FAZER LOGINPOV: AYLA
— Então economize suas forças. — Ele bufou, impaciente, as mãos grandes apertando minhas coxas com mais força. — Você vai precisar delas para o que está por vir.
— O que está por vi? O que você vai fazer comigo? — Minha voz saiu trêmula, quase um grito abafado, o soquei mais uma vez. — Me solta!
— Para de se debater assim. — Ele virou a cabeça de lado, pupilas dilatadas. — Ou eu te mordo de novo. E dessa vez… não prometo que paro.
Seus olhos encontraram os meus por cima do ombro. Pupilas em fendas finas rasgando o terroso selvagem das íris. Presas brilhando úmidas. O aperto nas minhas coxas aumentou, possessivo.
Meu corpo inteiro tremeu ao lembrar da mordida no ombro, o fogo, o peso invadindo a mente. Ele me jogou no sofá sem cuidado. A porta bateu e trancou. Agachou na minha frente. Me encolhi, joelhos contra o peito.
— O que você quer de mim? — Uma lágrima escapou. Ele capturou a gota com o polegar áspero, inspirou fundo, irritado.
— Me olhe.
Neguei com a cabeça. Ele segurou meu queixo com firmeza.
— Eu mandei. Me. Olhar.
Abri os olhos, os dele estavam perto demais, terrosos e famintos.
— Você me teme?
— Eu deveria? — Sustentei o olhar, mesmo tremendo. — Você pretende me machucar?
Ele inclinou a cabeça, meio sorriso perigoso revelando presas.
— Depende do quanto você me provocar, pequena.
Sua mão desceu lentamente por meu pescoço, empurrando a alça da camisola. A marca da mordida ficou exposta. Ele contornou a ferida com a ponta do dedo, reverente. O local pulsou quente, queimando. Arrepios subiram pela nuca.
— Você vai me mat…
— Se eu quisesse você morta — ele interrompeu, voz baixa e cortante —, teria deixado você se afogar no rio.
Seus olhos subiram até os meus, intensos, me prendendo ali. O dedo ainda repousava na marca, pressionando de leve, como se quisesse sentir o pulsar acelerado do meu sangue sob a pele.
— Mas eu te salvei.
— Por quê? — Ajustei a postura no sofá, me sentando na ponta, inclinando para mais perto dele. — O que você quer de mim?
Um brilho sobrenatural cortou as íris escarlates dele, como se algo vivo se mexesse lá no fundo, me observando, à espreita, faminto.
— É exatamente isso que pretendo descobrir… — murmurou.
Erguendo o nariz com arrogância, os olhos escarlates faiscando. Estendeu a mão devagar, uma garra negra e curva roçou meu queixo, leve, mas afiada o suficiente para abrir a pele. Um filete quente de sangue escorreu até meu pescoço.
Prendi o ar. Ele inclinou a cabeça, admirando a gota como se fosse preciosa.
— Por que meu lobo abriria mão da sua destinada… — a voz saiu rouca, baixa, misturando raiva e fascínio — …para marcar uma humana comum como você?
Arregalei os olhos, o coração disparado.
— Lobo? Destinada? Do que está falando? — Minha voz saiu trêmula, o olhar desceu instintivamente para o abdômen dele, onde antes havia uma ferida aberta, sangue e carne rasgada. Agora… nada. Pele lisa, marcada apenas por linhas antigas e músculos tensos. — Como… como o seu ferimento sumiu?
Me levantei de repente, empurrando o ar entre nós, recuando.
— Quem é você? — Ofeguei. — O que você realmente é?
Ele se ergueu devagar, imponente, as mãos deslizando para os bolsos da calça com calma irritante. Inclinou a cabeça de lado, os olhos escarlates me estudando atentamente.
— Sou um lobisomem. — Deu de ombros, preguiçoso, quase entediado. — E você, pequena… logo vai ser uma também.
Senti o sangue sumir do rosto. Um suor frio escorreu pela espinha, gelado e lento. Cerrei os punhos úmidos, as unhas cravando nas palmas.
— Não… — Minha voz saiu alta demais, trêmula, irônica. — Isso não está acontecendo. Lobisomens não existem. Nada disso é real. Devia ter alguma merda naquela bebida barata que eu comprei. Só pode estar batizada, eu…
Um estalo alto e grotesco rompeu o ar, o som seco de ossos se partindo e se rearranjando. Recuei, apavorada, os olhos presos nele enquanto seu corpo se contorcia. A pele pareceu ondular antes de ser tomada por pelos densos e negros que se espalhavam rapidamente. Onde antes havia um nariz, um focinho longo e imponente se formou; os dedos se alongaram em garras afiadas que rasparam no chão com um ruído áspero.
As presas surgiram em seguida.
Então veio o uivo.
Alto. Estridente. Selvagem.
A forma humana desapareceu por completo, dando lugar a uma criatura colossal, um lobo negro maior que um urso, musculoso, imenso, os olhos escarlate brilhando com inteligência e algo perigosamente atento.
— U-um… lobo… — minha voz saiu falha, quase um sussurro quebrado.
Dei um passo para trás, pronta para correr, mas ele rosnou. O som vibrou no chão, atravessou meu corpo como um aviso claro.
— Merda… você realmente é um…
As palavras morreram na minha garganta. Isso era real? Lobisomens… existiam mesmo?
O medo lutava contra algo mais forte dentro de mim. Curiosidade. Incredulidade.
Engoli em seco.
Ao invés de fugir, dei um passo à frente, com as mãos tremulas, as ergui devagar em direção àquela fera gigantesca. Fechei os olhos com força por um segundo, como se esperasse ser dilacerada.
— Não é real... isto não é real.
O toquei.
Os pelos eram quentes sob meus dedos. Reais. Macios e grossos, pulsando com o calor do corpo dele. Senti os músculos rígidos se contraindo levemente sob minha palma, como se ele também prendesse o fôlego.
— Sou real, humana! — Sua voz saiu em uma dualidade feroz.
Abri os olhos devagar. Ele já estava de volta à forma humana, alto, segurando meu pulso firme contra o peito quente e nu.
— E quando a Lua atingir o pico mais alto no céu… — os olhos escarlates desceram até os meus — …sua transformação começará.
— Minha transformação? — Tentei puxar a mão, ele apertou mais. — Eu não quero virar uma fera… Eu só salvei um homem na ponte.
— Você não salvou um homem qualquer. — Rosnou em resposta — E agora possui minha marca. Se os outros lobos descobrirem uma humana marcada antes da mudança completa, vão querer te matar.
Aquilo não podia estar acontecendo, era carma?
Por sobreviver duas vezes a ponte maldita?
— Eu rejeito!
— Essa escolha já não é mais sua.
Ele estalou a língua e me puxou com força, colando nossas testas. O calor da respiração dele queimava contra minha boca.
— A Deusa Lua vai decidir se você merece pertencer a nós. — Levantei a mão até seu rosto, como se seu cheiro me puxasse para ele. — Se você sobreviver ao processo.
Agarrando meu pulso, ele os levou aos lábios, roçando as presas antes de selar um beijo demorado, com um rosnado contido que vibrava em seu peito.
— Esta noite… pequena humana, ou você se torna minha companheira de verdade… — Disse rouco, pausado. — Ou morrerá tentando!
POV: AYLA— Para mim, você sempre foi completa e o suficiente! — declarou ele firme, preenchendo a mão em minha bunda em um aperto possessivo, antes de subir a enorme mão por minhas costas até a base da minha nuca, me prendendo ali rente aos seus lábios.Seus olhos terrosos intensos se alinharam aos meus, com os sentimentos crus e puros, transparentes no reflexo de suas íris, com seu lobo à superfície me encarando.— E passarei o resto da eternidade te mostrando o quanto sou abençoado por te ter como minha companheira, minha Luna, minha esposa, minha rainha!Meu coração pulsou intensamente. Senti as bochechas se aquecerem e ruborizarem. Me movi sobre ele provocante, o fazendo rosnar em aviso e apertar mais minha bunda. Me inclinei, roçando os lábios nos dele.— Sua rainha, é? — provoquei de forma deliberada, fazendo suas pupilas dilatarem predatórias. — Gosto de como isto soa… irá me servir?Ele grunhiu, umedecendo os lábios e tocando a pont
POV: AYLA— Com o seu ronco, acho que a vizinhança inteira deve ter despertado — ri, mas ele continuou sério, os olhos fixos em mim. Segurei sua mão contra a minha face, absorvendo o calor de seu contato. — Ei? Eu estou bem e estou aqui com você.— Você tem ideia do susto que me deu? — confessou ele com uma intensidade tão profunda que me arrepiei. — O medo que senti de você nunca mais acordar?— Eu sei… sinto muito por te assustar — respondi. Ele encostou nossas testas, como se precisasse disso, precisasse sentir meu cheiro, meu calor para se ancorar. — Estou viva.Blake respirou fundo, o peito largo subindo e descendo contra o meu. Seus dedos deslizaram pela minha nuca, me puxando para mais perto.— Que bom, não te perdoaria ou me perdoaria se algo te acontecesse… — Blake suspirou pesado, os ombros perdendo o peso que ele parecia carregar por dias. Então provocou, o tom rouco e malicioso. — Onde mais eu encontraria outra humana híbrida? É uma rar
POV: AYLADesviei no último instante e o toquei.— Liberte-se! — ordenei, sentindo a magia pura e etérea emanar de meus poros, de meus dedos até ele.A criatura caiu ao chão, agora de joelhos em sua forma humana, abaixando a cabeça, tremendo.— Esta maldição não lhe pertence mais. Você está livre!Então ele ergueu a cabeça e me olhou surpreso. Cassian estava ali, nu à minha frente, sorrindo em meio às lágrimas.— Eu sabia… — sussurrou ele, quase sem acreditar. — Eu sabia que você o salvaria, que o libertaria de mim… e…— Sinto muito… — sussurrei de volta, com peso no coração. — Gostaria de ter te salvado também. Que fosse diferente e…— Não! — ele se ergueu, imponente, tão parecido com Blake, só que mais maduro, mais velho, mais cansado.Seus olhos encontraram os meus, cheios de gratidão e uma paz que eu nunca tinha visto antes.— Você fez o que eu não consegui. Libertou meu irmão. Deu a ele o que eu nunca pude da
POV: AYLAContinuei andando em sua direção. A escuridão se afastava diante da luz que emanava do meu corpo, como se temesse. Mas a poça de água negra sob meus pés afundava meu corpo conforme eu avançava, como se o lugar onde meu irmão estava o tivesse intencionalmente afogando em coisas ruins, sentimentos ruins, em trevas.— Não, Theo, não é — respondi, a voz cheia de sinceridade. — Falharam com você. Nossos pais falharam. Eu falhei.Continuei prosseguindo. A água negra já chegava ao meu pescoço, tentando me puxar para baixo. Mas eu segui mais fundo, ignorando o peso que me arrastava, ignorando o frio que queimava minha pele.Por ele. Por mim. Por Blake.— Não devíamos ter o deixado… não devíamos ter o temido por ser diferente… — meu corpo vacilou, sendo puxado para baixo. Ra
POV: AYLATheodor inclinou a cabeça, o sorriso psicótico se alargando lentamente. Seus olhos negros brilhavam com deleite cruel.— Ora, irmãzinha… finalmente aceitou seu destino? — perguntou ele, a voz carregada de excitação doentia.O estalo ecoou às minhas costas. Blake já perdia o controle. Sua forma se expandia, não mais como lupino, mas como Lycan. Eu não precisava olhar para saber. A pressão de seu poder fazia os pelos da minha nuca se arrepiarem. O ar se tornava denso. Os rosnados causavam calafrios profundos em meu íntimo.— A… Y… L… A… — sua voz ressoou atrás de mim, grave, distorcida, perigosa. O hálito quente tocou minha pele arrepiada, próximo demais. — M… I… N… H… A!Inspirei fundo, o coração acelerado. Theodor alargou o sorriso psicótico.— Então, irmãzinha… — estalou ele, maligno, me encarando com arrogância. — Conseguirá sozinha derrotar nós dois? Um lobo amaldiçoado e um bruxo corrompido?Cerrei os punhos, nervosa.
POV: AYLAEntão a batida do coração de Blake mudou. Ficou errada. Maldito Theodor. A fera dentro dele começava a perder o controle. Blake lutava internamente para contê-la. Seus músculos tremiam. O suor escorria por seu corpo forte e ferido, se misturando ao sangue das feridas abertas. Mesmo assim, seu corpo continuava brutalmente forte.— Ayla… saia de perto de mim! — gemeu ele, a voz mais aguda, engolindo em seco e afastando o rosto do meu toque. — Fique longe de mim!— Não. Eu não vou te deixar. Me deixe te ajudar a…— Eu disse para ficar longe! — rugiu ele, me empurrando bruscamente para trás, sem me ferir.Arregalei os olhos, surpresa. Ele suavizou o olhar ao me encarar, a dor evidente em cada traço do rosto.— Por favor, pequena… vá embora!Meu peito se apertou com força.&mdash







