INICIAR SESIÓNO som das turbinas do jatinho era apenas um ruído de fundo comparado ao caos na minha mente.
Aiden estava com o notebook aberto, mas seus olhos estavam fixos na janela, observando o azul infinito lá embaixo. Hector estava na parte traseira da cabine, conferindo os protocolos de desembarque com o outro segurança. A proximidade era constante, mas o silêncio entre nós três era um abismo. — O cronograma para o Grande Prêmio... comecei, minha voz cortando o silêncio da cabine. — O jantar de gala do Prince’s Club é amanhã. O senhor tem três reuniões no iate da Holding e o camarote principal para a corrida de domingo. Aiden não se moveu. — E a lista de convidados do jantar? — Eu a filtrei pessoalmente. respondi, sabendo exatamente o que ele estava perguntando. — O seu pai e a... senhora Cupertini estarão na mesa principal, no lado oposto do salão. As entradas e saídas foram coordenadas para que vocês não se cruzem em momento algum. Aiden finalmente virou o rosto para mim. Havia uma amargura nos seus lábios que ele não conseguia esconder com seu sarcasmo habitual. — Você é um gênio da logística, Nayla. Às vezes esqueço que você tem um coração batendo por trás desse tablet, e não apenas um processador de dados. Sabia que ele estava falando do que aconteceu naquele banheiro. — Faço o que sou paga para fazer, senhor Cupertini. Ele se inclinou para frente, diminuindo a distância entre nós. O cheiro de café e menta me atingiu. — Aiden... Me chame assim, quebre esse muro Nayla, eu já te dei abertura pra isso. Antes que eu pudesse responder, Hector caminhou pelo corredor central e parou ao nosso lado. — Estamos iniciando a descida, senhor. O motorista já confirmou, estar nos esperando. Aiden olhou para Hector com um desdém tão evidente que o ar pareceu esfriar. — Ótimo trabalho, segurança. Espero que em Mônaco você não precise de tantas "rondas de perímetro" quanto em Dubai. Quero minha equipe alerta 24 horas por dia. Hector apenas assentiu, a face imóvel como pedra. — Estaremos, senhor. Ele me lançou um olhar mas voltei olhar pro tablet, sem lhe dar brecha. Assim que pousamos no rochedo de Mônaco, o luxo se tornou quase agressivo. Fomos direto para a suíte master do Hotel. Enquanto a equipe descarregava as dezenas de malas, entrei no quarto de Aiden para a rotina de sempre. Abri o closet imenso e comecei a separar o traje para o coquetel de boas-vindas daquela noite. — Nayla. ele me chamou. Ele estava parado na varanda, de costas para mim, olhando para o cassino. — Traga uma bebida. E fique. — Tenho que conferir os horários do buffet para a recepção no iate amanhã... — Agora, Nayla. Servi um uísque com um único cubo de gelo e levei até ele. Quando entreguei o copo, ele não pegou apenas o cristal, seus dedos envolveram os meus, segurando minha mão por mais tempo do que o necessário. — O que aconteceu naquele jato, não vai mais acontecer, eu vou garantir isso. A voz dele saiu baixa, quase vulnerável, o que me assustou mais do que sua arrogância de achar que minha vida pessoal estava sob seu controle. — Minha vida pessoal é algo que eu quero manter segura... Por favor respeite isso. confessei, sem conseguir puxar minha mão. Ele soltou um riso seco e soltou minha mão, bebendo o uísque de uma vez. — Sua vida pessoal passa a ser minha toda vez que você renova o contrato comigo, Nayla. Deveria saber disso. Ele se virou e entrou no quarto, me deixando sozinha na varanda. Fiquei ali por um segundo, tentando acalmar meu pulso, quando vi Hector no andar de baixo, no pátio do hotel. Ele estava falando ao celular, afastado da equipe. Ele parecia tenso, olhando em volta como se não quisesse ser visto. Meu peito apertou, uma sensação tão angustiante de insegurança e desconfiança que nunca senti dele. Eu só pensei em ir atrás dele, mas o rádio de monitoramento alertou: — Nayla, o setor de eventos quer confirmar a lista de bebidas para o iate. Eles dizem que o champanhe vintage que o senhor Cupertini exigiu não chegou. — Estou indo. respondi, suspirando. Passei o resto da tarde resolvendo crises. Era o meu mundo: apagar incêndios para que Aiden Cupertini pudesse brilhar. Quando a noite caiu, o evento no iate começou. Mulheres em vestidos de seda que custavam fortunas circulavam, todas tentando chamar a atenção de Aiden. ...CÁSSIO O bipe no painel avisou que a mensagem tinha entrado. A notificação chegou no celular da Laysa e no nosso ao mesmo tempo. Demos a largada. O plano que a gente passou a semana inteira ajustando finalmente tinha começado. — Elena mandou a mensagem. Hector disse, puxando a tela das câmeras. Aproximei o rosto do monitor. Na imagem, as duas apareciam perto da penteadeira. Hector apertou dois botões no console e o áudio do celular grampeado da Laysa começou a sair limpo nas caixas de som. Acompanhei cada segundo em silêncio. Através da voz hesitante da Laysa, a chantagem da Elena ficou escancarada: ela tinha uma foto de um vídeo do passado da minha mulher, o ultimato para que assinassem um acordo de silêncio e a ameaça de divulgar tudo em pleno dia do nosso casamento. Elas sabiam dar as cartas, mas não sabiam que o dono daquele jogo, já estava na partida. Senti o Hector tensionar ao meu lado com o golpe baixo contra a garota dele, mas o que veio a seguir me fez travar o
Laysa franziu o cenho, surpresa. Ela apertou o botão lateral várias vezes, mas o aparelho deu uma travada bizarra, a tela piscando em linhas disformes como se estivesse bugado. — Que estranho... ele estava com carga cheia. — Desliga e liga de novo. Antes que pudéssemos entender o que tinha acontecido com o telefone, duas batidas firmes soaram na porta de madeira, fazendo nós duas darmos um pulo. — Guarda isso! Vai... sussurrei rápido. Laysa enfiou o celular na bolsa, fechando o zíper às pressas. A porta se abriu e o Cardoso apareceu no portal, vestindo um terno alinhado. — Está pronta, Violet? ele perguntou, mantendo o tom profissional e calmo de sempre. — Está na hora. O senhor Cupertini já está aguardando na cerimônia. Tentei disfarçar o tremor nas mãos e sorri fraco. — Eu já vou, Cardoso... Noivas sempre se atrasam um pouco, me dá só mais um minuto. Ele assentiu com um leve gesto de cabeça. — Não demore. E fechou a porta, saindo pelo corredor. Assim que f
Aiden soltou, a incredulidade evidente na voz. Hector nem piscou, mantendo o maxilar travado e o olhar fixo em mim, ignorando completamente o comentário do irmão. Continuei, sem dar espaço para distração. — A rebeldia dessa garota, a desobediência dela, pode nos custar caro demais se ela der um passo em falso fora dos muros desta mansão. Eu não vou tolerar ver tentarem usar a minha noiva contra mim através da irmã dela. Hector deu um passo à frente, a voz saindo baixa, cortante e mortalmente séria. — Ninguém vai tocar nela. Dei um aceno de cabeça imperceptível, reconhecendo o brilho perigoso nos olhos dele. — É assim que se fala. Voltei a me movimentar pelo escritório. — A Núbia está cercando elas. Está usando uma amiga de infância para atraí-las para uma armadilha. Violet tem repulsa por essa mulher, mas eu não sei até onde vai a lealdade ou a influência dessa amizade com a sua. Antes que o Hector pudesse responder, o som vibrante de uma notificação cortou o ar. Ele puxo
Nayla deu uma risada leve, passando a mão pelo ventre em um gesto carinhoso. Laysa manteve os olhos fixos na barriga dela, parando tempo demais ali, com uma expressão indecifrável. Sem filtro algum, Laysa disparou: — Esse filho tem mesmo chance de ser do Hector? Nayla travou no lugar, surpresa pela pergunta direta e repentina. Olhou para mim estranhando, mas acabou respondendo: — Não... Bom, além da questão das datas, eu soube de algo que... deixa a chance quase nula. Como assim, uma coisa? — Que coisa, Nayla? Nayla suspirou, abaixando o tom de voz: — O Cássio mandou trocar a minha pílula do dia seguinte. Eu tomei um remédio que não fez efeito nenhum. Ele já sabia que estávamos nos envolvendo e queria garantir que a gestação acontecesse. Laysa virou o rosto lentamente para mim, o olhar em choque. — Onde foi que você meteu a gente, Violet? Naguei com a cabeça, tentando engolir o impacto daquela revelação sobre o Cássio. Nayla interveio, tentando relaxar a conversa: — Tudo
Depois que a porta do quarto se fechou, não conseguimos mais ouvir o som da conversa abafada que vinha do corredor. Laysa tinha acabado de sair, me deixando a sós com o Cássio. O silêncio rápido que ficou era denso, E aquela descoberta que ainda parecia irreal queimou dentro do meu peito. Olhei para o teste de gravidez sobre a mesa de cabeceira, a palavra Positivo estampada que não deixava dúvida alguma e depois ergui os olhos pra ele. — Cássio... Minha voz quase nem saiu. Meu coração aceleradissimo. Ele deu passos firmes em minha direção. Suas mãos grandes pegaram meu rosto, segurando firme. Meu corpo inteiro amoleceu com o calor dele. Ele colou sua boca na minha. A pressão dos seus lábios, mais parecia um selo de confirmação do que qualquer outra coisa. A mão dele estava firme na minha nuca, o nosso ar se misturando. Afastei levemente os lábios deixando nossos rosto praticamente todo unido. — Você é a porra da mulher da minha vida. Meu coração errou as batidas
Ela nem espera a irmã responder, levanta da cadeira em um sobressalto, cruza a sala de jantar a passos rápidos e puxa a laysa pelo braço, arrastando a mala junto com elas. O desespero na cara da minha noiva para fazer aqueles testes é quase palpável. Levantei pronto pra ir atrás, mas Cardoso diz: — Tem um minuto. — agora não. Ele para na minha frente. — É importante senhor. A postura dele muda, se tornando mais rígida, o olhar focado. — Senhor Cupertini... Com essa nova suspeita, pressumo que queria ver isso o quanto antes. ele diz, a voz baixa, o tom confidencial de sempre. — Fale de uma vez. — Tenho atualizações sobre a nossa vigia. O homem na folha de pagamento da Núbia finalmente aceitou o nosso acordo. E ele já nos soltou uma informação de peso. Ergo os olhos para ele, deixando de lado a xícara de café. — Ele confirmou que a Núbia andou se encontrando com esta mulher nas últimas horas. Cardoso puxa o tablet debaixo do braço, digita um comando rápido e vira







