登入POV: AYLA
Mal conseguia respirar direito quando a pergunta escapou por entre meus dentes cerrados.
— Eu posso morrer esta noite?
Me engasguei entre a frase, quando uma dor lancinante atravessou meus ossos como se alguém os estivesse esmagando e esticando ao mesmo tempo. Meu corpo inteiro convulsionou.
— Aí, merda… isso dói muito! — gritei, sem conseguir me controlar.
Minhas pernas cederam de uma vez, deslizei para o chão com o corpo pesado, desajeitado, escorregando até me ajoelhar no piso frio. Lágrimas quentes já escorriam por minhas bochechas sem que eu percebesse quando começaram.
O suor frio brotava na testa, na nuca, nas costas, colando a roupa na pele. Meu coração batia tão rápido e forte que sentia cada pancada na garganta, nos ouvidos, nas têmporas.
— Dói... — O ar entrava e saía em golfadas curtas, descompassadas, como se meus pulmões tivessem esquecido como funcionar. Os dentes se chocavam uns nos outros sem parar, o corpo inteiro tremia, não era só medo, era a dor misturada com pânico puro, queimando por dentro. — Faça parar!
Ele se agachou a minha frente, perto demais, percorrendo a ponta dos dedos devagar por meus cabelos, passando por trás da orelha, em um toque quase gentil e possessivo.
Seus olhos escarlates se fixaram nos meus, prendendo, intensos, impossíveis de desviar.
— Não lute contra isso, humana — disse baixo, a voz grave e calma. — É inevitável!
Inclinando mais para frente, seu hálito quente roçou contra meu rosto molhado.
— A dor vai te tornar mais forte!
— Eu não quero ser mais forte! — gritei, a voz rasgada, quase um rosnado que nem parecia meu.
Lágrimas quentes escorreram logo, pingando no chão. Meu corpo tremia sem parar, dentes batendo forte, suor frio encharcando a pele.
— Faça isso parar, por favor… Aiii!
A dor voltou mais forte, como uma faca girando dentro do meu abdômen. Agarrei os braços dele com desespero, cravando as unhas fundo na carne dos bíceps. Senti os músculos se contraírem sob meus dedos, e um grunhido baixo e rouco escapou de sua garganta, não de dor, mas de algo mais primal, quase satisfeito.
— Por favor… eu não quero isso — implorei entre gemidos.
O suor frio escorria pela minha nuca, pelas costas, encharcando a roupa. Meu estômago se revirava violentamente, me forçando a curvar ainda mais o corpo para a frente, quase encostando a testa no chão.
— Não há como parar, pequena — sussurrou ele, a voz rouca e fria, sem qualquer traço de pena. — Aceite a dor. Aceite a transformação…
— Vá para o inferno com sua transformação! — retruquei, apertando os punhos com tanta força que as unhas cravaram nas palmas.
Estava ofegante, a respiração saindo rápidas e irregulares. O pânico subia como uma onda, misturado ao calor insuportável que queimava meu corpo inteiro, subindo do ventre até o peito, me deixando tonta. O coração martelava descontrolado, batendo nas costelas como se quisesse escapar.
— Isso tudo é culpa sua, seu maldito…
Ergui o rosto, os olhos embaçados pelas lágrimas que não paravam de cair. Meus lábios tremiam tanto que mal conseguia formar as palavras direito.
— Você fez isso comigo! Tudo isso é culpa sua!
Abracei a barriga com os dois braços, apertando com força como se pudesse segurar as entranhas que se retorciam dentro de mim. Um frio gelado subiu pela minha espinha, arrepiando cada centímetro da pele.
— Aí, merda… — solucei, tentando puxar o ar, mas era impossível. Cada inspiração saía curta, entrecortada por gemidos roucos. — Isso é demais… é muito…
— Eu sei — rosnou baixo em resposta, com os punhos cerrados ao lado do corpo como se estivesse se contendo.
A dor piorou de repente.
Meu estômago se contorceu ainda mais forte, como se alguém estivesse torcendo tudo por dentro. Os ossos das costas e das costelas protestavam, rangendo, parecendo que iam se partir ao meio a qualquer segundo.
Minha pele queimava, quente demais, como se eu estivesse sendo cozida viva. Um calor súbito e insuportável invadiu cada músculo, cada fibra, subindo do ventre até o peito, descendo pelas pernas, pulsando até a ponta dos dedos das mãos e dos pés.
— Estou com fome… muita fome… — rosnei sem querer.
Me levantei cambaleando, tropeçando nos pés, me apoiei na parede, farejando em volta, indo em direção ao cheiro de comida.
— Preciso de comida… que fome insuportável!
Meu corpo clamava por carne crua, por sangue. A boca enchia de saliva, os dentes doíam.
Ele me seguiu em silêncio, a presença pesada me envolvendo sem tocar. Sentia o poder vindo dele, a aura opressiva cobrindo minha pele.
Abri a geladeira. A luz branca explodiu nos olhos.
— Meus olhos! — gemi, cobrindo o rosto com as mãos. — Estão queimando… a luz tá forte demais…
O zumbido da geladeira, o tic-tac do relógio, meu coração martelando, tudo amplificado, ensurdecedor.
— Esse barulho… por que tanto barulho? — murmurei, tremendo.
— Seus sentidos estão apurando, a flor da pele… — sussurrou ele rouco.
Perto demais, rondando devagar como um predador que sabe que a presa já não tem para onde fugir.
— Faça silêncio! Fiquem quietos! — gritei para o nada, o som ecoando na minha cabeça como marteladas.
Com as mãos trêmulas sair pegando tudo que via pela frente: queijo, presunto, restos de carne fria. Enfiei na boca sem pensar, mastigando rápido, mal engolindo antes de pegar mais.
— Que delícia… — gemi entre uma mordida e outra, o sabor explodindo na língua, mas ainda não era o suficiente. — Mais… eu preciso de mais…
— Você precisa…
— Eu quero mais! — interrompi com um grunhido rouco, apertando a porta da geladeira com tanta força que os dedos doeram.
De repente, uma dor aguda rasgou minhas gengivas.
— Aí… minha gengiva… tá doendo muito!
Toquei com os dedos trêmulos, olhando assustada para ponta dos dedos que escorria o sangue vermelho. Meu estômago revirou, mas não de nojo, de fome.
— Está rasgando… está queimando! — minha voz falho, as lágrimas se misturava ao suor frio no rosto.
Ele se aproximou mais um passo, o corpo grande bloqueando parte da luz da geladeira. Seus olhos fixaram na minha boca, intensos, satisfeitos.
— São suas presas… — disse baixo, a voz grave roçando minha pele. — Estão crescendo.
O calor só aumenta, as dores, minha boca ficou seca, a garganta arranhava, uma sede intensa e insuportável.
— Preciso de água… — murmurei, arrastando os pés até a pia.
Abri a torneira com as mãos trêmulas. Me curvei colocando a boca diretamente na corrente gelada, mas não apagava o fogo que queimava por dentro.
— Está tão fria… — grunhi, ofegante.
Meu corpo inteiro suava, o calor insuportável subindo em ondas. Molhei os pulsos, joguei água no rosto, no pescoço, a deixando escorrer pelo colo.
Passei as mãos molhadas pelo peito, pela barriga, encharcando a camisola fina que agora grudava na pele, transparente, colando nos seios e nas curvas do corpo.
— Que calor… tá tão quente… — Grunhir, a voz saindo mais manhosa, quase um ronronar involuntário.
De repente, senti ele atrás de mim. A presença pesada, quente, colando nas minhas costas sem encostar de verdade.
— Seu cheiro... — Um rosnado baixo vibrava em seu peito, ecoando direto na minha orelha. — Está me enlouquecendo, humana!
POV: AYLA— Para mim, você sempre foi completa e o suficiente! — declarou ele firme, preenchendo a mão em minha bunda em um aperto possessivo, antes de subir a enorme mão por minhas costas até a base da minha nuca, me prendendo ali rente aos seus lábios.Seus olhos terrosos intensos se alinharam aos meus, com os sentimentos crus e puros, transparentes no reflexo de suas íris, com seu lobo à superfície me encarando.— E passarei o resto da eternidade te mostrando o quanto sou abençoado por te ter como minha companheira, minha Luna, minha esposa, minha rainha!Meu coração pulsou intensamente. Senti as bochechas se aquecerem e ruborizarem. Me movi sobre ele provocante, o fazendo rosnar em aviso e apertar mais minha bunda. Me inclinei, roçando os lábios nos dele.— Sua rainha, é? — provoquei de forma deliberada, fazendo suas pupilas dilatarem predatórias. — Gosto de como isto soa… irá me servir?Ele grunhiu, umedecendo os lábios e tocando a pont
POV: AYLA— Com o seu ronco, acho que a vizinhança inteira deve ter despertado — ri, mas ele continuou sério, os olhos fixos em mim. Segurei sua mão contra a minha face, absorvendo o calor de seu contato. — Ei? Eu estou bem e estou aqui com você.— Você tem ideia do susto que me deu? — confessou ele com uma intensidade tão profunda que me arrepiei. — O medo que senti de você nunca mais acordar?— Eu sei… sinto muito por te assustar — respondi. Ele encostou nossas testas, como se precisasse disso, precisasse sentir meu cheiro, meu calor para se ancorar. — Estou viva.Blake respirou fundo, o peito largo subindo e descendo contra o meu. Seus dedos deslizaram pela minha nuca, me puxando para mais perto.— Que bom, não te perdoaria ou me perdoaria se algo te acontecesse… — Blake suspirou pesado, os ombros perdendo o peso que ele parecia carregar por dias. Então provocou, o tom rouco e malicioso. — Onde mais eu encontraria outra humana híbrida? É uma rar
POV: AYLADesviei no último instante e o toquei.— Liberte-se! — ordenei, sentindo a magia pura e etérea emanar de meus poros, de meus dedos até ele.A criatura caiu ao chão, agora de joelhos em sua forma humana, abaixando a cabeça, tremendo.— Esta maldição não lhe pertence mais. Você está livre!Então ele ergueu a cabeça e me olhou surpreso. Cassian estava ali, nu à minha frente, sorrindo em meio às lágrimas.— Eu sabia… — sussurrou ele, quase sem acreditar. — Eu sabia que você o salvaria, que o libertaria de mim… e…— Sinto muito… — sussurrei de volta, com peso no coração. — Gostaria de ter te salvado também. Que fosse diferente e…— Não! — ele se ergueu, imponente, tão parecido com Blake, só que mais maduro, mais velho, mais cansado.Seus olhos encontraram os meus, cheios de gratidão e uma paz que eu nunca tinha visto antes.— Você fez o que eu não consegui. Libertou meu irmão. Deu a ele o que eu nunca pude da
POV: AYLAContinuei andando em sua direção. A escuridão se afastava diante da luz que emanava do meu corpo, como se temesse. Mas a poça de água negra sob meus pés afundava meu corpo conforme eu avançava, como se o lugar onde meu irmão estava o tivesse intencionalmente afogando em coisas ruins, sentimentos ruins, em trevas.— Não, Theo, não é — respondi, a voz cheia de sinceridade. — Falharam com você. Nossos pais falharam. Eu falhei.Continuei prosseguindo. A água negra já chegava ao meu pescoço, tentando me puxar para baixo. Mas eu segui mais fundo, ignorando o peso que me arrastava, ignorando o frio que queimava minha pele.Por ele. Por mim. Por Blake.— Não devíamos ter o deixado… não devíamos ter o temido por ser diferente… — meu corpo vacilou, sendo puxado para baixo. Ra
POV: AYLATheodor inclinou a cabeça, o sorriso psicótico se alargando lentamente. Seus olhos negros brilhavam com deleite cruel.— Ora, irmãzinha… finalmente aceitou seu destino? — perguntou ele, a voz carregada de excitação doentia.O estalo ecoou às minhas costas. Blake já perdia o controle. Sua forma se expandia, não mais como lupino, mas como Lycan. Eu não precisava olhar para saber. A pressão de seu poder fazia os pelos da minha nuca se arrepiarem. O ar se tornava denso. Os rosnados causavam calafrios profundos em meu íntimo.— A… Y… L… A… — sua voz ressoou atrás de mim, grave, distorcida, perigosa. O hálito quente tocou minha pele arrepiada, próximo demais. — M… I… N… H… A!Inspirei fundo, o coração acelerado. Theodor alargou o sorriso psicótico.— Então, irmãzinha… — estalou ele, maligno, me encarando com arrogância. — Conseguirá sozinha derrotar nós dois? Um lobo amaldiçoado e um bruxo corrompido?Cerrei os punhos, nervosa.
POV: AYLAEntão a batida do coração de Blake mudou. Ficou errada. Maldito Theodor. A fera dentro dele começava a perder o controle. Blake lutava internamente para contê-la. Seus músculos tremiam. O suor escorria por seu corpo forte e ferido, se misturando ao sangue das feridas abertas. Mesmo assim, seu corpo continuava brutalmente forte.— Ayla… saia de perto de mim! — gemeu ele, a voz mais aguda, engolindo em seco e afastando o rosto do meu toque. — Fique longe de mim!— Não. Eu não vou te deixar. Me deixe te ajudar a…— Eu disse para ficar longe! — rugiu ele, me empurrando bruscamente para trás, sem me ferir.Arregalei os olhos, surpresa. Ele suavizou o olhar ao me encarar, a dor evidente em cada traço do rosto.— Por favor, pequena… vá embora!Meu peito se apertou com força.&mdash







