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Capítulo 2

last update Data de publicação: 2026-05-22 22:28:14

O guarda-chuva preto cobria-lhe o rosto, fazendo com que ele parecesse um imperador reinando sobre a escuridão da noite. Mesmo sem conseguir ver seu rosto, a pressão aterradora que emanava dele fazia o sangue gelar nas veias.

Rafael Sandre!

Era um homem que semeava o medo absoluto no coração de todos na região.

Ninguém sabia como ele era, nem quantos anos tinha.

Era misterioso, poderoso e implacável: uma vez que caía em suas mãos, não havia escapatória com vida.

A família Hayes acabara de o ofender, e por isso ele levara Rafaela — a mulher por quem Alexander era completamente apaixonado.

Para salvá-la, Alexander não hesitou em entregar Emily.

Rafaela foi então trazida para fora; ao ver Alexander, correu direto para os seus braços.

— Meu irmãozinho querido, eu sabia que você viria me buscar. Eu estava com tanto medo de nunca mais te ver.

Ela chorava, com lágrimas escorrendo pelo rosto, parecendo tão frágil e indefesa que partia o coração de quem via.

— Estou com tanto medo, vamos embora daqui rápido!

— Alexander... — Emily gritou uma última vez, com a voz quebrada.

Alexander não teve coragem de virar o rosto para ela.

No instante em que Emily ia dizer mais algo, Rafaela começou a soluçar ainda mais alto.

— Irmã, me desculpe, por favor não culpe ele. Se alguém tiver que ser culpada... que seja eu. Eu... eu...

Antes de terminar a frase, ela levou a mão ao peito, ofegante, e desabou no chão.

Alexander a segurou imediatamente nos braços.

— Calma, meu amor... não tenha medo, vou te tirar daqui agora.

Ele carregou Rafaela no colo e saiu mancando depressa, sem sequer lançar um último olhar para Emily.

Ninguém percebeu o sorriso de vitória se formando nos lábios de Rafaela, escondida contra o peito de Alexander.

Ela tinha se deixado levar de propósito, aproveitando o fato de que Rafael Sandre tinha uma pendência antiga com a família Hayes.

Enquanto esteve com ele, disse de propósito que não passava de uma filha adotiva sem importância, e que não valia a pena mantê-la ali.

Mas Emily? Ela era a futura nora da família Hayes. Se eles mesmos a entregassem publicamente na frente de todos, na noite do noivado, seria uma vergonha eterna para o nome da família.

Tudo já havia sido combinado com o pai dela: na festa de hoje, todos descobriram as marcas no corpo de Emily. Para proteger o prestígio da família, quem iria se importar com uma filha "desonrada" e sem valor?

Todos sabiam como Rafael Sandre era cruel. Quem caía em suas mãos, nunca mais era visto vivo.

Depois desta noite, Emily Carter deixaria de existir. E ninguém mais ficaria no caminho dela.

Emily ficou ali parada, vendo os dois se afastarem, com os olhos já secos de lágrimas.

De repente, uma sombra caiu sobre ela, e a chuva parou de molhar seu rosto.

Um homem alto e imponente estava ao seu lado, com um dos seus homens segurando um guarda-chuva sobre ele. Na escuridão, Emily não conseguia distinguir suas feições com clareza. Mas sentia que ele a observava atentamente.

Sentia-se como uma presa diante de uma fera faminta: uma vez que entra no seu território, não há como fugir.

O olhar dele era penetrante, percorrendo cada centímetro do seu corpo. Emily estremeceu; mesmo sem um toque, o medo tomava conta de si.

Mas para sua surpresa, Rafael Sandre não se aproximou nem tocou nela. Apenas disse com voz calma e indiferente:

— É assim que a família Hayes cria os seus herdeiros. Que pena para o velho patriarca.

Virou-se para ir embora e ordenou de forma casual:

— Jogue-a de volta.

Nesse momento, o corpo de Emily começou a esquentar ainda mais. Os efeitos da droga estavam ficando cada vez mais fortes. Sem pensar, ela estendeu a mão e agarrou com força o tornozelo do homem.

— Quente... — sussurrou, com a voz suave e rouca, tremendo no final.

O corpo do homem enrijeceu de repente, e ele parou no lugar.

Desde um incidente, quando tinha dez anos, ele sentia repulsa quando qualquer mulher chegava perto dele. Exceto na noite anterior.

Ao amanhecer, mandou procurar a mulher que estivesse com ele, mas ela já tinha sumido sem deixar rastro. Pensara que tudo não passaria de um acidente... mas quando esta mulher o tocou, não sentiu nenhuma aversão.

Para ter certeza de que não era imaginação sua, ele se agachou, estendeu a mão e segurou com firmeza o queixo dela, obrigando-a a levantar o rosto.

Os olhos dela estavam úmidos, parecidos com os de um cervo perdido na floresta. Havia algo doce e hipnótico em seu rosto.

Quando viu a marca vermelha brilhante atrás da orelha dela, um sorriso apareceu nos lábios de Rafael Sandre. Enfim a tinha encontrado. Ele apertou o queixo dela com um pouco mais de força.

Mesmo na escuridão da noite anterior, aquela marca o tinha feito perder o controle diversas vezes.

Quando a razão finalmente o abandonou, Emily ouviu aquela voz rouca e profunda dizer:

— Emily, lembre-se bem disso: não estou te forçando. Você está me pedindo!

 

Emily acordou de repente, sentada na cama, ofegante e levando a mão ao peito. A voz daquele homem ainda parecia ecoar nos seus ouvidos.

Seu rosto estava pálido. Já fazia quase um mês desde aquela noite, e as marcas que ele deixou no seu corpo haviam desaparecido. Mas todas as noites, ao adormecer, ela revivia cada detalhe. Era como se uma maldição a perseguisse, sem dar trégua.

Ela cobriu o rosto com as mãos. Parecia que nunca conseguiria escapar daquela noite chuvosa.

O som do celular tirou dos pensamentos. Era uma mensagem:

Mãe: Minha filha, você tem andado tão ocupada ultimamente... estou com muita saudade. Você não pode vir em casa neste fim de semana?

Emily apertou o aparelho com força, sentindo os olhos arderem. Desde aquela noite, nunca mais voltará para a casa dos pais nem falará com ninguém. Passara os dias mergulhada no trabalho, apenas para tentar não pensar no que aconteceu.

Chegara a pensar em contar toda a verdade sobre Rafaela. Mas lembrou-se do coração fraco da mãe: no último ataque, quase não sobreviveu, e os médicos disseram que ela não podia passar por nenhum tipo de susto ou emoção forte.

No fim de semana, Emily resolveu ir.

Assim que chegou, ouviu vozes e risadas vindas da sala.

— Mamãe, eu não sou nenhuma bebezinha — dizia Rafaela fazendo beicinho — eu sou mesmo a sua filhinha do coração!

Ao entrar, viu a mãe sentada confortavelmente ao lado da outra, com Alexander logo adiante. No instante em que avistou Emily, o sorriso doce no rosto da mãe desapareceu de uma vez. Alexander se empalideceu completamente.

Emily sumirá por quinze dias. Somado ao que todos sabiam sobre a crueldade de Rafael Sandre, tinham certeza de que ela já não estava viva, ou pelo menos nunca mais apareceria por ali. Ninguém esperava vê-la voltar tão inteira e tranquila.

A mãe disfarçou-se bem, mas apertou os punhos com força. Como você teve a audácia de aparecer? Como tem tanta sorte?

— Emily, você... — a voz de Alexander tremia, e ele não conseguia encará-la.

Um sorriso irônico surgiu nos lábios dela:

— Está surpreso de eu ainda estar viva?

Antes que ele pudesse responder, Rafaela levantou-se depressa, mordendo o lábio, pálida, brincando nervosamente com a barra da blusa.

— Irmã... você voltou.

A mãe correu para mudar o clima:

— Que bom que chegou, filha! Sente-se um pouco, vou ver se o jantar já está pronto.

Vendo a expressão realmente preocupada no rosto dela, o coração de Emily amoleceu um pouco. Ignorou os dois que pareciam estar carregando um peso enorme na consciência.

— Por que pediu para eu vir?

— A mamãe estava morrendo de saudade — disse Rafaela com voz doce — nós, filhas, devemos cuidar melhor dela.

Emily soltou uma risada seca:

— Então você, que é filha adotiva, é mais filiada do que eu, a filha de sangue dela?

A mãe fez uma expressão de grande tristeza.

— Irmã, por favor não fale assim... isso dói muito — Rafaela levou a mão ao peito, parecendo prestes a chorar — Afinal, esta também é a sua casa. Por favor não culpe o papai e a mamãe. Eles só não suportam me ver sofrer. Eu sei que você está brava, mas eu nunca faria mal a ninguém... se for o caso, eu vou embora! Saio daqui agora mesmo!

À medida que falava, parecia ficar cada vez mais fraca, até que de repente agarrou o peito, com o rosto contorcido de dor, lutando por ar como se fosse desmaiar a qualquer instante.

Alexander bateu o punho na mesa e gritou furioso:

— Emily! Como você pode ser tão cruel? Está querendo matar ela de desespero?

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