INICIAR SESIÓNCanela havia levado o jantar, mas ela não quis comer nada, nem beber. Sentia o rosto inchado, os hematomas nas faces, as bochechas doloridas por todos os golpes que Olimpia lhe dera. Esperava que para o dia seguinte tivesse melhor aspecto, por isso deixou de chorar, seus olhos já estavam muito vermelhos e não queria estragar ainda mais o rosto.
Pediu a Canela que, por favor, falasse com seu pai quando ele chegasse, para que passasse a vê-la, porque Chiara não tinha como perceber sua chegada.
Onde estava a alegria de vê-la?
Por alguns segundos, o olhar daquele homem se suavizou, reconhecendo naquele rosto, naquela expressão, parte da essência de sua falecida esposa. Mas não havia afeto por Chiara. Passara a vida inteira afastando-a, agora não seria diferente.
Apenas ficou ouvindo, como se toda a culpa fosse dela.
E foi só isso que disse antes que o caos tomasse conta do quarto.
Os lábios de Chiara se separaram para emitir um gemido, os olhos ardiam, mas seu coração doía mais do que o corpo.
(…)
Para a família Queen, que havia se trasladado completa a São Francisco, o casamento de Davide Queen e Chiara Moretti era a união que esperavam há anos. Mas não era precisamente Davide quem deveria se casar, por isso havia um certo amargor em toda aquela situação.
—Enfim chegou o dia —havia certa tensão em toda a situação, perceptível na voz do pai, porque a família duvidava que Davide aparecesse no casamento. Durante quase vinte anos haviam castigado o filho pela morte do irmão. Davide aceitara cada castigo, cada rejeição, mas há algum tempo as coisas começaram a mudar quando encontrou o amor.
O senhor Queen engoliu seco, pouco animado com toda a situação.
Seu esposo voltou com os dois filhos mais novos.
Dante tinha vinte e nove anos, era um homem tranquilo, às vezes pouco sociável e, em ocasiões, seu mau humor o dominava, afastando-o ainda mais do que pretendia. Mas amava sua mãe de todo coração, porque via a tristeza nela e como ainda não superava a morte do filho. Poderia se dizer que era o mais compreensivo de todos. Embora sua personalidade não fosse a mais alegre, seu físico fazia um equilíbrio perfeito. Aqueles olhos verdes diziam muito mais que sua expressão e, no fundo, era um homem alegre, mas que não sabia como expressar isso. Seu cabelo castanho estava sempre curto, era tão alto quanto o irmão mais velho e compartilhavam certo parecido, sobretudo na forma da boca e do nariz. Era magro, de ombros largos e pernas fortes, mas magro. Quando sorria, o fazia de maneira sincera.
Ao contrário de seus dois irmãos, apesar de ter se preparado para a gestão empresarial, o que apaixonava Dante eram as artes culinárias. E a isso se dedicava. Sua mãe o considerava um dos maiores fracassos como filho, mas ele não era de se deixar levar pelas opiniões alheias. Estava mais do que preparado para as críticas.
Nico, o caçula dos irmãos, era como um sol, mas não caloroso e reconfortante, e sim ardente e abrasador. Fogo era provavelmente o que corria em suas veias.
Era tão imprevisível, que tê-lo por perto deixava os pais muito nervosos. Nunca fazia nada que se pudesse imaginar; prever seu comportamento era praticamente impossível. Dava-se muito mal com os irmãos, e isso ia em várias direções: detestava de forma direta cada coisa que eles faziam.
—Pode ser que um de vocês dois se case hoje com Chiara Moretti —A risada de Nico foi o que seguiu às palavras da mãe.
Essa afirmação já fazia Nico reconsiderar.
A família Queen se dirigiu para a igreja.
O noivo não havia chegado, enquanto o carro da noiva já estava estacionado em frente à igreja, esperando a indicação de que Davide Queen já estava ali.
Era um dos dias mais esperados desde que tinham planejado ter outro bebê.Foi uma decisão bastante responsável da parte de ambos, já que Chiara estava em um bom momento da carreira e, como empresária, uma gravidez era algo que tinham que planejar, não uma surpresa que chegasse de um dia para o outro.Ambos tinham uma vida muito ocupada, mas havia chegado o dia de dar um irmão ou irmãzinha ao pequeno Dav.Embora ele já não fosse tão pequeno, tinha cinco anos.Era um menino lindo, com aqueles enormes olhos cinzentos, o cabelo tão preto e aquele olhar de anjo.Chiara, deitada na maca, segurava firmemente a mão de Daniele. Ao lado dela estava Dav, observava com uma mistura de assombro e confusão as ações da doutora, que deslizava suavemente o transdutor pelo ventre de Chiara. O menino parecia uma versão em miniatura de Daniele. O olhar de preocupação no rosto dele denunciava sua inquietação diante da situação incomum. Apesar de terem explicado o motivo de estarem no hospital, dava para ve
Chiara encarava o próprio reflexo no espelho, ajustando o último grampo no cabelo. Seu vestido, simples, porém elegante, caía sobre sua figura com precisão, sem adornos desnecessários.Enquanto se observava, lembrava-se das próprias palavras sobre o amor e a parceria.“As parcerias não se encontram, elas se criam, vão sendo construídas. Foi isso que fizemos. Nós nos construímos, até formar o que somos agora.”Mariel, com um buquê de flores nas mãos, interrompeu seus pensamentos. As peônias estavam presas com uma fita simples, sem pretensões.—É hora—disse, entregando o buquê a Chiara. Apesar do brilho das lágrimas que ameaçavam cair, Mariel manteve-se firme—. Hoje, apenas sorrisos. Hoje é tudo sobre a felicidade.Elas haviam se reencontrado seis meses antes, depois de muito tempo desde que Chiara deixou São Francisco. Para sua surpresa, Mariel estava mais perto do que ela imaginava, pois agora vivia na Espanha. Tobías e ela haviam se casado há não muito tempo, e para Chiara era incrív
A manhã do aniversário de Chiara amanheceu suave e luminosa; os primeiros raios de sol filtravam-se pelas cortinas, fazendo com que seus olhos se abrissem.De repente, os suaves acordes de um violão a tiraram do sono, seguidos por vozes harmoniosas cantando em italiano. Confusa, mas intrigada, Chiara se levantou e caminhou até a sala, guiada pela música encantadora.Ao chegar, encontrou Daniele em pé no centro da sala, cercado por um pequeno grupo de músicos. Em suas mãos, ele segurava um enorme buquê de flores, as preferidas dela, e seu sorriso iluminava o ambiente mais do que a luz do amanhecer que começava a entrar pelas janelas da sala.—D–Daniele…— ele não tinha amanhecido em casa, mas tinha chaves; ela nem percebeu quando ele entrou, mas ele e Dav estavam no meio daquele espetáculo maravilhoso. Ela correu até o quarto para vestir o roupão e voltou novamente à sala, com o coração saltando de alegria.A canção, com sua melodia contagiante e letra positiva, era o pano de fundo perf
Enquanto ele estava sentado em um canto, seus irmãos riam dele, Dante tinha rido tanto que segurava o estômago para tentar minimizar a dor que todas as gargalhadas tinham deixado, mas, mesmo assim, não parava de rir.—Eu juro que foi a coisa mais engraçada da semana inteira! E ainda no jantar a gente estava falando disso.—Como eu ia saber que a tua mulherzinha era uma trapaceira?—Não houve regras, Nico. Ela foi mais inteligente do que você, não fique com vergonha, só admita que perdeu pra ela.—Mas não era pra você zombar de mim!—E eu vou zombar toda vez que eu te vir.—Eu entro nessa— disse Dante—. Eu não acredito que a Chiara nos deu material pra te devolver todas as que você já fez com a gente.—Agora vocês vão ver— ele se levantou, já cansado das zombarias dos irmãos, correu na direção deles, mas antes de chegar, Dante e Daniele já estavam correndo pra se afastar de Nico e não deixar que ele os pegasse; pareciam crianças pequenas, pareciam tudo, menos três adultos com responsab
Chiara sentiu uma mistura de emoção e nervosismo enquanto o carro se aproximava do rancho.—Você não deveria me dizer algumas palavras de incentivo ou algo assim?—Você está linda, Chiara.—O que me preocupa não é a minha aparência. Daniele, o Nico não gosta de mim e eu nem tenho consciência dos motivos. Mas ele deixa bem claro o desagrado.—O Nico é muito expressivo, diz o que pensa e faz o que não deve.—E como eu deveria lidar com isso?—Ignorando.—Como? Vou ser o alvo dele! Algum truque pra isso?—Não demonstre que te afeta.—Daniele, você só me dá saídas que não são imediatas.—Se divirta, é o melhor que você pode fazer hoje, Chiara.Daniele pegou a mão dela, oferecendo um sorriso tranquilizador.Ao chegarem, Nico os esperava, apoiado na cerca do curral. A vista dos cavalos pastando livremente trouxe a Chiara lembranças agridoce da infância, quando montava antes de o medo se enraizar no coração dela. Era uma das atividades que tinha no internato, mas… por muito tempo ela foi pés
Había sido uma semana cheia de emoções; depois da apresentação, da festa, dos dias de descanso e depois outra reunião com a equipe que ainda ficava em Paris, Chiara fechou uma porta com eles. Não foi uma decisão leviana: ela teve doze horas para pensar, se questionar sobre o que queria e decidir se deixaria o próprio futuro nas mãos de uma agência que estava corrompida e cheia de “baratas”, tal como Daniele dizia.Foi lhe oferecido um contrato com eles por dois anos; além disso, se ela quisesse aceitar esse contrato, caso fosse interessante para ela, deveria assinar um acordo de conciliação, de modo que Matteo Rossi tivesse a oportunidade de sair da prisão sem nenhum dano à sua imagem.Quando Chiara perguntou sobre os demais afetados, a resposta a essa pergunta foi a mais impactante para ela.—Eles aceitaram um acordo e, da parte deles, não haverá nenhuma denúncia. Estamos fazendo as coisas de modo que todos ganhemos, Chiara. Pessoas boas também tendem a errar.—Pessoas boas? Havia ma







