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CAPÍTULO 4: Promessa de vingança

Autor: Yunari princy
last update Última atualização: 2025-12-05 02:23:43

Eu olhava para TV mas não conseguia acreditar no que estava vendo.

"Não, não pode ser o Leonardo. Leonardo Almonte? Herdeiro? Casamento? Empresas? Não, de jeito nenhum, esse não pode ser o meu Leonardo"

Neguei com os olhos marejado sem conseguir deixar de olhar para TV. E como se o destino estivesse me respondendo, a câmera focou nele e pude ver claramente seu rosto, Seus cabelos negros, seus olhos castanhos escuro, e a pintinha que ele tinha debaixo do olho esquerdo, aquele lugar onde eu amava beijar e ele sorria dizendo que fazia cócegas, Eu não tinha mais dúvidas, era Ele. O rosto dele estava mais sério, mais maduro, como se tivessem se passado 8 anos naqueles oito meses, sua expressão era rigida apesar do leve sorriso, diferente do sorriso largo e brilhante de antes, mas ainda era ele. Com certeza era o Leonardo, o homem que tinha me abandonado grávida e que agora estava casado e segurando outra mulher grávida ao lado dele.

Com o coração acelerado, fiz um esforço para me sentar na cama, alcançei minha bolsa, peguei meu celular e com as mãos tremulas fui até a barra de pesquisa na internet e digitou aquele nome:

Leonardo Almonte

Leonardo nunca foi de ter redes sociais, sempre foi focado nos estudos e nada que o fizesse perder tempo. Mas quando pesquisei, Várias fotos de Leonardo que eu nunca tinha visto apareceram na tela do celular.

"Leonardo Almonte, o herdeiro dos Almontes regressa. Leonardo Almonte assume a empresa de sua família após se mostrar um gênio dos negócios multiplicando os lucros das empresas em um trimestre; Leonardo Almonte anuncia noivado com Carla Mendes, a herdeira do Grupo Mendes; Casamento de Leonardo Almonte e Carla Mendes; Fusão do Grupo Almonte e Mendes coloca as duas empresas no mapa nacional das maiores empresas do país"

" Leonardo Almonte, Leonardo Almonte, Leonardo Almonte"

Sem mais forças em todo meu corpo, deixei cair o celular com os olhos ainda arregalados e cheios de lágrimas, enquanto mil e uma perguntas passavam em minha cabeça.

Ele não desapareceu. Ele encontrou uma família rica e me deixou. Ele me deixou para viver uma vida de herdeiro, ele me deixou para se casar com uma herdeira, ele me deixou para ter um filho com outra mulher enquanto eu sofro com a nossa filha.

A dor em meu peito era tão profundo e sufocante, eu não conseguia respirar, eu precisava respirar.

Tirei o lençol do meu corpo e saí da cama sentindo minhas pernas ainda fracas e trémulas, segurei o suporte de soro, e fui caminhando lentamente até finalmente chegar ao terraço do hospital e sentir o vento da madrugada gelar as lágrimas em meu rosto.

"Como ele pode ter feito isso comigo? Por que ele fez isso comigo?"

Eu não conseguia parar de me perguntar enquanto segurava cada vez mais firme o suporte de soro.

–POR QUE VOCÊ FEZ ISSO COMIGO???!!!!–

gritei com todo o ar de meus pulmões sentindo uma raiva consumir meu corpo.

Durante todos aqueles meses eu tinha ficado preocupada achando que algo tinha acontecido com ele, mas ele apenas estava vivendo uma vida perfeita de rei, desfrutando do luxo, do bom e do melhor, enquanto eu me matava dia e noite trabalhando pela NOSSA filha, a filha que ele dizia amar e a quem prometeu dar uma vida melhor.

Mas eu não deixaria as coisas ficarem assim, ele teria de me dar pelo menos uma explicação decente. Eu cobrarei dele tudo a que minha filha tem direito, tudo que ele der a filha dele, ele também terá de dar para minha filha"

No dia seguinte, assim que a médica me deu Alta, saí do hospital mesmo ainda sentindo leves dores. Eu não podia ficar ali sentada, já tinha esperado por 8 meses, não conseguiria esperar mais.

Peguei um táxi para para o aeroporto, sem malas nem nada, apenas minha ansiedade e vontade de estar na frente dele e ver ele dizer na minha frente o porquê de ter destruído a minha vida.

Enquanto o táxi andava, senti novamente aquela sensação que tinha sentido meses atrás quando me despedi de Leonardo no aeroporto, a sensação de que algo ruim estava para acontecer. E ao mesmo tempo, senti minha bebê se mover em meu ventre como nunca, era como se ela tentasse me dizer algo, ou então, estava assim como eu, ansiosa para ver o pai dela.

–fique tranquila, logo nós vamos saber porque o seu papai nos deixou–

Mal terminei de sussurrar para minha barriga, e ouviu o som ensurdecedor da buzina de um caminhão, e quando me virei para ver o que era, arregalei os olhos ao ver o caminhão que vinha na nossa direção.

O taxi for arrastado para margem da estrada pelo caminhão, até às barreiras de aço que impediram o táxi de capotar para fora da estrada, deixando o táxi ficar esmagado entre o caminhão e as barras de segurança.

Naquele momento, apenas ouvia um zumbido em meus ouvidos, e minha visão foi embaçando cada vez mais até que perdi a consciência.

Quando voltei a abrir os olhos, estava de volta ao hospital, de volta ao quarto comum, mas daquela vez, tinha uma máscara de oxigénio em meu rosto e vários outros equipamentos ligados a mim.

Levantei minha mão que estava pesada até o meu rosto afim de tirar a máscara, mas logo ouvi a voz familiar da médica.

–Nem pense nisso, você acabou de sair de uma cirurgia complicada, perdeu muito sangue e seu corpo está fraco demais para respirar por si ou fazer qualquer outra coisa, então descanse ai até eu dar segundas ordens–

Olhei para médica ainda confusa com o que tinha acontecido, mas logo num piscar de olhos me lembrei de tudo. O acidente. Eu precisava saber se minha filha estava bem, mas não tinha forças nem para falar. Então, arrastei minha mão até meu ventre olhando para médica, mas antes de ver o olhar dela, senti minha barriga murcha e aquilo fez meu coração acelerar e olhei para ela com desespero.

–M-minha... Minha bebê– sussurrei contra a máscara implorando com o olhar por uma resposta. –O-onde está?–

A médica baixou o olhar e meu desespero apenas aumentou.

–Eu sinto muito Júlia, mas a bebê não resistiu ao acidente, tentamos salvar ela mas ela já estava morta quando a tiramos do seu ventre. Eu sinto muito.–

"Não... Não..."

Eu tentei me levantar em desespero. Aquilo não podia ser real, ela não podia estar morta, de forma alguma.

–Júlia se acalme!– A médica tentou me segurar mas de alguma forma encontrei forças para me sentar na cama e arrancar a mesma de oxigénio.

–EU QUERO VER A MINHA FILHA! TRAGA ELA AQUI! EU QUERO VER ELA AGORA!– gritei em desespero e negação. Me recusava a acreditar que aquele ser que se moviam em meu ventre todos os dias, aquela que era minha força de viver, tinha morrido, eu não podia perder ela, não depois de tudo que já tinha perdido.

–Julia por favor se acalme, você acabou de passar por uma cirurgia os pontos vão romper!–

–EU QUERO VER ELA!!!!– me levantei da cama afastando os braços da médica, mas minhas pernas falharam e fui ao chão chamando a atenção de todos com o estrondo do meu corpo e dos equipamentos ligados em mim.

–Júlia!– a médica correu até mim e olhou para meu ventre que sangrava debaixo do uniforme do hospital. Os pontos tinham rompido.

Cerrei meu punho contra o chão derramando Lágrimas me sentindo inútil e impotente.

–Por favor, eu preciso ver ela, por favor.– implorei jogada no chão frio de hospital sem forças sequer de me levantar.

A médica soltou um suspiro de pena diante da minha situação. –Tudo bem, eu vou levar você para ver ela, mas precisa se acalmar primeiro, me deixe cuidar dessa ferida e logo vamos, está bem?–

Não respondi, apenas conseguia chorar pensando na minha filha.

A médica chamou um enfermeiro que trouxe uma cadeira de rodas, e me colocaram sentada nela. Ela fez um breve e provisório curativo em meu corte da cesariana, e logo me empurrou na cadeira pelos corredores do hospital.

"Necrotério"

Ao ver aquela palavra na placa da porta, meu coração apertou e doeu ainda mais.

–P-por que está me levando para lá? Eu quero ver a minha filha, ela deve estar no berçário com os outros bebés, por favor me leve até ela!– Agarrei o braço da médica com força e medo de entrar naquele lugar. Eu não conseguia acreditar que a minha filha estava naquele lugar.

A médica de agachou na minha frente.

–Julia, você tem de ser forte, você não precisa fazer isso agora, podemos voltar quando estiver mais calma, a sua bebé vai ficar aqui e esperar por você–

Chorei ainda mais pensando em minha filha sozinha naquele lugar, tão pequena numa câmera fria. Eu não podia deixar ela lá.

–Eu... Eu quero vê-la–

–tudo bem.– A médica me levou para dentro do necrotério, e logo até a parede onde tinham pequenas gavetinhas, e abriu uma delas.

Olhei para minha filha, fria, gelada com os olhos fechados, lábios roxos resecados. Aquela criatura que antes se movia constantemente em meu ventre, agora estava ali, quietinha dormindo como uma bonequinha de porcelana sem vida alguma.

Levei minha mão até o rosto dela tocando meus dedos na pele fria e pálida. –Minha filha.... Minha filha!– a chamei como se ela pudesse me ouvir. Eu nem se querer tinha dado um nome para ela.

–eu quero... Eu quero segurar ela em meu colo.– pedi em lágrimas.

–Julia...–

–Por favor, eu imploro, só uma vez, eu preciso, eu quero sentir ela em meu colo, em meu peito, por favor eu imploro–

A médica suspirou e enrolou o corpinho dela no fino lençol, e a colocou em seu colo.

Peguei ela e a envolvi com meus braços em meu corpo. Numa tentativa de aquecer o corpo dela.

–Você está tão fria meu amor, por que você está tão fria? Por que deixaram você nesse lugar frio e escuro? Abra os olhos, por favor deixe a mamãe ver os seus olhinhos meu amor, por favor chore, por favor meu bebê, não deixe a mamãe, não deixe a mamãe por favor– pedi apertando ela ainda mais contra meu peito.

Eu não sei por quanto tempo fiquei ali segurando o corpo morto da minha filha, nem como tiraram ela dos meus braços, e nem como passei os restantes dos meus dias naquele hospital, mas me lembro de como saí dele: de mãos vazias, de ventre vazio, sozinha e sem vontade nenhuma de continuar a viver.

Apenas me lembro de estar diante do túmulo dela naquela tarde nublada, mesmo depois das poucas pessoas que me acompanhavam terem ido embora, eu permanecia ali olhando para o nome na cruz "Meu anjo".

Me deitei ao lado do pequeno túmulo e abraçei a terra fresca como se estivesse abraçando ela, como medo de deixá-la sozinha naquele lugar frio e escuro após meses a acolhendo em meu ventre.

E ali fiquei, chorando e cantando canções de ninar para ela, para que ela pudesse ter um sono tranquilo e sem medo, pois a mãe estava ali e sempre estaria.

–Descanse meu amor, a mamãe sempre vai cuidar de você e nunca vai deixar você sozinha. E também... A mamãe vai fazer o culpado de tudo isso pagar por ter tirado você de mim, eu juro meu amor, pelo descanso da sua alma, eu juro que vou fazer ele pagar!–

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