FAZER LOGINA palavra minha ecoa na minha mente, repetindo-se como um sussurro insistente, fazendo meu coração bater mais rápido — não apenas de medo, mas de algo que não consigo nomear. Assustada… e, ao mesmo tempo, estranhamente curiosa.
Os lobos têm essa mania. Quando sentem o cheiro de suas verdadeiras companheiras, quando reconhecem aquilo que é destinado a eles… pronunciam essa única palavra. Pequena. Simples. Mas carregada de um significado profundo, quase sagrado. Observo-o se aproximar lentamente, cada passo calculado, como se estivesse lidando com algo frágil… como se tivesse medo de que eu fugisse ao menor movimento brusco. E, sendo sincera… ele não está errado. Mas algo não faz sentido. Como ele sentiu meu cheiro? Quando Eros me marcou à força, tudo em mim mudou. Meu cheiro desapareceu completamente, encoberto pelo dele, como se minha própria essência tivesse sido apagada. Era assim que funcionava… sempre foi assim. E ainda assim… o lobo à minha frente me encontrou. — Você está bem? — ele pergunta. Sua voz é rouca, profunda… poderosa. Não é apenas um som — é uma presença. Como um trovão cortando o céu em silêncio. Há autoridade nela, força… experiência. A voz de alguém acostumado a liderar, a lutar… a ser seguido. Um guerreiro. Talvez até mais do que isso. — Estou! — é a única coisa que consigo dizer, minha voz saindo mais baixa do que o normal. Ele dá mais um passo. E, finalmente, mesmo com a luz fraca da lua, consigo vê-lo melhor. Ele não é como Eros. Nem de longe. Eros tem uma beleza quase perfeita, fria, calculada… quase angelical. Mas o homem à minha frente… é diferente. Real. Intenso. Seus cabelos são medianos, ondulados, alguns fios caindo de forma despretensiosa sobre o rosto. Sua pele é morena, com um bronzeado natural que denuncia o contato com o sol — algo raro entre as paredes do castelo. A barba por fazer dá a ele um ar mais sério, mais bruto… mais verdadeiro. E seus olhos… Antes dourados, dominados pelo lobo… agora revelam um tom escuro, profundo, carregado de algo que não consigo decifrar. Ele é… lindo. Mas não de uma forma delicada. Ele parece um príncipe… não de contos de fadas, mas de batalhas. — Você está me olhando muito! — ele diz, e há um leve tom de humor em sua voz, quase quebrando a tensão entre nós. Percebo então o que estou fazendo. Desvio o olhar rapidamente, sentindo um leve calor subir pelo meu rosto. Levanto-me do chão com pressa, ajeitando meu vestido, tentando recuperar algum controle sobre mim mesma. — Muito obrigada por me ajudar… mas eu preciso ir! — digo, apressada. Me viro para sair, o impulso de fugir ainda gritando dentro de mim. Mas não vou longe. Ele segura meu pulso. O toque é firme… mas não machuca. E isso, por si só, já é estranho demais. Não há dor. Não há imposição. Não há prisão. É… diferente. O calor que se espalha pela minha pele não queima como a marca de Eros. Não fere. Não corrói. É um fogo suave… quase acolhedor. Um convite silencioso para ficar. Minha pele reage de forma traiçoeira, como se reconhecesse algo antes mesmo da minha mente aceitar. Como se… quisesse aquele toque. Tento me soltar, puxando o braço com um pouco mais de força, mas ele não cede. Seus dedos permanecem firmes ao redor do meu pulso, não agressivos… mas impossíveis de ignorar. — Pra onde você vai? — ele pergunta, a voz mais baixa agora, porém carregada de curiosidade… e algo mais profundo. Mordo os lábios, desviando o olhar por um instante, observando sua mão segurando meu braço. É inevitável perceber a diferença. Não há dor. Não há aquela ardência constante que me acompanha desde que fui marcada. Pelo contrário… É como se o simples toque dele aliviasse tudo. E, por um segundo perigoso, eu quase cedo à vontade de ficar ali… só mais um pouco. — Eu preciso ir para casa… tenho horário! — explico, tentando manter a voz firme. Um riso baixo escapa dos lábios dele, quase incrédulo. — Horário? — ele repete, arqueando levemente a sobrancelha. — Não é muito grandinha para ter horário? Lanço um olhar sério em sua direção, o suficiente para fazê-lo soltar um suspiro, como se percebesse que aquilo não era uma piada. — Eu quero te conhecer… — ele continua, agora mais sério, seus olhos fixos nos meus. — Saber quem é a minha companheira! A palavra pesa no ar. Companheira. Quantas vezes eu sonhei com isso? Quantas vezes imaginei como seria esse momento? Mas não assim. Nunca assim. — Olha… não tem muito o que saber sobre mim. — digo, desviando levemente o olhar. — E, sinceramente… acho melhor que você me rejeite! As palavras saem, mesmo contra tudo dentro de mim. Vejo a mudança imediata em sua expressão. Uma mistura de irritação e confusão atravessa seu olhar. — Eu nunca irei rejeitar a minha companheira! — ele responde, firme. E então… algo muda. Seus olhos se desviam para o meu pescoço. Para a marca. O ar ao nosso redor parece ficar mais pesado. Seus olhos voltam a brilhar em um dourado intenso, feroz. Seu lobo não está apenas à superfície agora… ele está furioso. — Quem ousou marcar você? — sua voz sai mais grave, carregada de raiva. — Você quis isso? — ele aperta levemente meu braço, não o suficiente para machucar, mas o suficiente para mostrar a tensão que cresce nele. — Você deve estar sentindo dor! Engulo em seco. — É… complicado. — respondo, minha voz mais baixa agora. — Eu não tenho muito tempo pra explicar agora. — olho rapidamente na direção do castelo, mesmo que ele não esteja visível dali. — Se você quiser… eu volto amanhã. No mesmo horário… e te explico tudo! Ele rosna baixo, o som vibrando no ar, fazendo um arrepio percorrer meu corpo. Solto um suspiro, juntando o pouco de coragem que me resta. — Por favor… — peço. Por um instante, ele apenas me encara, os olhos dourados ainda intensos, como se lutasse internamente entre me manter ali… ou me deixar ir. Então, lentamente… seus dedos afrouxam. E ele me solta. No mesmo instante, a ardência retorna, cruel, como se nunca tivesse ido embora. Minha pele queima, a marca pulsa… e, por um segundo, quase imploro para que ele me toque de novo. Mas não posso. — Amanhã! — ele diz, firme. Assinto rapidamente, sem coragem de dizer mais nada. E então eu corro. Corro de volta para o castelo, com o coração disparado… e a sensação de que, a partir daquele momento… nada mais seria o mesmo.Logan me carrega no colo com uma facilidade impressionante, ele não para de me beijar enquanto me carrega para nosso quarto. Antes de entrar, Logan me prensa na parede ao lado da porta do nosso quarto, seus lábios descem pelo meu pescoço, beijando e me lambendo. — Você é uma delícia! — Ele sussurra. Minha respiração está ofegante, seguro seus cabelos, sinto um arrepio com sua barba por fazer passando pela minha pele quando ele me beija. Escuto passos, me desconcentro de Logan e vejo guardas parados próximos de nós, de cabeça baixa. Tento fazer Logan se afastar de mim, com vergonha dos guardas vendo a cena. — Logan, os guardas! — Murmuro, tentando empurrá-lo. Ele para de me beijar, olha para os guardar e solta um suspiro. Volta a me beijar. — O que vocês querem? — Ele diz enquanto beija meu pescoço. Que vergonha! — Senhor, queremos saber se é para finalizar a festa ou permiti que os súditos continuem no castelo por mais tempo! — Um dos guardas diz claramente envergonhados. Lo
O som da multidão ainda ecoa pela praça, vibrando no ar como uma onda que não quer cessar. “Longa vida ao rei Logan” se repete de todos os lados, mas, para mim… tudo começa a desaparecer. Porque ele está me olhando. No meio de todo aquele caos, de toda aquela vitória… Logan me encontra. Seus olhos. Fixos nos meus. E então, de forma simples, quase imperceptível para qualquer outra pessoa… ele faz um gesto com a cabeça. Me chamando. Me permitindo ir até ele. É tudo o que eu preciso. Sem pensar, começo a correr. O mundo ao meu redor vira um borrão — vozes, pessoas, sons… nada mais importa. Meu coração dispara, não de medo, não de tensão… Mas de alívio. De finalmente saber que acabou. Quando chego até ele, não diminuo o passo. Eu me jogo. Meus braços envolvem seu pescoço com força, e Logan me segura no mesmo instante, firme, como se nunca fosse me deixar cair. Ele me puxa contra o corpo dele, me envolvendo completamente, e por um segundo… eu só respiro. Sinto ele. Quente.
O ar muda — não de forma visível, mas de um jeito que todos sentem. A praça inteira parece prender a respiração ao mesmo tempo, como se a própria terra reconhecesse o que está prestes a acontecer. O silêncio já não é apenas expectativa… é algo mais antigo, mais primitivo, vibrando sob a pele de cada pessoa presente. Logan e Eros não dizem mais nada. Não precisam. O olhar entre eles já carrega tudo — ódio, domínio, território… e a promessa de sangue. Então acontece. O primeiro sinal é nos olhos. Os de Eros escurecem ainda mais, a íris sendo engolida por algo selvagem, instintivo. Seu corpo enrijece, e logo em seguida seus músculos se contraem de forma violenta sob a pele, como se algo dentro dele estivesse rasgando caminho para fora. Um som grave escapa de sua garganta — meio rosnado, meio dor — enquanto sua postura muda completamente, deixando de ser apenas um homem… e se tornando algo muito mais perigoso. Logan é diferente. Não há descontrole. Não há luta contra o que e
À medida que nos aproximamos da cidade, o som das vozes começa a crescer. Primeiro distante. Depois… impossível de ignorar. Uma multidão. Gritos. E então, acima de todos, uma voz que eu reconheceria em qualquer lugar. Eros. — EU DESAFIO VOCÊ, PRÍNCIPE! — o grito ecoa pela praça, carregado de fúria e autoridade. — SE ESCONDER NÃO VAI TE SALVAR! Meu corpo enrijece ao ouvir aquilo, mesmo com a nova força correndo em mim. Instintivamente, aperto o braço de Logan ao meu lado. Ele não recua. Não hesita. Apenas inclina levemente o rosto na minha direção. — Fica perto de mim — diz, firme, baixo o suficiente para que só eu escute. Assinto. Meus dedos se fecham com mais força em seu braço, buscando estabilidade… e encontrando. Juntos, começamos a caminhar. Cada passo nos leva mais perto da praça, mais perto do centro do caos. As pessoas começam a se afastar conforme nos veem, abrindo caminho quase automaticamente. E então… Nós o vemos. Eros está no meio da praça, imponente, c
O som vem primeiro. Passos rápidos atravessando a floresta, firmes, determinados… e então o ar ao meu redor muda. A presença dele chega antes mesmo de eu conseguir vê-lo, intensa, dominante, fazendo algo dentro de mim reagir imediatamente. Logan. Joseph se levanta no mesmo instante, atento, mas não em posição de ataque. Porque ele também reconhece. E então Logan surge entre as árvores. Os olhos dele encontram os meus… e tudo para. A expressão em seu rosto muda drasticamente. A tensão que já estava ali se transforma em algo mais profundo, mais perigoso. O olhar percorre meu corpo, absorvendo cada detalhe — a palidez, a fraqueza, os sinais do que aconteceu. E algo dentro dele… se quebra. Ou pior. Se enfurece. — Lilian… — a voz dele sai mais baixa do que o normal, carregada de algo que vai além de preocupação. Ele se aproxima rápido, sem hesitar, ajoelhando-se à minha frente. A mão dele vem até meu rosto com cuidado, completamente oposta à brutalidade que ainda marca minha pe
O frio é a primeira coisa que sinto.Ele vem antes mesmo da consciência completa, infiltrando-se nos meus ossos, tornando tudo pesado… lento. Quando abro os olhos, a escuridão do porão ainda está ali, densa, sufocante, e por um instante levo alguns segundos para entender onde estou.Então tudo volta.De uma vez.Eros. A dor. As palavras.Meu corpo reage imediatamente, um arrepio atravessando minha pele enquanto tento me mover. Um erro. A dor vem forte, espalhando-se pelas costas, pelos braços, pelo corpo inteiro, como se cada músculo protestasse ao menor movimento.Um gemido baixo escapa antes que eu consiga impedir.Estou fraca.Mais do que imaginei.Me encolho um pouco, tentando conter o tremor, abraçando a mim mesma em busca de algum calor que não existe ali. O chão de pedra está gelado, roubando qualquer resquício de força que ainda tenho.Respiro fundo, mas até isso dói.Então…O som.A porta.Meu corpo inteiro se enrijece.O rangido pesado ecoa pelo porão, alto demais no silênci







