FAZER LOGINDepois de arrumar suas coisas no pequeno espaço, Chiara subiu na cama com seu portátil sobre as pernas. Desde já sentia a dureza daquele colchão, seria uma noite muito longa, mas ao menos seria apenas essa noite. Depois do casamento partiria para a lua de mel com seu esposo e muitas coisas mudariam para ela.
Ampliou ainda mais sua busca, acrescentando para saber sobre a família Queen. Nela apareciam o pai, a mãe e dois irmãos, com nomes e fotos. Mas nada do irmão mais velho.
Alguém bateu à sua porta e Mildred entrou quando Chiara lhe deu permissão.
Chiara desceu da cama e calçou os sapatos, tinha que perguntar a Rosario muitas coisas, como sobre seu vestido de noiva e mais detalhes que desconhecia. O casamento era amanhã, não queria ficar mais nervosa, mas precisava ter os detalhes.
Ali, elegantemente sentada no sofá, estava a senhora da casa.
—Olá, Rosario —cumprimentou, sendo esse o primeiro contato direto entre as duas.
Não, para Rosario ela não merecia. Tinha duas filhas muito belas, que destilavam beleza e elegância, aptas e dignas para serem as que unissem novamente os Moretti com os Queen. Mas escolheram Chiara, só porque já estava decidido. E suas filhas? Não mereciam também esse privilégio? Rosario entendia que para Chiara era um privilégio, um que não merecia apenas por ser a filha mais velha de seu marido.
—Sou a esposa escolhida —Na voz de Chiara notou-se um pouco de orgulho e segurança que Rosario se encarregaria de esmagar. O casamento ainda não se realizara, por isso ainda havia tempo para que Chiara Moretti mudasse de opinião.
A senhora voltou a sentar-se, suas filhas entraram em cena como se estivessem em uma passarela de moda.
—São meus —soluçou—. São meus vestidos. Quero que tirem, por favor.
Sem pensar se aquilo era bom, ruim, correto ou impulsivo demais, Chiara empurrou fortemente Olimpia, fazendo a jovem cair para trás. Em seguida, Darnelly praticamente saltou contra Chiara, agarrando uma grande porção de seu cabelo entre os longos dedos e puxando-a para trás. Olimpia se recompôs muito rápido, cheia de ira, tentando fazer Chiara pagar por tê-la empurrado. Entre as duas, atacavam a irmã mais velha: uma puxava seus cabelos, a outra golpeava seu rosto freneticamente.
Chiara não ficava de braços cruzados, mas a posição em que estava, com a cabeça para baixo e submetida pela cabeleira, a deixava em total desvantagem. Com as mãos, tentava se defender, mas as gêmeas sabiam manter distância delas. Chiara queria recuar, mas isso só lhe trazia mais dor. Sentia que todo seu cabelo era arrancado do couro cabeludo, chorava, mas não deixava de lutar. Caiu ao chão sem que Darnelly soltasse seu cabelo, deitada de costas, Olimpia tentou ir sobre ela, mas Chiara a chutou para trás. Darnelly pôs um pé sobre seu peito, cravando ali aquele salto. Chiara soltou um grito dilacerante quando sentiu aquilo em seu peito, rasgada pela dor. Agarrou a perna de Darnelly e a mordeu, fazendo com que ela a retirasse, mas caiu sobre ela, sobre seu peito, deixando a cabeça de Chiara entre suas pernas e seus braços presos embaixo.
—Vou matar essa vadia! —gritou Olimpia atrás.
Ao lado, ainda sentada no sofá, Rosario apenas observava, desfrutando da surra que suas filhas davam em Chiara.
—Meninas, deixem um presente no rosto dela, já que insiste em se casar. Que o noivo a veja mais horrenda do que é.
—Senhora! —Canela correu até ali, incapaz de apenas ficar olhando enquanto faziam aquilo com a senhorita Chiara. Canela a viu nascer, cuidou dela à noite quando sua mãe estava muito cansada e foi o colo no qual Chiara Moretti chorou quando sua mãe morreu.
Rosario levantou o olhar para Canela, a única do serviço que estava ali havia todos esses anos e a quem seu esposo não deixava que ela despedisse.
—O que quer, Canela?
Rosario pensou por alguns segundos.
Chiara apertou seus vestidos contra o peito, sem parar de chorar. Não conseguia levantar o olhar, tampouco se sentia capaz de ficar de pé.
Mildred e Canela ajudaram Chiara a se levantar, levando-a de volta ao quarto.
Era um dos dias mais esperados desde que tinham planejado ter outro bebê.Foi uma decisão bastante responsável da parte de ambos, já que Chiara estava em um bom momento da carreira e, como empresária, uma gravidez era algo que tinham que planejar, não uma surpresa que chegasse de um dia para o outro.Ambos tinham uma vida muito ocupada, mas havia chegado o dia de dar um irmão ou irmãzinha ao pequeno Dav.Embora ele já não fosse tão pequeno, tinha cinco anos.Era um menino lindo, com aqueles enormes olhos cinzentos, o cabelo tão preto e aquele olhar de anjo.Chiara, deitada na maca, segurava firmemente a mão de Daniele. Ao lado dela estava Dav, observava com uma mistura de assombro e confusão as ações da doutora, que deslizava suavemente o transdutor pelo ventre de Chiara. O menino parecia uma versão em miniatura de Daniele. O olhar de preocupação no rosto dele denunciava sua inquietação diante da situação incomum. Apesar de terem explicado o motivo de estarem no hospital, dava para ve
Chiara encarava o próprio reflexo no espelho, ajustando o último grampo no cabelo. Seu vestido, simples, porém elegante, caía sobre sua figura com precisão, sem adornos desnecessários.Enquanto se observava, lembrava-se das próprias palavras sobre o amor e a parceria.“As parcerias não se encontram, elas se criam, vão sendo construídas. Foi isso que fizemos. Nós nos construímos, até formar o que somos agora.”Mariel, com um buquê de flores nas mãos, interrompeu seus pensamentos. As peônias estavam presas com uma fita simples, sem pretensões.—É hora—disse, entregando o buquê a Chiara. Apesar do brilho das lágrimas que ameaçavam cair, Mariel manteve-se firme—. Hoje, apenas sorrisos. Hoje é tudo sobre a felicidade.Elas haviam se reencontrado seis meses antes, depois de muito tempo desde que Chiara deixou São Francisco. Para sua surpresa, Mariel estava mais perto do que ela imaginava, pois agora vivia na Espanha. Tobías e ela haviam se casado há não muito tempo, e para Chiara era incrív
A manhã do aniversário de Chiara amanheceu suave e luminosa; os primeiros raios de sol filtravam-se pelas cortinas, fazendo com que seus olhos se abrissem.De repente, os suaves acordes de um violão a tiraram do sono, seguidos por vozes harmoniosas cantando em italiano. Confusa, mas intrigada, Chiara se levantou e caminhou até a sala, guiada pela música encantadora.Ao chegar, encontrou Daniele em pé no centro da sala, cercado por um pequeno grupo de músicos. Em suas mãos, ele segurava um enorme buquê de flores, as preferidas dela, e seu sorriso iluminava o ambiente mais do que a luz do amanhecer que começava a entrar pelas janelas da sala.—D–Daniele…— ele não tinha amanhecido em casa, mas tinha chaves; ela nem percebeu quando ele entrou, mas ele e Dav estavam no meio daquele espetáculo maravilhoso. Ela correu até o quarto para vestir o roupão e voltou novamente à sala, com o coração saltando de alegria.A canção, com sua melodia contagiante e letra positiva, era o pano de fundo perf
Enquanto ele estava sentado em um canto, seus irmãos riam dele, Dante tinha rido tanto que segurava o estômago para tentar minimizar a dor que todas as gargalhadas tinham deixado, mas, mesmo assim, não parava de rir.—Eu juro que foi a coisa mais engraçada da semana inteira! E ainda no jantar a gente estava falando disso.—Como eu ia saber que a tua mulherzinha era uma trapaceira?—Não houve regras, Nico. Ela foi mais inteligente do que você, não fique com vergonha, só admita que perdeu pra ela.—Mas não era pra você zombar de mim!—E eu vou zombar toda vez que eu te vir.—Eu entro nessa— disse Dante—. Eu não acredito que a Chiara nos deu material pra te devolver todas as que você já fez com a gente.—Agora vocês vão ver— ele se levantou, já cansado das zombarias dos irmãos, correu na direção deles, mas antes de chegar, Dante e Daniele já estavam correndo pra se afastar de Nico e não deixar que ele os pegasse; pareciam crianças pequenas, pareciam tudo, menos três adultos com responsab
Chiara sentiu uma mistura de emoção e nervosismo enquanto o carro se aproximava do rancho.—Você não deveria me dizer algumas palavras de incentivo ou algo assim?—Você está linda, Chiara.—O que me preocupa não é a minha aparência. Daniele, o Nico não gosta de mim e eu nem tenho consciência dos motivos. Mas ele deixa bem claro o desagrado.—O Nico é muito expressivo, diz o que pensa e faz o que não deve.—E como eu deveria lidar com isso?—Ignorando.—Como? Vou ser o alvo dele! Algum truque pra isso?—Não demonstre que te afeta.—Daniele, você só me dá saídas que não são imediatas.—Se divirta, é o melhor que você pode fazer hoje, Chiara.Daniele pegou a mão dela, oferecendo um sorriso tranquilizador.Ao chegarem, Nico os esperava, apoiado na cerca do curral. A vista dos cavalos pastando livremente trouxe a Chiara lembranças agridoce da infância, quando montava antes de o medo se enraizar no coração dela. Era uma das atividades que tinha no internato, mas… por muito tempo ela foi pés
Había sido uma semana cheia de emoções; depois da apresentação, da festa, dos dias de descanso e depois outra reunião com a equipe que ainda ficava em Paris, Chiara fechou uma porta com eles. Não foi uma decisão leviana: ela teve doze horas para pensar, se questionar sobre o que queria e decidir se deixaria o próprio futuro nas mãos de uma agência que estava corrompida e cheia de “baratas”, tal como Daniele dizia.Foi lhe oferecido um contrato com eles por dois anos; além disso, se ela quisesse aceitar esse contrato, caso fosse interessante para ela, deveria assinar um acordo de conciliação, de modo que Matteo Rossi tivesse a oportunidade de sair da prisão sem nenhum dano à sua imagem.Quando Chiara perguntou sobre os demais afetados, a resposta a essa pergunta foi a mais impactante para ela.—Eles aceitaram um acordo e, da parte deles, não haverá nenhuma denúncia. Estamos fazendo as coisas de modo que todos ganhemos, Chiara. Pessoas boas também tendem a errar.—Pessoas boas? Havia ma







