Compartilhar

A farsa começa

last update Data de publicação: 2025-11-27 18:09:15

Elara se recompôs rapidamente, criando espaço entre eles.

— Eu não sabia que o senhor estava aqui... Eu... vou ao banheiro. — Ela agitava as mãos no ar, nervosa, deixando claro que a presença dele a desconcertava.

Jon ergueu uma sobrancelha, e um sorriso malicioso surgiu no canto de seus lábios.

Elara passou por ele quase correndo e trancou-se no banheiro. Por alguns segundos, permaneceu com as costas coladas à porta, o coração galopando.

As mãos trêmulas soltaram devagar a maçaneta dourada. Seus olhos refletidos no espelho a julgavam severamente.

"O que diabos você pensa que está fazendo? Você nem o conhece de verdade. E também... só está aqui para cumprir um acordo."

Quase bateu na própria testa, indignada com o rumo que as coisas começavam a tomar.

"Eu só preciso passar por tudo isso... Volte lá antes que ele desista do acordo, afinal, você têm mais a perder do que ele."

Suspirou, pousando as mãos sobre o peito. Girou nos calcanhares e abriu a porta. Caminhou alguns passos sem olhar para a frente — até colidir com o que parecia um muro.

Seu olhar se ergueu para encontrar o peitoral de Jon, que a observava com um sorriso divertido.

— Acredito que você tenha segundas intenções quando está comigo. — A voz dele era baixa, provocante.

Elara percebeu que ele se referia às mãos dela, ainda pousadas sobre o peito dele. Corou violentamente e afastou-se tão rápido que quase caiu, exceto pelos reflexos de Jon que a segurou pela cintura em instinto protetor.

— Desculpe! Eu sou muito desajeitada... Se eu disser que não foi intencional, você acreditaria? — A voz dela tremia.

Jon a viu engolir em seco. A pele dela parecia em brasa sob o toque dele.

"Não é certo. Preciso apenas que ela finja ser minha mulher por um ano. Assim, minha mãe e meu avô não terão o que dizer."

Elara sentiu as mãos dele a abandonar. Suspirou aliviada, enquanto ele se afastava. O toque do celular quebrou o silêncio.

— Amanhã cedo... E o que pedi? — Jon falava com seriedade, os olhos ainda presos nela.

Elara permaneceu imóvel, sem saber se a conversa dizia respeito a ela. Mas a intensidade do olhar dele não deixava espaço para dúvidas.

Jon encerrou a ligação com um breve:

— Bom trabalho.

Em seguida, caminhou até ela. Elara mal teve tempo de reagir quando sentiu os dedos dele desamarrando a gravata de tecido presa à sua cintura.

— Mas... — a voz dela se perdeu quando percebeu a suavidade do gesto. O perfume dele — uma combinação de madeira e menta fresca — a envolvia.

— Comporte-se! Suzane vai entrar em um instante com as roupas e os sapatos! — A voz dele soou serena, quase angelical, e isso a desarmou ainda mais.

Seus pensamentos se confundiam quando uma batida na porta interrompeu o momento.

— Entre! — disse Jon, sem alterar o tom.

A porta se abriu e uma mulher loira, de aparência etérea, entrou no ambiente.

Elara permaneceu imóvel, surpresa. Jon, aproveitando o instante, a segurava pela cintura, num gesto tão natural quanto provocante.

"Mas o que ele pensa que está fazendo?"

Os olhos de Suzane pescaram cada detalhe: a gravata entre os dedos de Jon, escorregando pela cintura de Elara, e os dois primeiros botões da camisa de seu chefe abertos, revelando parte de seu peitoral.

Ela engoliu em seco. Era a primeira vez que o via em roupas de dormir.

"Nossa! Como ele pode ser ainda mais sexy vestido assim? Isso é seda... ou veludo? Queria tanto tocar-lhe ..."

A voz de Jon cortou seus devaneios:

— Por acaso você não está esquecendo de alguma coisa, Suzane? — O tom era denso, firme, capaz de deixar marcas no ar.

A mulher empalideceu. Lembrou-se do mostruário de roupas, que trazia consigo e o puxou à frente de Elara e Jon, junto com as sacolas penduradas nos ganchos ao lado das roupas.

— Sinto muito... me distraí por um segundo. Senhor Jon, aqui está tudo o que me pediu! — A voz dela saiu entrecortada, denunciando o efeito que ele causava nela.

 Elara podia jurar que sentira o olhar cortante que a loira lhe lançou. Suas mãos apertaram instintivamente as de Jon, ainda firmes sobre sua cintura.

— Obrigada, Suzane! Pode deixar aí. Minha noiva vai escolher as combinações que mais lhe agradarem. — A voz dele era leve, mas aveludada o bastante para arrepiar a pele de Elara.

Suzane pigarreou, chamando a atenção do casal.

— Mas eu pensei que o senhor estivesse noivo da senhorita Bianca, senhor Odero... — insinuou, com um sorriso traiçoeiro.

Jon virou-se lentamente, o olhar ferino por sobre o ombro de Elara.

— Não sabia que a senhorita Cortês também incitava rumores por aí. — A frieza em sua voz era cortante.

Elara sentiu as mãos dele deslizarem sobre as suas — um gesto protetor, ou provocador, ela não sabia dizer.

"Quando isso vai acabar? Ele está me provocando deliberadamente... ou tentando me ensinar como devo reagir?"

Elara pegou a deixa e resolveu agir.

— Pensou errado, Suzane. E, a propósito... não posso dizer que é um prazer conhecê-la. — O veneno na voz de Elara foi certeiro.

Jon conteve o riso, satisfeito pela atuação de sua futura noiva.

— Perdoe-me se fui grosseira, senhor. — Suzane fez uma reverência exagerada em direção a Jon, que apenas gesticulou de modo ríspido.

— Avise a todos: se alguém maltratar minha noiva, vai se entender diretamente comigo. — Sua voz gélida fez o ar parecer mais denso.

Suzane saiu aos tropeços.

Elara, aliviada, desfez-se da encenação. Mas ainda sentia a sombra perigosa de Jon pairando proximo a ela. Assim que a porta se fechou, ela afastou-se rapidamente do toque dele, tentando despir-se daquele papel constrangedor.

As mãos dela repousaram sobre o peito, buscando ritmo. Jon a observava com um interesse indecifrável. O olhar dele percorreu devagar os botões da camisa que ela vestia- dois deles abertos-seus olhos jamais abandonaram sua presa.

— Estou intrigado — disse ele, a voz grave, mas com um toque de doçura e curiosidade.

Elara podia sentir o quanto estava prestes a se queimar.

— O que está intrigando o senhor? — murmurou, tentando escapar de seu campo de visão. Mas, a cada passo que dava para trás, ele avançava.

As costas dela tocaram a parede fria. O coração batia forte demais — como se a própria parede a empurrasse de volta para ele.

"Por que isso está acontecendo?"

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • MEU CEO NADA VIRTUOSO    Sob segurança

    Antes que desistisse de protegê-la e decidisse ficar, Jon fechou os olhos com força para, em seguida, retirar-se dali. Porém, seus planos foram por água abaixo quando ela o abraçou pela cintura.Seu mundo inteiro se desfez sob o toque e o choro silencioso. Aos poucos, sentiu suas costas umedecerem."Como vou dizer a ela que é para protegê-la que estou fazendo isso?"As mãos dela apertaram ainda mais em volta da cintura dele.— Por favor, Jon. — A voz embargada o quebrou ainda mais. — Não vá, não me deixe sozinha.Jon apertou as suas mãos sobre as dela."Como posso dizer a ela o motivo de deixá-la aqui?"Fechou os olhos e reuniu toda a coragem que não tinha até aquele instante.— Elara, você é a única mulher que amo de verdade. Esteja ciente disso, mas é por este mesmo motivo que tenho que deixar você por uns dias.As mãos dela permaneceram no mesmo lugar. O choro ainda era audível.— Está a me punir, não está?Jon virou-se por completo para encará-la. O belo rosto de sua amada estava

  • MEU CEO NADA VIRTUOSO    Medo e mistério

    ​A viagem seguiu silenciosa até a mansão de Roberta. Assim que ele parou diante da propriedade, ela encarou as costas dele sem nenhuma expressão.​Ele devolveu o olhar através do espelho.​— Sei que você gostaria que o Jon soubesse a sua verdadeira identidade — ela pausou por um instante. — Mas sabe, Botelho, tudo isso pode desencadear inúmeros problemas para nós.​Ela não parecia estar mentindo, porém ele sabia que era mais uma vez uma espécie de peça no imenso tabuleiro que ela havia criado há muito tempo.​Ele sorriu levemente enquanto encarava o lado oposto da mansão.​— Não se preocupe com a sua mancha do passado, eu mesmo cuido disso.​Roberta o encarou, atônita.​— O que quer dizer com isso? Você... — ela apontou para ele, nervosa.​Ele virou-se para encará-la nos olhos.​— Sempre pensei que você faria uma escolha entre mim e o Antony, mesmo depois daquele fiasco que foi a sua festa de casamento.​Ambos encaravam-se numa disputa sem ganhadores ou troféus. Ele deixou que o olhar

  • MEU CEO NADA VIRTUOSO    Primeiro Round

    ​Jon abriu a porta de uma vez só. Deitou Elara na cama e tomou posição ao seu lado, abraçando-a contra o peito, de modo que ela se assemelhasse a um bebê no útero da mãe.​— Desculpe! Eu... sinto muito! — A voz dela saiu embargada. As lágrimas corriam vertiginosamente por sua bela face.​Seus olhos estavam inchados e vermelhos. Jon acariciava gentilmente o rosto dela, beijando devagar a trilha por onde as lágrimas passavam. Ele segurou a face de Elara nas mãos, obrigando-a a encará-lo.​— Não se preocupe com nada, estou aqui com você. Não me importa o seu passado, Elara, já resolvemos tudo isso!​Ela podia sentir o quanto ele estava sendo gentil e a quantidade de confiança que esperava que ela também depositasse nele. Sentiu um calor agradável tomar conta de seu coração.​"Então é assim que é ser amada e protegida?"​Ela ergueu-se até alcançar os lábios dele. Podia ouvir sua respiração, enquanto os olhos dele permaneciam fixos na boca dela.​— Obrigada, Jon. Você é muito melhor do que

  • MEU CEO NADA VIRTUOSO    Prenúncio do fim

    Elara sentiu o mundo cair a seus pés.​"Será que o sol nasceu ao contrário?"​Ela engoliu em seco. Surgiu-lhe de repente um frio na barriga.​"Será que ele vai me rejeitar?"​Jon permaneceu ali com um anel de diamante estendido a ela. Era uma versão ainda maior que a anterior. Muito mais delicada.​— Eu sei que não fui nada santo com você, Elara, mas... — antes que ele terminasse de falar, ela o abraçou pelos ombros e sorriu com o rosto colado ao seu colo.​— Aceito. Só não seja mentira, por favor, Jon Galdruno! — as palavras doces e gentis saíram vacilantes.​Jon abraçou sua cintura firmemente para então ergual-a junto dele. Seus olhos se encontraram por um instante.​— Eu não sou mentira, minha doce Elara! — sem aviso, ele a tomou num beijo lento que tornou-se viciante.​Jon sorriu contra os lábios dela; os dois estavam sem ar. Ela foi a primeira a afastar-se para encará-lo. Ele a deixou deslizar devagar de seus braços para o chão, mas sem soltá-la por completo.​— Quero marcar a da

  • MEU CEO NADA VIRTUOSO    Senhora

    Enquanto isso, Bianca e Tânia dividiam a mesma cela. Vince estava em um lado separado delas. — MALDITOS! — Bianca chutava as grades da cela com toda a força. Tânia estava sentada na cama beliche, ao lado de alguns poucos pertences e de uma mesinha com cadeira ali próxima. Ela suspirou ao ver o comportamento da sobrinha. Terminou fechando o livro que estava lendo, ao mesmo tempo em que dizia algo em voz alta: — Pare com esse chilique! Acha que alguém se importa com você? — Tânia se ergueu da beliche como quem está diante de uma passarela e caminhou em direção contrária à outra. — Sabia, Bianca, você é muito impulsiva. É por este motivo que Jon não está com você! Bianca girou o corpo de uma vez só, dando de cara com Tânia. Ambas estavam agora encarando uma à outra. — O que quer dizer, tia? Fale claramente! — perguntou, encarando a outra. Tânia aproximou-se da parede e a riscou com um pedaço de lápis roído que havia encontrado por ali. Bianca encarou os rabiscos como se ho

  • MEU CEO NADA VIRTUOSO    Senhora Galdruno

    As palavras dela lhe caíram como uma bofetada dolorosa. Ele segurou firme os braços dela, impedindo-a de afastar-se dele.— Repita o que você disse agora! — A voz dele saiu grave.Elara sentiu o frio percorrer sua espinha."Ele vai surtar, mas, se eu não fizer assim, pode ser que jamais me livre de seu domínio. Afinal de contas... ele me julga como sua propriedade, isso jamais será amor."Os olhos dele estavam nela sem pestanejar. Havia ali uma mistura de obsessão e loucura que ela não sabia explicar.— Jon. Eu não posso cumprir este acordo. Ainda nos restam onze meses e nós já estamos envolvidos de uma forma bem errada. — A voz dela foi ganhando uma outra dimensão na cabeça dele.— Do que diabos está falando? — Ele a sacudiu. — Você enlouqueceu por acaso? Estou aqui me declarando para você e me lembra desse maldito contrato? — Estava exaltado.Sentiu as mãos dele apertarem ainda mais.— Estou disposto a esquecer seja lá o que teve em seu passado. Não vou mais buscar quem você realme

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status