MasukDiana Cross Estava sozinha na cobertura e não via a hora de o Lorenzo voltar. Depois de todo o horror que enfrentei, ficar sozinha por muito tempo me causa um incômodo sutil, uma sombra que insiste em rondar. Preciso superar isso logo, pois nunca fui mulher de baixar a cabeça para nada. No entanto, ser sequestrada, atingida por um tiro e jogada no mar para morrer — ainda mais carregando meus bebês — é um trauma que ninguém merece vivenciar. Por falta de roupas, estou usando as camisas do Lorenzo, que ficam enormes em mim e carregam seu perfume amadeirado. Não vejo a hora de a Beatriz aparecer com o que pedi. O sol já está se pondo e resolvi ir para a cozinha preparar um jantar especial para esperar o meu homem. Ouço o toque da campainha e caminho até a porta com um sobressalto involuntário. Ao abrir, me deparo com Beatriz segurando várias sacolas, ostentando uma carranca que tenta em vão disfarçar sua alegria. — Sabia que eu estou com uma vontade imensa de arrancar os seus cabe
Enzo Bianchi Eu estava há dois dias consumido pela preocupação com o paradeiro de Marcella. Desde a noite em que não a encontrei no hotel e li seu bilhete pedindo para que eu não a procurasse, anunciando sua demissão, fiquei completamente transtornado e incapaz de engolir essa atitude. Tem algo de muito errado acontecendo nessa história e eu vou descobrir o que é, custe o que custar. — Tem algo perturbando você, Enzo. Apesar do nosso curto tempo de convivência, aprendi a ler suas expressões corporais e sei que há algo além do que você me contou — Lorenzo pontua, notando meu visível incômodo. — Vamos, diga logo. A mamma aprontou mais alguma das suas? — Não é nada relacionado à empresa ou à nossa família, mas há algo que está me corroendo por dentro — digo, sentindo o gosto amargo da frustração. — Não sei como agir sem ser invasivo, mas sinto que preciso fazer algo urgente — declaro, levantando-me e caminhando até a janela panorâmica da sala. — Do que se trata, afinal, Enzo?!
Lorenzo Bianchi Depois de alimentar a minha mulher e deixá-la devidamente confortável e acolhida em nossa cobertura, precisei ir até a Valmont para me inteirar do andamento das investigações e do paradeiro daquela inescrupulosa da Antonella. — Olá, Beatriz, Luiz... Como andam as coisas por aqui? — pergunto enquanto passo pela recepção que antecede a entrada da minha diretoria. — Senhor Bianchi! Que surpresa! O senhor voltou e não nos avisou nada — Beatriz se surpreende ao me ver ali. — A senhorita Camilla informou que o senhor já tinha partido de Londres há uma semana, mas não me disse mais nada. — Eu precisei resolver alguns assuntos de extrema urgência e não pude avisar. Ligue para o meu irmão e avise que estou na empresa, e venha à minha sala em seguida — abro a porta e me volto para ela novamente. — Venha assim que conseguir falar com o Enzo. — Sim, senhor! Irei imediatamente — ela responde com a costumeira eficiência e simpatia. Entro na minha sala e me acomodo em minha pol
Leonardo Cross Estava buscando o máximo de controle diante dessa mulher egoísta que foi o canal de entrada de tantas coisas ruins em nossas vidas. Selena convivia conosco e eu a tinha como uma irmã. Por causa da sua irresponsabilidade e egoísmo, minha família está em perigo e eu corro risco de vida sem sequer entender a real motivação. — Qual é o motivo que esse tal de Ramon tem para querer eliminar a mim e aos Bianchi?! — questiono a criatura que chora nos braços da minha mãe, o que me deixa ainda mais irritado. — Ele é o cabeça da organização que comandava as operações de contrabando. Ele usava os contêineres da Valmont como principal meio de transporte — Selena responde, a voz vacilante. — Os Bianchi descobriram as operações e denunciaram tudo às autoridades, que prenderam o executivo envolvido. Isso interrompeu os negócios dele e o fez perder muito dinheiro — ela termina entre soluços que não me comovem. — E quanto a mim e à Diana?! O que nós fizemos a esse bandido?! — press
Ramon Castilho Eu aguardava ansiosamente por notícias sobre a decisão do Francesco Russo a respeito das contas no exterior em troca da libertação de sua família. O infeliz não fazia a menor ideia de que eu não tinha intenção alguma de cumprir com o combinado. Os Bianchi e os Cross mexeram com o homem errado e pagarão caro por essa ousadia. Pretendo usar o idiota do Marcello e aquela patricinha gostosa da Antonella como isca para atrair esses riquinhos metidos a heróis e mandar todos eles direto para o inferno. — Castillo, você tem visita. Vamos... — o agente abre a cela e me escolta até a sala de parlatório onde os visitantes aguardam. Assim que cruzo a porta, dou de cara com quem está ali me esperando: a minha Selena. A mãe do meu filho e a mulher por quem me apaixonei, mas que fui obrigado pelas circunstâncias a ver casada com outro homem apenas para se proteger da minha influência no mundo do crime. — Oi, Ramon... — ela me cumprimenta, a voz embargada pela emoção que sempre
Antonella Russo O alívio de ter sido salva por Marcello não foi o suficiente para diminuir minha angústia sobre quem realmente são os homens que nos resgataram daquela ilha. Durante um intervalo de tempo que não soube precisar, navegamos em alto-mar até sermos transferidos para outra embarcação, que nos levou a um ponto totalmente desconhecido da costa. — Que lugar é este, Marcello?! — pergunto em tom urgente, tomada pelo pavor de não ter qualquer controle e ficar à mercê desses homens estranhos. — É melhor você ficar quieta e esperar. Ao menos a polícia não nos encontrou — ele murmura, mantendo uma calma irritante para o meu gosto. — Eu só quero saber quem são eles! A quem exatamente você pediu ajuda?! — insisto, recusando-me a aceitar o silêncio dele. — Logo, logo você saberá. Agora cala essa boca e fica quieta! — Marcello responde, os olhos faiscando de pura irritação. — Eu estou morrendo de fome! Pode ao menos pedir algo decente para eu comer?! — pergunto, sentindo meu estô







