LOGINEle arqueou a sobrancelha, segurou o cordão que estava no pescoço e o enrolou no dedo indicador, eu fiquei sem voz e analisei cada movimento dele como se ele estivesse prestes a me devorar, ele deu dois passos em minha direção, e eu dei dois pra trás.
— Você não parece tão corajosa quanto foi na ligação.A ficha finalmente caiu sobre quem era ele, então os meus pés se solidificaram no mesmo lugar se recusando a continuar demonstrando medo, mas ele continou andando em minha direção até ficar a um passo de distância de mim.— Então além de intrometido você é invasor? Quem deu permissão pra você entrar na minha casa?— Quem disse pra você que eu preciso de permissão para fazer algo?— Você pode ter poder e autoridade sobre o meu pai, mas não tem poder sobre mim, aqui é o meu lar, e eu não vou deixar você se sentir dono do meu espaço, você me entendeu?Ele soltou um sorriso como se estivesse se divertindo com toda a situação, mas eu me mantive séria pra ele entender que eu não estava brincando.Ele enfiou a mão dentro do bolso da calça e tirou de dentro um canivete.— Coloca a língua pra fora mocinha.O meu coração começou a bater forte diante da ameaça escancarada dele, e eu passei a pensar que ele realmente era capaz de cumprir o que ele havia falado na ligação, eu fiquei encarando aquele canivete afiado, e me senti incapaz de engolir a saliva.— Você está surda?Eu tentei não demonstrar o quanto estava me sentindo ameaçada e o confrontei.— Eu não recebo ordens de ninguém, eu estou na minha casa, e a única autoridade aqui na ausência do meu pai sou eu, então eu convido você a se retirar, antes que eu use o mesmo modus operandis que você usa.Em um movimento rápido ele segurou o meu pescoço e o apertou, mas eu sendo filha de um homem envolvido com a máfia tive que aprender todos os tipos de luta, então aquele mafioso precisava fazer bem mais do que só apertar o meu pescoço.Eu consegui me livrar do enforcamento em dois segundos e com um único movimento eu fiz ele soltar o canivete que acabou indo parar longe.— Agora você foi longe demais, e o seu pai irá pagar por essa sua desobediência e depois eu volto pra cuidar de você.— Eu vou ficar aqui esperando então.A raiva estampada no olhar dele fez eu novamente sentir calafrios, mas existia algo que me dava segurança, eu sabia que ele jamais seria capaz de fazer mal ao meu pai, pois o meu pai era o único homem de confiança dele.Ele atravessou a porta e deixou o canivete para trás, quando eu escutei a porta da frente bater eu respirei aliviada.— Que cara maluco!Eu caminhei até a porta do meu quarto e o tranquei, mesmo sabendo que se ele quisesse entrar novamente nada o impediria.Eu liguei o som como se nada tivesse acontecido e caminhei novamente pro banheiro pra tomar o banho que foi interrompido, mas enquanto eu estava dentro da água, pensamentos estranhos invadiram a minha mente, eu não fazia ideia que o mafioso mais temido da Itália era jovem e lindo, muito menos que ele fosse recuar diante de uma mulher como eu, mas o que mais me impressionou foi o fato de eu estar pensando nele, mesmo ele tendo tentado arrancar a minha língua.Eu terminei o banho, desliguei o som e comecei a me vestir, mas escutei o meu celular tocando na bolsa e corri pra atender, eu olhei pra tela e vi que era o meu pai.— Vejo que você continua vivo pai.— O que você pensa que está fazendo Ana? Você ficou maluca? Como você ousa se colocar em risco desse jeito?— Eu não entendo o motivo do senhor está chamando a minha atenção pai, afinal você não estava aqui quando esse seu chefe irritante e metido ameliante invadiu a minha privacidade.— Ana, você precisa entender que não pode agir dessa forma com ele, você quer acabar com a nossa vida?— Que vida? Você chama isso de vida? Essa é a sua vida, não me inclua nas suas escolhas, não me obrigue a baixar a minha cabeça pra esse cara que tem idade pra ser seu filho e que usa o senhor de escudo.— Você não sabe o que está falando.— E o senhor não sabe o que está fazendo.— Em casa a gente vai continuar essa conversa.— Trás seu chefe pra gente ter essa conversa a três.Ele encerrou a ligação, e eu joguei o meu celular na parede, mas o barulho foi o suficiente para três cães de guarda invadirem a casa.— Que inferno, pra quê servem essas portas já que vocês entram aqui como se fossem a casa de vocês?Eles olharam em volta sem me responder e verificaram se existia outra pessoa além de mim na casa.— O barulho que vocês ouviram foi do meu celular que eu acabei de jogar na parede, agora podem sair e me deixar em paz?Eles saíram e eu fui pro meu quarto chorar.Por mais forte que eu tentava ser, às vezes era impossível segurar as lágrimas, e por mais amor que eu sintisse pelo o meu pai, a vontade de entregá-lo era imensa, mas se eu fizesse isso, eu acabaria com a vida dele e com a minha, então eu tentava me prender ao pensamento de que eu ainda tinha uma chance de viver uma vida diferente algum dia, quando ele finalmente decidisse me libertar, quando ele finalmente percebesse que aquela não era a vida que eu havia escolhido pra mim.Eu peguei no sono, e acabei acordando com batidas na minha porta, eram seis batidas, com pausas de três em três, era o nosso código.Eu me levantei, abri a porta e esperei ele me dar lições de moral que com toda certeza ele não tinha.ANA..Depois da morte da Aysha, eu passei uma semana com o Kall, eu tentei ser pra ele tudo que eu não fui enquanto ele tentava ser o pai do filho dela.Talvez fosse um pouquinho tarde pra eu ser a parceira que ele precisava, mas eu dei o meu melhor dentro daquela nova realidade.Depois eu tive que voltar pra Espanha, mas antes de ir, eu disse que ele precisava ficar bem para que finalmente a gente pudesse decidir o que seria de nós dois, eu tentei dar pra ele o espaço que eu achava que ele precisava, mas me surpreendi quando ele não me procurou.Os dias foram passando, as semanas foram correndo sem nenhum vestígio dele, e ficou cada vez mais difícil entender o que estava acontecendo.Eu poderia ter ligado pra ele, mas tive medo de estar invadindo o espaço que ele precisava.Eu sempre soube que algumas pessoas levavam um pouco mais de tempo até se recuperar do luto, mas a espera estava me maltratando de uma forma quase insuportável, eu tive noites de insônia, a ansiedade me atacou,
KALL..Eu pensei que nada poderia me tirar daquela bolha em que eu me encontrava com a Ana, mas quando o meu celular tocou, eu senti um leve arrepio na espinha, afinal ninguém tinha aquele número.Eu me levantei pra atender e me assustei ao ouvir a voz do Lion do outro lado da linha...— Kall, a Aysha passou mal e foi levada às presas pro hospital.— Mas ela está bem? E o bebê?— Parece ser sério Kall.— Certo, chego em algumas horas.Eu sabia que a minha atitude desesperada poderia passar uma visão distorcida dos fatos pra Ana, mas eu não tinha como explicar o que nem mesmo eu tinha conhecimento.Eu vi ela chorando, e parecia cruel eu sair daquela forma depois de ter feito sexo com ela, mas eu sabia que depois ela entenderia tudo.Eu tive a sorte de chegar no aeroporto e ter vôo uma hora depois, mal eu sabia o que me esperava.Quando eu cheguei na Itália, peguei o carro no estacionamento e fui pro hospital, chegando lá encontrei a tia Carmem aos prantos nos braços do marido dela, e
ANA..Eu nunca me achei uma pessoa manipulável, embora durante a minha vida eu tenha passado por um processo de manipulação.Quando eu vi o Kall totalmente despido do ego, com a voz calma, totalmente diferente de quando eu o vi mais cedo, eu senti a imensa necessidade de devolver para ele a mesma calma.No fundo eu sabia onde aquela conversa daria, mas vê-lo me ouvir atentamente, levando em consideração tudo o que eu sentia, me fez ter um pouco de esperança, eu não consegui conter as minhas lágrimas porque eu segurei elas dentro de mim por muito tempo, eu tentei ficar bem e reprimi tudo que eu tava sentindo, pra não demonstrar pras pessoas a minha volta o quanto eu estava sofrendo, mas naquele momento na frente dele, eu não vi mais necessidade de esconder, ele precisava entender o que tudo aquilo estava causando em mim e finalmente ele compreendeu.Ter as mãos dele em volta do meu corpo fez eu reviver sentimentos que estavam adormecidos, mas foi a melhor sensação do mundo, era como
KALL..Faltando 5 minutos pras 20:00 horas, eu fui pra parte externa do hotel e olhei pra imensa praça que havia em frente, eu atravessei a pista e fui até lá, e sentei nos bancos.Nesse mesmo momento, um táxi parou, e eu vi a Ana descer e me procurar em volta, eu me levantei e ela me viu.Ela estava linda como sempre, tudo naquela garota me fazia suspirar.O meu coração estava agitado, a minha garganta estava seca, era como se eu esperasse o pior daquela conversa.Quando ela se aproximou de mim, não pude decifrar o olhar dela, parecia que ela havia aprendido a não demonstrar o que ela realmente estava sentindo.— Eu tive medo que não viesse.— Eu pensei em não vir.— Porque marcou aqui?— Eu costumo vir aqui quando quero pensar, o lugar é calmo, bonito e rodeado pela natureza, totalmente o oposto do que acontece dentro de mim a meses.Ela falou com o olhar fixo nos meus.— O lugar é lindo, mas gostaria de conversar com você em um lugar mais reservado.— Que lugar seria esse?— No h
ANA..Quando coloquei os meus pés em solo espanhol, eu parei e pensei: Esse lugar tem a minha cara.Mas era só uma forma de eu convencer a mim mesma que eu estava feliz, afinal eu precisava acreditar nisso.Quando saí da Itália, tentei me apegar ao fato de que aquela decisão estava inteiramente ligada a realidade de ter sido trocada por outra mulher, e que o amor que o Kall sentia por mim era apenas fruto da minha imaginação, foi exatamente isso que me manteve em pé por longos meses.Mas o Kall não tornou esse período nada fácil pra mim, por alguma razão o meu pai não trocou o número do meu celular, e ele sempre mudava de assunto nas vezes que questionei o motivo, mas no fundo eu sabia que era só mais uma forma de fazer eu me entender com o Kall.Meu pai gostava dele, ele idealizou um relacionamento entre a gente, e embora ele dissesse que estava do meu lado, eu sabia realmente o que ele queria, ele não sabia mentir pra mim.O meu celular já acumulava centenas de mensagens do Kall,
KALL..Cinco meses se passaram desde a última vez que eu vi a Ana, os dias foram difíceis e sombrios, e não houve nenhum dia que eu não pensasse nela.Antes do depoimento, o Lion e o Valente foram buscar a Alice e a Sam, e o Valente prometeu que entregaria o celular pra Ana, eles saíram, e uma hora depois eu liguei pro número dela na esperança de marcar de conversar com ela após o depoimento, mas ela não atendeu.Quando cheguei no local do depoimento, eles já estavam indo embora.A Aysha estava comigo, pois ela também precisava depor e me ligou pra que eu fosse buscá-la no hotel, eu fui, mas nada aconteceu entre eu e ela, nem mesmo uma conversa, e embora ela tenha tentado conversar comigo o caminho inteiro, eu me mantive calado pensando no que eu falaria pra Ana.Quando a Ana me viu com a Aysha, o semblante dela endurecido deixou claro que não haveria nenhum acordo ou entendimento entre nós, e a última frase que eu disse pra ela era que eu não iria desistir dela.A Ana foi embora le







