INICIAR SESIÓN—Eu te disse que não devia ter vindo! —Apesar do tom de voz, não havia raiva em suas palavras. Davide ficou completamente surpreso com a aparição de sua namorada em meio ao casamento.
Davide sentia o medo dela, suas dúvidas, a dor em sua voz.
Esperava um ataque de sua família, especialmente de sua mãe, que era quem mais o pressionava. Mas, por ora, não queria se preocupar com eles, apenas pensar em Rosel, nela e no bebê que esperavam. Já tinha quase seis meses de gravidez e em seu ventre havia um menino.
—Rosel, minha promessa continua. Você é a única mulher que amo e sempre amarei, não ficou claro? —segurou seu rosto com toda a ternura do mundo, a única mulher, a única pessoa a quem Davide mostrava sua verdadeira essência, seu coração, suas emoções.
—Repita, por favor —mas, ao saber que ele teria que se casar, caíram sobre ela as inseguranças. Temia que um dia Davide simplesmente desaparecesse, ficando na Itália com sua vida deslumbrante, sua família, sua empresa, e esquecesse dela, deles dois. Esse medo crescia a cada dia, a perseguia nas noites e, às vezes, não a deixava dormir. Sentia-se mal por não confiar nele, por duvidar, por temer, mas conhecia o coração de Davide e a culpa que ele carregava, estando tão preso à família por algo do passado.
Ela era apenas uma garçonete que se apaixonou por seu cliente mais fiel, sem saber que ele já sentia o mesmo e que o único motivo de continuar indo lá era por causa dela.
—Rosel, prometo que você é e será a única mulher da minha vida, em todos e cada um dos meus dias. Eu te amo e isso nunca vai mudar. Meu casamento é de papel, você é minha mulher —E a beijou, naquele momento levando embora todos os seus medos—. Vamos sair daqui, este não é um lugar para nós.
Com uma Rosel mais tranquila, o carro seguiu em direção ao aeroporto, deixando para trás um enorme caos.
(...)
Aqueles braços a tiraram dali, ele a colocou no carro e ficou ao seu lado enquanto indicava ao motorista da limusine que os levasse ao hotel.
Observava a mulher ao seu lado: chorava sem parar, encolhida nele, amassando o terno com os dedos que se agarravam ao tecido.
E aconteceu o desastre.
—Pare de chorar —pediu sem calor, não sabia como se aproximar dela, mas entendia que tantas lágrimas não serviriam de nada se as coisas já haviam acontecido.
Dante a segurou pelos ombros e depois a abraçou.
Passou um tempo até que o carro parou no hotel e eles ainda estavam abraçados.
O carro dos Queen, onde vinham seus pais e Nico, chegou quase ao mesmo tempo.
Irritado, Dante saiu atrás de Nico, perdendo a paciência com o irmão mais novo.
No carro, Chiara afundou a cabeça no assento sem saber o que fazia ali.
Diante dela, estava a elegante mulher, sua sogra.
Fiorella Queen.
—Lamento tudo isso —disse, tomando-lhe a mão.— Foi uma grande vergonha para nós, um desastre completo. Não sei o que passou pela cabeça de Davide, peço desculpas em seu lugar. Ele costuma ser bastante discreto, hoje não parecia estar em seu juízo. Meu nome é Fiorella e sou a mãe dele, você não imagina o quanto estamos todos envergonhados.
Dirigiram-se para o quarto dos senhores Queen, onde esperavam seu marido e seus dois filhos.
—O que vai acontecer com meu casamento? —ela começou com a primeira pergunta.
Nico levou uma mão à boca para não continuar rindo de Chiara. Saiu do quarto e o silêncio ficou como algo incômodo.
Chiara retirou suas mãos das de Fiorella.
Chiara se levantou, seu rosto à mesma altura do da sogra.
Passou ao lado da senhora Queen.
Chiara se deteve, virando o rosto para o senhor.
Chiara olhou para o chão, suas mãos tremiam.
—Vá de lua de mel consigo mesma e reflita. O voo é amanhã às nove, aproveite e pense em tudo. Na volta, vá a Milão, manterei contato contigo, assim você me dá sua resposta e ajustamos algumas coisas, Chiara. Além disso, pode obter muitos benefícios sendo esposa dele. Mas se se negar, seu pai não vai gostar nada. Não sei bem qual é a situação dessa relação, mas tenho certeza de que poderia piorar. De qualquer forma, também é questão de negócios. Seu pai perderia.
Chiara suspirou, sem querer dar uma resposta precipitada que não seria levada em conta.
Iria de lua de mel consigo mesma, pelo menos para aliviar um pouco o peso que carregava no peito, no coração.
Fiorella a acompanhou até a porta, pedindo ao motorista que a levasse aonde Chiara desejasse.
A ideia de uma lua de mel sozinha talvez lhe fizesse bem.
Fechou os olhos no carro, a imagem de Davide e daquela mulher se repetindo em sua cabeça e depois o caloroso abraço entre ela e Dante.
Era um dos dias mais esperados desde que tinham planejado ter outro bebê.Foi uma decisão bastante responsável da parte de ambos, já que Chiara estava em um bom momento da carreira e, como empresária, uma gravidez era algo que tinham que planejar, não uma surpresa que chegasse de um dia para o outro.Ambos tinham uma vida muito ocupada, mas havia chegado o dia de dar um irmão ou irmãzinha ao pequeno Dav.Embora ele já não fosse tão pequeno, tinha cinco anos.Era um menino lindo, com aqueles enormes olhos cinzentos, o cabelo tão preto e aquele olhar de anjo.Chiara, deitada na maca, segurava firmemente a mão de Daniele. Ao lado dela estava Dav, observava com uma mistura de assombro e confusão as ações da doutora, que deslizava suavemente o transdutor pelo ventre de Chiara. O menino parecia uma versão em miniatura de Daniele. O olhar de preocupação no rosto dele denunciava sua inquietação diante da situação incomum. Apesar de terem explicado o motivo de estarem no hospital, dava para ve
Chiara encarava o próprio reflexo no espelho, ajustando o último grampo no cabelo. Seu vestido, simples, porém elegante, caía sobre sua figura com precisão, sem adornos desnecessários.Enquanto se observava, lembrava-se das próprias palavras sobre o amor e a parceria.“As parcerias não se encontram, elas se criam, vão sendo construídas. Foi isso que fizemos. Nós nos construímos, até formar o que somos agora.”Mariel, com um buquê de flores nas mãos, interrompeu seus pensamentos. As peônias estavam presas com uma fita simples, sem pretensões.—É hora—disse, entregando o buquê a Chiara. Apesar do brilho das lágrimas que ameaçavam cair, Mariel manteve-se firme—. Hoje, apenas sorrisos. Hoje é tudo sobre a felicidade.Elas haviam se reencontrado seis meses antes, depois de muito tempo desde que Chiara deixou São Francisco. Para sua surpresa, Mariel estava mais perto do que ela imaginava, pois agora vivia na Espanha. Tobías e ela haviam se casado há não muito tempo, e para Chiara era incrív
A manhã do aniversário de Chiara amanheceu suave e luminosa; os primeiros raios de sol filtravam-se pelas cortinas, fazendo com que seus olhos se abrissem.De repente, os suaves acordes de um violão a tiraram do sono, seguidos por vozes harmoniosas cantando em italiano. Confusa, mas intrigada, Chiara se levantou e caminhou até a sala, guiada pela música encantadora.Ao chegar, encontrou Daniele em pé no centro da sala, cercado por um pequeno grupo de músicos. Em suas mãos, ele segurava um enorme buquê de flores, as preferidas dela, e seu sorriso iluminava o ambiente mais do que a luz do amanhecer que começava a entrar pelas janelas da sala.—D–Daniele…— ele não tinha amanhecido em casa, mas tinha chaves; ela nem percebeu quando ele entrou, mas ele e Dav estavam no meio daquele espetáculo maravilhoso. Ela correu até o quarto para vestir o roupão e voltou novamente à sala, com o coração saltando de alegria.A canção, com sua melodia contagiante e letra positiva, era o pano de fundo perf
Enquanto ele estava sentado em um canto, seus irmãos riam dele, Dante tinha rido tanto que segurava o estômago para tentar minimizar a dor que todas as gargalhadas tinham deixado, mas, mesmo assim, não parava de rir.—Eu juro que foi a coisa mais engraçada da semana inteira! E ainda no jantar a gente estava falando disso.—Como eu ia saber que a tua mulherzinha era uma trapaceira?—Não houve regras, Nico. Ela foi mais inteligente do que você, não fique com vergonha, só admita que perdeu pra ela.—Mas não era pra você zombar de mim!—E eu vou zombar toda vez que eu te vir.—Eu entro nessa— disse Dante—. Eu não acredito que a Chiara nos deu material pra te devolver todas as que você já fez com a gente.—Agora vocês vão ver— ele se levantou, já cansado das zombarias dos irmãos, correu na direção deles, mas antes de chegar, Dante e Daniele já estavam correndo pra se afastar de Nico e não deixar que ele os pegasse; pareciam crianças pequenas, pareciam tudo, menos três adultos com responsab
Chiara sentiu uma mistura de emoção e nervosismo enquanto o carro se aproximava do rancho.—Você não deveria me dizer algumas palavras de incentivo ou algo assim?—Você está linda, Chiara.—O que me preocupa não é a minha aparência. Daniele, o Nico não gosta de mim e eu nem tenho consciência dos motivos. Mas ele deixa bem claro o desagrado.—O Nico é muito expressivo, diz o que pensa e faz o que não deve.—E como eu deveria lidar com isso?—Ignorando.—Como? Vou ser o alvo dele! Algum truque pra isso?—Não demonstre que te afeta.—Daniele, você só me dá saídas que não são imediatas.—Se divirta, é o melhor que você pode fazer hoje, Chiara.Daniele pegou a mão dela, oferecendo um sorriso tranquilizador.Ao chegarem, Nico os esperava, apoiado na cerca do curral. A vista dos cavalos pastando livremente trouxe a Chiara lembranças agridoce da infância, quando montava antes de o medo se enraizar no coração dela. Era uma das atividades que tinha no internato, mas… por muito tempo ela foi pés
Había sido uma semana cheia de emoções; depois da apresentação, da festa, dos dias de descanso e depois outra reunião com a equipe que ainda ficava em Paris, Chiara fechou uma porta com eles. Não foi uma decisão leviana: ela teve doze horas para pensar, se questionar sobre o que queria e decidir se deixaria o próprio futuro nas mãos de uma agência que estava corrompida e cheia de “baratas”, tal como Daniele dizia.Foi lhe oferecido um contrato com eles por dois anos; além disso, se ela quisesse aceitar esse contrato, caso fosse interessante para ela, deveria assinar um acordo de conciliação, de modo que Matteo Rossi tivesse a oportunidade de sair da prisão sem nenhum dano à sua imagem.Quando Chiara perguntou sobre os demais afetados, a resposta a essa pergunta foi a mais impactante para ela.—Eles aceitaram um acordo e, da parte deles, não haverá nenhuma denúncia. Estamos fazendo as coisas de modo que todos ganhemos, Chiara. Pessoas boas também tendem a errar.—Pessoas boas? Havia ma







