INICIAR SESIÓNMARIA AMARAL
Dias depois.
Um vestido vermelho colado ao meu corpo, com apenas uma alça adornada de pedrarias, um pouco acima do joelho. Um sapato enfeitado com as mesmas pedrarias, nada confortável. É assim que estou na frente do espelho na casa de Candy.
— Ande um pouco para se acostumar. Não vai querer passar vergonha entre milionários e bilionários... e talvez um certo trilionário. — Candy fala enquanto passa um batom escuro nos lábios, que estranhamente combina com seu vestido curtíssimo lilás.
Faço o que ela pede, dou algumas voltas cambaleantes pelo quarto, mas logo me acostumo. Meus pés doem no sapato, e eu ignoro.
Quando ela está satisfeita, chama um motorista de aplicativo e somos levadas a Casa dos Sonhos. Um local onde homens e mulheres buscam prazer em corpos que se dispõem a serem comprados por uma noite.
Meu objetivo ali é apenas um: Amaymon Seven. Por tudo que ouvi falar desde que cheguei ao morro, ele é a pessoa que tem o poder para nos proteger e livrar meu irmão das dívidas com o dono do morro, dividas que ele adquiriu para me salvar, para ter a cabeça daquela bruxa. Talvez seja muita pretensão para uma garota quebrada de dezessete anos, mas eu quero tentar. Preciso fazer algo para compensar os sacrifícios do meu irmão. Esses anos de merda me tiraram a alma, e dele tiraram o coração. Ter que cumprir as ordens de Jafar o destrói. Aquele homem desumano ordena mortes injustas e torturas desnecessárias. E João tem que cumprir, pela dívida que adquiriu para me salvar. Ele me tirou de uma prisão, entrando em uma.
Respiro fundo, afastando os pensamentos. Eu vou conseguir. Preciso conseguir. Conquistar esse Seven vai salvar o meu irmão. Esta noite preciso ser uma mulher fatal e conquistar esse homem.
— Vamos! — digo decidida.
*Com minha identidade falsa na bolsa e muita determinação, passo pelas portas imensas do salão. Alguns olhares se viram em nossa direção. Mas infelizmente nenhum é o dele. Ele não está aqui. Pelo menos não visível, talvez possa estar em um dos quartos do segundo andar, com alguém. Isso seria péssimo para os meus planos.
Coloco um sorriso no rosto e sigo Candy, que me apresenta a várias pessoas.
Em menos de trinta minutos, recebo cinco convites para o quarto vip. Eu sou a novidade aqui. Alguns clientes nada sutis, foram logo perguntando meu preço. Apenas sorri e recusei, alegando ser meu primeiro dia e que queria conhecer um pouco mais do lugar.
Estava quase desistindo dos meus planos quando os olhares foram para a porta de entrada. Lá estava ele, sozinho. Diferente dos homens de terno e gravata que desfilavam, ele se vestia com uma camisa preta que deixava parte de uma tatuagem em seu braço a mostra, e um jeans surrado claro. Nos pés um sapato preto, e para completar o visual, lindos olhos cinza, cabelos curtos grisalhos e barba também.
Se eu sentisse atração por alguém seria por ele. Lindo de doer os olhos. O homem se vestia de acordo com o clima atual da cidade, não com sua conta bancaria.
Antes que eu possa me aproximar, uma loira sorridente gruda em seu braço. Ela também está com um vestido vermelho, porém longo, com decote e fendas enormes.
— Não te falei. — Candy me cutuca, como se contasse uma fofoca. — Ela é fixa dele. Teve outra antes dela, mas ficou emocionada e perdeu a vaga.
— Nada de desistir — digo para mim mesma, mantendo a postura.
— Qual o plano? — dou de ombros apenas. — Você veio sem um plano? — pergunta horrorizada.
Lembro do homem que peguei na praia com Branca.[1] Um dos Seven. Qualquer coisa uso a localização do filho desse homem como meio de me aproximar, mas só em último caso. Não quero atrapalhar Branca e seu romance. Era para eu ter vindo aqui naquele dia, mas desisti quando cheguei em casa e encontrei meu irmão ferido de mais um de seus trabalhos. Nada grave, mas optei por cuidar dele. O que foi bom, pois consegui descobrir que minha amiga tinha um Seven “prisioneiro” antes de estar aqui, diante do homem que preciso conquistar.
— Vou ao toalhete — murmuro.
Sem esperar resposta, me afasto da mesa de bebidas, onde estava com Candy. Fico no banheiro alguns minutos pensando e sem chegar a nenhuma conclusão de como me aproximar dele sem procurar briga com a loira fixa. Quando saio, vejo o Seven sozinho perto da mesa de bebidas. Não perco tempo, vou logo me aproximando. É a minha chance.
Talvez eu tenha ido rápido demais, porque quando chego um pouco perto dele, meu pé vira na sandália desconfortável, que quebra as malditas correias finas, me fazendo perder o equilíbrio.
Fecho os olhos ao sentir a queda... o chão se aproximando... Mas não vem. Demoro tanto para entender que estou nos braços do homem que ele ri.
— Tudo bem, meu doce?
— Hum? — murmuro meio desnorteada, me sentindo uma criança que ainda não aprendeu andar. — Sinto mu... — nem consigo completar o pedido de desculpas, sou literalmente arrancada dos braços do homem lindo e cheiroso que me amparou. E por causa do sapato quebrado, caio de bunda no chão.
[1] Referência ao livro anterior.
AMAYMON SEVENHoje é mais um dia de baile. Depois que meus filhos começaram a se apaixonar, e devo confessar que eu também, esse castelo anda muito movimentado. Estou sentando em um sofá com a cabeça da minha mulher gravidíssima em meu colo enquanto vejo a movimentação.Hoje os pais dela estão presentes. A nossa convivência está cada dia mais harmoniosa. E acreditem ou não, o senhor Amaral está gostando do cargo de prefeito, pensando até em reeleição. — Está pensando em que, amor?— Como administrar seus amantes quando eu estiver velho demais para te satisfazer — brinco. Maria revira os olhos e me belisca, ela sabe que é brincadeira, que não tenho esse tipo de insegurança.Eu sou um homem vivido, que confia no amor da minha mulher. Enquanto eu puder dar prazer a ela, tudo certo. Se um dia a idade se tornar um problema, pensaremos em como resolver. Sofrer pelo futuro é tolice.A noite segue entre pausas para descansar da agitação da família e muita comilança da minha doce esposa grávi
MARIA AMARALO assunto pela cidade é o mesmo: O suicídio do prefeito. Meu pai está quase fazendo buraco no chão da casa, andando de um lado para o outro.— Prefeito, eu? Eu não sei se dou conta disso — murmura de novo.— A melhor coisa que aquele homem fez foi suicidar. — João diz descascando uma maçã e me passando pequenos pedaços. Depois da quantidade de doces que comi ontem, preciso de frutas. Eu estava descascando, mas ele sentou ao meu lado e tomou meu trabalho.— Não diga isso, filho. — Mamãe olha triste para João. — Ninguém merece morrer assim.— O senhor dá conta sim. Eu estarei ao seu lado. No fim, nosso negócio de pai e filho vai ser mais que um simples comércio. Sem falar que seu genro conhece muita gente poderosa, não tanto quanto ele mesmo, mas poderosas. Ele pode ajudar.— Seu noivo é tão rico assim? — mamãe pergunta olhando para mim.Assinto.— O cara mora em um castelo de verdade. Deixa eu mostrar pra senhora. — João pega o celular e busca imagens do castelo dos Seven.
JOÃO AMARALEssa calma desse Seven me dá nos nervos. E só piora ele não dar detalhes do que pretende fazer.— Caralho! — resmungo enquanto saímos da sala.— Boca suja — ele devolve calmamente.— Dá para dizer o que pretende?— Vamos torturar esse pedaço de merda e ao fim do dia de hoje haverá um suicídio, mesmo que seja forçado.Gargalho.— Pedaço de merda? Depois diz que minha boca é suja.Saio rindo. No caminho, me despeço da gatinha da recepção com uma piscadela. Essa noite a trepada está garantida.— Vamos naquela loja comprar doces para Maria. — Ele sugere mostrando a loja de fachada colorida do outro lado da rua da prefeitura.Dou de ombros e seguimos para o local. O atendente sorria de orelha a orelha pela quantidade de produtos que o Seven comprava. Se minha irmã comer todos esses doces, ela explode. Ah, não passou nem cinco minutos que entramos na loja e o prefeito saiu apressado. Aposto que foi ver a mulher e as filhas. Os filhos dos outros pode sofrer, os dele não. Maldito!
AMAYMON SEVENO sorriso que o meu cunhado deu ao ouvir a frase “Hoje teremos um suicídio” foi meio que assustador. Acho que ele sabe exatamente o que pretendo.— Posso participar?— Seria uma pena se não participasse.— Então come logo. Estou doido para ver um suicídio.Sorrio de canto. Deixo para que ele descubra que não vai participar tanto assim mais tarde, para que não acabe com sua alegria. Depois do café, seguimos direto para a prefeitura.Claro que o prefeito não estava. São apenas nove da manhã. Aposto que vem e volta quando bem entende. Se é assim em grandes cidades, imagine em uma cidade pequena onde as pessoas vivem à mercê do prefeito.— Vamos aguardar — aviso para a secretária e me sento em um canto. Meus seguranças param um em cada lado, de pé, em postura de atenção, enquanto meu cunhado está apoiado na mesa da secretária claramente seduzindo-a.Dez minutos depois o prefeito chega. Acredito que foi avisado sobre a visita.Assim que ele chega, João muda completamente. O s
AMAYMON SEVENO pai de Maria com certeza quer me intimidar. Estamos andando há quase dez minutos pela estrada de asfalto malcuidado. Ele não diz uma palavra sequer. Penso em seguir pelo mesmo caminho e manter silêncio, para mostrar que também sei intimidar. Mas mudo de ideia, é o pai da mulher que amo, e se eu estivesse no lugar dele, certeza que estaria intimidando muito mais, talvez até mesmo usando algumas armas cortantes para mostrar ao desgraçado que ousou engravidar minha filha quem manda.— Irei entender se o senhor for contra a minha relação com sua filha — digo firme.— Senhor? — ele faz uma careta. — Pelo que soube, sou um ano mais novo que o “senhor”. — Ele faz uma entonação de desgosto com a palavra, como se quisesse mostrar o quanto o incomoda.— Entendo seu ponto de vista. Pretende impedir que eu me case com sua filha? — Vou direto ao ponto.— A minha filha de dezoito anos grávida — murmura para si mesmo.— Entendo como se sente. Eu sou pai e faria tudo pelos meus filhos
MARIA AMARAL— Mamãe, preciso te contar uma coisa. — Ela larga as verduras que estava cortando dentro da vasilha e me olha séria. — Espero que a senhora não fique triste comigo. Desculpa por isso. Eu... — engasgo com as palavras, começo a chorar.— Ei! — Ela me abraça. — Está tudo bem.Antes que eu posso dizer algo, uma voz conhecida aquece meu coração.— Que chororo é esse aqui? — Olho para a porta e vejo meu pai de braços abertos, esperando um abraço. Ele está sujo, como se tivesse trabalhado muito no pesado.— Pai! — corro para seus braços, abraçando forte. O cheiro de cansaço e suor conhecido me faz chorar.— Como você está, princesa? E cadê seu irmão?— Estou bem. — Limpo as lágrimas. — Estava com tanta saudade. João foi levar... — interrompo.— Levar o noivo dela pra pousada. Porque aqui não cabe um homem daquele e ainda com segurança.— Noivo é? Quero saber essa história direitinho. Como minha filha de dezoito anos está noiva de uma homem mais velho que eu.— Ai pai, ele é só u







