da avó de Samyra. Ela cumpriu cada cláusula sem reclamar. Amou em silêncio um homem incapaz de retribuir seus sentimentos. Quando o contrato chegou ao fim, entregou a aliança, assinou os papéis e partiu sem olhar para trás. — Adeus, Senhor Presidente. Matthew acreditou que sua ausência não faria diferença. Até perceber que o café já não tinha o mesmo sabor, sua casa parecia vazia e sua vida estava desmoronando sem a única mulher que sempre esteve ao seu lado. Um tempo depois, os dois se reencontram. Agora Samyra é uma empresária bem-sucedida, independente e dona de um brilho que ele nunca havia notado. Pela primeira vez, Matthew teme perder algo que dinheiro algum pode comprar. Mas quando decide reconquistá-la, descobre que Samyra guarda um segredo capaz de mudar tudo o que ele acreditava saber sobre aqueles três anos de casamento e talvez seja tarde demais para transformar um contrato em uma verdadeira história de amor.
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Dois anos atrás Olhei pela quinta vez para os papéis do divórcio sobre a mesa. Depois, ergui os olhos para a mansão que, durante tanto tempo, havia me deslumbrado. Naquele momento, porém, já não sentia absolutamente nada ao olhar para aquele lugar. Talvez porque aquela casa nunca tivesse sido realmente minha. Durante três anos, havia caminhado por aqueles corredores como esposa do homem mais poderoso que conhecia, mas, no fundo, sempre soube que existia uma distância entre nós que nenhum contrato seria capaz de diminuir. Aquele lugar tinha sido meu endereço, não meu lar. Sobre a mesa, ao lado dos documentos do divórcio, estava a pequena carta que havia acabado de escrever. Matthew Montenegro era capaz de passar horas analisando um relatório de cinquenta páginas, encontrando até mesmo os menores erros em contratos milionários, mas aparentemente nunca encontrava alguns minutos para ler as poucas linhas que sua esposa escrevia para ele. Talvez aquela carta jamais fosse lida. Talvez acabasse esquecida entre tantos outros documentos. Ainda assim, precisava deixá-la ali. Não para fazê-lo sentir culpa, nem para implorar por uma última demonstração de carinho, mas porque algumas palavras precisam ser deixadas para trás antes que alguém consiga seguir em frente. Dobrei a carta cuidadosamente e a coloquei sobre a mesa. Em seguida, meus olhos encontraram a fotografia do nosso casamento. Peguei o porta-retrato e permaneci alguns segundos encarando aquela imagem. Éramos dois jovens sorrindo diante das câmeras, cercados por pessoas que acreditavam estar testemunhando o início de uma história de amor. Naquela época, até mesmo eu havia acreditado nisso. Talvez tenha sido esse o meu maior erro. Confundi a esperança com uma promessa que nunca havia sido feita. Uma lágrima solitária escorreu pelo meu rosto. Sequei-a rapidamente com a ponta dos dedos e respirei fundo, recusando-me a derramar outras. Não queria sair daquela casa chorando. Depois de tudo o que havia suportado, a última coisa que desejava era carregar comigo a imagem de uma mulher destruída por um homem que sequer percebeu quando ela começou a partir. — Adeus, senhor presidente — sussurrei. Retirei a aliança do dedo e fiquei olhando para o anel de ouro com um diamante por alguns segundos. Aquele pequeno objeto havia representado tantas coisas para mim. Amor. Esperança. Promessas. Sonhos que nunca chegaram a existir. Durante três anos, carreguei aquela aliança acreditando que, em algum momento, Matthew finalmente perceberia que havia uma mulher ao seu lado que o amava de verdade. Agora, porém, o anel não significava mais nada além do fim de uma história que começou como um contrato e terminou exatamente como havia sido planejada. Coloquei a aliança sobre a mesa, ao lado da carta, e peguei minha mala. Dentro dela havia apenas algumas roupas que havia comprado com meu próprio dinheiro. Não levaria joias, presentes, roupas caras ou qualquer objeto que pudesse me fazer acreditar que alguma coisa daquela mansão realmente me pertencia. Tudo o que havia recebido durante aqueles três anos ficaria para trás. Não porque não pudesse levar, mas porque não queria. Pela primeira vez, precisava sair dali levando somente aquilo que era verdadeiramente meu: minhas roupas, meus documentos, minhas lembranças e a certeza de que, apesar de ter perdido três anos da minha vida, ainda tinha tempo para recomeçar. Caminhei até a porta e, antes de atravessá-la, parei por alguns segundos. Não havia ninguém esperando por mim. Matthew estava ocupado demais com a própria vida para perceber que aquela seria a última vez que sua esposa pisaria naquela casa. Talvez fosse melhor assim. Se ele tivesse aparecido, talvez uma única palavra fosse suficiente para me fazer hesitar. Talvez um simples “fica” tivesse sido capaz de destruir toda a coragem que reuni durante meses. Por isso, a ausência dele naquele momento era quase uma bênção. Ao sair da mansão, encontrei o senhor Renildo próximo ao carro. O motorista me observou com uma expressão confusa ao perceber a mala em minhas mãos. Durante aqueles três anos, ele havia sido uma das poucas pessoas naquela casa que sempre me tratara com respeito, e provavelmente percebeu que havia algo diferente naquele dia. — Vai viajar, senhora Samy? — Vou — respondi simplesmente. Ele franziu a testa e olhou novamente para a minha bagagem. — Posso levá-la. Vamos? Neguei com a cabeça e forcei um pequeno sorriso. — Já chamei um Uber. Obrigada, senhor Renildo. Ele pareceu querer perguntar alguma coisa, mas desistiu. Talvez tivesse percebido que não queria conversar. Talvez também tivesse entendido que certas despedidas não precisam de explicações. Apenas assentiu, enquanto permaneci alguns segundos diante daquela mansão, olhando para o lugar onde havia vivido uma vida que, na verdade, nunca chegou a ser minha. Poucos minutos depois, o carro chegou. Coloquei a mala no banco ao lado e, antes de entrar, olhei para a mansão uma última vez. Durante três anos, aquele lugar havia sido minha casa. Durante três anos, esperei que meu marido me enxergasse além da mulher que assinou um contrato, além da secretária que organizava sua agenda e além da esposa que estava sempre disponível quando ele precisava de alguma coisa. Agora, finalmente, havia entendido que não precisava mais esperar. Entrei no carro e fechei a porta. Quando o veículo começou a se afastar, não olhei para trás. Dessa vez, não estava fugindo. Estava indo embora e talvez aquela fosse a primeira decisão verdadeiramente minha em três anos.A pergunta era simples, mas, depois de tanto tempo, era exatamente o tipo de pergunta que eu teria esperado ouvir quando ainda éramos casados.Agora não significava nada.Virei-me lentamente.— Estou ótima.Sorri.— Espero que o senhor também esteja.E saí.Deixei Matthew Montenegro sozinho na sala, cercado por seus diretores e por uma proposta milionária. Pela expressão que vi antes de fechar a porta, tive a impressão de que ele não estava mais pensando no contrato.Estava pensando em mim.Assim que as portas do elevador se fecharam, Kimberlly segurou meu braço.— Amiga, ainda bem que você me deixou ver isso! Você foi perfeita! E o Matthew... Caralho! O Matthew estava sem palavras, te encarando como se tivesse acabado de descobrir que você era outra pessoa.— Ele realmente ficou surpreso.— Surpreso? Aquele homem quase esqueceu como respirar.Verônica soltou uma risada enquanto apertava o botão do térreo.— Preciso admitir que também fiquei curiosa.Olhei para ela.— Com o quê?— Com
Não respondi à pergunta de Matthew imediatamente.Em vez disso, virei-me para todos os presentes na sala. Alguns não me conheciam e me observavam com curiosidade, tentando entender por que o presidente do Grupo Montenegro parecia tão desconcertado diante de uma mulher que acabara de entrar na sala. Outros, porém, sabiam exatamente quem eu era.Reconheci alguns rostos.Pessoas que haviam trabalhado comigo.Pessoas que, cinco anos antes, passavam por mim nos corredores sem sequer imaginar que aquela mulher que carregava documentos, organizava reuniões e corria para resolver os problemas de Matthew era, na verdade, a esposa dele.Alguns haviam me chamado de sombra.Outros simplesmente achavam engraçado o fato de eu estar sempre atrás do presidente.Naquela época, ninguém fazia ideia do que existia por trás daquela aparência.Hoje, eles teriam de prestar atenção em cada palavra que saísse da minha boca.Endireitei os ombros e sorri.— Bom dia a todos. Sou Samyra Aquilla, CEO da Aurea Desi
SAMYRA AQUILLAEstava terminando meu café quando a campainha tocou. Olhei para o relógio e franzi a testa. Verônica havia avisado que chegaria mais tarde, então imaginei que pudesse ser algum funcionário do prédio ou até mesmo uma entrega. Caminhei até a porta e, quando a abri, encontrei Kimberlly parada do outro lado com um sorriso enorme no rosto e uma expressão que, conhecendo minha amiga como conhecia, só podia significar problema.— O que faz aqui tão cedo, Kimberlly?— Vim porque não vou perder a sua entrada triunfal e, principalmente, a cara daquele besta do seu ex-marido quando perceber quem está entrando na sala dele.Ela deu uma risadinha satisfeita e entrou sem esperar convite.Balancei a cabeça negativamente.— Você é ridícula.— E você me ama mesmo assim.— Infelizmente.— Também te amo.Fechei a porta e voltei para a cozinha.— Vem tomar café comigo, porque sei que você não deve ter comido nada.— Eu trouxe minha própria fome.— Isso explica muita coisa.Ela puxou uma ca
MATTHEW MONTENEGROTerminei de me arrumar e saí do quarto conferindo as horas no relógio. Camile me esperava em um restaurante que costumávamos frequentar, e ela odiava atrasos. Não que eu estivesse acostumado a prestar contas dos meus horários, mas conhecia minha amiga o suficiente para saber que cinco minutos de atraso seriam suficientes para receber uma reclamação durante o jantar inteiro.O motorista já aguardava na porta. Entrei no carro e aproveitei o trajeto até o restaurante para responder algumas mensagens relacionadas ao Grupo Montenegro. Desde que Samyra havia desaparecido da minha vida, minha rotina tinha se tornado mais complicada do que deveria. Durante algum tempo, atribuí aquilo à falta de uma boa assistente. Depois contratei outras pessoas, reorganizei minha agenda e coloquei funcionários diferentes para cuidar das tarefas que antes ficavam sob responsabilidade dela.Nada funcionou exatamente como antes.Era irritante.Ainda mais porque não conseguia entender por qu












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